Aposentar não é deixar de ser produtivo

Experiências profissionais, pessoas com quem convivi, lugares que conheci, foram divinamente escolhidos para que, mesmo “aposentado”, eu pudesse ser usado por Deus para ser luz em meio à escuridão

Por Robert Liang Koo

Revisitar a sua própria história é sempre surpreendente. Como cheguei aqui? Não foi por minha escolha nem muito menos por mérito. Foi pela mão invisível de Deus, que me guiou, abrindo as portas, fazendo-me entrar mesmo sem entender. Pela graça de Deus, sou o que sou. E a graça não foi em vão, mas tem seu propósito (1Co 15.10).

Tenho 78 anos, três filhos e nove netos. Sou a quarta geração de uma família cristã da China. Meu avô nasceu na Coreia por causa das perseguições aos cristãos em meados do século 19. Chegamos ao Brasil em 1958, e me formei em engenharia eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1971. Sou grato a Deus por ter conhecido a Aliança Bíblica Universitária (ABU) durante o tempo de faculdade. Ela me deu base bíblica para entender o embate ideológico, influenciou minha formação espiritual e despertou em mim compaixão pelas causas sociais que iriam direcionar toda a minha vida. Já casado, vivi alguns anos nos Estados Unidos e com isso pude entender e comparar três culturas diferentes: a oriental, a americana e a de terceiro mundo (a brasileira); a concepção de vida e o cristianismo tingido por cada cultura.

De volta ao Brasil, permaneci por um certo tempo na academia, dando aula e fazendo  pesquisa. No fim da década de 80, comecei a minha própria empresa na área de automação industrial. O interessante é que nunca foi meu sonho ser um empresário, mas as circunstâncias me levaram por esse caminho. Embora eu não tivesse formação nem experiência empresarial, a graça de Deus foi mais do que suficiente. Minha empresa conseguiu sobreviver em meio a várias crises e decisões equivocadas, cresceu e permanece sólida, depois de 35 anos.

Também nessa época, comecei a pastorear a igreja da qual fui um dos fundadores. Como não havia feito seminário teológico, dediquei-me à leitura de bons livros, não só de teologia e de comentários bíblicos, mas principalmente de temas relacionados a orientação da formação espiritual. As obras de A. W. Tozer, John Stott, Eugene Peterson são as minhas leituras preferidas. Eu acredito que a congregação precisa não somente de exposição bíblica e ortodoxia, mas principalmente de saber como aplicar esses conhecimentos na sua vida diária.

Ao me aproximar dos 70 anos, iniciei o processo de passar a responsabilidade tanto da empresa como da igreja para outras pessoas. Eu sabia que retardar esse processo traria prejuízo, pois impediria o amadurecimento e a formação de novos líderes, então passei um bom tempo caminhando junto com eles.

Sempre alguém me pergunta: “Você já se aposentou?”. Fico pensando o que isso significa. Ter idade para receber uma aposentadoria não significa parar de trabalhar, ou que não temos mais utilidade. Não encontro base bíblica para deixar de ser produtivo mesmo que estivesse com idade avançada.

O trabalho vai mudando de acordo com a necessidade e a oportunidade, mas a vocação permanece sempre a mesma. Trabalho é o meio para cumprir a vocação. À medida que o tempo passa, a vocação que antes estava abstrata, nebulosa, fica mais concreta e clara, e o trabalho, mais objetivo. Trabalho é uma bênção de Deus. Ele traz maturidade e compreensão do mundo. O meu trabalho secular (academia, governo e empresa) me deu ferramentas para cuidar da igreja e das pessoas.

Mais recentemente, em meio à pandemia, montamos um projeto social para abençoar produtores rurais e comunidades urbanas com a distribuição de alimentos vindos do campo. Olhando para trás, vejo que minhas experiências profissionais, pessoas com quem convivi, lugares que conheci, foram divinamente escolhidos para que, mesmo “aposentado”, eu pudesse ser usado por Deus para ser luz em meio à escuridão.

Dom não é somente talentos que recebemos pela graça, mas engloba toda experiência adquirida debaixo do desígnio de Deus e deve ser usado para a sua glória até o último dia da nossa vida.

Robert Liang Koo foi empresário e pastor em São Paulo por mais de 30 anos. Atuou na ABUB nas décadas de 60 e 70. É engenheiro pelo ITA e PhD pela Carnegie-Mellon University, nos Estados Unidos. Ele integra o núcleo fundador do MC60+.

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Como aprender a “contar os nossos dias”?, por Ariane Gomes

Pequenas grandes coisas que nós, idosos, devemos fazer

Por Thomas Hahn

Eis minha única credencial para falar sobre a velhice: sou um velho. A arrogância da minha ignorância não me constrange: me liberta, assim como liberta você, leitor, de me levar muito a sério. Ficamos ambos mais leves.

O que fazer durante o ocaso da nossa vida?

Permito-me fazer algumas sugestões de como proceder em nossa caminhada.

Simplificando

Somos acumuladores de coisas que, em certo momento, nos pareceram vitais, mas que mais tarde provam ser pesadas e desnecessárias. Nossa inércia natural faz com que não tomemos decisões que tornariam nossas vidas mais simples, menos pesadas? As de nos desfazermos daquela casa com quartos para as crianças? Elas cresceram, voaram do ninho, casaram. A casa ecoa o silêncio. Mudei para um pequeno apartamento que contém o espaço que minha esposa e eu realmente precisamos, e que nos custa muito menos em manutenção.

A casa de praia/campo para qual só vamos uma vez por mês para pagar as contas? Passe adiante, e alugue um quarto de hotel, variando o destino. Simplifique os investimentos para que sejam facilmente administrados, seja por você, seja pelos seus sucessores. Deixe as coisas em ordem para os herdeiros, consultando um advogado para escolher o melhor caminho. Em síntese: diminua o peso e viva uma vida de leveza.

Aprendendo a depender

Você era o provedor, o sustentáculo, a coluna de sustentação. Agora você se vê dependente. Pode ser financeira, ou fisicamente. Lembro-me da minha reação, no hospital, depois de uma pesada cirurgia, sendo ensaboado e banhado no chuveiro por um enfermeiro. No começo, humilhação. A seguir, a percepção da providência de Deus, dando a este enfermeiro o dom de cuidado. A Graça de Deus em ação, e eu o receptor desta imensa Graça. A dependência mudou meu olhar, minha percepção. Aprendi a ver Deus realizando sua obra; meu foco deixou de ser autocentrado, e passei a ver o outro mais claramente.

Perdendo

A terceira idade é um período que se caracteriza por perdas. Perdas físicas: não é como desejaria, um processo de declínio lento e gradual, mas sim uma sucessão de quedas súbitas, de mudanças bruscas de patamares. Pode ser financeira: viver na aposentadoria é bem mais desafiador do que se imaginava. Perdas de pessoas queridas, amigos e amigas que se vão, pedaços nossos que são tirados, ficando os buracos da ausência, dores que continuam a doer, a despeito das orações e lembranças de versículos bíblicos sobre o consolo. E, por fim, a perda que define o início da nossa velhice: a perda da relevância. Não somos mais players. Os mais jovens não nos consultam – pelo contrário, nos dão conselhos que soam como ordens. Em nosso local de trabalho, nossa opinião patentemente não carrega nenhum peso; se perguntados, é meramente protocolar. Neste aspecto, a igreja pode mitigar a dor da irrelevância, invocando a sabedoria dos idosos (de verdade, não de mentirinha).

Aprendendo uma nova linguagem

Fazemos parte de uma civilização que endeusa a prosa da ciência. Com isto, perdemos o senso do Belo. Nossa teologia se debruça sobre a prosa racional e expositiva de Paulo, mas esquece que a cada raciocínio doutrinário segue-se uma doxologia, uma explosão poética de louvor e adoração, posto que a linguagem do amor é a poesia. E, já que em breve nós, os velhinhos, seremos adoradores na presença de Deus, convém que aproveitemos este tempo para sermos mais poetas e menos prosadores.

Já que falei em amor, faço uma proposta: reúna-se com as pessoas que lhe são realmente importantes, e diga-lhes o quanto as ama. Não em público, mas em casa, à mesa, com pão e vinho, olho no olho. Solene, não no piloto automático do “Te amo, irmã/irmão”. Quando meus filhos e seus cônjuges vieram me ajudar a comemorar meus oitenta anos, pedi a palavra antes do almoço, e lhes informei que eu os respeitava, admirava, e amava. Foi tão gostoso, que eu gostaria que você tivesse um prazer semelhante!

Uma última palavra sobre o amor: lembremos que dentro desta palavra existe outra, sem a qual a primeira não subsiste. Esta palavra é perdão. Na etapa final de nossa vida aqui na Terra, devemos fazer um esforço para, enquanto possível, consertar relacionamentos quebrados. Perdoar ou pedir perdão, conforme o caso. Mesmo sabendo que nem sempre nosso esforço será exitoso. Sem perdão não há como construir o amor, e o amargor continuará em nós.

Que o outono e o inverno da sua vida sejam inundados pelo amor do nosso Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo!

Thomas Hahn, 88 anos, casado com Christine há 60, pastor da Igreja Batista da Granja Viana, em Cotia, SP.

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Disrupção e o futuro do trabalho, por Volney Faustini

“É tempo de colher, mas ainda é tempo de plantar” é o tema do 4º Encontro Nacional promovido pelo Movimento Cristão 60+

Isabel – “Minha segunda carreira foi ser mãe”

Abracem sua segunda carreira de coração, seja ela qual for – algumas vezes será escolhida, outras vezes será imposta pelos acontecimentos. Mas aceitem o que vier de bom grado e Deus será com cada um de vocês

Meu nome é Isabel, que significa “Deus é meu juramento”. Sou da linhagem do primeiro sacerdote: Arão. Vocês devem achar estranho… Em nossa cultura, a pessoa é o nome, ou o nome é a pessoa, sei lá. Para nós, é fundamental saber o significado de cada nome, que, afinal, faz parte da personalidade da pessoa e mostra seu relacionamento com o Deus Eterno. Zacarias esqueceu de mencionar que o nome dele significa “lembrado por Jeová”. Como vocês ouviram, ele foi mesmo lembrado por Deus e contemplado com grandes maravilhas.

Não somente ele. Eu participei de tudo, exceto da visita do anjo no templo. Depois de dispensar a multidão, já em casa, como não podia falar, Zacarias escreveu pra mim um resumo da promessa do anjo. Fiquei extasiada!

Fui a primeira mulher mencionada no Novo Testamento, mais especificamente, no Evangelho escrito pelo Dr. Lucas. Ele foi um grande pesquisador e autor, e deu ênfase especial às mulheres em seu livro. Sou muito grata por isso.

Como Zacarias mencionou, não tínhamos filho e isso trouxe grande sofrimento para mim. Mas não vou me deter nessa parte. Tenho coisa mais bonita pra contar pra vocês!

Deus fez um milagre no meu corpo! Fazia uns dez anos que eu não tinha mais o costume das mulheres. Contudo, acordei um dia com enjoo e descobri que estava grávida, direitinho como o anjo havia dito. Resolvi ficar mais em casa – um costume da minha terra – mas também pra evitar falatórios. Nesse tempo, meu corpo foi se transformando a cada dia e, de certa forma, ficando cada vez mais “vivo”. Quando completei seis meses de gravidez, recebi a visita de uma prima muito querida, a Maria. No momento em que ela foi entrando pela porta, meu filho mexeu muito dentro da barriga, uma mexida diferente de soluço, de chute, de qualquer outro movimento que ele já tinha feito. Parecia um estremecimento de alegria, uma emoção muito forte. Nesse exato momento, fiquei possuída pelo Espírito Santo e exclamei para Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre. E de onde me provém que me venha visitar a mãe de meu Senhor?” Gente, que tempo especial tivemos o privilégio de viver! Quisera eu que todos vocês estivessem lá. O Espírito Santo, de repente, parecia que estava solto. Enchia um e outro entre um espaço de tempo curto, o que era novidade para todos nós. E eu estava ali, diante da mulher escolhida para ser a mãe do Messias, que tanto aguardamos. O meu Senhor estava sendo gerado no ventre da minha prima Maria! Isso era deslumbrante e muito emocionante!

Maria ficou comigo por três meses. Nessa época, aprendi sobre a intergeracionalidade: ela era tão jovem e eu, nos meus sessenta e poucos (dizem que a mulher para de contar, né?). Uma diferença de mais de 40 anos entre nós duas. Mas tínhamos assunto o tempo todo. Além disso, ela me ajudava em algumas tarefas da casa que já estavam ficando pesadas para uma grávida, ainda mais uma 60+. E ela me ouvia muito, das histórias do templo, dos meus antepassados, das minhas experiências de vida. Que tempo gostoso!

Aí nasceu nosso meninão e Maria fez sua viagem de volta. Afinal, ela também precisava se

organizar para receber seu bebê dali uns meses.

O resto da história Zacarias já contou a vocês. Gostaria de acrescentar apenas (porque é um dos temas deste evento) que não escolhi uma segunda carreira, ela me escolheu – e foi deliciosa! Minha segunda carreira, por incrível que pareça, foi ser mãe. Amamentei o Joãozinho por alguns anos, me diverti e me alegrei muito com ele. Parece que junto com a bênção de ser mãe tive outra bênção, a de me sentir rejuvenescida.

Irmãos, para finalizar, deixo alguns conselhos. Deixem-se surpreender por Deus: esperem dele algo novo e não o óbvio. Esforcem-se por se relacionar com outras gerações, como os jovens, os adolescentes e as crianças; mesmo que haja resistência no início, todos saem ganhando e aprendendo no processo. Abracem sua segunda carreira de coração, seja ela qual for – algumas vezes será escolhida, outras vezes será imposta pelos acontecimentos. Mas aceitem o que vier de bom grado e Deus será com cada um de vocês.

Este artigo é parte da palestra Os 60+ do Primeiro Natal, oferecida no III Encontro do Movimento Cristão 60+.

Délnia Bastos é casada, mãe de três filhos e avó de cinco netos, e serve na área de governança em algumas iniciativas de missão.

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Segunda carreira e missões, por Adércio da Silva Corrêa

Pompeia Visão 2038

No III Encontro Nacional do Movimento Cristão 60+, realizado em novembro de 2023, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o Projeto Pompeia Visão 2038 que aconteceu entre 2021 e 2023 em Pompeia, cidade do Centro-Oeste paulista. Esta apresentação foi feita por Gilson Nishitani, integrante do MC 60+, membro da Igreja Holiness de Pompeia onde serve com sua esposa Esther.

Fundada em 1928 e emancipada 1938, Pompeia tem cerca de vinte mil habitantes e se destaca pelo seu potencial industrial no segmento de agronegócio e tecnologia. Através da FATEC, a cidade é considerada pioneira no oferecimento do curso de mecanização em agricultura de precisão, e referência nacional com o curso de big data no agronegócio.

Projeto Pompeia Visão 2038

O Projeto Pompeia Visão 2038 é uma iniciativa da sociedade civil, com o objetivo de pensar e propor ações para que Pompeia se torne a melhor cidade de pequeno porte do país. A escolha do ano de 2038 está ligado ao centenário da emancipação da cidade.

Em 2038, desejo morar na melhor cidade de pequeno porte do Brasil! – Como tudo começou

Em 2017, um grupo de pessoas, liderado por Jorge Nishimura, conselheiro do Grupo Jacto, iniciou o processo de “sonhar junto” para construir a melhor cidade de pequeno porte do país até 2038. Consultaram diversos especialistas e elaboraram a Visão 2038, baseado nos seguintes valores:

I. ambiente de paz;

II. evitar ingerências nas instituições;

III. atuar voluntariamente;

IV. trabalhar de forma orgânica, participativa e colaborativa;

V. sem ambição política.

O projeto definiu 11 objetivos estratégicos:

1- Toda criança terá oportunidade de estudar numa escola excelente;

2- Moradores exercem cidadania plena, participando na elaboração, execução e controle de políticas públicas;

3- Mídia imparcial, honesta, participativa e construtiva;

4- Inovação, criatividade e tecnologia estão presentes nos negócios e também em outras áreas da comunidade;

5- Criação e manutenção de ambientes saudáveis, seguros e transformadores;

6- Sistema integrado de saúde com foco nas pessoas;

7- Famílias sólidas e felizes;

8- Cidade ambientalmente responsável;

9- Ecossistema integrando os 3 setores: público, privado e terceiro setor;

10 – Cidade inteligente;

11- Os cidadãos vivem dentro dos mais altos padrões morais, éticos e espirituais.

Para monitorar o alcance desses objetivos estratégicos, o grupo se dividiu em comitês, com seus próprios objetivos, que são:

– Cidadania e integração: Fomentar dinâmicas de engajamento social, incentivando o morador a ser um cidadão proativo na solução das principais demandas da comunidade;

– Saúde: Sistema Integrado da Saúde com Foco na Pessoa e nas Família; – Educação: Visão de futuro para a educação de Pompeia.

Um trabalho conjunto

O programa Visão 2038 foi dirigido pelo Instituto de Desenvolvimento Familiar Chieko Nishimura (IDF) em parceria com a Prefeitura Municipal de Pompeia e sob a coordenação pedagógica da Oficinal Municipal.

O IDF é uma organização sem fins lucrativos com sede em Pompeia. Foi fundado em abril de 2017 por membros da família Nishimura como uma iniciativa para contribuir com a educação e o fortalecimento familiar de colaboradores do Grupo Jacto e seus familiares, bem como do ecossistema e da comunidade local. A Oficina Municipal é uma Escola de Cidadania e Gestão Pública que realiza atividades de formação humana e capacitação técnica voltadas às pessoas que se dedicam à política e à gestão de políticas públicas municipais. A maior parte dos alunos são lideranças, profissionais de diversos setores e gestores públicos que querem compreender a política, suas instituições, valores, princípios e se aperfeiçoar tecnicamente de modo a gerir de modo responsável e competente as cidades brasileiras, seus governos, partidos e organizações da sociedade civil.

Programa de Capacitação de Conselheiros Municipais – um exemplo de iniciativa

O projeto teve início com a formação de comitês temáticos para as áreas de educação, saúde, cidadania e família, reunindo pessoas com atuação e interesses conectados, procurando entender o estado atual da cidade, ouvindo especialistas e compartilhando informações, conhecimento e novas ideias, pensando e propondo soluções para questões que afetam a todos. Liderado pelo grupo “Cidadania e integração”, o Programa de Capacitação de Conselheiros Municipais, é um exemplo dessas iniciativas.

Realizado a partir de uma parceria entre o IDF e a Oficina Municipal, com financiamento do Grupo Jacto e apoio da Prefeitura de Pompeia de maio de 2022 a julho de 2023, o programa ofereceu formação de alto nível aos conselheiros municipais com mais de cem diplomados na primeira turma.

O curso teve 22 aulas online, além de workshops e atividades presenciais, com foco em temáticas relacionadas a democracia participativa, políticas públicas e o cotidiano dos conselhos municipais. Mais de cem participantes concluíram o currículo e receberam seu certificado. Além de moradores de Pompeia, o projeto ofereceu vagas para as cidades de Quintana, Herculândia e Tupã.

Pessoas mais qualificadas e motivadas para a participação na comunidade e um ambiente na cidade de muito entusiasmo por engajamento social estão entre as principais conquistas dessa iniciativa. Mas houve outros desdobramentos: a proposta de criação de um Fórum Municipal pela Primeira Infância e um Fórum Municipal da Cultura.

Para quem se interessar em saber mais sobre o Projeto Pompeia Visão 2038, basta escrever para Eduardo Almeida no e-mail eduardo.almeida@idf.org.br.

Fontes:

Conselhos Municipais de Pompeia: um novo paradigma de participação na política municipal Relatório a partir da experiência de trabalho da equipe Oficina Municipal no desenvolvimento do Programa de Capacitação dos Conselheiros Municipais de Pompeia. São Paulo, 2023.

Relatório Institucional e de Impacto Social 2021-2023 do Instituto de Desenvolvimento Familiar Chieko Nishimura. Pompeia, 2024

Nada pode apagar a chama da vocação

Por Durvalina B. Bezerra

Em cada ciclo da vida, vivemos a nossa vocação no uso dos nossos dons para o cumprimento dos propósitos divinos. Depois da aposentadoria, ela pode contrair outros contornos e outras dimensões, mas nunca se apartar de nós.

Quando me entreguei ao meu Senhor confessei que viveria o meu chamado para sempre. Eu tinha 15 anos e não tinha ideia dos desafios e da dimensão desse compromisso, mas tinha convicção plena de que, “Aquele que vos chama é fiel” (1Ts 5.24). Surpreendi-me com as oportunidades de servir com os meus dons e além deles. São 52 anos de ministério ininterrupto, cada ano que passa novas oportunidades surgem e a disposição para servir é renovada.

Depois de 28 anos na direção do Seminário Betel em São Paulo, o Senhor me trouxe de volta à João Pessoa e alguns entenderam que eu estava me aposentando. Deixei a responsabilidade de dirigir um seminário, mas o compromisso com a vocação de preparar os vocacionados me faz continuar servindo como diretora do Centro de Educação Teológica e Missiológica do Betel Brasileiro, órgão de organiza e supervisiona as nossas vinte extensões.

A vida só tem sentido dentro do propósito para o qual o Senhor nos escolheu. Para o cristão, viver a vocação é não ter a vida por preciosa até cumprir a carreira que o Senhor designou para cada um de nós, até o último suspiro. “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm11.29). A dimensão ministerial pode mudar, o tipo de serviço pode mudar, mas nada pode apagar a chama da vocação. O vocacionado é um servo, cujo estilo de vida é servir por amor. Este é o modelo do Mestre. A força do amor nos mantém presos no altar dos sacrifícios até a morte, porque “nenhum laço de amor pode ser mais forte do que o laço da vocação”.

Durvalina B. Bezerra é diretora do Centro de Educação Teológica e Missiológica Betel Brasileiro.

Crédito da imagem: Jill Wellington, Pixabay

A oração deste idoso

“Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares… Não me desampares, pois, ó Deus, até à minha velhice e às cãs…” (Salmo 71.9 e 18)

Por Kléos M. Lenz César

Senhor, fui moço e agora sou velho… e não posso evitá-lo. Aceito o envelhecimento do corpo como uma situação normal, mas peço-te que não me deixes envelhecer no espírito. Renova a minha mente dia após dia.

Senhor, fui moço e agora sou velho… e já aprendi muitas coisas, mas quero continuar aprendendo sempre. Abre os meus olhos para perceber o que ainda não percebi. Ensina-me coisas novas.

Senhor, fui moço e agora sou velho… mas quero conservar o amor à minha família, ao próximo, aos meus amigos, aos meus irmãos em Cristo, a todos aqueles que me rodeiam. Preserva em mim esse amor e torna-o cada dia mais intenso.

Senhor, fui moço e agora sou velho… mas ainda tenho projetos de vida. Quero trabalhar por ti enquanto aqui viver. Torna esses projetos uma realidade em minha vida. Dá-me forças e entusiasmo para realizá-los.

Senhor, fui moço e agora sou velho… mas recuso-me ser achado na “antessala da morte”. Não quero ser encontrado na “fila dos pré-mortos”. Enquanto conservares a minha vida, mantém-me a cabeça erguida, enche-me de otimismo, entusiasmo e vida.

Senhor, fui moço e agora sou velho… e assumo a minha ancianidade; entretanto, não quero absorver os chamados “complexos de velhice”. Eles me humilham e me fazem um pessimista depressivo. Livra-me deles.

Senhor, fui moço e agora sou velho… e às vezes sinto medo do futuro, da enfermidade, da solidão, da viuvez e da morte. Ajuda-me a não me preocupar com essas possibilidades. Ajuda-me a não ser hipocondríaco. Ajuda-me a fixar meu olhar em Jesus e a apropriar-me de suas virtudes. Ajuda-me, dia após dia, a ter vivas em minha mente suas lindas e maravilhosas promessas.

Senhor, fui moço e agora sou velho… e, embora às vezes a vida me seja difícil, não tenho queixas de ti. Tu me tens sustentado desde o ventre de minha mãe, “a substância ainda informe”, e sei que o farás até o momento de minha partida. Sustenta esta minha fé. Não permitas que ela se abale, qualquer que seja a circunstância que eu tenha de enfrentar.

Senhor, fui moço e agora sou velho… mas tenho uma família encantadora. Estão todos nos teus caminhos, servindo-te em suas profissões. Minha esposa é uma companheira dedicada, que caminha comigo nesta nova etapa da vida. Meus filhos são amáveis e solícitos por mim. Estão todos ativos em tua Igreja. Ajuda-me sempre a amá-los e a valorizar o seu carinho.

Senhor, fui moço e agora sou velho… e não sei o número dos dias que me restam, e nem quero saber. Entreguei-te o meu relógio, e não o quero de volta. Não desejo existir nem mais nem menos um dia além ou aquém daquele que predeterminaste para mim. Mas quero que me ajudes a viver intensamente enquanto não chegar a minha hora.

Senhor, fui moço e agora sou velho… e não devo estar muito distante do céu. Alegra-me sempre pensar que, quando os meus olhos se fecharem, minha alma estará contigo para todo o sempre. Ajuda-me, Senhor, a aguardar esse dia em plena confiança e tranquilidade.

Senhor, fui moço e agora sou velho… mas ainda sinto alegria de viver porque sei que Tu estás comigo, que és o meu pastor, que nada me faltará, e que me fazes repousar em pastos verdejantes, junto das águas de descanso. Ajuda-me a continuar um velho alegre e feliz.

Senhor, fui moço e agora sou velho… mas, enquanto viver, quero honrar o teu nome. Se, por acaso, eu vier a fracassar, leva-me para junto de ti, antes do fracasso.

Por Jesus Cristo, Senhor de todas as idades, meu Salvador, amém.

Kléos Magalhães Lenz César, foi professor de poimênica e hiperetologia no Seminário Teológico Presbiteriano do Rio de Janeiro por 6 anos. Foi pastor e professor de música no Instituto de Educação Clélia Nanci, em São Gonçalo, RJ.

Texto publicado originalmente no livro Fui Moço, Agora Sou Velho… E Daí?, Editora Ultimato.

Crédito da imagem: Pixabay

Como aprender a “contar os nossos dias”?

“A velhice é uma realidade concreta, durável, e vivida, que propõe problemas práticos, cujos conteúdos podemos discutir com objetividade.”
Paul Tournier

Cada fase tem seus desafios, suas limitações e importância na formação da pessoa. Quem já passou pela infância, adolescência e juventude é uma pessoa com todas as responsabilidades da vida adulta que caminha para maturidade. Na perspectiva de uma vida longa é possível esperar que há muita coisa boa pela frente.

Enquanto o envelhecer acontece, o movimento da vida continua (saúde, espiritualidade, família, compromissos, serviço entre outros) e os 50, 60, 70, 80, 90+ são encorajados pela Bíblia a buscar conhecer a Deus e sua vontade, e ajustar-se a ela. Aprender a discernir as coisas essenciais, verdadeiramente importantes e duradouras, das coisas circunstanciais, secundárias e efêmeras é um longo aprendizado que inclui presente e futuro, até o final da vida.

Pensando sobre a “validade” da vocação – quando ela parece não fazer mais sentido –, Ultimato lançou a série de estudos bíblicos Conversando Sobre o Futuro. De autoria de Marcelo Barreto, os 8 estudos refletem sobre trabalho, saúde emocional, aposentadoria, relacionamentos, entre outras questões e desafios para os que deixaram para trás as “coisas próprias de criança”.

Com assuntos bastante sugestivos, os estudos lembram que envelhecer se aprende, envelhecendo, contando os dias (Sl 90.12) e conversando sobre o futuro (Pv 27.1).

1. Preparando-me para envelhecer

2. Preciso parar de trabalhar?

3. Alegria no trabalho, por que não?

4. Mantendo um corpo saudável

5. Proteja a sua mente

6. Cultivando relacionamentos significativos

7. Administrando as finanças para a aposentadoria

8. Foque no que é essencial

Disponíveis no blog Estudos Bíblicos do portal Ultimatoonline, os estudos podem ser usados no momento da devocional diária a sós, na igreja ou em pequenos grupos.

Crédito da imagem: Marcia Foizer

Engata Terceira, um programa do Águias de Cristo

Por Elias Bispo

Há quase 30 anos, por iniciativa do Rev. Edijéce Martins Ferreira, pastor emérito da Igreja Presbiteriana da Madalena, em Recife, PE, foi organizado o Ministério da Terceira Idade, denominado Águias de Cristo.

Dia das Mulheres

As programações do Águias de Cristo são diversificadas e abrangem aspectos espirituais, evangelísticos, missionários, culturais, musicais, esportivos e recreativos, buscando-se a interação intergeracional e com outros ministérios da comunidade.

Essas atividades foram interrompidas em decorrência do distanciamento social imposto pela pandemia da Covi-19, ensejando o desenvolvimento do Programa de Assistência a Terceira Idade, Engata Terceira.

Foram consideradas algumas linhas mestras como consolidação da cosmovisão cristã, assistência espiritual e material, manutenção das amizades, estilo de vida saudável e, na medida do possível, com a flexibilização das regras de isolamento, o retorno à igreja.

Culto da Terceira Idade

A população idosa da Madalena é composta por cerca de 130 idosos, com idades entre 60 a 100 anos, sendo 89 mulheres e 41 homens, distribuídos nas seguintes faixas etárias:

  • 90 – 2 idosos
  • de 80 a 89 – 25 idosos
  • de 70 a 79 – 44 idosos
  • de 60 a 69 –  59 idosos

O Engata Terceira exigiu a elaboração de um plano de ação que possibilitasse a assistência com base nas seguintes premissas:

  1. Mobilização dos irmãos interessados em participar da ação de várias faixas etárias, em especial os mais jovens;
  2. Fazimento de pelo menos um contato mensal com todos os idosos;
  3. Realização de contatos por telefone com o objetivo de se atingir toda a população de idosos;
  4. Remessa de mensagens físicas a essa membresia, que corresponde a 25% da comunidade;
  5. Fazê-los se sentir prestigiados e não esquecidos pela igreja, comemorar o Dia do Idoso;
  6. Levantar as necessidades dos contatados, com consolidação e repasse das informações ao Conselho e Junta Diaconal, quando necessário.
Atividade laboral

Passada a pandemia, o Águias de Cristo retornou as suas atividades com muita força, colhendo-se bênçãos como a manutenção da identidade do grupo, a abertura de um diálogo intergeracional entre aqueles que participaram do projeto; comunhão entre os idosos e os jovens; o resgate do sentimento de pertencimento a comunidade; a alegria de sentir integrante do Corpo de Cristo.

Elias Bispo é contador, atua na área financeira há 44 anos, educador financeiro, servidor público, casado com Mércia (psicóloga) há 42 anos, um casal de filhos, três netos, presbítero na Igreja Presbiteriana Madalena.

Não tenho medo da morte

Thomas Hahn escreve com o coração sincero este depoimento na “última idade”. Com 88 anos, ele celebra as dádivas de Deus e a igreja em que está inserido – mesmo em meio a muitas dificuldades. 

A Igreja de Cristo tem um mandato muito especial. Fundada e encabeçada por Jesus, que vive e reina para sempre, ela encontra sua razão de ser na formação de discípulos imitadores de Cristo. É neste contexto que gostaria de relatar minha experiência com a igreja da qual sou membro – por coincidência, desde que me tornei idoso.

É difícil precisar o momento em que nos tornamos idosos. Está mais para processo do que para momento. A parte física foi mais definida? Primeira cirurgia de coluna aos 72, a segunda aos 75, resultando em perda definitiva da capacidade de andar. Aos 76, aposentei-me do meu trabalho como corretor de seguros. Alguns anos depois, um erro médico prejudicou minha capacidade de ler: hoje me limito a poucas páginas diárias com o auxílio de lupa. Dirigir, não mais, à exceção da minha rua, que tem supermercado, farmácia – e, a cereja do bolo, minha igreja, a 200 metros do meu condomínio.

As vicissitudes da nossa economia conseguiram reduzir minha aposentadoria de uma zona de relativo conforto para um salário mínimo. Idem para minha esposa. Minhas contas – ah, como eu gostaria de reduzir meus gastos farmacológicos! – são custeados por meus filhos; é claro, portanto, tenho que controlar da melhor forma possível o que, quanto e como gasto.

Sou, então, um exemplo acabado de um idoso dependente, que passa a maior parte do tempo sentado em casa. E aí vem a surpresa: não estou deprimido – pelo menos não mais do que o justificado pelo noticiário do jornal! Por que será?

Em primeiríssimo lugar, porque pela bondade de Deus, tive, como primeiro efeito da minha conversão aos 38 anos, a perda de qualquer medo da morte. A vida eterna é uma realidade que se enraizou no meu ser – e esta lição aprendi na igreja, no ensino bíblico.

Minha convicção foi testada duas vezes com paradas cardíacas, nenhuma das quais me deixou com sequelas de ansiedade quanto à duração da minha vida. Conclusão: tenho vivido minha terceira (e última) idade sem medo da morte, sem angst, sem sofrimento espiritual, mesmo que severamente cerceado em possíveis atividades.

Como consequência desta minha fé, conversei com meu Deus, nos seguintes termos: “Não estou reclamando, ou me queixando, mas, para ser bem sincero, eu não estou curtindo ficar por aqui, só aguardando meu nome ser chamado. Mal posso esperar pelo que tens preparado para mim. Então, eis o que proponho: eu topo ficar por aqui, desde que possa, de alguma maneira, servir-te, servir ao teu Reino. Pode ser?” Creio que Deus aceitou esta proposta meio idiota, feita há uns 15 anos. Na minha igreja preguei, toquei piano, criei um grupo de homens, aconselhei, ministrei à solidão dos pastores – e, em dezembro de 2023, sem ter o menor preparo formal, fui ordenado pastor da igreja! Igreja Batista, ainda por cima – e tem crente por aí que não crê em milagres… E tudo ocorreu dentro das minhas limitações físicas.

É bem verdade que a atitude da igreja para com minha faixa etária teve muito a ver com sua visão, sua maneira de ser. Não estamos engajados em crescimento numérico, excelência, show-business e outras métricas pelas quais várias igrejas se pautam. Reforçamos, sempre que podemos, nossa identidade como família: irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai. Sou irmão mais velho, mas irmão, não um ET. Existe respeito – mas aí, tem que ser mútuo, não é?

Thomas Hahn e Christine

Conclusão: A Igreja tem uma parcela importante de contribuição para o bem-estar espiritual do idoso. Primeiro, criando uma cultura de inclusão; segundo, cuidando do ensino quanto à morte e vida eterna do crente. E ao crente, cabe se colocar à disposição de Deus para sua obra, confiantes num Deus que conhece nossas limitações. Ser aposentado da fé é privar-se da vida!

Thomas Hahn, 88 anos, casado com Christine há 60, pastor da Igreja Batista da Granja Viana, em Cotia, SP.

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Segunda carreira e missões

Adércio e sua esposa Ilda compartilharam o seu testemunho no II Encontro Nacional do Movimento 60+. Eles estão desenvolvendo uma segunda carreira, agora na área de missões transculturais.

Quando pensamos em missionário, vem ao nosso imaginário alguém jovem, saudável, teologicamente bem preparado e fluente em línguas estrangeiras, especialmente inglês, que costumamos considerar fundamental para bom desempenho.

Deixo claro, porém, que todos os cristãos, em todos os momentos da vida, são chamados para testemunhar a salvação em Cristo, independentemente de local de origem, idade, sexo, nacionalidade, instrução, origem e condição financeira.

Nesse sentido, quando minha esposa e eu estávamos na Ásia, ouvi um jovem missionário americano dizer que há lugares do mundo que somente quatro tipos de pessoa visitam: pesquisadores, em busca de descobertas; militares, em ações de guerra; milionários, em turismo ou caçada de animais exóticos, e missionários, em proclamação do Evangelho a alguém que ainda não ouviu falar sobre Jesus e, é claro, atendendo ao desafio para deixar tudo e viver apenas com duas malas.

Lembro-me de que, quando jovem, já casado e com filhas, fiz um plano de carreira e decidi: “Com meus 50 anos, desejo estar aposentado e que minhas filhas estejam emancipadas. Assim, poderei servir melhor ao Senhor!”.

Para esse propósito, trabalhei até completar 52 anos. De fato, depois do casamento das minhas duas primeiras filhas, eu me aposentei. Como diz o ditado: “Deus nos chama, mas o Diabo nos atrasa”.

A verdade é que, em cada fase da nossa vida, Deus abre portas para que tomemos decisões com o propósito de expandir Seu reino em todos os lugares da Terra.

Em 2004, fui convidado para assumir a auditoria e a expansão de uma empresa gráfica em Luanda, capital de Angola, na África. Pensei: “Começarei daqui!”. Visitei missionários e igrejas do país, de língua portuguesa, falei sobre minha fé a grandes empresários locais e viajei por várias províncias.

Quando retornei ao Brasil, iniciei uma pequena empresa particular de artes gráficas com o propósito de ajudar missões com os recursos financeiros obtidos.

Em 2012, vendi a empresa, minha esposa e eu fomos exercer nossa segunda carreira profissional. Ela é professora de espanhol, aposentada, e eu sou técnico em artes gráficas também aposentado. Na Ásia Central, trabalhei como voluntário em uma empresa gráfica mista que imprimia material secular e cristão de alta qualidade.

Minha esposa foi convidada para lecionar espanhol, como matéria extracurricular, para o quinto ano de economia de uma universidade. Obtivemos o visto para viver no país.

Aprendemos a língua local – o idioma russo – e testemunhamos a salvação em Jesus Cristo a muitos.

Em 2019, voltamos ao Brasil, e fui convidado para fazer parte da diretoria da nossa missão – W.H. Brasil.

Em razão de tantas mudanças e inserções em culturas diferentes, por vezes, quando comparados a certos embaixadores, até mesmo de grandes países, nós nos sentimos mais bem-preparados do que eles!

De fato, é necessário que conheçamos a cultura na qual estamos inseridos – o que podemos ou não fazer. Para tanto, precisamos estudar o tipo de governança do local e como obter o visto oficial para nos mantermos o maior tempo possível nele, precisamos nos comunicar bem na língua local e precisamos pesquisar e respeitar a religião, a cosmovisão e a antropologia do povo – o que é certo e o que é errado para os nacionais.

Então, a posse dessas verdades se soma ao reconhecimento de que somos pecadores e, portanto, o pecado nos separa de Deus, mas Jesus nos salva da morte eterna. Essa mensagem de vida eterna, que é única, deve ser aceita como pessoal e intransferível.

É exatamente essa mensagem que minha esposa e eu temos pregado para as pessoas em nossas andanças pelo mundo. Na eternidade, quando nos apresentarmos perante o tribunal de Cristo,a fé em Jesus fará total diferença.

Quantos cristãos, porém, têm o chamado para missões, mas têm deixado o tempo passar sem nada planejar! Não falo apenas sobre missões transculturais, pois a missão pode ser feita onde quer que for. Somos chamados para testemunhar nossa salvação em Cristo.

Você está na segunda… terceira… carreira?

Há mais para você… para além do que colocar pantufas e pijamas… até mesmo para além do que só cuidar dos netos!

Cuide da sua saúde física, emocional e mental.

Mantenha uma alimentação saudável.

Pratique exercícios físicos.

Proclame Jesus em todo tempo e em qualquer lugar!

Adercio da Silva Corrêa, casado com Ilda Maria Fernandes, é diretor-presidente da Missão W.H Brasil e autor dos livros Missões na Melhor Idade e Pensamentos de Comunhão com a Eternidade.