George Andries Roth (1809–1887). Original from the Rijksmuseum. Rawpixel

Alegorias

Estamos ocupando inutilmente a terra?

George Andries Roth (1809–1887). Original from the Rijksmuseum. Rawpixel

Por Wilfried Körber

No texto bíblico encontramos muitas alegorias, também chamadas de parábolas. Alegoria é a exposição de um pensamento sob forma figurada. Se a Palavra de Deus diz que o reino dos céus é como um grão de mostarda, isso quer dizer que apesar de ser uma semente muito pequena, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vem aninhar-se nos seus ramos (Mt 13.31-32).

No texto de hoje quero comentar outra alegoria ou parábola. Observe se há alguma aplicação à sua vida.

“Então Jesus proferiu a seguinte parábola: ‘Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho: podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la’” (Lc 13.6-9)

Temos aqui várias lições a aprender: Deus aprecia quando uma planta produz muito fruto (Jo.12.24). A Bíblia considera fruto na nossa vida a qualidade de nossas obras, boas ou más. Mas a parábola, ou alegoria, ensina ainda outra coisa importante: O dono da vinha, que depois de três anos não encontrou fruto na figueira, disse que ela estava ocupando inutilmente a terra. Essa é forte! Será que nós estamos ocupando inutilmente a terra? Se não fosse o viticultor paciente, seriamos cortados e lançados fora. Sabem quem é esse viticultor? É outra alegoria: É Jesus, que cuida com zelo, da vinha do Pai.

É com essa história e muitas outras alegorias que a Bíblia se torna um livro rico e sábio para nos indicar o rumo que leva ao Pai.

Há ainda outra pessoa que entra na composição das parábolas. É o Espirito Santo. É ele o poder que vivifica a Palavra e desperta nossas consciências. Você, leitor, é alguém que quer produzir frutos para o reino de Deus? Então, não seja inútil. Cortado, você só vai servir para o fogo.

  • Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

Roda de Conversa 60+ na Igreja Batista da Redenção (Redê)

O envelhecimento costuma amedrontar muitas pessoas, mas pode e deve ser um tempo de alegria, paz, criatividade, comunhão e serviço à família, comunidade e país

Por Xênia Casséte

Com o tema: “Aprender a Envelhecer… Como assim?” aconteceu, no dia 18 de maio de 2024, a primeira Roda de Conversa do grupo 60+ da Igreja Batista da Redenção (Redê), em Belo Horizonte, que contou com a participação de oitenta pessoas com idades entre 41 e 91 anos. Com o apoio do Colegiado da igreja e mais de perto do pastor Christian Gillis, a equipe de planejamento do evento convidou os psicólogos Deborah Costa Equárcio e João Marcos Cardoso, ambos membros da Redê, para falarem sobre o tema do envelhecimento, cuidados e aceitação.

Deborah e João Marcos trouxeram informações atualizadas e estatísticas sobre a velhice no Brasil e no mundo e falaram dos sentimentos que cercam os idosos e os demais sobre questões que trazem preocupações ligadas a esta fase da vida, suas perdas e ganhos. Ao final houve muitas perguntas, respondidas pelos palestrantes.

A psicóloga clínica, professora e mestre em Psicologia, Deborah Costa Esquárcio falou sobre os três tipos de velhice: habitual, patológica e bem-sucedida e afirmou que estão ligados aos tipos de envelhecimento. João Marcos – psicólogo clínico, professor, mestre e doutor em Linguística pela UFMG e colaborador na área da saúde mental em missões (Cuidado Integral do Missionário – CIM) –, disse aos presentes que “não precisamos enfrentar a velhice, mas compreender o estado e a natureza da nossa própria velhice”.

No encerramento a equipe de planejamento ofereceu canecas aos participantes mais jovem e mais velho do evento; sorteou o livro Aprender a Envelhecer e, em seguida, um lanche foi oferecido a todos os presentes.

O Grupo de 60+ da Redê surgiu a partir da classe da Escola de Cristo ministrada pelos professores Cheng e Wen Lee em 2023, com o estudo do livro Aprender a Envelhecer, de Paul Tournier. Os dezessete alunos do curso foram incentivados pelos professores a formarem o grupo 60+ para oferecer aos membros da igreja oportunidades de conhecer mais sobre o envelhecimento e de se preparar para esse tempo que costuma amedrontar muitas pessoas, mas que pode e deve ser um tempo de alegria, paz, criatividade, comunhão e serviço na família, na comunidade e no país.

Xênia Casséte, jornalista, aposentada, faz parte do grupo 60 + da Igreja Batista da Redenção (Redê).

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>> Engata Terceira, um programa do Águias de Cristo

>> Estão abertas as inscrições para o 4º Encontro do MC 60+

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O cuidado com os idosos vai além das tarefas diárias, envolvendo um profundo respeito, amor e diálogo

Entrevista com Adriana Saldiba

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Ao valorizar as pessoas idosas, a igreja ajuda as diferentes faixas etárias a enxergarem a velhice como algo bom e cria um alicerce comunitário importante para o envelhecimento ativo e saudável

Adriana Saldiba, nutricionista e doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, traz à tona uma perspectiva sobre o processo de envelhecimento.

Casada com o Rev. André Saldiba e mãe de três filhos, sua dedicação se estende não apenas à sua família, mas também ao ensino e à pesquisa como coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Envelhecimento na Universidade São Judas Tadeu. Além disso, Adriana lidera a REPRINTE, uma rede nacional de programas interdisciplinares sobre envelhecimento.

Conversamos com Adriana sobre o papel dos valores cristãos no cuidado com os idosos, os desafios enfrentados pelas famílias e a importância da comunicação intergeracional. Ela compartilha preciosos ensinos sobre como a fé pode fortalecer as famílias diante dos desafios do envelhecimento e como a esperança na vida eterna influencia a forma como os cristãos encaram esse processo inevitável.

Adriana nos conduz por uma jornada de reflexão, destacando a importância da autonomia e independência das pessoas idosas, bem como a necessidade de uma rede de apoio familiar sólida para promover um envelhecimento ativo e saudável. Ela nos convida a explorar como as igrejas e comunidades religiosas podem desempenhar um papel vital no apoio às famílias que cuidam de membros idosos, incentivando práticas intergeracionais e a valorização das pessoas idosas dentro desses espaços.

Por meio de suas experiências e conhecimentos, ela nos mostra que o cuidado com os idosos vai além das tarefas diárias, envolvendo um profundo respeito, amor e diálogo dentro da família. Sua visão nos inspira a repensar nossas abordagens ao envelhecimento e a reconhecer o valor intrínseco de cada indivíduo em todas as fases da vida.

Confira a seguir.

Como os valores cristãos influenciam a maneira como as famílias lidam com o envelhecimento de seus membros?

A família é uma rede de apoio fundamental para a garantia de um envelhecimento saudável. Valores cristãos que permeiam as famílias podem gerar um ambiente de amor, de alegria, de respeito, de honestidade, de gratidão, de paciência, de solidariedade e de lealdade às pessoas idosas para que possam usufruir de um envelhecimento ativo com total autonomia.

Diversos trabalhos têm evidenciado que um envelhecimento ativo garante uma melhor qualidade de vida do processo de envelhecer.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2005), “o envelhecimento ativo é o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas”.

A palavra “ativo” refere-se à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho.

Quais são os desafios mais comuns ao lidar com membros idosos?

Manter a autonomia e a independência das pessoas idosas é um grande desafio! Isso deveria ser uma meta de todos e envolve amigos, colegas de trabalho, vizinhos e membros da família.

A autonomia refere-se à capacidade de uma pessoa controlar, lidar e tomar decisões pessoais sobre sua vida diária, de acordo com suas próprias regras e preferências.

Por outro lado, independência é geralmente definida como a capacidade de realizar atividades relacionadas à vida diária sem depender significativamente da ajuda de outras pessoas, permitindo viver de forma autossuficiente na comunidade.

A qualidade de vida, por sua vez, é definida como a percepção que um indivíduo tem de sua posição na vida, considerando sua cultura e sistema de valores, além de seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

Este conceito abrangente incorpora diversos aspectos, como saúde física, estado psicológico, nível de dependência, relações sociais, crenças e interação com o ambiente.

À medida que uma pessoa envelhece, sua qualidade de vida está fortemente ligada à sua capacidade de manter autonomia e independência.

Isso significa que preservar a habilidade de tomar decisões pessoais, realizar atividades cotidianas e permanecer engajado na comunidade são aspectos cruciais para promover uma boa qualidade de vida na velhice.

Na perspectiva cristã, como a noção de honrar pai e mãe se aplica ao cuidado dos idosos na família?

Quando honramos nossos pais e nossas mães, nós incentivamos as crianças a valorizarem, a respeitarem e a cuidarem com amor e carinho das pessoas idosas.

O processo de envelhecimento é algo inerente a todos os seres humanos. A partir do momento que nascemos, já começamos a envelhecer a cada dia. Falar sobre envelhecimento precisa ser algo natural. “A criança de ontem é o adulto de hoje e o avô ou avó de amanhã”.

A qualidade de vida das pessoas idosas quando se tornarem avós é influenciada não apenas pelas experiências e pelos desafios enfrentados ao longo da vida, mas também pela forma como as gerações futuras fornecerão assistência e apoio uns aos outros, quando necessário.

Como a comunicação entre diferentes gerações dentro da família pode facilitar o processo de envelhecimento e a aceitação da ajuda?

A família deve ser o espaço de valorização da pessoa idosa, no qual avôs e avós brincam, contam histórias e cozinham com os netos e com as netas.

Além disso, avós e avôs devem ter autonomia para tomar as suas decisões e ser respeitados por todos da casa.

Isso fortalece a habilidade das pessoas idosas de tomar suas decisões e realizar as suas atividades cotidianas, garantindo assim um envelhecimento ativo e saudável.

Crianças que convivem com pessoas idosas tendem a desenvolver, quando adultas, uma escuta atenta às pessoas idosas, respeitando as suas queixas, as suas trajetórias de vida, seus medos, suas inseguranças, sua história!

Quais são os benefícios de envolver toda a família no cuidado e apoio aos membros idosos? Como podemos promover essa colaboração familiar?

A capacidade funcional de um indivíduo determina sua habilidade de realizar atividades do dia a dia, podendo ser classificado como dependente, quando necessita de auxílio, ou independente, quando consegue realizar essas atividades sem ajuda externa.

O comprometimento da capacidade funcional ocorre quando o indivíduo encontra dificuldades em realizar as atividades cotidianas, o que está associado a um maior risco de fragilidade, dependência, institucionalização, quedas, problemas de mobilidade e até mesmo mortalidade.

Essas complicações podem resultar em cuidados de longo prazo e custos elevados.

É fundamental que a família das pessoas idosas esteja bem-informada sobre a importância de incentivar a realização das atividades básicas diárias das pessoas idosas, como tomar banho, se vestir, se alimentar, além do incentivo à ações mais amplas e complexas, como a realização de compras para a família, uso do telefone, uso de meio de transportes, entre outras atividades.

Muitas vezes, a imobilidade na velhice é incentivada pela família, como uma forma de cuidado à pessoa idosa, mas. pelo contrário, o melhor cuidado à pessoa idosa é incentivá-la a ter autonomia e independência.

É essencial que a família esteja consciente do seu papel crucial no estímulo à independência e à autonomia da pessoa idosa, promovendo assim uma melhor qualidade de vida e prevenindo complicações associadas à perda de capacidade funcional.

Como as igrejas e comunidades religiosas podem desempenhar um papel importante no apoio às famílias que cuidam de membros idosos?

O rompimento de laços sociais e a perda de familiares podem levar a pessoa idosa à solidão.

O isolamento social e a solidão na velhice estão ligados a um declínio de saúde física e mental.

A igreja tem um papel de acolher as pessoas idosas e as famílias que promovem essa rede de apoio.

Atividades intergeracionais, espaço de fala e de escuta, incentivo ao voluntariado das pessoas idosas podem ser estratégias sólidas para a igreja inibir o ageísmo e o capaciticismo, e trazer a valorização das pessoas idosas.

A comunidade de fé pode também promover um aprofundamento dos valores cristãos entre os seus frequentadores para fortalecer a rede de suporte social das pessoas idosas e, consequentemente, garantir um envelhecimento saudável.

A igreja, ao valorizar as pessoas idosas, engaja diferentes faixas etárias da comunidade a enxergar a velhice como algo bom e cria um alicerce comunitário importante para o envelhecimento ativo e saudável.

O conceito de família na perspectiva cristã é amplo e inclui não apenas os laços sanguíneos, mas também os relacionamentos espirituais. Como isso se reflete no cuidado dos idosos dentro das comunidades cristãs?

O apoio familiar desempenha um papel crucial na preservação da saúde física e mental do indivíduo.

Quando percebido como disponível e satisfatório, ele beneficia tanto quem o recebe quanto quem o oferece dentro da família.

Por isso, compreender o contexto familiar é essencial para um planejamento assistencial adequado às pessoas idosas, envolvendo uma compreensão das dinâmicas e estruturas familiares.

A família é um sistema dinâmico que busca promover o desenvolvimento emocional e a liberdade do indivíduo no mundo.

Em situações de disfuncionalidade, a capacidade de fornecer cuidados pode ser prejudicada, o que impacta negativamente na independência, autonomia e qualidade de vida das pessoas idosas.

A falta desse suporte familiar pode levar a problemas psicológicos e afetivos, levando a sérias complicações de saúde física, mental e social da pessoa idosa.

Como a esperança e a promessa da vida eterna influenciam a maneira como os cristãos encaram o envelhecimento e a morte?

O fato de termos esperança na vida eterna pode trazer sentido e significado à morte e nos incentiva a deixar um legado, uma marca significativa à outras gerações.

Essas convicções podem nos auxiliar a experimentar um envelhecimento ativo pleno, repleto de autonomia e independência com participação pertinente nas questões sociais, econômicas, culturais e espirituais mesmo durante a velhice.  

Você poderia compartilhar exemplos de famílias que encontraram força e consolo em sua fé ao lidar com os desafios do envelhecimento de seus entes queridos?

Nos desafios para cuidar das pessoas idosas, não há uma “receita de bolo” ou um guia prática com o passo a passo. Cada família tem a sua dinâmica e o seu jeito singular.

Famílias que respeitam e valorizam a autonomia das pessoas idosas, que estimulam o diálogo acolhedor e atento, também têm conversas difíceis, mas pautadas no amor, no perdão, no respeito e no cuidado um do outro, podendo, dessa maneira, encontrar um caminho saudável diante dos desafios diários do envelhecimento.

Acertos mais comuns da família com pessoas idosas

  • Famílias que escutam e valorizam as pessoas idosas da casa.
  • Crianças que entendem a importância da pessoa idosa na família.
  • Avôs e avós que brincam, contam histórias e cozinham com os netos e com as netas.
  • Famílias que dialogam muito, têm conversas difíceis também, mas pautadas no amor, no respeito e no cuidado um do outro.
  • Avós e avôs que têm autonomia para tomar as suas decisões e são respeitados por todos da casa.

Saiba mais:

Aposentar não é deixar de ser produtivo, por Robert Koo

Segunda carreira e missões, por Adécio da Silva Corrêa

Estão abertas as inscrições para o 4º Encontro do MC 60+

Estão abertas as inscrições para o 4º Encontro do MC 60+

Com o tema “É tempo de colher, mas ainda é tempo de plantar”, o 4º Encontro Nacional do Movimento Cristão 60+ quer ajudar os participantes a refletirem sobre como nesta faixa de idade é possível desfrutar dos frutos cultivados ao longo da vida nas diferentes áreas, a descobrir novos papeis e a despertar novas aspirações para o serviço ao Reino de Deus.

Seguindo os três pilares do MC60+ (integração na Igreja, segunda carreira e auto cuidado), as reflexões serão desenvolvidas a partir destes subtemas: Novos papeis na igreja, Novas oportunidades de trabalho e Nova maneiras de cuidar de si, por meio de devocionais e reflexões bíblicas, palestras, mostra de  oportunidades e boas práticas, cânticos, troca de experiências.

Para este encontro são convidadas pessoas com 60, 70, 80 ou mais anos, aposentados ou não, e lideranças evangélicas que já têm ministérios com os 60+ ou que desejam criar iniciativas a eles direcionadas, conhecendo melhor as suas necessidades e aptidões.

E a boa notícia é que estão abertas as inscrições.

Clique aqui ou acesse o QR Code ao lado e inscreva-se.

O Movimento Cristão 60+ é formado por um grupo de cristãos com diferentes experiências  rofissionais e eclesiásticas que buscam compartilhar a visão de que mesmo na terceira idade podemos servir a Deus  com vigor e entusiasmo, dispondo nossas experiências e habilidades anteriormente adquiridas a serviço do Reino, por intermédio de iniciativas individuais ou coletivas de apoio e cuidado integral a indivíduos, familiares e comunidades; engajamento em projetos eclesial, social, educacional, cultural e ambiental.

A base bíblica que os norteia é o Salmo 92.2-15.

Serviço:

4ª Encontro Nacional do Movimento Cristão 60+ (MC 60+)

Quando: 23 a 25 de setembro de 2024

Onde: Estância Árvore da Vida, em Sumaré, SP

Inscreva-se aqui.

Aposentar não é deixar de ser produtivo

Experiências profissionais, pessoas com quem convivi, lugares que conheci, foram divinamente escolhidos para que, mesmo “aposentado”, eu pudesse ser usado por Deus para ser luz em meio à escuridão

Por Robert Liang Koo

Revisitar a sua própria história é sempre surpreendente. Como cheguei aqui? Não foi por minha escolha nem muito menos por mérito. Foi pela mão invisível de Deus, que me guiou, abrindo as portas, fazendo-me entrar mesmo sem entender. Pela graça de Deus, sou o que sou. E a graça não foi em vão, mas tem seu propósito (1Co 15.10).

Tenho 78 anos, três filhos e nove netos. Sou a quarta geração de uma família cristã da China. Meu avô nasceu na Coreia por causa das perseguições aos cristãos em meados do século 19. Chegamos ao Brasil em 1958, e me formei em engenharia eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1971. Sou grato a Deus por ter conhecido a Aliança Bíblica Universitária (ABU) durante o tempo de faculdade. Ela me deu base bíblica para entender o embate ideológico, influenciou minha formação espiritual e despertou em mim compaixão pelas causas sociais que iriam direcionar toda a minha vida. Já casado, vivi alguns anos nos Estados Unidos e com isso pude entender e comparar três culturas diferentes: a oriental, a americana e a de terceiro mundo (a brasileira); a concepção de vida e o cristianismo tingido por cada cultura.

De volta ao Brasil, permaneci por um certo tempo na academia, dando aula e fazendo  pesquisa. No fim da década de 80, comecei a minha própria empresa na área de automação industrial. O interessante é que nunca foi meu sonho ser um empresário, mas as circunstâncias me levaram por esse caminho. Embora eu não tivesse formação nem experiência empresarial, a graça de Deus foi mais do que suficiente. Minha empresa conseguiu sobreviver em meio a várias crises e decisões equivocadas, cresceu e permanece sólida, depois de 35 anos.

Também nessa época, comecei a pastorear a igreja da qual fui um dos fundadores. Como não havia feito seminário teológico, dediquei-me à leitura de bons livros, não só de teologia e de comentários bíblicos, mas principalmente de temas relacionados a orientação da formação espiritual. As obras de A. W. Tozer, John Stott, Eugene Peterson são as minhas leituras preferidas. Eu acredito que a congregação precisa não somente de exposição bíblica e ortodoxia, mas principalmente de saber como aplicar esses conhecimentos na sua vida diária.

Ao me aproximar dos 70 anos, iniciei o processo de passar a responsabilidade tanto da empresa como da igreja para outras pessoas. Eu sabia que retardar esse processo traria prejuízo, pois impediria o amadurecimento e a formação de novos líderes, então passei um bom tempo caminhando junto com eles.

Sempre alguém me pergunta: “Você já se aposentou?”. Fico pensando o que isso significa. Ter idade para receber uma aposentadoria não significa parar de trabalhar, ou que não temos mais utilidade. Não encontro base bíblica para deixar de ser produtivo mesmo que estivesse com idade avançada.

O trabalho vai mudando de acordo com a necessidade e a oportunidade, mas a vocação permanece sempre a mesma. Trabalho é o meio para cumprir a vocação. À medida que o tempo passa, a vocação que antes estava abstrata, nebulosa, fica mais concreta e clara, e o trabalho, mais objetivo. Trabalho é uma bênção de Deus. Ele traz maturidade e compreensão do mundo. O meu trabalho secular (academia, governo e empresa) me deu ferramentas para cuidar da igreja e das pessoas.

Mais recentemente, em meio à pandemia, montamos um projeto social para abençoar produtores rurais e comunidades urbanas com a distribuição de alimentos vindos do campo. Olhando para trás, vejo que minhas experiências profissionais, pessoas com quem convivi, lugares que conheci, foram divinamente escolhidos para que, mesmo “aposentado”, eu pudesse ser usado por Deus para ser luz em meio à escuridão.

Dom não é somente talentos que recebemos pela graça, mas engloba toda experiência adquirida debaixo do desígnio de Deus e deve ser usado para a sua glória até o último dia da nossa vida.

Robert Liang Koo foi empresário e pastor em São Paulo por mais de 30 anos. Atuou na ABUB nas décadas de 60 e 70. É engenheiro pelo ITA e PhD pela Carnegie-Mellon University, nos Estados Unidos. Ele integra o núcleo fundador do MC60+.

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Nada pode apagar a chama da vocação, por Durvalina B. Bezerra

Como aprender a “contar os nossos dias”?, por Ariane Gomes

Conheça as opções de hospedagem na Estância Árvore da Vida onde acontecerá o 4º Encontro do MC 60+

HOTEL MAPLE VILLAGE

50 apartamentos duplos (para duas pessoas) com ar-condicionado, roupa de cama, frigobar, TV, WI-FI e serviço de quarto.

CASA DE HÓSPEDES Com PREMIUM

21 suítes: quarto duplo para casal ou duas pessoas, com uma cama box de casal e uma cama box solteiro. Todos com frigobar, ar-condicionado, WI-FI, Smart TV, micro-ondas na área comum, roupa de cama e banho, e varanda.

PRÉDIO BRASÍLIA

23 suítes triplos (para três pessoas) com ar-condicionado, roupa de cama, frigobar, TV, WI-FI e serviço de quarto.

HOSPEDAGEM COLETIVA SIMPLES

Prédios de apartamentos: ventilador no teto, roupa de cama e de banho não inclusa. Capacidade de hospedagem de 3 a 4 pessoas em beliches (usa-se somente a cama de baixo), com banheiros nos quartos.

Pequenas grandes coisas que nós, idosos, devemos fazer

Por Thomas Hahn

Eis minha única credencial para falar sobre a velhice: sou um velho. A arrogância da minha ignorância não me constrange: me liberta, assim como liberta você, leitor, de me levar muito a sério. Ficamos ambos mais leves.

O que fazer durante o ocaso da nossa vida?

Permito-me fazer algumas sugestões de como proceder em nossa caminhada.

Simplificando

Somos acumuladores de coisas que, em certo momento, nos pareceram vitais, mas que mais tarde provam ser pesadas e desnecessárias. Nossa inércia natural faz com que não tomemos decisões que tornariam nossas vidas mais simples, menos pesadas? As de nos desfazermos daquela casa com quartos para as crianças? Elas cresceram, voaram do ninho, casaram. A casa ecoa o silêncio. Mudei para um pequeno apartamento que contém o espaço que minha esposa e eu realmente precisamos, e que nos custa muito menos em manutenção.

A casa de praia/campo para qual só vamos uma vez por mês para pagar as contas? Passe adiante, e alugue um quarto de hotel, variando o destino. Simplifique os investimentos para que sejam facilmente administrados, seja por você, seja pelos seus sucessores. Deixe as coisas em ordem para os herdeiros, consultando um advogado para escolher o melhor caminho. Em síntese: diminua o peso e viva uma vida de leveza.

Aprendendo a depender

Você era o provedor, o sustentáculo, a coluna de sustentação. Agora você se vê dependente. Pode ser financeira, ou fisicamente. Lembro-me da minha reação, no hospital, depois de uma pesada cirurgia, sendo ensaboado e banhado no chuveiro por um enfermeiro. No começo, humilhação. A seguir, a percepção da providência de Deus, dando a este enfermeiro o dom de cuidado. A Graça de Deus em ação, e eu o receptor desta imensa Graça. A dependência mudou meu olhar, minha percepção. Aprendi a ver Deus realizando sua obra; meu foco deixou de ser autocentrado, e passei a ver o outro mais claramente.

Perdendo

A terceira idade é um período que se caracteriza por perdas. Perdas físicas: não é como desejaria, um processo de declínio lento e gradual, mas sim uma sucessão de quedas súbitas, de mudanças bruscas de patamares. Pode ser financeira: viver na aposentadoria é bem mais desafiador do que se imaginava. Perdas de pessoas queridas, amigos e amigas que se vão, pedaços nossos que são tirados, ficando os buracos da ausência, dores que continuam a doer, a despeito das orações e lembranças de versículos bíblicos sobre o consolo. E, por fim, a perda que define o início da nossa velhice: a perda da relevância. Não somos mais players. Os mais jovens não nos consultam – pelo contrário, nos dão conselhos que soam como ordens. Em nosso local de trabalho, nossa opinião patentemente não carrega nenhum peso; se perguntados, é meramente protocolar. Neste aspecto, a igreja pode mitigar a dor da irrelevância, invocando a sabedoria dos idosos (de verdade, não de mentirinha).

Aprendendo uma nova linguagem

Fazemos parte de uma civilização que endeusa a prosa da ciência. Com isto, perdemos o senso do Belo. Nossa teologia se debruça sobre a prosa racional e expositiva de Paulo, mas esquece que a cada raciocínio doutrinário segue-se uma doxologia, uma explosão poética de louvor e adoração, posto que a linguagem do amor é a poesia. E, já que em breve nós, os velhinhos, seremos adoradores na presença de Deus, convém que aproveitemos este tempo para sermos mais poetas e menos prosadores.

Já que falei em amor, faço uma proposta: reúna-se com as pessoas que lhe são realmente importantes, e diga-lhes o quanto as ama. Não em público, mas em casa, à mesa, com pão e vinho, olho no olho. Solene, não no piloto automático do “Te amo, irmã/irmão”. Quando meus filhos e seus cônjuges vieram me ajudar a comemorar meus oitenta anos, pedi a palavra antes do almoço, e lhes informei que eu os respeitava, admirava, e amava. Foi tão gostoso, que eu gostaria que você tivesse um prazer semelhante!

Uma última palavra sobre o amor: lembremos que dentro desta palavra existe outra, sem a qual a primeira não subsiste. Esta palavra é perdão. Na etapa final de nossa vida aqui na Terra, devemos fazer um esforço para, enquanto possível, consertar relacionamentos quebrados. Perdoar ou pedir perdão, conforme o caso. Mesmo sabendo que nem sempre nosso esforço será exitoso. Sem perdão não há como construir o amor, e o amargor continuará em nós.

Que o outono e o inverno da sua vida sejam inundados pelo amor do nosso Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo!

Thomas Hahn, 88 anos, casado com Christine há 60, pastor da Igreja Batista da Granja Viana, em Cotia, SP.

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Chamados para viver para Deus – desafios e encorajamento, por Durvalina B. Bezerra

Disrupção e o futuro do trabalho, por Volney Faustini

“É tempo de colher, mas ainda é tempo de plantar” é o tema do 4º Encontro Nacional promovido pelo Movimento Cristão 60+

Isabel – “Minha segunda carreira foi ser mãe”

Abracem sua segunda carreira de coração, seja ela qual for – algumas vezes será escolhida, outras vezes será imposta pelos acontecimentos. Mas aceitem o que vier de bom grado e Deus será com cada um de vocês

Meu nome é Isabel, que significa “Deus é meu juramento”. Sou da linhagem do primeiro sacerdote: Arão. Vocês devem achar estranho… Em nossa cultura, a pessoa é o nome, ou o nome é a pessoa, sei lá. Para nós, é fundamental saber o significado de cada nome, que, afinal, faz parte da personalidade da pessoa e mostra seu relacionamento com o Deus Eterno. Zacarias esqueceu de mencionar que o nome dele significa “lembrado por Jeová”. Como vocês ouviram, ele foi mesmo lembrado por Deus e contemplado com grandes maravilhas.

Não somente ele. Eu participei de tudo, exceto da visita do anjo no templo. Depois de dispensar a multidão, já em casa, como não podia falar, Zacarias escreveu pra mim um resumo da promessa do anjo. Fiquei extasiada!

Fui a primeira mulher mencionada no Novo Testamento, mais especificamente, no Evangelho escrito pelo Dr. Lucas. Ele foi um grande pesquisador e autor, e deu ênfase especial às mulheres em seu livro. Sou muito grata por isso.

Como Zacarias mencionou, não tínhamos filho e isso trouxe grande sofrimento para mim. Mas não vou me deter nessa parte. Tenho coisa mais bonita pra contar pra vocês!

Deus fez um milagre no meu corpo! Fazia uns dez anos que eu não tinha mais o costume das mulheres. Contudo, acordei um dia com enjoo e descobri que estava grávida, direitinho como o anjo havia dito. Resolvi ficar mais em casa – um costume da minha terra – mas também pra evitar falatórios. Nesse tempo, meu corpo foi se transformando a cada dia e, de certa forma, ficando cada vez mais “vivo”. Quando completei seis meses de gravidez, recebi a visita de uma prima muito querida, a Maria. No momento em que ela foi entrando pela porta, meu filho mexeu muito dentro da barriga, uma mexida diferente de soluço, de chute, de qualquer outro movimento que ele já tinha feito. Parecia um estremecimento de alegria, uma emoção muito forte. Nesse exato momento, fiquei possuída pelo Espírito Santo e exclamei para Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre. E de onde me provém que me venha visitar a mãe de meu Senhor?” Gente, que tempo especial tivemos o privilégio de viver! Quisera eu que todos vocês estivessem lá. O Espírito Santo, de repente, parecia que estava solto. Enchia um e outro entre um espaço de tempo curto, o que era novidade para todos nós. E eu estava ali, diante da mulher escolhida para ser a mãe do Messias, que tanto aguardamos. O meu Senhor estava sendo gerado no ventre da minha prima Maria! Isso era deslumbrante e muito emocionante!

Maria ficou comigo por três meses. Nessa época, aprendi sobre a intergeracionalidade: ela era tão jovem e eu, nos meus sessenta e poucos (dizem que a mulher para de contar, né?). Uma diferença de mais de 40 anos entre nós duas. Mas tínhamos assunto o tempo todo. Além disso, ela me ajudava em algumas tarefas da casa que já estavam ficando pesadas para uma grávida, ainda mais uma 60+. E ela me ouvia muito, das histórias do templo, dos meus antepassados, das minhas experiências de vida. Que tempo gostoso!

Aí nasceu nosso meninão e Maria fez sua viagem de volta. Afinal, ela também precisava se

organizar para receber seu bebê dali uns meses.

O resto da história Zacarias já contou a vocês. Gostaria de acrescentar apenas (porque é um dos temas deste evento) que não escolhi uma segunda carreira, ela me escolheu – e foi deliciosa! Minha segunda carreira, por incrível que pareça, foi ser mãe. Amamentei o Joãozinho por alguns anos, me diverti e me alegrei muito com ele. Parece que junto com a bênção de ser mãe tive outra bênção, a de me sentir rejuvenescida.

Irmãos, para finalizar, deixo alguns conselhos. Deixem-se surpreender por Deus: esperem dele algo novo e não o óbvio. Esforcem-se por se relacionar com outras gerações, como os jovens, os adolescentes e as crianças; mesmo que haja resistência no início, todos saem ganhando e aprendendo no processo. Abracem sua segunda carreira de coração, seja ela qual for – algumas vezes será escolhida, outras vezes será imposta pelos acontecimentos. Mas aceitem o que vier de bom grado e Deus será com cada um de vocês.

Este artigo é parte da palestra Os 60+ do Primeiro Natal, oferecida no III Encontro do Movimento Cristão 60+.

Délnia Bastos é casada, mãe de três filhos e avó de cinco netos, e serve na área de governança em algumas iniciativas de missão.

Leia mais:

Segunda carreira e missões, por Adércio da Silva Corrêa

Pompeia Visão 2038

No III Encontro Nacional do Movimento Cristão 60+, realizado em novembro de 2023, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o Projeto Pompeia Visão 2038 que aconteceu entre 2021 e 2023 em Pompeia, cidade do Centro-Oeste paulista. Esta apresentação foi feita por Gilson Nishitani, integrante do MC 60+, membro da Igreja Holiness de Pompeia onde serve com sua esposa Esther.

Fundada em 1928 e emancipada 1938, Pompeia tem cerca de vinte mil habitantes e se destaca pelo seu potencial industrial no segmento de agronegócio e tecnologia. Através da FATEC, a cidade é considerada pioneira no oferecimento do curso de mecanização em agricultura de precisão, e referência nacional com o curso de big data no agronegócio.

Projeto Pompeia Visão 2038

O Projeto Pompeia Visão 2038 é uma iniciativa da sociedade civil, com o objetivo de pensar e propor ações para que Pompeia se torne a melhor cidade de pequeno porte do país. A escolha do ano de 2038 está ligado ao centenário da emancipação da cidade.

Em 2038, desejo morar na melhor cidade de pequeno porte do Brasil! – Como tudo começou

Em 2017, um grupo de pessoas, liderado por Jorge Nishimura, conselheiro do Grupo Jacto, iniciou o processo de “sonhar junto” para construir a melhor cidade de pequeno porte do país até 2038. Consultaram diversos especialistas e elaboraram a Visão 2038, baseado nos seguintes valores:

I. ambiente de paz;

II. evitar ingerências nas instituições;

III. atuar voluntariamente;

IV. trabalhar de forma orgânica, participativa e colaborativa;

V. sem ambição política.

O projeto definiu 11 objetivos estratégicos:

1- Toda criança terá oportunidade de estudar numa escola excelente;

2- Moradores exercem cidadania plena, participando na elaboração, execução e controle de políticas públicas;

3- Mídia imparcial, honesta, participativa e construtiva;

4- Inovação, criatividade e tecnologia estão presentes nos negócios e também em outras áreas da comunidade;

5- Criação e manutenção de ambientes saudáveis, seguros e transformadores;

6- Sistema integrado de saúde com foco nas pessoas;

7- Famílias sólidas e felizes;

8- Cidade ambientalmente responsável;

9- Ecossistema integrando os 3 setores: público, privado e terceiro setor;

10 – Cidade inteligente;

11- Os cidadãos vivem dentro dos mais altos padrões morais, éticos e espirituais.

Para monitorar o alcance desses objetivos estratégicos, o grupo se dividiu em comitês, com seus próprios objetivos, que são:

– Cidadania e integração: Fomentar dinâmicas de engajamento social, incentivando o morador a ser um cidadão proativo na solução das principais demandas da comunidade;

– Saúde: Sistema Integrado da Saúde com Foco na Pessoa e nas Família; – Educação: Visão de futuro para a educação de Pompeia.

Um trabalho conjunto

O programa Visão 2038 foi dirigido pelo Instituto de Desenvolvimento Familiar Chieko Nishimura (IDF) em parceria com a Prefeitura Municipal de Pompeia e sob a coordenação pedagógica da Oficinal Municipal.

O IDF é uma organização sem fins lucrativos com sede em Pompeia. Foi fundado em abril de 2017 por membros da família Nishimura como uma iniciativa para contribuir com a educação e o fortalecimento familiar de colaboradores do Grupo Jacto e seus familiares, bem como do ecossistema e da comunidade local. A Oficina Municipal é uma Escola de Cidadania e Gestão Pública que realiza atividades de formação humana e capacitação técnica voltadas às pessoas que se dedicam à política e à gestão de políticas públicas municipais. A maior parte dos alunos são lideranças, profissionais de diversos setores e gestores públicos que querem compreender a política, suas instituições, valores, princípios e se aperfeiçoar tecnicamente de modo a gerir de modo responsável e competente as cidades brasileiras, seus governos, partidos e organizações da sociedade civil.

Programa de Capacitação de Conselheiros Municipais – um exemplo de iniciativa

O projeto teve início com a formação de comitês temáticos para as áreas de educação, saúde, cidadania e família, reunindo pessoas com atuação e interesses conectados, procurando entender o estado atual da cidade, ouvindo especialistas e compartilhando informações, conhecimento e novas ideias, pensando e propondo soluções para questões que afetam a todos. Liderado pelo grupo “Cidadania e integração”, o Programa de Capacitação de Conselheiros Municipais, é um exemplo dessas iniciativas.

Realizado a partir de uma parceria entre o IDF e a Oficina Municipal, com financiamento do Grupo Jacto e apoio da Prefeitura de Pompeia de maio de 2022 a julho de 2023, o programa ofereceu formação de alto nível aos conselheiros municipais com mais de cem diplomados na primeira turma.

O curso teve 22 aulas online, além de workshops e atividades presenciais, com foco em temáticas relacionadas a democracia participativa, políticas públicas e o cotidiano dos conselhos municipais. Mais de cem participantes concluíram o currículo e receberam seu certificado. Além de moradores de Pompeia, o projeto ofereceu vagas para as cidades de Quintana, Herculândia e Tupã.

Pessoas mais qualificadas e motivadas para a participação na comunidade e um ambiente na cidade de muito entusiasmo por engajamento social estão entre as principais conquistas dessa iniciativa. Mas houve outros desdobramentos: a proposta de criação de um Fórum Municipal pela Primeira Infância e um Fórum Municipal da Cultura.

Para quem se interessar em saber mais sobre o Projeto Pompeia Visão 2038, basta escrever para Eduardo Almeida no e-mail eduardo.almeida@idf.org.br.

Fontes:

Conselhos Municipais de Pompeia: um novo paradigma de participação na política municipal Relatório a partir da experiência de trabalho da equipe Oficina Municipal no desenvolvimento do Programa de Capacitação dos Conselheiros Municipais de Pompeia. São Paulo, 2023.

Relatório Institucional e de Impacto Social 2021-2023 do Instituto de Desenvolvimento Familiar Chieko Nishimura. Pompeia, 2024

Nada pode apagar a chama da vocação

Por Durvalina B. Bezerra

Em cada ciclo da vida, vivemos a nossa vocação no uso dos nossos dons para o cumprimento dos propósitos divinos. Depois da aposentadoria, ela pode contrair outros contornos e outras dimensões, mas nunca se apartar de nós.

Quando me entreguei ao meu Senhor confessei que viveria o meu chamado para sempre. Eu tinha 15 anos e não tinha ideia dos desafios e da dimensão desse compromisso, mas tinha convicção plena de que, “Aquele que vos chama é fiel” (1Ts 5.24). Surpreendi-me com as oportunidades de servir com os meus dons e além deles. São 52 anos de ministério ininterrupto, cada ano que passa novas oportunidades surgem e a disposição para servir é renovada.

Depois de 28 anos na direção do Seminário Betel em São Paulo, o Senhor me trouxe de volta à João Pessoa e alguns entenderam que eu estava me aposentando. Deixei a responsabilidade de dirigir um seminário, mas o compromisso com a vocação de preparar os vocacionados me faz continuar servindo como diretora do Centro de Educação Teológica e Missiológica do Betel Brasileiro, órgão de organiza e supervisiona as nossas vinte extensões.

A vida só tem sentido dentro do propósito para o qual o Senhor nos escolheu. Para o cristão, viver a vocação é não ter a vida por preciosa até cumprir a carreira que o Senhor designou para cada um de nós, até o último suspiro. “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm11.29). A dimensão ministerial pode mudar, o tipo de serviço pode mudar, mas nada pode apagar a chama da vocação. O vocacionado é um servo, cujo estilo de vida é servir por amor. Este é o modelo do Mestre. A força do amor nos mantém presos no altar dos sacrifícios até a morte, porque “nenhum laço de amor pode ser mais forte do que o laço da vocação”.

Durvalina B. Bezerra é diretora do Centro de Educação Teológica e Missiológica Betel Brasileiro.

Crédito da imagem: Jill Wellington, Pixabay