Vem aí o 1º Encontro Regional do Movimento Cristão 60+ “Tempo de desfrutar e de semear”

A maior tendência global do nosso tempo é o envelhecimento. A igreja não pode ficar alheia a isso.

Com o tema “Tempo de desfrutar e de semear”, o 1º Encontro Regional do Movimento Cristão 60+ (MC 60+) acontecerá no dia 17 de maio de 2025. Será um evento de um dia só em São Paulo, SP, em um lugar de fácil acesso.

A maior tendência global do nosso tempo é o envelhecimento da população. A Divisão de População das Nações Unidas estima que o número de pessoas com 65 anos ou mais deve dobrar nos próximos trinta anos. A igreja não pode ficar alheia a isto.

“Alguns chamam a velhice de bênção. Outros a consideram um castigo. Para alguns, os idosos têm uma missão a cumprir, para outros, é apenas o declínio da vida” (1). Para o MC60+ é perfeitamente possível a vida plena na velhice. O versículo chave do Movimento reflete isso: “Mesmo na velhice darão fruto, permanecerão viçosos e verdejantes, para proclamar que o Senhor é justo” (Sl 92.14).

Ágatha Heap, preletora do Encontro de 2024, escreveu: “Uma vida plena é uma vida em que ainda servimos com os nossos dons, somos gratos e contamos as bênçãos ao longo dos anos, nos comprometemos em amor com as pessoas. Contamos com Deus todo o tempo”.

Durante as palestras, devocionais, workshops, compartilhamento de experiências, momentos de socialização e comunhão os participantes do 1º Encontro Regional terão oportunidade de ouvir e vivenciar assuntos que lhes dizem respeito: sua relação com a igreja, autocuidado, envolvimento na missão, segunda carreira e, não menos importante, o “desfrutar da vida”. – temas que mantêm continuidade com o que já vem sendo tratado nos encontros nacionais.

Conheça alguns dos preletores

Irland Azevedo, 90 anos, casado com Zilá há 67 anos, tem dois filhos, sete netos e quinze bisnetos. É pastor há mais de sessenta anos, foi professor de seminário, conferencista no Brasil e no exterior, mentor de pastores e é autor de quatro livros.

Thomas Hahn
, nasceu em Viena, Áustria, mas é carioca por formação. Casado com Christine há mais de sessenta anos, tem três filhos. É pastor na Igreja Batista da Granja Viana, em Cotia, SP. Escreveu vários artigos publicados no site do MC60+, entre eles “Carta de um velho”. Ele completará 90 anos exatamente no dia do Encontro.

Rosa Hasegawa
 apresentará o projeto Lírios do Campo, que há mais de 15 anos desenvolve atividades para idosos a partir da Igreja Metodista Livre, na Saúde, São Paulo, SP.”


Adriana Saldiba
, nutricionista e doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, é casada com o Rev. André Saldiba, é mãe de três filhos, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Envelhecimento na Universidade São Judas Tadeu. Ela participou da redação do relatório Status Atual da Grande comissão, produzido pelo Movimento Lausanne, no tópico Envelhecimento global da população.

Se você quer aprender a envelhecer, ou compreender melhor o envelhecimento de seus familiares ou membros de sua comunidade, ou se equipar para um ministério profícuo com os 60+, não perca a oportunidade de estar presente neste Encontro. Faça já a sua inscrição [aqui].

Sobre o Movimento Cristão 60+

O MC60+ nasceu no coração de um grupo de amigos nesta fase de idade com o objetivo de despertar as igrejas para esta realidade e, ao mesmo tempo, para encorajar os 60+ a não se aposentarem da carreira cristã, ao autocuidado e a servirem à igreja com seus dons, experiências e rede de contatos.
Uma das principais formas de atingir os seus objetivos é a promoção de eventos. Visite o site do MC 60+ para saber mais sobre o Movimento e ler sobre os encontros já realizados.

Serviço:
I Encontro Regional do Movimento Cristão 60+
Tempo de desfrutar e de semear
Quando: 17 de maio de 2025, sábado, das 8 às 18 horas
Onde: Igreja dos Cristãos de São Paulo, Rua Dr Abelardo Vergueiro César, 682 – Vila Alexandria – São Paulo, SP
Inscrições aqui.

Agradeço por tudo

Por Wilfried Körber

Outro dia escrevi sobre um pensamento incomum que tive: “Agradecer pelas coisas que não tenho”. Normalmente as pessoas pedem a Deus, coisas que eles não têm, mas gostariam de ter. É bem diferente quando agradecemos pelo que não temos. O que acha? Achei numa revista um texto sobre essa questão. Gostei, e por isso vou traduzi-lo aqui. Trata-se de um testemunho contado durante uma conferência realizada com colegiais.

“O dia estava lindo e a natureza num bosque composto por lindas árvores, flores e um riacho, tornava a cena muito agradável. Entre outras, estava ali uma estudante cega, que nada via dessa paisagem. Em seu testemunho, ela disse: “Não posso ver essas belezas pelas quais vocês agradecem, mas de outro lado, também não posso ver as coisas feias que vocês precisam ver. Com sinceridade, posso agradecer a Deus pela minha cegueira. Sou cega desde que nasci. Nunca vi qualquer coisa que existe ao meu redor. Contudo, a primeira coisa que vou ver, é Jesus, quando Ele no céu me dará um novo corpo, um corpo eterno”.

Esse testemunho reforçou o meu pensamento de que também devo agradecer a Deus pelas coisas que não tenho. Felizmente ainda posso ver, e agradeço a Deus por isso. Meus olhos já estão enfraquecendo, mas ainda posso ver. Dos ouvidos, há muitos anos só um funciona, mas com auxílio de um aparelho auditivo ainda ouço perfeitamente. Algumas outras capacidades também estão diminuindo, mas ainda posso participar sem restrições do que é importante. A velhice chegou, a eternidade se aproxima, mas de nada disso me lembrarei, quando, também eu, puder ver o meu Salvador.

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

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Meu celebrar

Uma 60+ descobrindo uma nova forma de viver

Por Nira Duarte

De manhã, bem cedinho, vou caminhando em direção ao mar para ver o resplendor do nascer do sol, substituindo as luzes da alvorada.

E ali, contemplando extasiada a tela colorida dos átrios de Deus, meu coração se curva em adoração e gratidão.

Mas só olhar o vasto mar não é suficiente.

Subo na prancha e começo a deslizar pelas águas, às vezes calmas e, outras, elas dançam sob a ação dos ventos.

O remo é meu leme, que me direciona para o destino que vejo à frente, porém nem sempre busco um lugar para atracar. O só ficar ali em meio (e sobre) as águas, ouvindo o som das ondas, contemplando a maravilhosa criação de Deus, fitando o céu, morada do Altíssimo, já é um pequeno vislumbre das delícias da eternidade.

É nesse cenário que vejo (e sinto) Deus sorrindo pra mim, mostrando o seu amor e cuidado.

É quando mergulho nas águas desse mar, que me entrego ao batismo de alegria, de sensações cinestésicas e da consciência de que o Espírito que habita em mim é engrandecido pela gratidão que flui do meu corpo todo.

Olhar, contemplar, se conscientizar, desfrutar e festejar – são demonstrações dessa gratidão, que revela na vida abundante, que só é plena em Cristo – o autor e consumador da nossa existência.

A Deus, em Cristo, toda honra, glória e gratidão eterna.

Nira Duarte. A música “Teus altares”, de Vencedores Por Cristo, me ajudou a enxergar a plenitude das maravilhas das obras do nosso Deus, e a desfrutar dessa benção, especialmente quando eu já estava entrando na terceira idade. Ela me fez ter certeza de que para Deus o tempo é apenas um referencial e que a vida plena acontece em todas as idades.

As últimas milhas

Por Wilfried Körber

“Desde agora me está guardada a coroa da justiça, que o SENHOR, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda.” (2Tm 4.8)

Nessa vida, todos nós estamos a caminho que algum dia chega ao lar. Os idosos têm maior chance de chegarem ao destino antes. Para o filho de Deus é confortador saber que Ele está conosco. Não precisamos temer surpresas desagradáveis.

Enquanto ando com Ele, falamos a respeito de eventuais preocupações. Eu lhe falo, e Ele me responde. Ele fala comigo, e eu lhe sou agradecido. Nosso relacionamento é de Pai para filho. Se a viagem for cansativa, Ele me ampara. Se a caminhada for muito cansativa, Ele me carrega, mas nunca me sinto abandonado. Perto dele, sinto-me pobre; me faltam os recursos necessários. Nesse caso o Pai me sustenta; nunca me deixa só nas dificuldades.

O caminho dele às vezes é diferente do meu, mas com paciência e amor, me mostra a direção correta. Tenho que vencer subidas e descidas, mas há momentos de descanso e restauração. Há um momento em que Ele me diz: “Estamos chegando!” É nessas últimas milhas que preciso mais de Sua ajuda. Está ainda longe Canaã? Lanço minhas preocupações sobre Ele. Não preciso temer nada, pois Ele conhece muito bem a estrada, e me segura, para não errar a direção. Há momentos em que eu começo a tropeçar, mas seguimos em frente de mãos dadas, e nada tenho a temer. As últimas milhas podem ser cansativas, mas Ele me leva ao lugar de descanso. Estarei eternamente com Ele, e Ele comigo. Sigo alegre a minha estrada, sabendo que o melhor está por vir!

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

Imagem: KimJaesub. Pixabay.

Leia mais:

>> Quando Deus fala comigo?, por Wilfried Körber

>> A caminho de casa – vida, fé e como terminar bem – Resenha

Bíblia versus Inteligência Artificial – O que é melhor que a vida?

Por Eli Alone

– O que é melhor que a vida?

– Essa é uma pergunta filosófica!

Existem muitas respostas possíveis, dependendo da perspectiva e dos valores de cada pessoa. Aqui estão algumas possibilidades:

Respostas filosóficas

1. Nada: Para alguns, a vida é o maior bem e não há nada melhor do que ela.

2. Felicidade: Outros diriam que a felicidade é o objetivo supremo e o que torna a vida valiosa.

3. Amor: O amor pode ser considerado o que dá sentido e propósito à vida.

Respostas práticas

1. Saúde: Sem saúde, a vida pode ser difícil.

2. Relacionamentos: Conexões significativas com familiares e amigos.

3. Realização pessoal: Alcançar metas e objetivos.

Respostas poéticas

1. Sonhos realizados: Ver os sonhos se tornarem realidade.

2. Paz interior: Encontrar tranquilidade e contentamento.

3. Liberdade: Viver sem limitações.

Respostas espirituais

1. Conexão divina: Para alguns, a conexão com uma força superior é o que dá sentido à vida.

2. Iluminação: Alcançar a sabedoria e compreensão profunda.

3. Transcendência: Ultrapassar as limitações humanas.

– Qual é a sua perspectiva? O que é melhor que a vida para você?

– Segundo a Bíblia, é a Graça.

– Peço desculpas! Você está absolutamente certo! A Bíblia ensina que a graça de Deus é o maior bem que podemos receber (Ef 2.8-9; 2Co 12.9). A graça divina nos oferece:

Aspectos da Graça

1. Salvação: A graça nos salva do pecado e da separação de Deus.

2. Perdão: A graça nos perdoa e nos restaura.

3. Fortalecimento: A graça nos dá força para enfrentar desafios.

4. Transformação: A graça nos transforma para viver uma vida cristã.

Passagens bíblicas

1. “Pois é pela graça que vocês são salvos, por meio da fé; e isso não vem de vocês, mas é dom de Deus.” (Ef 2.8-9)

2. Mas ele me disse: ‘A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.'” ( 2Co 12.9)

3. “Onde o pecado abundou, a graça superabundou.” (Rm 5.20)

– Muito obrigado por corrigir-me! A graça é, de fato, um presente precioso de Deus.

A Graça é melhor que a vida. O menor dos filhos de Deus desbancaria a IA.

Eli Alone, 72 anos, viúva, mantém desde 2023 o blog Terra do Esquecimento. Ela se define como pentecostal reformada e leva muito a sério o ministério da intercessão.

Artigo publicado originalmente no blog Terra do esquecimento. Reproduzido com permissão.

Imagem: Brian Penny. Pixabay.

Entre gerações

Crescimento vem do cultivo do relacionamento com Deus e da convivência e do cuidado mútuo na comunidade

Por Karen Bomilcar

“Não repreenda asperamente ao homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos; as mulheres idosas, como a mães; e as moças, como a irmãs, com toda a pureza” (1 Timóteo 5.1-2).

A multiplicação de grupos nas nossas comunidades (crianças, adolescentes, jovens, adultos, casais, solteiros, descasados, idosos) tem benefícios. Mas, se convivemos apenas com “iguais”, deixamos de cultivar um dos presentes mais lindos que a comunidade proporciona: a sabedoria e o crescimento que vêm das relações de intergeracionalidade. É nelas que aprendemos o respeito e a convivência.

Quando os mais novos convivem só com pessoas da sua idade e esperam amadurecer espiritualmente sozinhos e aqueles com mais tempo de caminhada não se sentem responsáveis pelos mais novos, não há crescimento sadio. Crescimento vem do cultivo do relacionamento com Deus e da convivência e do cuidado mútuo na comunidade.

Uma comunidade sábia, que cresce num relacionamento dinâmico com Jesus, amadurece em fé, esperança e amor. Sugiro então que você seja humilde, abra os olhos e os ouvidos e encontre duas ou três pessoas da geração acima da sua para andar com você. Queira repartir a vida de forma transparente, desde as coisas mais simples até as “grandes” questões. Busque amar a Deus amando outros, aprendendo com a experiência do outro.

E se você é dos mais velhos: Não importa a sua idade, você tem muito para contribuir. Conheça os mais novos na sua comunidade, convide-os para a mesa da comunhão e comece a construir vínculos.

Que Deus nos mobilize a dar o primeiro passo na direção do outro e preservar o presente da intergeracionalidade.

Pai, que sejamos atentos ao amadurecimento na fé como algo não apenas pessoal, mas também comunitário.

Karen Bomilcar trabalha como psicóloga hospitalar na área de saúde pública e como professora no Seminário Teológico Servo de Cristo e no Centro Cristão de Estudos. É mobilizadora voluntária da Rede Temática “Saúde para Todas as Nações” do Movimento de Lausanne.

Artigo publicado originalmente no devocionário Refeições Diárias Celebrando a Reconciliação, Ultimato. Reproduzido com permissão.

Imagem: Volzi, Pixabay.

Leia mais:

60+, não deixem de ir ao templo, por Délnia Bastos

Carta de um velho, por Thomas Hahn

Como honrar os idosos num mundo que valoriza os jovens, Por Ariane Gomes

Carta de um velho

Não espere a velhice para ser sábio, para que não se arrependa de uma vida sem alegria, sem vitalidade, sem abundância

Por Thomas Hahn

Meu caro amigo,

Esta sua ideia foi excelente: escrever sobre a velhice do ponto de vista… de um velho! Muito se tem escrito sobre a velhice. Pudera: estamos, de um modo geral, vivendo cada vez mais. O jornal ao qual subscrevo tem, diariamente, um espaço reservado para uma coluna obituária, pinçando a história de uma pessoa, geralmente muito bem escrita – e noto que, não raro, a pessoa em questão morreu aos oitenta ou noventa e poucos anos.

Os livros até aqui publicados sobre a velhice não falam da velhice em si. São dedicados a um público que está chegando lá, e contêm conselhos preciosos sobre como se preparar para esta fase da vida de tal maneira que ela seja desfrutada de uma forma gostosa, em todos os sentidos: financeiro, saúde física e mental, atitude, interesses etc.

Para uns, é possível seguir à risca os conselhos dados. Para outros, no entanto, a realidade é outra. Nem sempre é possível construir nossas finanças de maneira a continuar a viver como se vivia até, por exemplo, a aposentadoria. Tenho amigos que perdem seus empregos aos cinquenta e tantos anos, e não conseguem uma recolocação. Outros têm empresas que não dão muito certo e os deixam na mão no fim de suas vidas produtivas. E um grande número nunca desfrutou de uma situação que lhes permitisse desenvolver interesses variados, como viajar pelo mundo, enfim, levar aquela vida gostosa que deve (segundo os livros publicados) continuar ad eternum.

Os títulos dos livros me incomodam. Ninguém usa o termo “velho”. Ou é “terceira idade”, ou é “melhor idade”. Terceira dá a entender que existe uma quarta. Não tem. E “melhor idade” não diz respeito ao idoso. Acho que tem mais a ver com a indústria da saúde: médicos, hospitais e indústrias farmacêuticas. Vivemos a era dos eufemismos.

A verdade nua e crua é esta: a velhice é a última idade. E o mais interessante é que ninguém escreve sobre o que vem depois: a morte.

Por fim, ainda não li algo sobre a velhice escrita do ponto de vista cristão. Então é isto: vou colocar meus poucos neurônios sobreviventes para funcionar, e tentar dizer algo sobre o como é ser um velho cristão. Será, forçosamente, pessoal; mas, quem sabe, será de alguma serventia, não só para outros anciãos, mas para quem está no caminho de sê-lo.

O velho e a sabedoria

Você me pergunta se me sinto mais sábio nesta fase da vida. A resposta é: “Não!” O máximo que posso dizer é que, quem sabe, sou sábio há mais tempo. Só isso.

Digo isso porque a sabedoria, como lemos em Provérbios 1.7, começa pelo temor do Senhor. Ora, isto está ao alcance de todo aquele que busca a Deus; não existe, aí, nenhuma correlação etária.

Aliás, quanto ao quesito “sabedoria”, aplica-se o “quanto mais cedo, melhor”. Há um livro na Bíblia que nunca me trouxe prazer ler: Eclesiastes. Nele, o autor – possivelmente, Salomão – termina sua narrativa dizendo: não façam o que eu fiz, façam o que digo. E isto, no fim da sua vida. Ou seja, não esperem a velhice para serem sábios, para que não se arrependam de uma vida vivida sem alegria, sem vitalidade, sem abundância.

A aposentadoria

Claro, meu amigo, chegou a hora em que tive que me aposentar de vez. Já tinha, fazia tempo, idade para tanto. Mas quando minhas limitações físicas crescentes se aliaram à minha perda de relevância no meu metier profissional, pendurei as chuteiras de vez. No meu caso, deixei de trabalhar numa pequena empresa de serviços da qual era um dos sócios.

Graças a Deus, existe uma área de nossa vida na qual podemos continuar na ativa. É o trabalho que fazemos para o reino de Deus. Uma das histórias (reais) de que mais gosto é de uma senhora cujo ministério era escrever cartas a jovens detentos de uma penitenciária, ministério este que gerou muitos frutos de conversão. Eventualmente sua condição física a levou, de forma definitiva, à cama, sem possibilidade de continuar escrevendo. Perguntada se isto significava o fim de seu ministério, ela respondeu, indignada: “De jeito nenhum! Ainda posso orar!”.

Hoje tenho imensa satisfação naquilo que Deus me deu para fazer: um grupo de homens que se reúne semanalmente para conversar, livremente, sobre as coisas de Deus; discipulado para alguns incautos que acham que posso ajudá-los em suas caminhadas com Cristo; falar aos jovens da igreja (para minha enorme surpresa e deleite, insistem em convidar-me); pregar ocasionalmente nos cultos; e, finalmente, tocar meu pianinho enquanto a artrose não acaba, de vez, com esta farra.

Conheci, certa vez, um grupo de idosos numa igreja (de bom tamanho) que resolveu se juntar para ser uma espécie de “grupo com interesses especiais”. Reuniam-se para comer pizza, fazer viagens, ouvir palestras, e assim por diante. Perguntei-lhes o que se propunham a fazer como atividade na igreja, ao que responderam, indignados, que já haviam feito muito em suas vidas, dedicado horas ao serviço de Deus, sido presbíteros ou diáconos, e que agora era a hora do desfrute, da aposentadoria! Logo agora que, aposentados, tinham mais tempo disponível para se dedicar às coisas de Deus!

O grupo não teve sobrevida longa. Desfez-se em pouco tempo.

Quanto a mim, tenho em mente que existe alguma correlação entre eu continuar vivo e o poder servir a Deus. Minha esperança é que quando eu não puder mais continuar a seu serviço aqui (sempre tem o “alemão” espreitando por perto) Ele me leve para si.

Morte, eternidade e outras coisas…

É bem verdade, meu amigo, que a velhice é a derradeira oportunidade que temos para compreender o sentido da vida, da morte, da eternidade e do plano de Deus. Novamente, tenho que dizer que não é bom deixar isto para o fim da vida; é jogar fora a própria vida. A verdade é que aquilo que pensamos sobre a morte – e o que vem depois – tem tudo a ver com a maneira que vivemos.

Por exemplo: se minha teologia é “fim do mundista”, isto é, se creio que a História caminha para a destruição do mundo por um Deus irado, meu cristianismo será totalmente individualista, centrado no eixo Eu-Deus, sem espaço ou perspectiva para o mundo que me cerca. Aceitarei, de bom grado, minha salvação, sabendo que ela me livra da morte e me leva para a eternidade com Deus, embora não consiga vislumbrar o que significa uma eternidade no céu (e como tem hinos sobre o céu!). Mas como o tal céu é totalmente separado da terra, esta teologia não cria nenhuma ligação entre a eternidade e a maneira que posso, ou devo, viver aqui e agora.

Já se eu vislumbro a Nova Jerusalém, descendo do céu para a terra, na qual habitarei para sempre em um corpo material cujas peças trazem uma garantia perpétua de bom funcionamento, consigo ver o Deus da criação, que achou que sua obra merecia elogios (bom, muito bom), que prometeu a Noé que não destruiria o mundo, que iniciou a história da recriação em Jesus, partindo do homem, e que há de completá-la recriando o universo – bem, vislumbro, então, um Deus que ama a matéria que criou, o que inclui o homem e a natureza. Pergunto: Se Deus ama sua criação, mesmo que atualmente esteja corrompida, posso eu ignorá-la, ou mesmo odiá-la? Posso ceder aos encantos da filosofia de Platão, afirmando que a matéria não presta, e o que vale é o espírito?

Desculpe, meu amigo, minhas investidas amadoras na teologia. É que eu, como membro de igreja há algumas décadas, noto que pouco, ou nada, se prega sobre a morte e sua derrota em Cristo, sobre a vida eterna material (e não espiritual), sobre a condenação e sim, sobre o inferno, sobre nossa participação ativa desde já no plano divino de recriação da terra, na pregação da justiça social, da não-corrupção, da proteção e ajuda aos fracos e oprimidos, da visão de um mundo mais parecido com aquele que Deus tem em mente, mesmo sabendo que não alcançaremos este objetivo até que Cristo volte. E que, por falta de pregação, nossas igrejas se tornarão, eventualmente, irrelevantes.

Em resumo, amigo, dá para ver que o tema “eternidade” vem sendo matutado por este escriba já faz tempo. Para ser exato, desde minha conversão, pois ela se fundamentou na ressurreição de Jesus, e esta, por sua vez, me levou por uma longa jornada até chegar às conclusões que expus. Agora, o que não pode acontecer a um velho é o que vivenciei há alguns anos. Estava liderando uma discussão de um grupo de “terceira idade”, e pedi para que respondessem, anonimamente, num pedaço de papel sem assinatura, à seguinte pergunta: “Você tem medo da morte?”. Das quinze pessoas presentes, só uma disse que não; os outros se pelavam de medo. Isto não é sabedoria para ninguém, muito menos para um velho.

Permita que este velho que lhe escreve tenha um momento de tristeza. Sinto-me solitário na minha busca por encorajamento nesta fase em que preciso ter minha fé reforçada, antecipando com alegria o Banquete para qual fui convidado. Quando abordo este assunto com irmãos da igreja, recebo como resposta algumas frases que preferia não ouvir, como “Vira esta boca pra lá” (movimento facial difícil de ser executado), “Você ainda vai viver por muitos anos” (como tem profetas nas igrejas!) ou, ainda, o famoso “O importante é que você tem saúde” (não tenho).

Minha sabedoria diz que seria bom que a igreja voltasse a falar sobre a eternidade, tanto para sua edificação e vida, como para ajudar seus idosos na etapa final de suas caminhadas.

Simplificando

Bem, meu amigo, vamos voltar a falar de coisas boas da velhice. Uma delas é a simplificação.

Passamos nossas vidas acumulando. A velhice é quando podemos, finalmente, desbastar nossa existência, livrando-nos do supérfluo, ficando com o essencial.

Veja, por exemplo, o caso de nossas moradias. No começo, não precisamos de muito espaço. Depois, casamos, temos filhos, ganhamos algum dinheiro, aumentamos o tamanho do lar, adquirimos uma casa de praia ou campo (aquela que nos traz duas alegrias, quando compramos e quando vendemos), roupas que não precisamos, mas que são bonitas, móveis idem, e por aí vai. Ah, sim, consideremos as coisas herdadas de nossos pais, tios, avós, e que são verdadeiras tranqueiras lá em casa.

A velhice é uma boa (e a última) oportunidade para fazer uma faxina, livrando-nos das coisas que acumulamos, mas cuja posse nos traz mais despesas que alegrias. A proposta chinesa, de jogar fora tudo que não foi usado nos últimos doze meses, é realmente boa – sem pensar no bem que podemos fazer para outras pessoas que precisam do que, para nós, já não é mais necessário. E, indo direto para o fígado, simplificar enquanto estamos vivos reduz o estresse de um inventário complicado. Poupemos, à medida do possível, nossos herdeiros. É para isto que existem advogados.

Observo que simplifiquei não só minha vida material, mas, da mesma forma, a espiritual. Tenho cada vez menos certezas, mas as que restam são cada vez mais firmes. Tem muita coisa que, em certo momento, parecia ser importante como doutrina de fé. Já hoje, aprofundo-me mais na doutrina básica dos apóstolos, que é rica o suficiente para ocupar minha mente por vários séculos, e perco o interesse em discutir sub-doutrinas que separam os cristãos em várias igrejas e denominações. Tenho, sendo evangélico, imenso prazer em ler declarações do papa quando coincidem com as Escrituras! E perdi, completamente, o medo de dizer “Não sei” quando, realmente, não sei. Tenho uma boa lista de perguntas que pretendo fazer quando estiver com Jesus, mas desconfio que muitas delas não serão mais relevantes.

O importante, na simplificação, é não ter medo – e o maior medo que temos é perder status. Quando vendemos nossa última casa, e mudamos para um apartamento de 68,2 metros quadrados, fui, por vezes, criticado, e por outras, confrontado: “Como é que você teve coragem?”. Mas não era questão de mais ou menos coragem. Era, simplesmente, necessário, financeiramente (as despesas de manter uma casa com jardim aumentavam, a renda diminuía) e física (uma área menor para minha esposa, com pouquíssima ajuda minha, cuidar). E, que maravilha, estamos felicíssimos em nosso ninho. Simplificação é sabedoria.

Dependência

Você me pergunta se tenho problemas com a eventual perspectiva de me tornar dependente de outros. Sei que para muitos, esta questão assusta, e bastante. A reação que mais encontro é que tornar-se dependente é uma desonra, uma confissão pública de fracasso na vida, um atestado de incompetência e fraqueza de vida.

É normal que a última fase da vida acarrete uma fragilidade financeira. Nossa receita diminui, nossas despesas médico-hospitalares aumentam, e a equação não fecha mais. Mesmo aqueles que vinham bem em sua carreira profissional tornam-se vulneráveis aos cinquenta – conheço vários que perdem seus empregos ou empresas nesta idade, e não tem mais como consertar a situação a tempo de usufruir de uma velhice amena e gostosa. Sua receita fica, eventualmente, restrita à aposentadoria — o que não garante as contas normais, que dirá das viagens, jantares fora, idas ao teatro, etc. O destino final pode ser a dependência financeira de outros, começando pelos filhos.

Igualmente assustadora é a dependência física advinda da doença. Não preciso mencionar quais podem ser – a lista é conhecida de todos. Existe, é claro, o lado lúdico da coisa (desde que se tenha um senso de humor razoável). Um exemplo é a rivalidade entre minha esposa e eu para ver quem tem mais remédios na mesa do café da manhã. Por enquanto, vou ganhando – minha xícara fica escondida por trás de uma falange de potes e vidros. Falando sério: depois da minha última cirurgia de coluna, estava tão fraco, e sentia tanta dor, que não conseguia tomar banho sozinho, precisando do auxílio de enfermeiros. Minhas pernas, mesmo com a cirurgia, não funcionam a contento, pouco posso fazer para ajudar minha esposa em casa, e, não raro, preciso de uma mãozinha para atravessar a rua.

A moeda, no entanto, tem outra face. Ao vivenciar minhas dependências, verifiquei que Deus abençoava as pessoas que me ajudavam, enchendo-as de um espírito amoroso de serviço. Verifico, na minha velhice, que quando deixo de ser o centro de minhas preocupações e consigo olhar para fora, posso me deleitar com a maneira como o Senhor age. E, neste processo, aprendo novamente o como é bom, importante e vital depender dele, embora tenhamos todos aprendido a sermos autossuficientes em nossas vidas.

Novamente, meu amigo, esta é uma lição que deve ser aprendida o mais cedo possível. Não precisa esperar ser velho.

Perdas

Sou forçado, meu amigo, a falar de uma constante inescapável da última idade. Refiro-me a perdas: financeiras, físicas e pessoais. Financeiras – bem sobre elas já falamos bastante e, de um modo geral, creio que se estivermos conscientes de que elas são, se não uma regra absoluta, pelo menos frequentes, podemos agradecer a Deus pelo que tivemos, encarar a nova situação e agradecer, novamente, pelo que temos. Isto é sabedoria em qualquer idade.

As perdas físicas são inescapáveis, em algum momento. São, também, imprevisíveis. Por mais que uma pessoa tenha se cuidado, e continue a se cuidar, observando tudo que se recomenda e consultando o médico regularmente, vem a hora em que nosso corpo falseia, tropeça e cai. Perde-se uma mobilidade, um prazer, um órgão importante, e não existe dinheiro que reponha o que se perdeu. Nosso corpo emite um aviso: a última idade está chegando ao fim! Não foi, portanto, por acaso que recomendei, no começo desta carta, que um ancião tivesse sua teologia em ordem, sua fé viva e definida. Caso contrário, estas perdas significarão pânico e angústia.

Finalmente, falemos de outro assunto que incomoda nossos irmãos: falar sobre a perda de pessoas queridas. Cada perda é um pedaço de minha vida que se vai – estou me sentindo um verdadeiro queijo suíço, de tantos buracos. Um dos choques absurdos da vida é quando uma pessoa vive o suficiente para enterrar um filho, uma pessoa mais jovem – nossa biologia se revolta contra esta inversão da lógica. E, por fim, a incerteza de saber quem irá falecer primeiro: o marido ou a esposa. Pensar em deixar o cônjuge só traz um sentimento de culpa; pensar o oposto produz medo da solidão, do abandono. Não pensar sobre o assunto? Impossível.

Sim, meu amigo, é verdade que verei algumas destas pessoas no eterno porvir, verdade esta que deveria me trazer consolo. Noto, no entanto, que este consolo não ameniza a dor da perda. Nesta hora cabe, unicamente, a certeza absoluta de que nada nos pertence; tudo é de Deus. Se o Senhor deu, e o Senhor tirou – bem, bendito seja o nome do Senhor! Aceitar a dor, aceitar o consolo que Deus nos envia – isto é sabedoria que se adquire com o tempo.

Antes de concluir estes comentários sobre perdas, permita-me falar de uma que pode desencadear a velhice – em qualquer idade! Falo da perda de relevância. Quando sua opinião já não é mais importante, principalmente no âmbito profissional, comunitário, associativo ou político. Quando mal se disfarça o tédio de ter que ouvi-lo, tamanha sua insistência. Quando decisões são tomadas sem que você seja ouvido, que dirá consultado. Quando você constata que o mundo não precisa de você para continuar girando. Quando seu filho, para quem você era herói, exemplo e âncora, toma seu rumo sozinho e, no máximo, oferece conselhos a você. Aí, só vejo uma saída: faça o que você quer fazer, gosta de fazer, sabe fazer, do jeito que puder, sem a presunção de estar colaborando para o bem maior da humanidade. Humildade nunca fez mal a ninguém

Menos pode ser mais

A esta altura do campeonato, você, meu amigo, já entendeu que o velho pode fazer cada vez menos. Tem menos saúde, menos dinheiro, menos tudo. Mas isto está longe de ser necessariamente mau. Nós, os velhos, temos uma posição privilegiada, pois, ao invés de vermos nós fazendo isto ou aquilo, assistimos, de camarote, Deus realizando. É um privilégio. E, para dizer a verdade, deveria ser sempre assim; perdemos muito tempo pensando que é nosso esforço, mental ou físico, que define rumos, modifica vidas, traz resultados.

Um exemplo recente serve de exemplo. Tive a ideia de formar um grupo de homens na minha igreja, que se reúne semanalmente para bater um papo solto, embora voltado, de alguma forma, para as coisas de Deus. Não existe a figura do preletor. Pois bem, tenho tido a benção de ver este grupo se transformar em pessoas ativas da igreja, buscando a vontade de Deus em suas vidas, crescendo em interesse nas Escrituras. Minha participação foi, apenas, este embrião de projeto, já que não tinha a menor noção do que dele resultaria. Tem, sem dúvida, sido uma benção em suas vidas – mas, garanto, tem sido maior na minha. Quando somos menos, Deus é mais.

Aprendendo uma nova linguagem

Minha vida cristã começou aos 38 anos. Leitor assíduo, devorei, além da própria Bíblia, livros e mais livros. Andei, por longos anos, de mãos dadas com teólogos, pastores e, lamento dizer, vários picaretas. Por pouco não fiquei preso à prosa da lógica. Quem me abriu os olhos – quando eu já tinha ultrapassado os sessenta – foi o pastor Osmar Ludovico. Descobri que a prosa racional é necessária para o conhecimento de Deus (melhor dito: daquilo que nos é possível conhecer), mas não suficiente. Quando o apóstolo Paulo, mestre da doutrina, acaba de expor parte da doutrina, e se aproxima da majestade de Deus, ele joga a prosa ao mar e sucumbe à poesia, ao lirismo.

Se Deus não cabe na prosa, muito menos cabe nos chavões. Estes, quando usados constantemente, tornam-se herméticos. Ao invés de aproximarem o ouvinte de um Deus majestoso, reduzem-no a um deus nanico, interessado apenas em nos ensinar a sermos doutrinariamente corretos (o que, se possível, é pior que ser politicamente correto). Usar toda a riqueza da linguagem é, sem dúvida, arriscado; no entanto, é através deste processo que a doutrina, que é santa e boa, torna-se mais real, tanto para quem nela medita, como para quem a ouve.

Não estou dizendo, meu amigo, que você deve abandonar a prosa; apenas, adicione a poesia – mesmo que sem rimas.

Finalmente

Oscar Wilde disse que conseguia resistir a tudo – menos à tentação. Eu, também. Tenho, no entanto, uma justificativa: você me pediu para dar alguns conselhos quanto à velhice, que é o que ora faço, com a ressalva de que, se fossem bons, seriam pagos.

. Escreva suas memórias. Você pensa que sua família (principalmente seus filhos) conhece sua vida. Não é verdade. Ponha tudo no papel, para que eles saibam quem era, na verdade, seu pai/avô/tio/amigo, quais os ambientes e circunstâncias que moldaram sua personalidade, como eram os seus pais, etc. Aproveite para revisitar sua vida. É gostoso, e escrever no computador facilita as coisas.

. No embalo, aproveite este tempo para fazer duas coisas. Primeiro, busque uma ocasião (em tempo ou fora de tempo) para dizer às pessoas que você ama – que você os ama! Para filhos adultos, é uma benção; para seu cônjuge, vital. Não deixe de fazê-lo enquanto pode – depois pode ser tarde demais.

. Conserte relacionamentos que ficaram esgarçados pelo caminho.

. Ponha sua vida em ordem – dê o menor trabalho possível aos herdeiros.

. Admoeste a quem precisa de admoestação. Peça perdão a quem se sente ofendido por você. Perdoe quem lhe tiver ofendido.

. Se possível, mantenha contato com pessoas de todas as faixas etárias, principalmente na sua igreja. Mostre – e desenvolva – interesse em suas vidas. Evite ficar preso a pessoas de sua idade. Fuja da tentação de conversar sobre sua saúde, médicos, tratamentos e remédios (pelo menos, policie-se para ficar no mínimo exigível).

. Mantenha seu senso de humor. Exercite a risada.

. Dê seu testemunho de fé.

. Leia. Escreva cartas para os jornais (mas não espere que publiquem).

. Não lute contra a velhice com as armas que o marketing propõe. Melhor é: abrace e aceite sua última idade.

Thomas Hahn, nasceu em Viena, Áustria, mas é carioca por formação, casado com Christine com quem tem três filhos. Congrega na Igreja Batista da Granja Viana, em Cotia, SP.

Leia mais:

>> Pequenas grandes coisas que nós, idosos, devemos fazer, por Thomas Hahn

>> Novos papéis na igreja, por Daniel Yashimoto

>> A visão bíblica sobre a velhice, por Erni Seibert

Crédito da imagem: Rachel Strong, Unsplash.

60+, não deixem de ir ao templo

“Quero contemplar-te no santuário e avistar o teu poder e a tua glória”

Ana, uma 60+ do Primeiro Natal

Por Délnia Bastos

Meu testemunho será breve.

Meu nome é Ana. Sou viúva e tenho 84 anos. Estive casada por apenas sete anos, quando meu marido morreu. Sou do grupo de judeus piedosos que aguardavam com fé a era messiânica. Gosto muito de adorar a Deus no templo, com jejuns e orações. Uma das minhas passagens favoritas das Escrituras é um Salmo do Rei Davi. Tem uma parte que diz: “Quero contemplar-te no santuário e avistar o teu poder e a tua glória”. Por isso, estou sempre no templo, principalmente no pátio e arredores.

Já vivi bastante e muitas coisas marcantes me aconteceram. Mas nada foi tão sublime quanto ao que vi na semana passada no templo: o próprio Messias, em carne e osso! Deus cumpriu sua promessa na minha geração. Fui ao templo contemplar o Senhor e de fato vi o seu poder e a sua glória, como bem falou o Rei Davi. Vi o bebê prometido no colo do velho Simeão, outro judeu piedoso. Tanto ele quanto eu não tivemos nenhuma dúvida de que aquele bebê era o Salvador do mundo, ansiosamente aguardado por nós. Que dia glorioso!

A partir dali, não parei de falar do menino a todos os que passavam pelo templo e também aguardavam a preciosa promessa da redenção.

Na nossa cultura, pessoas da minha idade são muito respeitadas. Por isso, todos aceitam a minha palavra e ouvem com atenção quando eu conto essa experiência.

Bom, vocês já ouviram bons conselhos dos meus colegas. Só gostaria de acrescentar um: não deixem de ir ao templo sempre. Quantas oportunidades temos ali e como Deus pode nos usar para sua adoração, mas também para abençoar outros. Disseram-me que hoje muitos templos ficam fechados durante a semana. Que pena! Mas soube também que existem salas adicionais, onde é possível reunir pequenos grupos ou receber alguém para orar – talvez o equivalente ao nosso pátio. Por que não organizar uma escala entre vocês para estarem ali numa sala, disponíveis para receber e ouvir pessoas, e depois orar por elas? Que grande passo já seria este!

Que Deus os abençoe.

Délnia Bastos é casada, mãe de três filhos e avó de cinco netos, e serve na área de governança em algumas iniciativas de missão.

Leia mais:

>> Isabel – “Minha segunda carreira foi ser mãe”, por Délnia Bastos

>> Zacarias – um testemunho que fala por si mesmo, por Délnia Bastos

>> Conselhos de Simeão – um 60+ do primeiro Natal, por Délnia Bastos

Conselhos de Simeão – um 60+ do Primeiro Natal

Movam-se de acordo com os empurrões do Espírito Santo. Maravilhem-se diante de Jesus. Não desistam das próximas gerações

Por Délnia Bastos

Simeão e Ana reconhecem Jesus. Rembrandt, 1627.

Sou Maria, agraciada por Deus para ser a mãe de Jesus – como vocês bem sabem.

Quero contar algo que nos aconteceu há muito tempo em Jerusalém. Foi algo que jamais esquecerei, pois marcou-me profundamente por toda a vida.

De repente, sem qualquer planejamento, um senhor chamado Simeão apareceu quando José, eu e o

bebê estávamos no templo, durante o ritual da apresentação de Jesus. Simeão simplesmente pegou o bebê no colo e começou a louvar a Deus de forma totalmente inesperada: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel”. Ficamos muitíssimo admirados!

Depois, ele nos abençoou e me disse que meu filho tinha sido escolhido para provocar a queda de

muitos, mas também a ascensão de tantos outros. E que muitos seriam contra ele, de modo que eu passaria por um grande sofrimento – como uma espada que traspassaria minha própria alma.

Já estávamos sabendo que nosso filho seria o Salvador, pois o anjo nos tinha dito. Mas aquele

homem que nem conhecíamos parecia saber muito mais sobre o nosso próprio filho. Simeão viu muito além de um bebê em seus braços: viu a salvação de Deus, a luz do mundo e também um

motivo de divisão. Ele sabia que, diante de Jesus, a neutralidade seria impossível!

Confesso que fiquei pensativa no que ouvi, principalmente a parte negativa. Anos depois, senti exatamente aquilo que Simeão tinha previsto: diante da cruz, uma espada dilacerou-me o coração. Mas estou aqui pra falar de Simeão, e não de mim.

Creio que, se ele estivesse aqui, daria os seguintes conselhos aos queridos irmãos: Perseverem na justiça e na piedade, enquanto aguardam as promessas de Deus: eu aguardei ansiosamente a primeira vinda do Messias; aguardem, com o mesmo fervor, a segunda vinda. Não parem, mas movam-se de acordo com os empurrões do Espírito Santo. Maravilhem-se diante de Jesus. Abracem-no sempre e louvem a Deus de coração. Busquem o discernimento espiritual para conhecer tempos e épocas. Reconheçam a missão de Deus e participem dela, lembrando que a redenção deve alcançar os gentios, os povos ao redor do mundo. Abençoem os mais jovens, conversem com eles, mesmo que seja necessário falar palavras duras algumas vezes (como Simeão fez comigo, preparando-me para o sofrimento). Não desistam das próximas gerações. Por último, tenham paz, aceitação e serenidade diante da morte. Ela é um prêmio para quem aguarda as promessas de Deus.

Délnia Bastos é casada, mãe de três filhos e avó de cinco netos, e serve na área de governança em algumas iniciativas de missão.

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>> Isabel – “Minha segunda carreira foi ser mãe”, por Délnia Bastos

>> Zacarias – um testemunho que fala por si mesmo, por Délnia Bastos

Zacarias – um testemunho que fala por si mesmo

Deixem-se surpreender por Deus: esperem dele algo novo e não o óbvio

Por Délnia Bastos

William Blake (1799-1800). O anjo aparece a Zacarias.

Gostaria de começar dizendo que tudo o que vou dizer aqui é verdade. E nada que direi será para meu engrandecimento – até porque os irmãos vão conhecer também as minhas falhas.

Sou um pastor, ou melhor, sacerdote do povo. Sou casado com a Isabel. Nós dois somos de ascendência sacerdotal como a nossa lei ordena; ou seja, somos filhos, netos e bisnetos de pastores.

Isabel e eu não tínhamos filhos. Para nossa tristeza, o fim da nossa linhagem parecia próximo, ainda que havíamos orado por um filho por muitos anos. Contudo, estávamos numa idade em que isso já não era mais possível.

Não ter filhos por aqui é impiedoso. É geralmente interpretado como um sinal de desprezo por parte de Deus: “Um homem vive nos seus descendentes”, dizem. Morrer sem filhos significa “ser apagado de nosso país”. Coitada da Isabel! O pior sobrava pra ela, que ouvia comentários de todo tipo. Por exemplo: “Como pode uma filha e esposa de sacerdote sem filhos? O que será que ela fez para merecer isso?”.

Mas Deus é tão bom, que, inexplicavelmente, tanto ela quanto eu não nos tornamos amargurados, revoltados ou entristecidos por causa disso. As pessoas até dizem que somos justos e bondosos. Realmente, durante toda a nossa vida, temos procurado seguir à risca os mandamentos de Deus. E isso com alegria, não por obrigação. Cremos que somos mais felizes e realizados assim, seguindo os preceitos de Deus.

Pois bem. Certa vez, fui sorteado para entrar no santuário do templo para queimar o incenso ao Senhor. Que privilégio! Esta honra é concedida apenas uma vez na vida – quando é concedida. Ao entrar ali, no Lugar Santo, algo incrível aconteceu. Um anjo apareceu no lugar de maior honra, à direita do altar. Por essa eu não esperava! Eu sabia que a última comunicação direta de Deus conosco tinha acontecido há 400 anos. Senti um misto de medo e reverência, um profundo terror misturado a uma irresistível atração pelo que estava acontecendo. Não sabia como me comportar, até que o anjo começou a falar comigo: “Não tenha medo, sua oração foi ouvida. Isabel dará à luz um filho e seu nome será João”. Fiquei mais perplexo ainda! Eu não estava ali por mim, mas por toda uma multidão que eu sabia representar, que até me aguardava lá fora. Eu estava ali adorando o nosso grande Deus, aguardando a promessa messiânica e não podia esperar por uma palavra diretamente para mim. E a coisa não parou por aí: o anjo disse que o filho teria uma missão especial; seu nome significaria “o dom de Deus” ou “Deus é bom”. Ele seria alguém separado por Deus, cheio do Espírito desde o ventre materno! Nossos profetas, até aqui, podiam ter um momento de enchimento do Espírito, mas nenhum deles havia experimentado ser cheio desde o ventre, de maneira permanente. O que era isso que estava acontecendo comigo?! Minha cabeça e meu coração não aguentaram tanta maravilha. Eu não tinha fé suficiente para acreditar no que o anjo dizia. Deixo aqui esta confissão: faltou-me fé. E isso me custou caro. O anjo foi meio bravo comigo, explicou que ele era Gabriel, cujo significado do nome eu conhecia muito bem: “Deus mostrou a si mesmo como é poderoso”. O mesmo Gabriel havia aparecido ao grande profeta Daniel muito tempo atrás. Ele disse que eu ficaria mudo até tudo se cumprir, o que de fato aconteceu.

Eu tinha tanta coisa pra contar, mas não podia. Eu recebi notícias maravilhosas, mas não conseguia transmiti-las. Foi uma disciplina e tanto de Deus para comigo. Eu precisava crescer na fé.

Enfim, nove meses depois, nosso Joãozinho nasceu. No oitavo dia, quando o levamos para ser circuncidado, conforme nosso costume, o povo reunido não queria aceitar a palavra de Isabel, que queria dar o nome de João ao menino. O óbvio era que a criança recebesse o meu nome, do pai, especialmente sendo filho único de pais idosos. Então me perguntaram e eu escrevi numa tabuinha: “João é o seu nome”, concordando com Isabel. Naquele instante, minha fala voltou e fiquei, literalmente, com a língua solta. Não conseguia parar de louvar. Finalmente eu podia expressar toda a minha alegria, exultação, gratidão e louvor a Deus. Foi ali, quando fiquei cheio do Espírito Santo, que saiu o Benedictus, que se tornaria um cântico conhecido de geração em geração.

Enquanto pronunciava aquelas palavras, tive mais discernimento e certeza da majestade e perfeição dos planos de Deus: enquanto orávamos pela vinda do Messias, Ele atendeu a oração particular de um velho sacerdote, e respondeu duplamente: enviou o precursor do Messias e nos agraciou com um filho. João foi nosso filho querido e também o profeta do Altíssimo, o maior entre os nascidos de mulher, diria Jesus anos mais tarde.

Assim, meus irmãos, eu os incentivo a cuidarem de si mesmos e de sua fé, que Deus cuidará de cada um de vocês. Procurem viver de forma justa e irrepreensível. Sejam bondosos para com todos, especialmente para com os mais fracos. Coloquem suas necessidades mais íntimas diante do nosso Deus bondoso. Sejam sempre alegres, mesmo nas circunstâncias difíceis, pois a nossa alegria está na certeza da presença de Deus e nas suas promessas. Arrependam-se quando forem disciplinados por Deus. Deixem-se encher do Espírito Santo, cresçam no conhecimento das Escrituras e, a partir daí, desenvolvam o discernimento. Por fim, não se cansem de falar das grandezas de Deus. Nós, os 60+, temos experiência, maturidade e dons confirmados para falar a todos das grandezas de Deus.

Não nos calemos nem deixemos de ser agentes da História da redenção, pois não há limite de idade para os feitos grandiosos do nosso Deus.

Délnia Bastos é casada, mãe de três filhos e avó de cinco netos, e serve na área de governança em algumas iniciativas de missão.

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