Jesus Cristo – o eixo do universo

Por Elben César

No dia em que Jesus entrou em Jerusalém pela última vez, montado num jumentinho e passando por cima de ramos de palmeiras, ele declarou à multidão que o cercava: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todas as pessoas para mim” (Jo 12.32). O Senhor se referia ao seu sacrifício vicário na cruz cinco dias depois, único meio pelo qual os pecadores podem ser perdoados e salvos.

Quantas pessoas foram atraídas por Jesus e seu sacrifício nestes vinte séculos de pregação do evangelho? Só Deus sabe!

Porque Jesus, ao ser enviado ao mundo pelo Pai, abriu mão de tudo e caminhou até a morte e morte de cruz, Deus deu a ele “a mais alta honra e pôs nele o nome que é o mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus,

todas as criaturas no céu,

na terra

e no mundo dos mortos,

caiam de joelhos

e declarem abertamente

que Jesus Cristo é o Senhor,

para a glória de Deus, o Pai”

(Fp 2.9-11).

Na morte e na ressurreição, na colina do Calvário e no monte da transfiguração, na humilhação e na glória, na primeira e na segunda vinda – Jesus Cristo é o eixo do universo e da história!

Imagem: Wikimedia Commons.

Leia mais:

>> “Para iluminar, a gente tem que derreter”, por Heidi Ferreira A. S. de Oliveira

>> Entra na minha casa, por Wilfried Korber

“Para iluminar, a gente tem que derreter”

Dedicar-nos a Jesus é graça e gratidão: o evangelho que nos alcançou na juventude ainda arde em nosso coração

Por Heidi Ferreira A. S. de Oliveira

Ouvi a frase que dá título a este artigo numa canção da banda Rebanhão. Ela me fez revisitar minha história.

Conheci Jesus na adolescência, por meio de uma história no antigo flanelógrafo. Fui impactada pela pergunta: “Quer Jesus como seu Salvador?”. Saí contrariada por me sentir exposta, mas a frase ecoou. Em casa, disse a Deus que, se ele pudesse me salvar das angústias de uma vida sem sentido, que assim fizesse. Minha vida mudou.

Cresci nas Escrituras e passei a frequentar uma pequena igreja. Foi tempo de alicerçar a fé: evangelismo nas ruas e na Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (FEBEM). Aprendi a caminhar com o Mestre Jesus e a tocar violão. Participei de um acampamento cristão; jovens expressavam Cristo. Desde então, atuei como QG no Jovens da Verdade (JV).

Nossa estrutura era simples, mas o compromisso com o evangelho, intenso. Já casada com Silas Soares de Oliveira, realizamos viagens missionárias, visitamos igrejas e promovemos retiros. E o evangelho se expandia pelo país.

Nos anos 1990, Deus nos enviou a morar no acampamento do JV. Abri mão de uma carreira promissora em São Paulo. Em Arujá, além das atividades no acampamento e no seminário, ingressei na educação, primeiro como professora, depois na gestão. Entendi a escola como ministério. Mantivemos a banda JV ativa e, mesmo com filhos, seguíamos pregando o evangelho.

Com o tempo, já mais velhos, achamos que nosso papel seria apenas apoio e oração aos jovens do JV. Embora necessário, isso não supria o desejo que ardia em nosso coração. Voltamos a visitar igrejas com um pequeno grupo de veteranos, cantando e pregando o amor de Deus. Sentíamo-nos constrangidos por usar o nome Jovens da Verdade; assim nasceu o Dinossauros da Verdade – irreverente e bem-humorado.

Com a pandemia da Covid-19, o grupo cresceu. Pelo WhatsApp, promovemos oração e comunhão durante o isolamento. De oito, chegamos a cerca de setenta “dinos”, com testemunhos de restauração. Seguimos visitando igrejas.

Voltamos às viagens missionárias pelo interior e litoral, agora na nossa realidade idosa. Com um violão, canções antigas, contrabalde1 e pinturas, vimos como Deus usa nossas limitações. Neste novo tempo, entendemos que dedicar-nos a Jesus é graça e gratidão: o evangelho que nos alcançou na juventude ainda arde em nosso coração. Deus caminha conosco por gerações, trazendo alegria e esperança.

Tivemos três filhos e acompanhamos a luta da caçula, Gabriela, contra o diabetes tipo 1. Em meio a provações, ela permaneceu firme no Senhor. Após dois transplantes, hoje está curada. Reconhecemos a graça e a misericórdia de Deus.

Para obedecer ao Ide, criamos o Acampadinos, para reintegração, comunhão e senso de missão a idosos, em ambiente adaptado. Muitos foram impactados ao perceber que continuam úteis no reino, apesar da idade.

O Movimento Cristão MC 60+ intensificou nossa convicção: é possível servir ao reino em qualquer fase da vida, até com uma “segunda carreira” ministerial. Por isso, volto à frase que me marcou: “Para iluminar, a gente tem que derreter”. A luz de Cristo está na vela que somos nós. Quando nos dispomos a ser instrumentos dele, os anos passam, o corpo se desgasta, mas a luz permanece até a eternidade (Mt 5.16).

Nota

1. Contrabalde é um instrumento musical rústico feito com uma lixeira de alumínio, fieira de pião e cabo de vassoura. O som da fieira esticada amarrada à lixeira e ao cabo de vassoura é semelhante ao do contrabaixo. Daí o nome “contrabalde”.

Heidi Ferreira A. S. de Oliveira é casada com Silas, mãe de Flávia, Silas e Gabriela e avó de Benjamin. Tem formação em pedagogia, psicopedagogia e artes, e é gestora educacional e membro da Missão Jovens da Verdade.

Artigo publicado originalmente na edição 418 de Ultimato. Reproduzido com permissão.

Imagem: Unsplash.

Leia mais:

>> Lutar pelos sonhos é possível após os 60. Sempre pela bondade do Senhor, por Xênia Marques L. de Q. Cassete

>> Andando com Deus, por Wilfried Korber

Movimento Cristão 60+ anuncia o seu 5º Encontro Nacional

Com o tema A Força da Esperança para os 60+, o evento privilegiará comunhão e encorajamento

De acordo com a ONU o número de pessoas com 65 anos ou mais deve dobrar nos próximos trinta anos. O envelhecimento da população tem sido retratado como a maior tendência global do nosso tempo. Muitas igrejas já se despertaram para os desafios que esta realidade traz.

Nesta fase da vida, é natural que haja inquietação com relação ao futuro. Questões relacionadas à qualidade de vida, estabilidade, segurança e solidão são motivos legítimos de preocupação. E também perguntas sobre a continuidade da vocação.

Jesus apresenta perspectivas corretas com relação ao tempo e ele chama os discípulos a viverem sem medo do futuro. A esperança cristã é enraizada nas promessas e ensinos de Jesus e se expressa como confiança dinâmica na fidelidade de Deus que cumpre o que prometeu. Somos portadores de uma esperança ativa, baseada no futuro certo da redenção – Cristo voltará, e os fiéis serão libertos. Esta é a esperança que sustenta a missão, consola na dor, inspira a justiça e aponta para a plenitude da vida com Deus.

O 5º Encontro Nacional tratará dos desafios próprios aos 60+ a partir do tema “A Força da Esperança para os 60+”. O evento, promovido pelo Movimento Cristão 60+, será realizado nos dias 15 a 17 de setembro, no Centro Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista, SP.

O formato do Encontro promoverá espaços de comunhão, troca e encorajamento. Além das palestras, o programa prevê momentos de louvor, oração e compartilhamento; mostra de projetos desenvolvidos por igrejas voltados para os 60+ e testemunhos. Além disso, serão oferecidas 10 Oficinas sobre temas específicos.

Os temas das palestras principais são: A força da esperança – vivendo entre o já e o ainda não; A força da esperança – para continuar servindo; A força da esperança – o autocuidado; A força da esperança – uma segunda carreira e A força da esperança – perseverança.

Entre os preletores já confirmados estão:Christian Gillis, Ricardo Agreste, Daniel Yoshimoto, Ageu Lisboa, Paulo e Dora Bomilcar, Elias Bispo, Klênia Fassoni.

Se você quer fortalecer a sua esperança ou compreender melhor o envelhecimento de seus familiares ou membros de sua comunidade, ou se equipar para um ministério profícuo com os 60+, não perca a oportunidade de estar presente neste Encontro.

Escreva para mc60mais@gmail.com e receba em primeira mão informações sobre como inscrever-se.

…..

O MC60+ nasceu no coração de um grupo de amigos nesta fase de idade com o objetivo de despertar as igrejas para esta realidade e, ao mesmo tempo, para encorajar os 60+ a não se aposentarem da carreira cristã, ao autocuidado e a servirem à igreja com seus dons, experiências e rede de contatos.

Serviço:

5º Encontro Nacional MC 60+ – A Força da Esperança para os 60+

Quando: 15 a 17 de setembro de 2026

Onde: Centro Mariápolis Ginetta, Vargem Grande Paulista, SP [a 47 km de SP]

Informações: mc60mais@gmail.com

Saudade da vovó

O elo emocional que aproxima os extremos da idade e embeleza a relação avós-netos é poderoso demais para ser ignorado

Por João Soares da Fonseca

Desde que chegamos em 2022 à igreja de que somos membros, Zion Baptist Church, em Walton, Kentucky, impressionou-nos uma avó trazendo dominicalmente seus três netos. Bem disciplinados, os meninos se comportavam exemplarmente no culto. Qualquer ameaça de traquinagem era desestimulada pelo olhar fulminante da avó. Quase três anos depois, no domingo antes do último Natal, os três irmãos foram batizados, confessando sua fé em Cristo. Foi uma festa na pequena igreja. Aproveitei para parabenizar a avó, por seu zelo e perseverança em trazê-los à igreja e em conduzi-los aos pés da cruz.

O batismo dos três irmãos me lembrou um dado anotado por um acadêmico canadense, chamado Reginald W. Bibby (1943—). Premiado pesquisador de tendências religiosas, Bibby concluiu que os canadenses deverão retornar à igreja nos próximos anos, motivados por um fator que quase sempre passa despercebido: a nostalgia.

O fenômeno não é exclusivo do Canadá. No Brasil também temos milhares de jovens que nasceram e cresceram na igreja, tendo sido alimentados pelo leite revigorante da Palavra de Deus, conduzidos pelos avós. Mas à medida que cresceram, abandonaram a igreja, especialmente nos dias turbulentos da universidade, quando sua fé ingênua não conseguiu resistir aos ataques do racionalismo ateu. E assim, cedendo cegamente às tentações do secularismo, deixaram a casa paterna e foram procurar a ilusória felicidade que supunham existir na terra distante.

Acontece que os anos passam. Os avós passam. Os pais partem. O menino vira velho. A menina, uma senhora de respeito. E é aí que entra o fator nostalgia, de Bibby. Eles conservam agradabilíssimas recordações da infância, quando a vovó os levava à igreja. E começam a voltar. Confirmo essa conclusão porque eu mesmo colhi frutos dessa bênção ao batizar alguns irmãos canadenses com esse perfil. Quando, na profissão de fé, perguntei como chegaram à conclusão de que Jesus é a única esperança de salvação, vários deles responderam que foram levados à igreja por seus avós. Agora, cinquentenários, retornavam à igreja, com saudade da vovó.

Claro que o fator nostalgia também funciona com os pais. Mas avós são outra história. O elo emocional que aproxima os extremos da idade e embeleza essa relação é poderoso demais para ser ignorado. Concluo com um desafio ao senhor, vovô, e à senhora, vovó: Se seus filhos não estão trazendo os seus netos à igreja, que tal combinar com eles e levar os pequeninos consigo à igreja e consequentemente a Cristo?!

João Soares da Fonseca é pastor.

Artigo publicado orginalmente na Revista Novas, nº 406, janeiro de 2026. Reproduzido com permissão.

Leia mais:

>> Uma avó feliz, por Cássia Sakiyama

>> A bênção de ter – e de ser avós, por Esther Carrenho

Descartável, mas reciclável

O ser humano não é somente pó. Possui alma e espírito. Ambos não são descartáveis

Por Wilfried Körber

Cada vez mais o mundo se dá conta de que o desperdício deve ser evitado. O muito lixo está sufocando a terra, as águas, o ar e até a estratosfera e mais além, depositando resíduos em outros planetas. Os “verdes”, a ecologia, defendem e propagam a necessidade de evitar-se toda essa contaminação da natureza. Muita gente os apoia e esse apoio vem crescendo à medida que se encontram métodos de aproveitamento do que era jogado fora, e pessoas ou empresas que desenvolvem mecanismos e sistemas de recuperação, transformam parte do lixo em nova matéria prima e consequentemente em dinheiro. Há os bens “duráveis”, que todavia cada vez duram menos. Há os eletrônicos, que se tornam obsoletos, antes mesmo de, estarem estragados. Há os descartáveis que assim se tornam (e são muitos) após serem usados uma única vez. Há aqueles que precisam ser descartados sem oferecerem, por ora, a possibilidade de reciclagem. Que situação! A criação de Deus é destruída, em sua qualidade, pelo homem: o ar, a água, a terra, a vegetação e a saúde.

O ar é reciclado pela própria natureza, pelo movimento das águas e pelo respirar das florestas. A água é reciclada pelo ciclo da evaporação e das chuvas, a terra recebe novas forças pelo descanso entre safras e pelos materiais orgânicos que nela são depositados, a vegetação morre e renasce, se encontrar ambiente favorável. A saúde pode ser promovida ou abusada, sofrendo as atitudes do corpo e da alma. Algo parecido acontece com o ser humano. Uns são descartados ainda em vida: à margem da sociedade, nas sarjetas, em asilos ou hospitais. Não há nada a fazer com eles. Que miséria! Foram algum dia crianças bonitinhas, possivelmente queridas e acariciadas. De repente sua beleza desapareceu e ninguém mais os quer. Serão descartáveis! Outros vivem sua vida, curta ou longa, com alegria, ou tristeza, cheios de esperança ou desesperados, vivem modestamente ou possuem riquezas, às vezes incalculáveis. Chega o dia em que, ao se “despedaçar seu copo de ouro e desfazendo-se a roda junto ao poço, o pó volte à terra” (conf. Ec 12.6), descartado, porque para nada mais serve.

O ser humano não é somente pó. Possui alma e espírito. Ambos não são descartáveis. Para a alma prevê-se um renascimento e o espírito é vida e tendo sido dado por Deus, para ele volta. Reciclável é a alma do homem. A alma é o que representa nossa personalidade, nosso eu. A alma deseja, sente e crê. Minha alma sou eu. Ela perde sua característica original, abrigada por um corpo mortal e descartável, mas ela mesma será reciclada. Isso acontecerá no grande dia da ressurreição, quando o Senhor voltar e buscar os seus e restaurar-lhes uma nova vida, com um novo corpo, perfeito (1Co 15.44). Aqui vem uma surpresa. Nesse caso o reciclado será melhor que o original. Deus seja louvado! Portanto não tenho medo de ser descartado, pois aguardo, cheio de fé e esperança a reciclagem. Você também já chegou a essa convicção?

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

Texto baseado na devocional feita pelo autor no encontro de oração do Movimento Cristão 60+ no dia 2/3/2026.

Leia mais:

>> Eu com Deus e Deus comigo, por Wilfried Körber

>> Ver além do que a vista alcança, por Marcelo Barreto

Imagem: Unsplash.

Ver além do que a vista alcança

Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo […] pois já os meus olhos viram a tua salvação (Lucas 2.29-30).

Por Marcelo Barreto

Um dos cânticos mais emocionantes da Bíblia é o de Simeão, um idoso justo e temente a Deus. Certamente ele não teria trinta e três anos a mais de vida, o que o impossibilitaria de ver a morte redentora do Messias. De forma especial, Deus concedeu-lhe a capacidade de perceber que aquela criança, que iria ser apresentada ao Senhor, era o Salvador esperado. Simeão literalmente diz: “Meus olhos viram a tua salvação!”.

Deus deu a Simeão a capacidade de ver além do que a vista alcança, coisa que muitos discípulos, mesmo estando lada a lado com Jesus, não conseguiram perceber. A multidão não viu, Herodes desprezou e Pilatos lavou suas mãos. Até hoje, muitos veem somente Jesus histórico, e não conseguem ver além, o Deus encarnado, o Salvador e Senhor.

É normal desvalorizarmos o que fazemos por não vermos além. Nem sempre compreendemos que alguns atos, por mais simples que sejam, podem modificar a situação de uma pessoa, seja uma palavra, uma oração, uma hospedagem, um consolo, um copo d’água, uma pergunta. Só Deus sabe o alcance das ações que fazemos em obediência à sua palavra. Muitas vezes queremos entender mais que obedecer. A Bíblia afirma que os desígnios do Senhor são insondáveis e impenetráveis ao coração humano.

Um dia, um homem caminhava e viu alguns trabalhadores de uma construção. Ele perguntou o que estavam fazendo. Para sua surpresa, ele obteve três respostas. O primeiro disse: “Estou quebrando pedras”. O segundo: “Estou conquistando meu salário do final do mês”. E, muito orgulhoso, o terceiro respondeu: “Estou construindo uma catedral”.

Com qual dessas respostas você mais se identifica?

Senhor, abre os meus olhos para que eu veja o valor do que fazes no meu dia a dia.

Marcelo Barreto é agrônomo, fitopatologista e professor na Universidade Federal do Espírito Santo. Presbítero da Igreja Presbiteriana Manancial em São Mateus, ES. Bem casado, pai de duas filhas e avô de dois netos.

Imagem: Edson Fassoni. @efassoni.

Leia mais:

>>Eu com Deus e Deus comigo, por Wilfried Korber

>> Saber envelhecer, por Oswaldo Luiz Gomes Jacob

Cuidado – este artigo pode resultar em dependência

As vantagens de escrever um diário ou memórias é que isso não requer acompanhamento médico, exercícios penosos, ou fortunas gastas na farmácia

Por Thomas Hahn

Verdade. Eu, que nunca tinha tido problema nesta área, me tornei dependente aos 45 anos de idade. Metade da minha vida livre, só para escorregar e cair feio!

Foi assim: tarde de verão, o sol começando a se despedir, a água da piscina morna, o papo fluindo tipo praia. E minha vizinha e anfitriã solta esta: “Vou criar um jornal para nosso bairro”. Granja Viana, o bairro em questão, é parte de Cotia, próximo a São Paulo, e estava começando seu desenvolvimento acelerado. Ela continuou: “Precisamos ter uma voz para que a prefeitura ouça nossas necessidades”.

Perfeito, pensei. E uma voz, que me lembrava a minha, falou: “E eu vou escrever um artigo para este jornal. Conte comigo!”. Mas havia um probleminha: eu nunca escrevera nada. Nadinha, a não ser umas cartas para minha namorada, que me amava o suficiente para casar comigo apesar das ditas cartas.

Escrevi crônicas para o jornal durante 35 anos. Aprendi a escrever, a ter meu jeitão próprio, escrevendo. E deu certo: o jornal teve uma longa vida de bons serviços prestados, e eu virei o escritor de Cotia. No final desta época, em 2005, publiquei um livro de memórias – originalmente para meus filhos, mas a pedidos tornado público – que vendeu bem – a tiragem inteira. Recentemente publiquei dois livros para cristãos iniciantes, mas não alçaram voo.

Tudo para chegar ao ponto deste artigo: Escrever vicia. Prova disto é que agora, aos 89 anos, sem carta de motorista, com pernas que se recusam a andar por aí, voltei a escrever. Nada para o público: é de mim para mim. Acordo cedo, faço minha leitura devocional e escrevo, a mão, papel e caneta, o que pode ser tanto uma oração quanto uma meditação. Escrever, ao invés de simplesmente meditar/orar, tem me ajudado a por meus pensamentos em ordem, e, pela natureza do processo, gastar mais tempo em comunhão com Deus. Tem sido uma benção para este ancião, e quero que seja uma benção para você.

Duas propostas, então: primeiro, que você escreva um diário, acompanhando sua devocional diária, e, segundo, que você escreva suas memórias, não necessariamente como obra literária, mas para contar sua vida para sua família, seus descendentes, que não conseguem imaginar como era a vida em geral, e a sua em particular, há uns 60 ou 70 anos.

Com a vantagem adicional que estas propostas não requerem acompanhamento médico, exercícios penosos, ou fortunas gastas na farmácia.

**

Livros de minha autoria

Vou Te Contar: Memórias

Deus me Ama – Introdução à Bíblia e à vida com Cristo

Sou Cristão, E Agora? – Primeiros passos com Jesus

Os livros e e-books podem ser encontrados em lojas como Amazon, Mercado Livre, Martins Fontes, da Vila etc. Para compras em grupo, como igrejas em vendas@editoraappris.com.br

**

Thomas Hahn, 89 anos, nasceu em Viena, Áustria, mas é carioca por formação. É casado com Christine há 61, com quem tem três filhos. Foi ordenado pastor aos 87 na Igreja Batista da Granja Viana, em Cotia, SP.

Leia mais:

>> Carta de um velho, por Thomas Hahn

>> Eu com Deus, e Deus comigo, por Wilfried Korber

Imagem: Unsplash.

Trocando nosso coração de pedra por um coração de carne

Sejamos justos e tenhamos palavras e atitudes que façam e tragam o bem, pois Deus deseja nos abençoar

Por Elisa Maria Ferraz Arruda Medeiros

Algumas expressões são essencialmente negativas: não posso; sou fraco; tenho falta de fé; não consigo é muito difícil; não vai sair minha aposentadoria; esse negócio não vai dar certo, e muitas outras que falamos sem pensar e nem nos damos conta do seu significado depois de faladas, mas, conhecemos o medo e a insegurança que essas palavras nos trazem.

Quando pensamos que estamos com medo e o confessamos, ele começa a ficar gigante diante de nós de tal maneira que perdemos a coragem. Foi o que aconteceu a Jó quando confessou:” Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece” (Jó 3.25).

Ao dizermos que nossa fé é pequena, torna-se uma confissão, estamos, sem saber, dando direito legal de ação ao Diabo, que anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar(1Pe 5.8),procurando uma brecha, fazendo estragos em nossa vida e na vida da nossa família e a dúvida, que é o oposto à fé, se levanta diante de nós e cresce de tal maneira que a fé começa a faltar em nosso coração.

Na verdade, quando você ou eu dizemos: “Não consigo por minhas contas em dia”, realmente, não conseguiremos porque já decidimos e colocamos uma posição negativa em nosso coração, confessando com nossa boca. Já tomamos a posição e esquecemos que nós recebemos o que declaramos, pois, quando falamos estamos plantando as sementes que iremos colher que são nossas palavras.

Isto acontece porque estamos falando em contrário com o que diz a Palavra de Deus, pois ela nos afirma: “O meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Fp. 4.19).

Para todas as afirmações negativas sobre nós, temos na palavra de Deus afirmações que nos trazem bênçãos.

Para “não posso”: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp.4.13).

Para “sou fraco”: “Tu és a minha fortaleza” (Sl 31.4).

Para “sou derrotado”: “Somos mais que vencedores” (Rm 8.37)

Basta lermos a Palavra para sabermos que Deus quer que mudemos nossa maneira de falar, abençoando nossa vida, nossos sonhos, apesar das circunstancias em que vivemos.

As afirmações que encontramos na Bíblia a nosso respeito, nos fortalecem e nos dão uma visão diferente sobre nós, enquanto filhos. Devemos abandonar algumas palavras que trazem a característica de quem não é filho.

Devemos colocar no coração o que Deus fala sobre nós

“O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm.8.16)

Deus diz que somos filhos. Éramos criaturas, criadas à imagem e semelhança dele, mas Jesus, o Verbo se fez carne e viveu entre nós se fazendo em pecado para nos libertar da culpa, um justo que se fez injusto para que fossemos justificados por ele. Trocou de lugar conosco e desfez a barreira que existia entre nós e Deus, e nos transformou em filhos. Qualquer pessoa que deixa Jesus fazer morada em sua vida, torna-se filho de Deus Pai.

Você já parou para pensar nessa verdade? Somos filhos do Rei.

Temos tanto valor para Deus que ele não poupou Jesus da cruz para nos salvar.

Se começarmos a ler na Palavra o que Deus pensa sobre nós, e o que diz que somos, as nossas atitudes passarão a ser diferentes.

O desejo do coração de Deus é que sejamos uma bênção, façamos coisas boas, pois fomos criados para as boas obras (Ef.2.10), sejamos justos e tenhamos palavras e atitudes que façam e tragam o bem, pois ele deseja abençoar-nos.

Ele diz que:

Somos filhos (Jo 1.12);

Somos redimidos – resgatados pelo sangue de Cristo (1Pe 18.19);

Nascemos de novo (Jo 12.13);

Temos nova natureza (Cl 3.9-10);

Somos Justificados (Rm 3.24-31);

Somos Salvos (At 2.21 e Ef 2.8);

Somos mais que vencedores (Rm 8.37);

As nossas necessidades serão supridas (Fp 4.13; Sl 31.19; Rm 8.32)

Somos sacerdócio real, nação santa, povo adquirido, raça eleita (1Pe 2.9)

Somos delícia de Deus (Is 62.4);

Somos a menina dos olhos de Deus (Dt 32.10; Zc 2.8; Sl 17.8);

Somos embaixadores (2Co 5.20);

Somos corajosos, não temos medo (Js 1,9; Sl 27.1,3);

Somos prósperos e se quisermos comeremos o melhor dessa terra (Is 1.19).

Se Deus diz que somos tudo isso, é porque o somos para ele. O plano dele é que sejamos. São afirmações do Pai.

Elisa Maria Ferraz Arruda, 80 anos, membro da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, PR.

Leia mais:

>> Como ser forte e corajoso, por Elisa Maria F. Arruda

>> Saber envelhecer, por Oswaldo Luiz Gomes Jacob

Imagem: Unsplash.

Longevidade no Brasil precisa do apoio de abrigos

Recanto Vida: uma casa que recebe idosos com carinho e seguindo as exigências legais

Por Xênia Marques Lança de Q. Casséte

O número de pessoas idosas no Brasil dobrou em pouco mais de duas décadas e a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023, mostrou que o país alcançou o número de 15,5% de idosos com 60 anos e mais (60+). Nessa faixa etária existem hoje 33 milhões de brasileiros, que representam uma parcela maior que a dos jovens entre 15 e 24 anos. Isso claramente significa que o país tem agora menos nascimentos e maior longevidade.

A previsão é que a população idosa continuará a crescer e que deverá ser a maior faixa etária do Brasil em 2046. Esse crescimento está impulsionando, tanto por parte do Estado quanto da sociedade civil, novas ações focadas na pessoa idosa, cidadão com todos os direitos e um pouco menos de deveres e que contribuiu muito e ainda contribui para o crescimento da economia do país.

Os idosos necessitam de segurança constante, atenção profissional periódica e de um ambiente que fortaleça o corpo e estimule a mente e as emoções. Mas um número significativo deles chega nessa fase da vida sem familiares por perto ou com familiares ainda em atividades de trabalho e com a criação de filhos, entre outras coisas, o que pode tornar muito complicado dar-lhes uma boa e justa assistência. Por causa disso as instituições que oferecem abrigo e cuidados a idosos no Brasil observam uma grande procura por vagas. Cresce a necessidade de mais locais com esse objetivo, em função do aumento do número de idosos.

Iniciamos com esta matéria, uma série de reportagens que pretendem mostrar algumas instituições cristãs que têm feito um excelente trabalho com e para as pessoas 60+ pelo Brasil, auxiliando as famílias nesse trabalho tão importante e imprescindível neste momento em que as estatísticas mostram o crescimento do número de idosos no país.

Recanto Vida

Em Belo Horizonte, a Igreja Batista do Barro Preto fundou em 26/02/2000, o Recanto Vida – Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), com o objetivo de abrigar idosos de ambos os sexos, a partir de 60 anos, fisicamente independentes, mas sem condições de permanecer com suas famílias. A instituição possui alojamentos adaptados para abrigar mulheres e homens separadamente. E um prédio, construído posteriormente à fundação, oferece hoje, instalações de cozinha, refeitório, banheiros, lavanderia industrial equipada conforme as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Por mais de duas décadas, dezenas de idosos e suas famílias têm sido beneficiados pelo Recanto Vida. De acordo com a gerente administrativa, Luciana Viana, “desde a fundação, já houve cinco idosos centenários na casa. Alguns já têm mais de 90 anos com uma boa saúde física e mental. Mas atualmente, a maioria dos internos têm menos de 70 anos”.

Segundo Luciana, a instituição “é um lar de idosos que preza pelo cuidado integral, unindo atenção à saúde, convivência, espiritualidade e qualidade de vida, contando com uma equipe multiprofissional composta por enfermeiro, técnicos de enfermagem e cuidadores, garantindo assistência contínua e humanizada aos residentes”.

A rotina do Recanto Vida inclui seis refeições diárias, todas acompanhadas por orientação e monitoramento nutricional. “Também oferecemos atividades terapêuticas regulares, como fisioterapia duas vezes por semana, terapia ocupacional duas vezes por semana e acompanhamento com educador físico, também duas vezes por semana, sempre respeitando as individualidades e limitações de cada idoso. Além disso, disponibilizamos atendimento de psicanálise em formato individualizado”, informa a gerente

O Recanto Vida acredita que a espiritualidade é um pilar importante para a vida, por isso oferece um trabalho de capelania iniciado pelo pastor Romilton Brasil, já falecido. Também são realizados cultos com o apoio da Igreja Batista de Confins, atualmente sob a liderança do pastor Luis Gustavo Muritiba, além de visitas regulares e ações de ministérios da Igreja Batista do Barro Preto.

Segundo Luciana, o Recanto Vida promove alegria, socialização e bem-estar por meio de diversas atividades recreativas e de convivência. “Realizamos passeios externos a shoppings, lanchonetes e cafés, promovemos rodízios de pizza, comemorações de aniversários, festivais de sorvete e picolé, dança sênior entre outras ações que tornam o cotidiano mais leve e significativo”.

A gerente conta que o ambiente da instituição no dia-a-dia é marcado pelo cuidado, pelo afeto e pela valorização da vida em todas as suas fases. “Aqui, acreditamos que o envelhecer pode – e deve – ser vivido com dignidade, alegria e propósito. O Recanto Vida é, verdadeiramente, um lugar de gente feliz”.

De acordo com a Associação Batista Bem Viver (ABBV), mantenedora da instituição, os colaboradores do Recanto Vida, que ali trabalham, cumprem um ministério, enquanto desempenham valioso atendimento aos residentes. Entre eles a coordenadora administrativa, a coordenadora técnica, os técnicos de enfermagem, os cuidadores de idosos, os cozinheiros, os lavadores de roupas, os que atuam nos serviços gerais e outros, todos devidamente capacitados, que tratam os residentes com atenção e carinho, para proporcionar-lhes o bem-estar que necessitam.

Equipe de trabalho

Atualmente, o Recanto Vida tem 25 colaboradores celetistas e cinco profissionais prestadores de serviço através de contratos, além de um grupo de aproximadamente 30 voluntários em áreas diversas como cabelereiros, barbeiros, podólogos, manicures, massoterapeutas, musicistas, educador físico, psicanalistas e outros.

Para oferecer todos os serviços de qualidade, o lugar de residência, refeições e gastos legais com funcionários, água, luz e outros, o custo por cada pessoa idosa com assistência digna, é hoje de R$ 9.168,00, segundo a gerente Luciana. Mas o valor cobrado atualmente para o idoso que reside no Recanto Vida é de R$ 6.300,00 por mês. O restante é custeado pela Associação Batista Bem Viver. A gerente informa que há vagas sociais na instituição, que são avaliadas pela sua assistente social.

Este tem sido o grande desafio do Recanto Vida e da ABBV, que segundo a gerente, para manter a estrutura atual sem perder a qualidade no acolhimento institucional, o gasto total do Recanto Vida é em média de duzentos mil reais (R$ 200.000,00) por mês.

“Por 26 anos o Recanto Vida tem abençoado as vidas dos residentes e de suas famílias, em todo tempo e em todas as circunstâncias, operando a mão do nosso Deus. Foi Ele que inspirou o Pastor Arlécio em seu sonho; foi ele quem nos direcionou para a propriedade em Confins com condições de adquiri-la; e também quem, em todo tempo orientou as decisões das diretorias da ABBV e animou a Igreja Batista do Barro Preto a suprir todas as necessidades. Portanto, toda honra e glória seja dada ao nosso Deus, que usou o seu servo e outros que atuaram e continuam atuando na história do Recanto Vida”, conclui a gerente administrativa.

A instituição atende atualmente 23 idosos: 16 mulheres e sete homens. Existe um projeto em desenvolvimento que estenderá este número para 50 idosos, mas ainda sem data para iniciar. Para mais informações e contatos com o Recanto Vida, seu site é: orecantovida.com.br. E, no Instagram e no Facebook: @orecantovida.

Mantenedora

Em 1998, o então pastor da Igreja Batista do Barro Preto, Arlécio Franco da Costa compartilhou seu sonho de fundar um lar de idosos e a igreja apoiou imediatamente, quando foi criada, em 17/12/1998 a Associação Batista Bem Viver (ABBV) com a aprovação de seu Estatuto e eleição da primeira Diretoria e Conselho Fiscal.

A Igreja Batista do Barro Preto criou a Associação Batista Bem Viver, associação civil sem fins lucrativos que entre outras atribuições é a mantenedora do Recanto Vida. Na sede da igreja em Belo Horizonte, Avenida Augusto de Lima, 1.962 – Barro Preto, a Associação, cujo presidente é Timóteo Pereira Lima, que é também o vice-presidente da Igreja, iniciou fazendo um convênio com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi então criado o projeto “Vale a Pena Viver”, cujo objetivo também é promover qualidade de vida para a terceira idade e oferece treinamentos de coordenação motora global, habilidades manuais, estimulação sensorial cognitiva, além de atividades culturais na área da música e ginástica sênior.

Quanto aos cuidados com os residentes, mesmo antes da vigência do Estatuto do Idoso, a ABBV já havia estabelecido como alvo proporcionar aos residentes aassistência digna que merecem, disponibilizando, com excelência, recursos humanos e materiais. A associação está sempre atenta a todas as exigências requeridas pela Legislação a fim de cumprir o que ela prescreve e as recomendações da Vigilância Sanitária e do Ministério Público, que sempre fiscalizam o Recanto Vida.

Conforme informações da Diretoria da ABBV, a associação sempre se preocupou em manter em dia a completa documentação exigida para o funcionamento da Instituição. Isso levou ao cumprimento de todas as exigências para obter benefícios do Poder Público.  Assim, através de convênios e de emendas parlamentares, o Recanto recebeu verbas para aquisição de bens de consumo e bens permanentes desde 2004, como móveis, veículos e equipamentos diversos. E essa verba governamental proporcionou também ao Recanto Vida a construção de uma lavanderia equipada onde atualmente são lavadas 5 toneladas de roupas por mês, utilizando produtos de alta performance, garantindo a necessária higienização.

Ministério da maturidade

Na Igreja Batista do Barro Preto, o trabalho com pessoas 60+, chamado de “Ministério da Maturidade” faz parte da sua lista de ministérios. O vice-presidente da Igreja que é atualmente o presidente da ABBV, Timóteo P.Lima afirma que esse é também um campo missionário da igreja. “Na igreja do Barro Preto, esse ministério tem sido uma benção, pois alcança pessoas solitárias, faz sedentários utilizar o corpo, possibilita a confraternização de membros e a evangelização de convidados”, conta.

E segundo o vice-presidente da I. B. Barro Preto, há muitas formas e atividades que podem ser desenvolvidas, como por exemplo: “uma reunião semanal, onde se desenvolve atividades de terapia ocupacional, ginástica funcional e crescimento bíblico. Se não houver alguém especializado, pode-se fazer um convênio com alguma universidade. São realizadas também, visitas a museus e shoppings centers, viagens, assistência a filmes e até um coral foi organizado. A criatividade não tem limites e dependerá do perfil dos participantes e de sua disponibilidade de tempo”, informa Timóteo. E ainda garante que “a integração da membresia é um dos frutos do ministério que tem cada vez mais importância com o envelhecimento da população.

Mais do que ações pontuais, o idoso precisa ser incluído, valorizado e respeitado como alguém que ainda tem história, fé e propósito. Quando a igreja acolhe o idoso com amor e dignidade, ela pratica o evangelho na sua essência

E o vice-presidente da igreja deixa uma palavra de incentivo às igrejas no Brasil: “Às igrejas que já possuem ou desejam iniciar ministérios voltados aos idosos, deixo uma palavra de encorajamento e responsabilidade. O cuidado com a pessoa idosa é um chamado cristão, bíblico e urgente. É possível fazer muito: oferecer escuta, visitas regulares, momentos de oração, louvor, estudo da Palavra, atividades de convivência e apoio às famílias e cuidadores. Mais do que ações pontuais, o idoso precisa ser incluído, valorizado e respeitado como alguém que ainda tem história, fé e propósito. Quando a igreja acolhe o idoso com amor e dignidade, ela pratica o evangelho na sua essência.”

Xênia Marques Lança de Q. Casséte é jornalista, esposa e mãe. Membro da Igreja Batista da Redenção, faz parte da equipe do Coletivo Bereia de informação e checagem de notícias.

Imagens: Recanto Vida. Usadas com permissão.

Antes só que mal acompanhado. Será?

Pessoas que têm relacionamentos significativos e profundos tem maior qualidade de saúde mental e física, impactando também na longevidade

Por Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski

Um ditado muito popular estimula as pessoas a selecionarem seus relacionamentos a fim de não se envolverem com quem possa lhe trazer problemas. Entretanto essa interpretação do referido ditado pode levar ao isolamento social, o que não é nem um pouco saudável.

Na perspectiva da saúde, o Brasil adotou um princípio de associar cores a alguns meses do ano para fazer campanhas acerca de cuidados essenciais com algumas áreas. Assim temos o setembro amarelo – prevenção do suicídio; o outubro rosa – prevenção do câncer de mama; o novembro azul – prevenção do câncer de próstata, etc. O mês de janeiro é dedicado ao cuidado com a saúde mental e é chamado janeiro branco.

A saúde mental passa obrigatoriamente pela qualidade dos relacionamentos que desenvolvemos. Somos seres gregários pois fomos criados para vivermos em relacionamentos. Na perspectiva bíblica da criação a única coisa que não foi boa em toda a criação divina foi a falta de outro ser que correspondesse ao primeiro ser humano criado: “Então o Senhor Deus declarou: ‘Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda’”. (Gn 2.18).

Desta forma, na perspectiva cristã, somos seres criados para vivermos em relacionamentos e a qualidade desses relacionamentos está diretamente associada à qualidade de saúde integral da pessoa.

Infelizmente, vemos as pessoas muito preocupadas como o seu bem-estar físico, fazendo exercícios em academias (às vezes de forma até exagerada) e buscando uma alimentação mais saudável (sempre que a consciência e o orçamento permitem), porém pouco atentas ao desenvolvimento de uma “saúde relacional”.

Um estudo apresentado por Robert Waldinger1, diretor do estudo de Harvard, sobre o desenvolvimento adulto, destaca que, realmente, a qualidade dos relacionamentos é o maior preditor de saúde a longo prazo e é um fator chave para a longevidade e saúde a longo prazo, sendo um fator muitas vezes ignorado e por conseguinte negligenciado.

De acordo com o referido estudo, a qualidade dos relacionamentos é um dos principais indicativos da qualidade de saúde integral ao longo da vida, ou seja, pessoas que têm relacionamentos significativos e profundos têm maior qualidade de saúde mental e física, impactando também na longevidade.

O estudo destaca ainda que pessoas solitárias tendem a ter saúde integral deteriorada e se sentirem mais infelizes que as que possuem bons relacionamentos. Também rejeita a ideia de que o sucesso financeiro é o fator mais associado ao sentimento de felicidade.

Não se trata necessariamente da quantidade de amigos que uma pessoa tem, mas da qualidade dos vínculos. Sentir que é possível contar com os outros em momentos difíceis é fundamental.

Ainda, segundo o estudo apresentado por Waldinger, relacionamentos saudáveis protegem o corpo e o cérebro, ajudando a regular o estresse e a prevenir doenças crônicas como diabetes, artrite e declínio cognitivo. A satisfação nos relacionamentos na meia-idade foi um preditor de saúde melhor do que os níveis de colesterol. Em contrapartida a solidão é considerada tão prejudicial à saúde quanto fumar ou ter consumo de álcool em excesso.

Infelizmente, na nossa sociedade pós-moderna, as pessoas estão cada vez mais isoladas, apesar de estarem sempre conectadas. Essas conexões, tratam-se de uma espécie de ‘pseudo-relacionamentos’ nos quais as trocas acabam sendo apenas de informações: locais agradáveis onde estiveram; viagens fantásticas feitas; momentos felizes ou mesmo tristes (como doenças e mortes) vivenciados, mas todos comunicados com a frieza de um noticiário e mediados pela tecnologia das telas.

A participação em redes sociais, por si só, não substitui a conexão emocional significativa provida por interações face a face de qualidade. O abraço, o aperto de mão, os olhos nos olhos durante a conversação fazem muita diferença na qualidade dos relacionamentos.

Sem mencionar a transitoriedade egocêntrica dos relacionamentos virtuais, os quais o sociólogo Zygmunt Bauman denomina de ‘relações líquidas’2 por serem menos frequentes e menos duradouros, em que as relações amorosas deixam de ter aspecto de união e passam a ser mero acúmulo de experiências e qualquer contrariedade desfaz o relacionamento em apenas um toque na tela.

Como cristãos somos chamados a viver uma dimensão relacional que ultrapassa todas as possibilidades imagináveis do mero convívio humano: “Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração” (At 4.32). Essa dimensão é reafirmada com uma imagem extremamente forte de interrelação: membros uns dos outros (1Co 12.12-27).

Por isso é muito importante desenvolvermos relacionamentos significativos que nos acompanhem ao longo da vida. Não só os relacionamentos de família, mas de amizades que perdurem e com as quais possamos contar. Isso será fator de fortalecimento de nossa saúde integral.

Notas

1. Harvard Study of Adult Development, a pesquisa longitudinal mais longa do mundo sobre a vida adulta. Iniciado em 1938, o estudo acompanhou centenas de homens (e posteriormente suas famílias, incluindo cônjuges e mais de mil descendentes) por mais de 85 anos para descobrir o que realmente contribui para uma vida longa, saudável e feliz.

2. Zygmunt Bauman. Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos (Liquid Love: On the Frailty of Human Bonds. Cambridge: Polity). Traduzido por Carlos Alberto Medeiros. Jorge Zahar Editor.

Imagem: Unsplash.

Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família, e membros da Igreja Luterana. São autores de Pais Santos, Filhos Nem Tanto. Acompanhe o blog: ultimato.com.br/sites/casamentoefamilia/.