Andando com Deus

Por Wilfried Körber

Se examinarmos a Bíblia, vamos encontrar muitos que, pelo seu andar em obediência e justiça, foram considerados íntegros e isso agrada a Deus.

Imagem: Vincent van Gogh, Estrada com cipreste e estrela, 1890. Domínio público

Há alguns dias, escrevi um texto com o título: “Andando dia e noite com o Senhor”. O povo, com Moisés, andava pelo deserto e Deus os guiava, de dia numa nuvem e de noite numa coluna de fogo. Esse episódio é conhecido, e poucos percebem a grande mensagem que contém. Ser guiado por Deus pelos caminhos do deserto, recebendo proteção e direção é uma coisa, e andar com Deus, como Enoque fazia, tem outra profundidade. Enoque, da sétima geração depois de Adão viveu em comunhão com Deus e isso mereceu destaque. Enoque viveu 365 anos, uma vida curta para sua época, e sua biografia é muito reduzida. O versículo 24 do quinto capítulo de Genesis diz: “Andou Enoque com Deus, e já não era, porque Deus o tomou para si”. Outro relato, agora no Novo Testamento, em Hebreus 11.5 diz: “Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado porque Deus o trasladara. Pois antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus”.

Poderíamos perguntar: “Como é andar com Deus? O que Deus requer?”. A resposta está no próprio texto: “De haver agradado a Deus”. Poderíamos ainda fazer outra pergunta: “Com que podemos agradar a Deus?” Pode haver muitas respostas. Vamos olhar para um detalhe da vida de Salomão.

Em 1 Reis 3 lemos que Deus agradou-se de Salomão. Primeiro, Salomão amava ao Senhor, andando nos preceitos de Davi (3.3). Por conta desse amor, Salomão foi ao lugar mais alto da região, e ofereceu mil holocaustos em um altar. Como consequência, Deus apareceu a Salomão em sonhos, e lhe disse: “Pede-me o que queres que eu te dê”. Diz ainda o texto:

“Respondeu Salomão: De grande benevolência usaste para com teu servo Davi, meu pai, porque ele andou contigo em fidelidade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a Tua face; mantiveste-lhe esta grande benevolência e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como hoje se vê. Agora, pois, ó Senhor meu Deus Tu fizeste reinar este Teu servo em lugar de Davi, meu pai; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me. Teu servo está no meio do Teu povo que elegeste, povo grande, tão numeroso que se não pode contar. Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a este grande povo? Estas palavras agradaram ao Senhor…”

Não sabemos o que Enoque fez, mas em Hebreus11.5 lemos que ele obteve testemunho de haver agradado a Deus. Se continuarmos examinando outros vultos da Bíblia, vamos encontrar muitos que pelo seu andar em obediência e justiça foram considerados íntegros e isso agrada a Deus. Vamos imitá-los?


Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

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O abismo entre gerações é irreconciliável?

O exercício de uma paternidade sábia é uma longa jornada compartilhada, e é no caminho que adquirimos a sabedoria

Por Tiago Pereira

Quando os filhos nascem, nós imediatamente passamos a ocupar essa curiosa (e inédita) posição equidistante entre duas gerações: a dos netos e a dos avós. Um lugar privilegiado que os pais têm para assistir de camarote os extremos agridoces da vida. E quando a distância entre a primeira e a terceira geração envolve pessoas que nasceram em milênios diferentes, parece que se forma um abismo grande demais para ser superado. Ainda mais quando percebemos que o tempo entre gerações parece estar cada vez menor. Se gerações familiares giram em torno de 25 anos, o espaço geracional dentro da sociedade parece não seguir mais esse padrão e agora os intervalos se reduziram a não mais que 10 anos. A geração Z dos nativos digitais nascidos a partir do ano 2000 já deu espaço para a geração Alfa, que se iniciou em 2010, e esta já está dando espaço para a geração C, a geração dos bebês nascidos na pandemia de Covid (ou se preferir, os coronials, como já são chamados). 

A época em que você nasce não precisa moldar exatamente quem você é

Claro que os limites entre as gerações são fluidos e certamente há controvérsias entre os intervalos e as datas. Mas a pergunta que queremos fazer, no entanto, é: esse abismo intergeracional existe de fato? O cientista social Bobby Duffy parece discordar, pelo menos em parte, como afirma o subtítulo de seu livro lançado em 2021, intitulado “O mito geracional: por que quando você nasceu importa menos do que imagina” (The Generation Myth: Why When You”re Born Matters Less Than You Think, sem tradução). O autor do livro vê com preocupação a segregação etária percebida em muitas sociedades ocidentais nos últimos anos, mas atribui o problema a questões sociais mais profundas do que apenas o conflito entre gerações. Para ele, a “tensão” entre diferentes gerações não é apenas natural, mas essencial e benéfica para a sociedade, e tendo a concordar com ele. O ser humano é profundamente relacional e isso sempre deverá extrapolar a barreira geracional. É nisso que reside, por exemplo, a beleza e a dinâmica de uma comunidade cristã saudável. É nesse contato que conseguimos perceber como encontrar pontos de convergência, aprendizado mútuo e cuidado. O exercício de encontrar semelhanças entre gerações, aliás, pode ser um importante antídoto para evitar o problema de criar rótulos geracionais e acabar alimentando mais uma espécie de horóscopo moderno, como muitos que vemos por aí. A época em que você nasce não precisa moldar exatamente quem você é.

Como um típico millennial nascido nos anos 80, nutro certo orgulho de ser parte da última geração que navega com tranquilidade entre dois mundos com tempos e ritmos totalmente opostos: vi o mundo analógico das fitas magnéticas, das televisões de tubo e das fichas de telefone dar espaço para o mundo digital incessantemente conectado dos aparelhos celulares. Hoje tenho um casal de filhos nativos digitais que são geração alfa e que lidarão com robôs melhor do que eu, mas nunca entenderão a expressão “a ficha caiu”. Não sei o quanto o abismo entre mim e eles irá crescer com o passar dos anos e isso, de fato, só o futuro dirá. Mas do meu ponto referencial, quero voltar agora para o abismo que existe entre mim e a geração dos meus pais, os queridos avós, representantes paleolíticos da idealista, conservadora e disciplinada geração de baby boomers (aquela nascida no pós-guerra até o início dos anos 60). 

Dentre tantas diferenças entre nossas gerações, o exercício da criação de filhos parece ser um dos exemplos mais emblemáticos. Ser pai perto dos avós não é tarefa simples, mas talvez nunca tenha sido, apesar de a Bíblia não nos relatar o relacionamento entre Abraão e seus netos gêmeos. Criar filhos perto dos avós é viver tentando conciliar as expectativas de ambos os lados. Filhos que querem ser mimados e avós que querem mimá-los (mas que também reclamam se os mimamos). E uma parte do problema parece estar nas nossas percepções sobre autoridade e disciplina. Nenhuma das gerações despreza esses valores, e um pai millennial está tão preocupado com isso quanto um pai boomer, mas é inegável que a pluralidade de ideias na praça pública traz certa nebulosidade sobre o assunto.

Minha geração foi criada num mundo com visões ainda razoavelmente tradicionais e conservadoras sobre família, masculinidade, feminilidade e papéis do homem e da mulher. Essas visões, no entanto, cada vez mais se dissolvem no mundo contemporâneo. Vale lembrar, por exemplo, que a família típica dos cartazes americanos que vendeu essa ideia para nossos pais não passa no teste da história da humanidade e muito menos é o modelo de família cristã que as Escrituras mostram. Nesse caldeirão, os pais millennials, pertencentes a uma geração mais questionadora e flexível a mudanças que as anteriores, parecem estar numa busca constante por entender o que significa exercer autoridade sem autoritarismo, masculinidade sem opressão, disciplina sem tirania e respeito além dos pronomes de tratamento. Mas se esses valores parecem ser tão fluidos na cultura moderna e se não há limites para a literatura sobre o tema, talvez a melhor opção seja mesmo direcionar essa busca para as Escrituras que reconhecemos, enquanto cristãos, como autoridade divinamente inspirada.

Apontar e ir junto no caminho

Pais cristãos, afinal, irão concordar que a nós é exigido criar os filhos segundo a instrução e o conselho do Senhor (Efésios 6:4). Uma coisa bem diferente, porém, é entender qual é a instrução e qual é o conselho do Senhor. Uma ideia é olhar para a Lei do Senhor e para os Livros de Sabedoria, mas também entender que há um caminho importante a ser trilhado entre eles para não se confundir as coisas. A literatura hebraica de Sabedoria não é normativa – não é lei – mas quer nos mostrar que a busca pela sabedoria deve estar condicionada e submissa ao próprio Deus. Quando Provérbios 22:6 nos diz para ensinarmos “a criança no caminho em que deve andar”, nem sempre nos atentamos suficientemente à ideia de que a sabedoria só será formada durante uma longa jornada com o próprio Deus. Não há sabedoria verdadeira fora desse relacionamento. O salmista afirma que as palavras de Deus são mais doces que o mel (Salmos 119:103), e o livro de Deuteronômio nos ordena a conversar “sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar” (Dt 6:7). Não é apenas sobre apontar o caminho, mas antes, sobre ir junto no caminho.

Toda dificuldade para entender aqueles valores universais que aparentemente confundem as gerações, no fim, devem estar submetidos a esta realidade: o exercício de uma paternidade sábia é uma longa jornada compartilhada, e é no caminho que adquirimos a sabedoria. Não é à toa que o Cristo seja ao mesmo tempo a Palavra, o Caminho e a própria Sabedoria encarnada. Uma paternidade submissa a Deus, portanto, é uma paternidade cristocêntrica. Se olhar para Cristo nos revela o que é ser verdadeiramente humano, o que é ser imagem de Deus e o que é viver como parte do Reino, então olhar para Cristo irá nos revelar como devemos ser pais (mesmo que Jesus não tenha tido filhos enquanto viveu entre nós). Por isso, as palavras do profeta a todos os homens também deveriam ser incorporadas pelos pais que querem exercer uma paternidade cristocêntrica: “Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige: Pratique a justiça, ame a fidelidade e ande humildemente com o seu Deus” (Miquéias 6:8). No fim do dia, minha oração é que essa seja a imagem que meus filhos vejam diariamente em mim. A imagem do Cristo que se esvazia, se humilha e que se faz servo. Que eles sejam discípulos nessa caminhada com Jesus e aprendam a amar a esse Deus que tanto os amou.

O ponto fundamental da vida é a caminhadaFinalmente, quero voltar a atenção para os conflitos entre as gerações. Se Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo e nos confiou a mensagem da reconciliação (2 Coríntios 5:19), então os abismos intergeracionais podem, sim, e devem ser reconciliados. Os recortes geracionais podem nos fazer esquecer que o ponto fundamental da vida é a caminhada, e as características que definem uma geração não são, afinal, escritas em pedra. Olhando para o livro dos Provérbios, é interessante perceber como o autor vai compilando seus ensinos e conselhos ao longo de uma jornada. Salomão vive e participa das gerações de seu tempo, observa e aprende com elas enquanto caminha. Ao olhar para o livro de Eclesiastes, no entanto, o autor parece partir de outra perspectiva, um panorama da vida a partir da janela da velhice. Podemos dizer que ele está vendo que os abismos intergeracionais de sua época – como na nossa – eram pura vaidade. Se o ponto de partida do livro dos Provérbios é o temor do Senhor, esse se torna a conclusão do autor do Eclesiastes, que encontra a Sabedoria ao final de suas reflexões e conclui: “Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem” (Eclesiastes 12:13). 

Tiago Pereira é biólogo formado pela Universidade Federal de Viçosa, mestre e doutor em botânica também pela UFV, com pós-doutorado em Biologia Molecular e Filogeografia. Atualmente, faz parte da equipe de trabalho da Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC2) como coordenador nacional dos Grupos de Estudo. É membro da igreja presbiteriana, casado com Eliza e pai de Pedro e Maria Clara.

Artigo publicado originalmente no site Ultimatoonline. Reproduzido com permissão.

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Entre gerações, por Karen Bomilcar

Como honrar os idosos em um mundo que valoriza os jovens, por Ariane Gomes

Vem aí o 1º Encontro Regional do Movimento Cristão 60+ “Tempo de desfrutar e de semear”

A maior tendência global do nosso tempo é o envelhecimento. A igreja não pode ficar alheia a isso.

Com o tema “Tempo de desfrutar e de semear”, o 1º Encontro Regional do Movimento Cristão 60+ (MC 60+) acontecerá no dia 17 de maio de 2025. Será um evento de um dia só em São Paulo, SP, em um lugar de fácil acesso.

A maior tendência global do nosso tempo é o envelhecimento da população. A Divisão de População das Nações Unidas estima que o número de pessoas com 65 anos ou mais deve dobrar nos próximos trinta anos. A igreja não pode ficar alheia a isto.

“Alguns chamam a velhice de bênção. Outros a consideram um castigo. Para alguns, os idosos têm uma missão a cumprir, para outros, é apenas o declínio da vida” (1). Para o MC60+ é perfeitamente possível a vida plena na velhice. O versículo chave do Movimento reflete isso: “Mesmo na velhice darão fruto, permanecerão viçosos e verdejantes, para proclamar que o Senhor é justo” (Sl 92.14).

Ágatha Heap, preletora do Encontro de 2024, escreveu: “Uma vida plena é uma vida em que ainda servimos com os nossos dons, somos gratos e contamos as bênçãos ao longo dos anos, nos comprometemos em amor com as pessoas. Contamos com Deus todo o tempo”.

Durante as palestras, devocionais, workshops, compartilhamento de experiências, momentos de socialização e comunhão os participantes do 1º Encontro Regional terão oportunidade de ouvir e vivenciar assuntos que lhes dizem respeito: sua relação com a igreja, autocuidado, envolvimento na missão, segunda carreira e, não menos importante, o “desfrutar da vida”. – temas que mantêm continuidade com o que já vem sendo tratado nos encontros nacionais.

Conheça alguns dos preletores

Irland Azevedo, 90 anos, casado com Zilá há 67 anos, tem dois filhos, sete netos e quinze bisnetos. É pastor há mais de sessenta anos, foi professor de seminário, conferencista no Brasil e no exterior, mentor de pastores e é autor de quatro livros.

Thomas Hahn
, nasceu em Viena, Áustria, mas é carioca por formação. Casado com Christine há mais de sessenta anos, tem três filhos. É pastor na Igreja Batista da Granja Viana, em Cotia, SP. Escreveu vários artigos publicados no site do MC60+, entre eles “Carta de um velho”. Ele completará 90 anos exatamente no dia do Encontro.

Rosa Hasegawa
 apresentará o projeto Lírios do Campo, que há mais de 15 anos desenvolve atividades para idosos a partir da Igreja Metodista Livre, na Saúde, São Paulo, SP.”


Adriana Saldiba
, nutricionista e doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, é casada com o Rev. André Saldiba, é mãe de três filhos, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Envelhecimento na Universidade São Judas Tadeu. Ela participou da redação do relatório Status Atual da Grande comissão, produzido pelo Movimento Lausanne, no tópico Envelhecimento global da população.

Se você quer aprender a envelhecer, ou compreender melhor o envelhecimento de seus familiares ou membros de sua comunidade, ou se equipar para um ministério profícuo com os 60+, não perca a oportunidade de estar presente neste Encontro. Faça já a sua inscrição [aqui].

Sobre o Movimento Cristão 60+

O MC60+ nasceu no coração de um grupo de amigos nesta fase de idade com o objetivo de despertar as igrejas para esta realidade e, ao mesmo tempo, para encorajar os 60+ a não se aposentarem da carreira cristã, ao autocuidado e a servirem à igreja com seus dons, experiências e rede de contatos.
Uma das principais formas de atingir os seus objetivos é a promoção de eventos. Visite o site do MC 60+ para saber mais sobre o Movimento e ler sobre os encontros já realizados.

Serviço:
I Encontro Regional do Movimento Cristão 60+
Tempo de desfrutar e de semear
Quando: 17 de maio de 2025, sábado, das 8 às 18 horas
Onde: Igreja dos Cristãos de São Paulo, Rua Dr Abelardo Vergueiro César, 682 – Vila Alexandria – São Paulo, SP
Inscrições aqui.

Agradeço por tudo

Por Wilfried Körber

Outro dia escrevi sobre um pensamento incomum que tive: “Agradecer pelas coisas que não tenho”. Normalmente as pessoas pedem a Deus, coisas que eles não têm, mas gostariam de ter. É bem diferente quando agradecemos pelo que não temos. O que acha? Achei numa revista um texto sobre essa questão. Gostei, e por isso vou traduzi-lo aqui. Trata-se de um testemunho contado durante uma conferência realizada com colegiais.

“O dia estava lindo e a natureza num bosque composto por lindas árvores, flores e um riacho, tornava a cena muito agradável. Entre outras, estava ali uma estudante cega, que nada via dessa paisagem. Em seu testemunho, ela disse: “Não posso ver essas belezas pelas quais vocês agradecem, mas de outro lado, também não posso ver as coisas feias que vocês precisam ver. Com sinceridade, posso agradecer a Deus pela minha cegueira. Sou cega desde que nasci. Nunca vi qualquer coisa que existe ao meu redor. Contudo, a primeira coisa que vou ver, é Jesus, quando Ele no céu me dará um novo corpo, um corpo eterno”.

Esse testemunho reforçou o meu pensamento de que também devo agradecer a Deus pelas coisas que não tenho. Felizmente ainda posso ver, e agradeço a Deus por isso. Meus olhos já estão enfraquecendo, mas ainda posso ver. Dos ouvidos, há muitos anos só um funciona, mas com auxílio de um aparelho auditivo ainda ouço perfeitamente. Algumas outras capacidades também estão diminuindo, mas ainda posso participar sem restrições do que é importante. A velhice chegou, a eternidade se aproxima, mas de nada disso me lembrarei, quando, também eu, puder ver o meu Salvador.

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

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Meu celebrar

Uma 60+ descobrindo uma nova forma de viver

Por Nira Duarte

De manhã, bem cedinho, vou caminhando em direção ao mar para ver o resplendor do nascer do sol, substituindo as luzes da alvorada.

E ali, contemplando extasiada a tela colorida dos átrios de Deus, meu coração se curva em adoração e gratidão.

Mas só olhar o vasto mar não é suficiente.

Subo na prancha e começo a deslizar pelas águas, às vezes calmas e, outras, elas dançam sob a ação dos ventos.

O remo é meu leme, que me direciona para o destino que vejo à frente, porém nem sempre busco um lugar para atracar. O só ficar ali em meio (e sobre) as águas, ouvindo o som das ondas, contemplando a maravilhosa criação de Deus, fitando o céu, morada do Altíssimo, já é um pequeno vislumbre das delícias da eternidade.

É nesse cenário que vejo (e sinto) Deus sorrindo pra mim, mostrando o seu amor e cuidado.

É quando mergulho nas águas desse mar, que me entrego ao batismo de alegria, de sensações cinestésicas e da consciência de que o Espírito que habita em mim é engrandecido pela gratidão que flui do meu corpo todo.

Olhar, contemplar, se conscientizar, desfrutar e festejar – são demonstrações dessa gratidão, que revela na vida abundante, que só é plena em Cristo – o autor e consumador da nossa existência.

A Deus, em Cristo, toda honra, glória e gratidão eterna.

Nira Duarte. A música “Teus altares”, de Vencedores Por Cristo, me ajudou a enxergar a plenitude das maravilhas das obras do nosso Deus, e a desfrutar dessa benção, especialmente quando eu já estava entrando na terceira idade. Ela me fez ter certeza de que para Deus o tempo é apenas um referencial e que a vida plena acontece em todas as idades.

Confissão

Por Adair Porto Fassoni

Olho pela janela do mundo,

Que vejo?

Medo, ódio, rostos insatisfeitos, perversidades,

guerras, miséria, fome, inveja…

Um vento fino surra meu rosto e

sinto o gosto amargo da solidão!

O que vejo, o que sinto é real?

Identifico-me com essa humanidade

Faço parte desse quadro vivo

Ah! Esta fraqueza humana!

Meus olhos encharcam-se de lágrimas,

caí por terra e senti vergonha

de tamanha podridão.

Agora olho para o longínquo horizonte.

Que vejo?

Uma rústica cruz, no cinzento nevoeiro

e a voz do Senhor: “Vinde a mim

todos os que estais cansados e

oprimidos, e eu vos aliviarei”!

Uma brisa suave acaricia meus cabelos

Ah! Senhor! Como somos ingratos!

Eu me rendo aos Teus pés,

pronta para ser Teu instrumento,

para rir e chorar… mas Contigo,

presa no teu amor!

Senhor, aceita-me!

**

Para um “dia de depressão”

Adair Porto Fassoni, 92 anos, membro da Igreja Presbiteriana de Jacarezinho, PR, professora de português aposentada.

Janeiro de 1981

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Imagem: Edson Fassoni

“Os velhos terão sonhos”

Por Elisa Maria Ferraz Arruda

Não há idade para que Deus nos coloque dentro de seus planos

“E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões.” (Joel 2.28-31)

Meu nome é Elisa Maria. Soube da coluna “Sessenta +” por intermédio da Mara, missionária longe – em terras distantes e levando a palavra de Deus para refugiados em São José do Rio Preto, SP – missionária perto – em Londrina, PR, entre mulheres em situação de vulnerabilidade –, e membro da minha célula. Mara e eu sempre fomos companheiras em muitos momentos de oração.  Hoje mesmo, tivemos um cafezinho em casa. Conversamos, oramos e nos despedimos porque ela voltará para seu campo de trabalho.

Vou contar um pouco sobre mim.

Sou uma professora estadual aposentada, desde 2000. Na maioria dos meus dias, trabalhei com pessoas com dificuldades na área da visão e, após o ano 2000, dando aula, de metodologia trabalhada na área da deficiência visual em pós-graduação, para professores. Também trabalhei em outras áreas como técnica social rural na empresa paranaense Acarpa, Emater, de 1980 a 1985. Foi um tempo muito bom. Só tenho a agradecer por tudo que Deus me proporcionou na vida, tanto na área de trabalho, como no testemunho da minha fé em Jesus.

Fui casada com Antonio por quem orei para que se convertesse durante 47 anos, e que foi passageiro de último vagão, aceitando a Jesus no leito de hospital nos seus últimos dias de vida. Hoje sou viúva. Tive um casal de filhos. Minha filha mais velha mora em Orlando, na Flórida, e tem quatro filhos e um neto. Meu filho mora em Londrina, e tem duas filhas. Então, sou uma viúva com cinco netos e um bisneto.

Nasci e fui criada em uma família cristã. Minha mãe foi quem ensinou a cada uma das cinco filhas que apesar dos desertos, a fé nos mantém perto de Deus e nos seus caminhos.

Depois de concluir minha formação no curso Clássico e Magistério fui para São Paulo, capital, para estudar e trabalhar. Morei no bairro Perdizes e quando comecei a frequentar a Igreja Batista em Perdizes Humberto Viegas Fernandes era o pastor. Fiz parte do corpo docente do Colégio Batista Brasileiro.

Sempre trabalhei dentro das igrejas que frequentei, mas minha experiência pessoal com o Senhor Jesus foi na Igreja Batista em Perdizes, durante  uma pregação sobre o atalaia feita pelo pastor visitante Ivenio dos Santos. Deus me disse claramente que saísse do lugar onde estava sentada e fosse para frente porque era comigo que estava falando. E eu obedeci, o que foi surpresa para todos, pois eu trabalhava na igreja em vários departamentos e naquele dia recebi a Jesus como meu Senhor e Salvador. Meu batismo foi uma festa, colocaram água quente no batistério e as senhoras da igreja levaram chocolate quente pois aquele dia estava bem frio.

Passei por vários desertos e Deus foi modificando minha vida. Não sou perfeita e Ele trabalha a minha vida da maneira que lhe apraz.  Como o este texto é endereçado aos 60 +, me sinto em casa para escrever. Creio que Deus tem um plano para cada um de nós, como é descrito em sua Palavra: e que ele escreveu sobre nossos dias, antes mesmo que fôssemos formados (Sl 139.16). Creio também que seus propósitos para cada um de nós estão baseados em seu amor, e que através do livre arbítrio que Deus nos dá, muitas vezes, saímos desse propósito porque achamos que podemos resolver tudo sozinhos, e que não precisamos mais do Senhor. Ledo engano, pois, esquecemos que Deus é Deus de relacionamento e que tem prazer em nos ouvir e falar conosco, como sempre tivemos prazer em ouvir nossos filhos. Esquecemos que quando aceitamos a Jesus ganhamos uma família pela qual fomos adotados e temos uma herança junto com Jesus. Creio também que para Deus não há idade para que ele nos coloque dentro de seus planos, pois quando lemos sua Palavra, entendemos que chamou a muitos apesar da idade avançada. Sua palavra nos orienta a remir o tempo que estamos vivendo aproveitando para testemunhar que Jesus é o dono da nossa vida e que devemos viver esse tempo da melhor maneira possível.

Sei que muitas pessoas depois de certa idade não sonham com mais nada e acham que a vida já está no fim, mas a última palavra é do Senhor, só ele sabe os planos que tem a nosso respeito, planos de bem e não de mal para nos dar o fim que desejamos (Jr 29.11). Sabemos que as promessas de Deus são muitas e que nada pode mudar os planos que ele tem para nós. Devemos aproveitar com alegria a bênção da vida. Devemos crer em suas palavras, em suas promessas.

Sinto-me honrada em poder colaborar com Ultimato. Li muitos testemunhos enriquecedores de vida na revista.

Atualmente frequento a 1ª Igreja Presbiteriana de Londrina, uma igreja em células onde fui participante de uma célula protótipo, depois líder de célula e já há alguns anos supervisora de células. Nesta  igreja, ouvi a voz do Senhor durante um culto de terça-feira, na Tarde da Esperança, mandando que eu abrisse uma Bolsa de empregos para colocação no campo de trabalho os que estavam desempregados, e assim o fiz por sete anos. Uma psicóloga, a mesa diaconal e eu montamos vários cursos profissionalizantes e encaminhamos muitos ao mercado de trabalho. Depois, foi montado o Instituto Esperança, que existe até hoje, englobando outros trabalhos.

Deus me deu graça e escrevi alguns livros devocionais como: Sementes de Fé, (durante um dos desertos da vida); Palavra: passaporte para uma Vida Abundante, (com o qual aprendi que só a palavra de Deus cura a nossa alma e nos dá alívio e alegrias), e Se forte e corajoso (também em meio a outro deserto). Em meio a tudo isso, fui e estou sendo forjada para o novo de Deus, o qual espero com coragem e ousadia e dou graças e glorifico o seu nome por tudo.

Quando relembro minha caminhada, vejo que só consegui chegar até aqui porque dependi de Deus. Me agarro às suas mãos todas as manhãs, pois sei que meu Redentor vive e que sem ele não sou nada e não irei a lugar nenhum. Todos os dias digo: “Com meu Deus eu salto muralhas”.

Elisa Maria Ferraz Arruda, 80 anos, membro da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, PR.

Imagem: Edson Porto Fassoni. @efassoni.

Atualizado em 27 de janeiro de 2025.

As últimas milhas

Por Wilfried Körber

“Desde agora me está guardada a coroa da justiça, que o SENHOR, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda.” (2Tm 4.8)

Nessa vida, todos nós estamos a caminho que algum dia chega ao lar. Os idosos têm maior chance de chegarem ao destino antes. Para o filho de Deus é confortador saber que Ele está conosco. Não precisamos temer surpresas desagradáveis.

Enquanto ando com Ele, falamos a respeito de eventuais preocupações. Eu lhe falo, e Ele me responde. Ele fala comigo, e eu lhe sou agradecido. Nosso relacionamento é de Pai para filho. Se a viagem for cansativa, Ele me ampara. Se a caminhada for muito cansativa, Ele me carrega, mas nunca me sinto abandonado. Perto dele, sinto-me pobre; me faltam os recursos necessários. Nesse caso o Pai me sustenta; nunca me deixa só nas dificuldades.

O caminho dele às vezes é diferente do meu, mas com paciência e amor, me mostra a direção correta. Tenho que vencer subidas e descidas, mas há momentos de descanso e restauração. Há um momento em que Ele me diz: “Estamos chegando!” É nessas últimas milhas que preciso mais de Sua ajuda. Está ainda longe Canaã? Lanço minhas preocupações sobre Ele. Não preciso temer nada, pois Ele conhece muito bem a estrada, e me segura, para não errar a direção. Há momentos em que eu começo a tropeçar, mas seguimos em frente de mãos dadas, e nada tenho a temer. As últimas milhas podem ser cansativas, mas Ele me leva ao lugar de descanso. Estarei eternamente com Ele, e Ele comigo. Sigo alegre a minha estrada, sabendo que o melhor está por vir!

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

Imagem: KimJaesub. Pixabay.

Leia mais:

>> Quando Deus fala comigo?, por Wilfried Körber

>> A caminho de casa – vida, fé e como terminar bem – Resenha

Bíblia versus Inteligência Artificial – O que é melhor que a vida?

Por Eli Alone

– O que é melhor que a vida?

– Essa é uma pergunta filosófica!

Existem muitas respostas possíveis, dependendo da perspectiva e dos valores de cada pessoa. Aqui estão algumas possibilidades:

Respostas filosóficas

1. Nada: Para alguns, a vida é o maior bem e não há nada melhor do que ela.

2. Felicidade: Outros diriam que a felicidade é o objetivo supremo e o que torna a vida valiosa.

3. Amor: O amor pode ser considerado o que dá sentido e propósito à vida.

Respostas práticas

1. Saúde: Sem saúde, a vida pode ser difícil.

2. Relacionamentos: Conexões significativas com familiares e amigos.

3. Realização pessoal: Alcançar metas e objetivos.

Respostas poéticas

1. Sonhos realizados: Ver os sonhos se tornarem realidade.

2. Paz interior: Encontrar tranquilidade e contentamento.

3. Liberdade: Viver sem limitações.

Respostas espirituais

1. Conexão divina: Para alguns, a conexão com uma força superior é o que dá sentido à vida.

2. Iluminação: Alcançar a sabedoria e compreensão profunda.

3. Transcendência: Ultrapassar as limitações humanas.

– Qual é a sua perspectiva? O que é melhor que a vida para você?

– Segundo a Bíblia, é a Graça.

– Peço desculpas! Você está absolutamente certo! A Bíblia ensina que a graça de Deus é o maior bem que podemos receber (Ef 2.8-9; 2Co 12.9). A graça divina nos oferece:

Aspectos da Graça

1. Salvação: A graça nos salva do pecado e da separação de Deus.

2. Perdão: A graça nos perdoa e nos restaura.

3. Fortalecimento: A graça nos dá força para enfrentar desafios.

4. Transformação: A graça nos transforma para viver uma vida cristã.

Passagens bíblicas

1. “Pois é pela graça que vocês são salvos, por meio da fé; e isso não vem de vocês, mas é dom de Deus.” (Ef 2.8-9)

2. Mas ele me disse: ‘A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.'” ( 2Co 12.9)

3. “Onde o pecado abundou, a graça superabundou.” (Rm 5.20)

– Muito obrigado por corrigir-me! A graça é, de fato, um presente precioso de Deus.

A Graça é melhor que a vida. O menor dos filhos de Deus desbancaria a IA.

Eli Alone, 72 anos, viúva, mantém desde 2023 o blog Terra do Esquecimento. Ela se define como pentecostal reformada e leva muito a sério o ministério da intercessão.

Artigo publicado originalmente no blog Terra do esquecimento. Reproduzido com permissão.

Imagem: Brian Penny. Pixabay.

Entre gerações

Crescimento vem do cultivo do relacionamento com Deus e da convivência e do cuidado mútuo na comunidade

Por Karen Bomilcar

“Não repreenda asperamente ao homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos; as mulheres idosas, como a mães; e as moças, como a irmãs, com toda a pureza” (1 Timóteo 5.1-2).

A multiplicação de grupos nas nossas comunidades (crianças, adolescentes, jovens, adultos, casais, solteiros, descasados, idosos) tem benefícios. Mas, se convivemos apenas com “iguais”, deixamos de cultivar um dos presentes mais lindos que a comunidade proporciona: a sabedoria e o crescimento que vêm das relações de intergeracionalidade. É nelas que aprendemos o respeito e a convivência.

Quando os mais novos convivem só com pessoas da sua idade e esperam amadurecer espiritualmente sozinhos e aqueles com mais tempo de caminhada não se sentem responsáveis pelos mais novos, não há crescimento sadio. Crescimento vem do cultivo do relacionamento com Deus e da convivência e do cuidado mútuo na comunidade.

Uma comunidade sábia, que cresce num relacionamento dinâmico com Jesus, amadurece em fé, esperança e amor. Sugiro então que você seja humilde, abra os olhos e os ouvidos e encontre duas ou três pessoas da geração acima da sua para andar com você. Queira repartir a vida de forma transparente, desde as coisas mais simples até as “grandes” questões. Busque amar a Deus amando outros, aprendendo com a experiência do outro.

E se você é dos mais velhos: Não importa a sua idade, você tem muito para contribuir. Conheça os mais novos na sua comunidade, convide-os para a mesa da comunhão e comece a construir vínculos.

Que Deus nos mobilize a dar o primeiro passo na direção do outro e preservar o presente da intergeracionalidade.

Pai, que sejamos atentos ao amadurecimento na fé como algo não apenas pessoal, mas também comunitário.

Karen Bomilcar trabalha como psicóloga hospitalar na área de saúde pública e como professora no Seminário Teológico Servo de Cristo e no Centro Cristão de Estudos. É mobilizadora voluntária da Rede Temática “Saúde para Todas as Nações” do Movimento de Lausanne.

Artigo publicado originalmente no devocionário Refeições Diárias Celebrando a Reconciliação, Ultimato. Reproduzido com permissão.

Imagem: Volzi, Pixabay.

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