Marcolina Figueira de Magalhães (1909–1988): a desbravadora do sertão

Marcolina nasceu em 27 de março de 1909 e descansou em 14 de janeiro de 1988. Sua vida é um testemunho de serviço amoroso a Jesus e de anúncio perseverante do Evangelho

Por Rute Salviano Almeida

Marcolina Figueira de Magalhães nasceu em Palmeira dos Índios, Alagoas, no dia 27 de março de 1909. Seus pais, José e Francisca Figueira de Magalhães, eram católicos praticantes e passaram por dificuldades para criar e educar os oito filhos. Três faleceram na infância, e Marcolina tinha apenas 8 anos de idade quando o pai se foi.

Sua família foi morar com amigos, em Maceió, e a menina, que era muito religiosa, tinha medo dos crentes e evitava andar na calçada da igreja evangélica, pois havia sido ensinada a não se aproximar deles.

Marcolina tinha um vizinho protestante, do qual fugia para não ouvir suas “heresias”. O homem, conhecedor da fé profunda nas imagens que ela possuía, disse-lhe para testar se a sua Nossa Senhora dos Navegantes tinha mesmo poder. Sugeriu que acendesse um fósforo na imagem, e se a santa fosse poderosa resistiria ao fogo.

A ingênua menina resolveu fazer o teste e saiu queimando suas imagens. Decepcionada, admitiu que o homem tinha razão. Como aqueles santos, que não conseguiam defender-se do fogo, protegeriam alguém?

Marcolina também comparou um bispo local com Jesus. Aquele bispo brigava, amaldiçoava, rogava pragas e mandava para o inferno. Jesus, com certeza, jamais agiria assim, pensou ela, ficando cada vez mais confusa.

Seu vizinho continuava a lhe ensinar o evangelho, e a filha mais velha da família com a qual morava a aconselhava a aceitar a Jesus, até que ela o fez. Porém, foi impedida de frequentar a igreja por sua mãe de criação, que, escandalizada com sua conversão, passou a persegui-la.

Só aos 13 anos Marcolina pôde ser batizada, com a licença de sua mãe. A perseguição amadureceu sua fé e a aproximou mais de Cristo. Ela cursou a 4ª e 5ª séries no Colégio Batista Alagoano. Em 1928, sentiu-se chamada para a obra missionária, e o doutor John Mein, que era o diretor do colégio, facilitou seu ingresso na Escola de Trabalhadoras Cristãs.

Ao ouvir o pastor Zacarias Campêlo falando sobre seu trabalho entre os índios e sobre Noêmia, a jovem sentia o Senhor lhe falando: “A quem enviarei, e quem irá por nós?” (Is 6.8). Então, orava, em lágrimas, para que pudesse chegar ao interior, onde aquela heroína trabalhara e vivera por pouco tempo.

Enquanto estudava, Marcolina trabalhou na Igreja Batista da Rua Imperial, pastoreada pelo doutor Antonio Neves de Mesquita. Em 1931, formou-se e voltou para Alagoas, onde lecionou para crianças na Primeira Igreja Batista de Maceió e no Colégio 15 de Novembro, em Rio Largo.

Em janeiro de 1932, o pastor Manoel Avelino de Souza, secretário de Missões Nacionais, informado da vocação de Marcolina, procurou-a para convidá-la a ficar dois anos residindo numa pequena vila e abrindo uma escola anexa à igreja. Seria a primeira escola que os batistas manteriam no sertão. Marcolina aceitou, sentindo que Deus lhe abrira a porta que tanto almejava.

Nomeada como missionária para Porto Franco, no Maranhão, a jovem de 23 anos partiu no dia 5 de abril de 1932. De Maceió viajou para Belém do Pará e, após dez dias de viagem, embarcou num pequeno barco para subir o rio Tocantins, numa viagem de vinte longos dias sentada sobre sacos de sal.

Marcolina como missionária em Porto Franco

No dia 3 de maio de 1932, quatro anos após a morte de Noêmia Campêlo, chegou ao vale do Tocantins aquela que, inspirada por sua vida, desejava levar a mensagem de salvação aos sertanejos desprezados.

Dois dias depois de sua chegada, organizou a Sociedade de Senhoras, com dez sócias. Na companhia delas, viajava para os pontos de pregação da igreja e fazia visitas evangelísticas às fazendas vizinhas.

Marcolina logo iniciou a escola, que era a única da vila. Embora houvesse cerca de duzentas crianças em idade escolar, apenas quatorze matricularam-se porque o povo fora ensinado que era melhor deixar os filhos sem instrução do que colocá-los na escola protestante. Outros não iam por serem muito pobres. Porém, todos os dias, a mensagem do evangelho de Cristo era pregada ali.

Durante vinte anos, Marcolina trabalhou em Porto Franco e acompanhou o progresso daquela vila, sempre viajando a lugares vizinhos e, nas férias, às regiões mais distantes. Era aquele trabalho como itinerante evangelista que lhe dava maior prazer: visitava as fazendas, os sítios, as casas dos sertanejos e as aldeias dos índios.

Os apinagés a acolhiam com alegria e ouviam a mensagem de salvação. Porém, ela não via resultados animadores. Mas, anos mais tarde, quando encontrou um índio às portas da morte, ele lhe disse: “Vou para Jesus e lá vou me encontrar com Jesus e Marcolina”.

Suas outras atividades

Convocada a auxiliar no Instituto Teológico, a missionária mudou-se para Carolina, onde durante seis meses ajudava no preparo dos jovens vocacionados, e nos outros seis meses viajava como itinerante, abrindo pontos de pregação e falando de Cristo a centenas de pessoas.

Lá permaneceu de 1946 a 1949, mas não estava satisfeita, pois afirmava ter sido chamada para evangelizar. Partiu então, novamente, para Porto Franco, onde ficou mais um ano.

Depois morou por cinco anos em um município do outro lado do rio Tocantins, chamado Tocantinópolis. Ao iniciar o trabalho de evangelização, foi-lhe ordenado pelos padres que não entrasse nos lares católicos.

Em Araguatins, trabalhou como enfermeira-evangelista, abrindo um ambulatório, que ficou conhecido como o “hospital” e era procurado por pessoas que andavam até mais de 120 km para chegar até lá. Ela atendia mais de vinte doentes por dia, além dos que atendia nas casas e fora do município.

Naquele local, auxiliou a igreja batista, que tinha apenas onze membros, e liderou a construção do templo, situado na praça principal, voltado para o rio Araguaia. Lá permaneceu por cincos anos. Com o trabalho já fortalecido, escreveu à junta pedindo um pastor para o local.

Em 1962, após trinta anos no sertão, foi para Marabá, onde ficou por três anos e deixou mais uma igreja organizada. Sempre compassiva com as pessoas, declarou que não tivera filhos, mas fora chamada de mãe pelos leprosos de Marabá, e por isso dava graças a Deus.

De Marabá, foi para Colinas de Goiás, onde continuou fazendo visitas e pregando. Após quatro anos, foi organizada uma igreja, com um templo e uma escola anexa.

Em 1968, a Câmara Municipal de Goiânia homenageou Marcolina com um diploma de “Honra ao Mérito” por seus 37 anos de serviço ao povo de Goiás com o melhor dos seus talentos.

Após quarenta anos de atividades, Marcolina solicitou à Junta de Missões Nacionais que a transferisse para uma vila da Transamazônica e, em abril de 1973, chegou a São Domingos do Araguaia, no Pará.

Naquele local, a junta comprou uma casa para sua residência que também servia como local da congregação e do dispensário. Todo domingo eram realizados a escola dominical e o culto evangelístico. Às sextas-feiras tinham cultos de oração.

Marcolina demonstrou seu amor ao próximo. Poucos são aqueles cuja compaixão é visível aos olhos das pessoas. Certa vez, ela foi à localidade chamada Mosquito fazer visitas. Ao chegar a uma casa, uma criança, logo que a avistou, chamou sua mãe dizendo: “Mãe, vem cá! A mulher de Deus taí!”. Esses foram os tesouros que a missionária bandeirante foi garimpar. Nem todos as riquezas do mundo são suficientes para comprar esse privilégio de trazer na face a identificação de discípulo de Jesus.

Aquela que foi perseguida e discriminada tornou-se reconhecida como prestadora de serviços relevantes à comunidade, sendo declarada cidadã tocantinopolina, conforme a Lei nº 263, de 27 de outubro de 1977.

Marcolina sofria constantemente de muitas dores nos pés. Quando cuidava de meninas no internato batista, após as visitas evangelísticas, chegava com os pés doendo.

“O que sinto é não poder andar a pé muitas léguas” era a lamentação da jovem missionária. Como fazer o trabalho missionário no sertão nordestino, naquela época, sem caminhar? Mais uma vez ela afirmou: “Deus proverá”.

E realmente ele proveu. As declarações de sua obra missionária revelam quanto ela caminhou, quantas léguas percorreu, quantas localidades que não conheciam o evangelho de Cristo alcançou, quantas igrejas organizou. Só mesmo pela força do Espírito Santo de Deus.

Após algum tempo no campo missionário, Marcolina escreveu à dona Elizabeth, contando-lhe sobre o trabalho e como caminhava quilômetros. No final da carta, declarou: “E os meus pés não têm doído nen um tiquinho! Como o Senhor ouve as nossas mínimas súplicas”.

Em 5 de setembro de 1971, portanto, quase quarenta anos depois daquela carta, O Jornal Batista destacou em sua primeira página o trabalho de Marcolina Magalhães e Beatriz Silva, com o seguinte título: “Correm e não se cansam as duas grandes missionárias ao Sertão”.

A vida de Marcolina comprovou que “até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam” (Is 40.30-31).

Falecimento

Tocantinópolis, no estado de Goiás (hoje no estado de Tocantins), foi a cidade onde Marcolina passou sua velhice. Com seus próprios recursos e a ajuda da JMN e de irmãos da Igreja Batista Memorial de Brasília, adquiriu uma casinha. Como não podia mais andar para fazer visitas, sentava-se à porta de sua casa e falava de Cristo a todos que passavam. Seus pés e pernas voltaram a doer muito, impedindo-a até de se levantar da cama. Mas nunca perdeu seu sorriso feliz ao testemunhar de Cristo.

No dia 14 de janeiro de 1988, a missionária descansou. Seus pés não mais doeriam nem precisariam caminhar nas estradas poeirentas ou ruas enlameadas; agora andariam em ruas de ouro, nos céus.

No culto fúnebre da missionária bandeirante do sertão, compareceram o prefeito da cidade, o vice-prefeito, ex-prefeitos, vereadores, o secretário-executivo da Junta de Missões Nacionais, o presidente da Convenção Batista do Tocantins, missionários e muitos outros obreiros, pastores e irmãos em Cristo, todos participando, com emoção e fervor, do culto de saudades.

Rute Salviano Almeida, mestre em teologia e pós-graduada em história do cristianismo, é autora de Vozes Femininas nos Avivamentos, Vozes Femininas no Início do Cristianismo e Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro, pela Ultimato, além de Uma Voz Feminina Calada pela Inquisição e Uma Voz Feminina na Reforma.

Trecho publicado originalmente no livro Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro – A religiosidade, o papel feminino, as denominações e suas pioneiras. Ultimato. Reproduzido com permissão.

Imagem: O Jornal Batista, 31 de janeiro de 1988, p. 1.

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Junho violeta – “A liberdade não tem prazo de validade”

Campanha internacional incentiva a proteção e divulga como denunciar e combater a violência contra o idoso

Por Xênia Marques Lança de Q. Casséte

O Junho Violeta é um movimento internacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a pessoa idosa, com ações realizadas em diversos países. O marco central da campanha é o Dia Mundial de Conscientização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, e instituído em 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O objetivo da campanha é alertar a população sobre a existência de violações dos direitos dos idosos, incentivar a rede de proteção e divulgar formas de denunciar e de combater a violência contra este grupo.

No Brasil, o tema proposto pelo Governo Federal para o Junho Violeta em 2026 é “A liberdade não tem prazo de validade”, e o lema “A experiência ensina. O respeito protege”. A campanha é liderada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

Segundo a Agência Brasil, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), registrou 75.701 denúncias de violência contra idosos pelo canal Disque 100 nos primeiros quatro meses de 2026, contra 58.297 no mesmo período do ano passado.

De acordo com o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), considera-se violência contra o idoso qualquer ação ou omissão que lhe cause morte, dano ou sofrimento, seja ele físico, psicológico ou financeiro/patrimonial e por negligência. Hoje, há 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais.

Reflexões sobre o preconceito em razão da idade

Um excelente documento sobre o tema, à disposição de quem se interessar, foi lançado este mês, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Trata-se da Cartilha Quem Nunca?, criada para combater o etarismo, desmistificar mitos sobre a velhice e conscientizar sobre os direitos da pessoa idosa.

O documento alerta para os diversos tipos de violência contra o idoso (física, psicológica, patrimonial e negligência) e destaca a importância da denúncia. Clique aqui para acessar a cartilha gratuitamente.

Conforme a cartilha Quem Nunca?, “Etarismo, ageísmo e idadismo são termos utilizados para expressar a discriminação ou preconceito em razão da idade. Diferentemente das demais formas de discriminação, incluindo o sexismo e o racismo, o etarismo é pouco conhecido e debatido, além de ser socialmente aceito e fortemente institucionalizado, o que demanda uma imediata conscientização da sociedade acerca da sua existência e de seus efeitos prejudiciais para a qualidade de vida e a inclusão social da população idosa”.

Como denunciar

Denúncias de violência contra pessoas idosas podem ser registradas anonimamente pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia.

Também recebem denúncias o telefone 190 da Polícia Militar, o Centro de Referência de Assistência Social e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, além das Delegacias especializadas, centrais judiciais do idoso, em qualquer delegacia de polícia e no Ministério Público e na Defensoria Pública.

O MC60+ e o Junho Violeta

O Movimento Cristão 60+ (MC6+) está engajado nesta campanha Junho Violeta e entende que faz parte do desejo da justiça de Deus para com a pessoa idosa assim como para toda a humanidade. Em Levítico 19.32, a Bíblia ensina: “Fiquem de pé na presença das pessoas idosas e as tratem com todo o respeito; e honrem a mim, o Deus de vocês. Eu sou o Senhor”. E muitos outros textos bíblicos garantem respeito e cuidado ao idoso como sendo a vontade de Deus.

Damos graças a Deus pelo trabalho da Igreja no Brasil que já demonstra preocupação com seus idosos e realiza muitas atividades para garantir bem-estar, segurança e proteção aos 60+. E acreditamos que Igreja também precisa continuar a se engajar, a apoiar as instituições governamentais que trabalham para proteger o envelhecimento da população e para garantir os direitos da pessoa idosa. Entre diversas maneiras de fazer isso, seguem algumas sugestões:

– Criar um grupo específico de trabalho com os 60+ da igreja.

– Fazer palestras sobre esse tema.

– Informar ao idoso sobre seus direitos.

– Informar os telefones de denúncia sobre violência contra o idoso.

– Colocar alguém ou um grupo em contato direto com os idosos com mais de 70 anos para acompanhar sua caminhada e relacionamentos e deixar o idoso seguro e tranquilo sobre este suporte, inclusive sobre poder contar com ajuda para fazer denúncia, se for o caso.

Imagem: Unsplash.

Xênia Marques Lança de Q. Casséte é jornalista, esposa e mãe. Membro da Igreja Batista da Redenção, faz parte da equipe do Coletivo Bereia de informação e checagem de notícias.

Leia mais:

>> Sou idoso, o que a igreja precisa saber a meu respeito?

>> Longevidade no Brasil precisa do apoio de abrigos – 2 >> MC60+ divulga a programação do seu 5º Encontro Nacional

Um caminho para todas as gerações

Por Emiliane Rezende

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv.22.6)

Toda vez que ouvimos ou lemos este versículo pensamos nos recém-nascidos, nas crianças. Quantas vezes o coloquei em cartão com presente para o bebê que chegava ao seu lar!

No entanto, ele também se refere ao velho, que não se desviou do caminho.

Como mãe e avó minha oração diária é que toda a minha família, incluindo as gerações que eu nem conhecerei sirvam ao Senhor e o confessem como Senhor. Ouvi minha mãe orando assim e tenho certeza de que minha avó um dia também fez essa oração. São muitos os filhos que se perdem pelo caminho…

Um tio, já avançado em idade, distante da igreja há décadas, sempre preocupou minha avó. A oração por ele estava lá. Coisas de mãe, de avó.

Recentemente saí para passear com este tio. Ele fez questão de nos pagar um almoço. Servimos e começamos a comer. Olhei para ele e lá estava aquela cena que me encheu de alegria: ele abaixou a cabeça, fechou os olhos e falava com Deus. Imediatamente lembrei da minha avó e disse em pensamento a ela: “Fique tranquila, seu legado está aqui ainda.”

Lembrei-me de Provérbios imediatamente: “…ainda quando for velho não se desviará…”

Emiliane Rezende, esposa do Ângelo, mãe do Mateus e da Marta e avó de Rebeca, Benício, Elias e Nícolas, reside em Santos, SP. É pedagoga pela Universidade Federal de Viçosa. Trabalhou como coordenadora pedagógica por 22 anos.

Imagem: Unsplash.

Leia mais:

>> Tia Leley: uma irmã de caridade que oferece e recebe amor, por Emiliane Rezende

>> Entre gerações, por Karen Bomilcar

Memórias de uma idosa

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” (Ec 3.1)

Por Emília Sakiyama

Hoje, com 95 anos e 6 meses de idade, fico a refletir a trajetória da minha vida até aqui. Vejo e sinto o amor maravilhoso, grandioso, incomparável, incrível de Deus por mim!!

Deus tem me abençoado com 4 filhos exemplares! 6 netos e 6 bisnetos!

Motivo da minha alegria, felicidade e esperança! Sou muito grata a Deus!

Grata por me enviar Jesus, como meu caminho, a verdade e a vida!

Grata pelo perdão dos meus pecados!

Grata por me fazer filha de Deus, e poder herdar a vida eterna no Paraíso ao lado do meu Jesus Salvador!!

Glória a Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo.

Apresentação no 20° Festival Okinawa em São Paulo, SP, 2024. Emília Sakiyama é a terceira pessoa da esquerda para a direita, entre os sentados.

Veja a seguir uma galeria de fotos do livro Memórias de uma idosa, de Emília Sakiyama, Londrina, PR, 2023.

Leia mais:

>> A bênção de ter e de ser avós, por Esther Carrenho

>> Carta de um velho, por Thomas Hahn

MC60+ divulga a programação do seu 5º Encontro Nacional

O 5º Encontro Nacional do Movimento Cristão 60+ é uma oportunidade única para os 60+ que buscam envelhecer com sentido, desejam ser animados pela Esperança, almejam continuar a servir o Senhor nesta idade e querem experimentar dias de comunhão com irmãos e irmãs. Também para lideranças de igrejas e organizações que estão antenadas com a revolução prateada do Brasil e do mundo e que querem conhecer experiências de trabalhos com os 60+ dentro e fora da igreja. Igualmente, para os jovens que sabem da importância da comunhão intergeracional para os 60+ e para si mesmos.

Com um programa muito rico o Encontro começa no dia 15/9, terça-feira, após o almoço, e vai até o dia 17/9, quinta-feira, após o almoço. O evento contará com meditações bíblicas a partir do tema geral “A força da esperança para os 60+”, oficinas com temas específicos, testemunhos de gente que já passou dos 70, dos 80 e dos 90 anos, galeria expondo experiências de trabalho com os 60+.

Além disso, há momentos previstos para comunhão, contar e ouvir histórias, cantar músicas antigas e novas. Sem falar do mais importante, que são as conversas e trocas durante as refeições e nos corredores.

O espaço escolhido para o Encontro é lugar é amplo, com muito verde à sua volta, cheio de facilidades. As acomodações são confortáveis e as refeições, saborosas e nutricionalmente equilibradas.

Veja os detalhes a seguir.

5o. Encontro do MC 60+

TEMA: A força da esperança para os 60+

Local: Centro Mariápolis Ginetta, Vargem Grande Paulista, SP [a 47 km de SP]

Data: 15 a 17 de setembro de 2026

PROGRAMA

HORÁRIOAtividades
13:30Chegada e recepção
14:30Abertura
Condução do louvor: Stênio Marcius
15:15Meditação bíblica de abertura: A força da esperança: vivendo entre o já e o ainda não
Christian Gillis
16:00Intervalo | Cafezinho
16:30Envelhecer com propósito
Esther Carrenho
17:30Dinâmica de mútuo conhecimento
18:00Jantar
19:30Renovando a Esperança – Contando e cantando
Condução do louvor: Stênio Marcius
Condução geral: MC60+
21:00Chá/Descanso/Comunhão

HORÁRIOAtividades
07:00Café da Manhã
08:00Comunhão e relacionamento
08:30Louvor e oração
Condução do louvor: Stênio Marcius
09:00Meditação bíblica: Uma esperança que nos leva a continuar servindo
Tânia Wutzki
09:45Testemunho
10:15Intervalo | Cafezinho
10:45Galeria de diferentes experiências dos e com os 60+ [dentro e fora da igreja]
  
12:30Almoço
14:00Meditação bíblica: Esperança intergeracional
Robert e Elizabeth Koo
14:30Oficinas [lista abaixo]
15:30Intervalo | Cafezinho
16:00Oficinas [lista abaixo]
17:00Autocuidado na prática e momentos de lazer
18:00Jantar
19:30Renovando a Esperança – Contando e cantando
Condução do louvor: Wolô [Wolodymir Boruszewski]
Condução geral: MC60+
21:00Chá/Descanso/Comunhão

HORÁRIOAtividades
07:00Café da Manhã
08:00Comunhão e relacionamento
08:30Louvor e oração
Condução do louvor:  Wolô [Wolodymir Boruszewski]
09:00Meditação Bíblica: Esperança e segunda carreira
Daniel Yoshimoto
09:30Testemunho: A dinâmica do servir de acordo com oportunidades e possibilidades
Wilfred Korber
10:00Intervalo | Cafezinho
10:30Galeria de diferentes experiências dos e com os 60+ [dentro e fora da igreja]
  
11:30Meditação Bíblica: Palavras de esperança e encorajamento
Ricardo Agreste
12:00Celebração da Ceia e Despedida
Condução do Louvor: Stênio Marcius, Wolô e outros
12:30Almoço

. Envelhecer com sentido e relevância; morrer com dignidade – Ageu Heringer Lisboa

. Equilíbrio financeiro – orçamentos pessoal e familiar – Elias Bispo

 . Como enfrentar as doenças, especialmente as demências na velhice? – Fábio Ikedo

. Como lidar com a solidão na velhice? – a confirmar

. Sobre perdas e resiliência ou Esperança do tipo “Ainda que” – Klênia Fassoni

. Quando os filhos vão embora – Paulo e Dora Bomilcar

. Outono da Vida: cores, memórias e esperança. Vivência arteterapêutica no envelhecer – Neliana A. B. Schulz

. O Encontro promoverá diversos tipos de atividade física e caminhada verde de oração

. Como chegar: clique aqui e veja a localização do Centro de Hospedagem.

. O encontro começa: 15/9, terça, a partir das 13 horas para recepção. Encerra: 17/9, quinta, após o almoço. Há possibilidade de almoço no local, se adquirido junto com a inscrição. O valor será R$ 50,00.

. O aeroporto mais próximo do local de eventos é o de Congonhas, na zona sul da cidade de São Paulo, SP.

. Na tarde de quinta-feira, após o almoço, o Grupo Base convida os interessados em saber mais sobre como se envolver com o MC60+ a participarem de uma reunião das 15 às 17 horas. Se esta atividade é do seu interesse, planeje o seu retorno de forma a contemplar a tarde de quinta-feira.

. O centro de hospedagem disponibilizará um copo plástico com tampa para uso durante o evento, que pode ser levado como lembrança. Se preferir, traga a sua garrafa. Evitaremos o uso de copos plásticos.

Para consultas, escreva para mc60mais@gmail.com

INSCRIÇÕES: Instituto Governe | (67) 9680-5661

Para inscrever-se, acesse este formulário https://forms.gle/GcWywmZTPKvEwuxo7  ou o QRCode:

Valores da inscrição:

. Desconto de 3% para pagamentos por PIX ou boleto, à vista.

. Desconto de 10% no valor da inscrição para jovens de até 29 anos.

PRIMEIRO LOTE [até 30/06]

R$ 520,00 [3 ou 4 pessoas]

R$ 600,00 [quartos duplos]

R$ 730,00 [quarto individual]

SEGUNDO LOTE [a partir de 1/7]:

R$ 520,00 [quartos coletivos, 3 ou 4 pessoas]

R$ 650,00 [quartos duplos]

R$ 780,00 [quarto individual]

Rastros de bênção

A graça de Deus não faz barulho. Ela simplesmente muda tudo

Por Hannes Fischer

Minha vó Gertrud nasceu em 12 de abril de 1918, em Blumenau, SC, numa família de imigrantes alemães. Seu pai construiu casas de enxaimel – inclusive o hospital de Vila Itoupava, o mesmo onde eu vim ao mundo décadas depois. Deus tem dessas ironias que só ele sabe tecer.

Ela casou jovem, trabalhou muito, criou quatro filhos numa colônia em Itoupava Central. Era religiosa, frequentava a igreja luterana – mas ainda sem conhecer pessoalmente o Dono da religião. Isso mudou quando missionários trouxeram o Evangelho vivo até sua família. Meu avô, já no leito de morte por um derrame, entregou a vida a Jesus. Minha vó abriu a porta – primeiro do coração, depois da casa. A casa virou sala de estudos bíblicos, que cresceu até precisar de um galpão, que um dia virou um salão. É assim que o Reino cresce: silencioso, invisível, irresistível.

Em 1977, ela foi trabalhar como cozinheira no Lar Filadélfia, em São Bento do Sul, onde meus pais serviam no ministério. Ela viu aquilo como chamado, não como emprego. Cuidava da cozinha, de uma horta gigante e de três canteiros de flores – um para cada neto. O meu estava sempre me esperando.

Na casa dela havia uma Bíblia grande, em alemão, com letras góticas e ilustrações fascinantes. Aprendi a ler nela. Havia algo sagrado naquelas páginas antigas – não só pelas palavras, mas porque eu via minha vó viver cada uma delas.

À noite, ela se ajoelhava diante da cama e orava por quase uma hora. Chamava cada filho, cada neto pelo nome, um por um, diante de Jesus. Quando eu dormia lá, ficava ao lado dela ouvindo. Com quatorze anos disse à minha mãe: “Quero aprender a orar assim – trazer cada pessoa pelo nome diante de Jesus”.

Não foi minha vó que me ensinou isso. Foi Deus, usando minha vó.

Ela nunca reclamou. Nunca disse uma palavra torpe. Meus pais também foram assim – sempre os via com a Bíblia nas mãos, não por obrigação, mas por fome. A mesma graça passando de geração em geração, sem pedir licença.

Nas últimas semanas de vida, visitei ela. Pediu um copo de água. Quando alguém o trouxe, agradeceu como se fosse o presente mais extraordinário do mundo. Poucos dias depois, minha tia fez uma cuca de carambola para ela. Ela comeu, sorriu, e disse que sempre fez assim também. Dois gestos simples. Uma gratidão enorme. Uma vida inteira resumida em dois momentos.

Três dias antes de morrer, disse simplesmente: “Em três dias, Jesus vem me buscar”. Quando perguntaram se queria nos deixar, respondeu: “Não quero. Mas Jesus me quer”. Tinha setenta e um anos. Eu tinha treze, e chorei muito. Mas sabia que ela havia ido para os braços de Alguém que a amava ainda mais do que eu.

Desde menino, eu sabia: queria uma esposa assim. Com aquela doçura, aquela fé, aquela oração de joelhos. Deus ouviu – e me deu Danielle, que me lembra demais a minha vó. São oito filhos. O mesmo número de irmãos que ela teve. Deus tem dessas precisões que parecem acaso, mas são assinatura.

Toda a glória é Dele. Sempre foi.

Hannes Fischer é filho de Hans e Iracema Fischer e neto de Gertrud Loth Lippel. Nasceu no hospital construído pelo avô em Vila Itoupava, em Blumenau, SC. Vive com sua esposa Danielle e seus oito filhos, tentando, a seu modo, deixar os mesmos rastros de bênção.

Leia mais:

>> A bênção de ter – e de ser avós, por Esther Carrenho

>> O papel dos avós na família, Gilson Bifano

Longevidade no Brasil precisa do apoio de abrigos – 2

Instituição centenária reconhecida na capital paulista oferece um excelente lugar de acolhimento para idosos

Por Xênia Marques Lança de Q. Casséte

A Associação Evangélica Beneficente (AEB) teve início em 1928, com o objetivo e missão de oferecer apoio às pessoas que contraíam a tuberculose, uma doença de alta incidência no Brasil de 1850 até 1943, quando foi descoberta a estreptomicina, o primeiro antibiótico eficaz contra a doença. Com o passar dos anos, a AEB passou a identificar outras necessidades sociais e ampliou sua atuação, abraçando também a causa da pessoa idosa. Em 1941, incorporou o Abrigo Dona Teresa Leme, que acolhia oito mulheres.

Quase três décadas depois, em 1970, a instituição passou a administrar também o Lar Izidoro de Souza, destinado ao acolhimento de homens. “Com a aquisição de um espaço mais amplo, tornou-se possível reunir as pessoas idosas em um único local, dando origem à Casa de Repouso Otoniel Mota, e hoje, o Centro de Convivência Otoniel Mota (Cecom)”, conta Sergio Luiz Mendes dos Santos, superintendente da AEB.

Desde sua inauguração, em 1981, o Cecom tem procurado acompanhar os avanços da sociedade quanto ao cuidado e às políticas públicas voltadas às pessoas idosas, adaptando-se às novas demandas e aos desafios do envelhecimento. De acordo com Sergio Mendes, “atualmente, a casa vive um momento de transição muito significativo. Uma equipe de saúde ampliada e especializada tem sido estruturada para oferecer um atendimento ainda mais qualificado, considerando o perfil de saúde das pessoas idosas acolhidas”.

Nesse processo, a instituição está se consolidando como um espaço de atendimento para pessoas idosas com grau 3 de dependência, que são aquelas que necessitam de cuidados integrais e contínuos nas atividades da vida diária, muitas vezes com limitações físicas e cognitivas importantes, e por isso, demandante de acompanhamento permanente de profissionais de saúde e de cuidadores.

No seu dia-a-dia, a instituição oferece um espaço de acolhimento, cuidado e convivência para pessoas idosas. A rotina é organizada para atender às necessidades de saúde, bem-estar e dignidade dos residentes, contando com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de saúde, cuidadores e equipe de apoio. O Cecom atende pessoas idosas a partir dos 60 anos. Atualmente, a instituição tem capacidade para acolher até 70 residentes, sendo 40 mulheres e 30 homens.

“Diariamente, procuramos oferecer um ambiente de cuidado integral, com acolhida, alimentação balanceada – acompanhada por nutricionista –, escuta qualificada e atividades que estimulam a criatividade e a convivência”, conta Thaís Hintze Vasconcellos, gestora do Cecom.

As pessoas idosas assistidas pela instituição também contam com atendimento e interação com psicólogas, além do apoio da assistente social, que auxilia na regularização de documentação e na garantia de direitos. “Todo esse trabalho é realizado com muito carinho, atenção e respeito, valores que orientam o cuidado e a convivência dentro da instituição”, afirma Thaís. Atualmente, o Cecom não tem nenhum idoso com mais de 100 anos, os mais velhos são dois idosos com 94 anos de idade.

Convênio e desafios

O Cecom mantém uma equipe de 48 colaboradores, sendo um gerente, um assistente social, dois psicólogos, um nutricionista, 26 orientadores socioeducativos, 11 agentes operacionais (limpeza, copa e lavanderia), duas cozinheiras e 45 profissionais da equipe parceira da saúde (com médico, nutricionista, fonoaudióloga, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermeiros e auxiliares de enfermagem), totalizando 93 pessoas que ajudam a instituição cumprir sua missão.

Uma parceria com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social permite o atendimento gratuito da pessoa idosa sem recursos. E no atendimento particular, a mensalidade cobrada hoje, é de R$ 3.800,00. Segundo a gestora do Cecom, o valor necessário para manter a pessoa idosa com assistência digna, atualmente é de no mínimo R$3.800,00 mensais.

Segundo a gestora, um dos principais desafios que o Cecom enfrenta é a captação de recursos para a manutenção das despesas da instituição. “Como o cuidado com pessoas idosas, especialmente aquelas com maior grau de dependência, exige equipe especializada, alimentação adequada, medicamentos e estrutura apropriada, é fundamental contar com recursos suficientes para garantir a continuidade de um atendimento digno e de qualidade”, informa Thaís.

AEB

De acordo com o superintendente Sérgio Mendes, a Associação Evangélica Beneficente – AEB, é uma entidade do Terceiro Setor organizada em 1928 pelo Reverendo Otoniel Mota, que era ligado à Igreja Presbiteriana Independente (Catedral Evangélica de São Paulo, capital). “Naquela ocasião, sua filha havia sido diagnosticada com tuberculose e por isso ele criou a Vila Samaritana, um empreendimento social ousado para tratamento da doença em São José dos Campos, SP, pela melhor qualidade de ar. Desde então, as atividades promovem o desenvolvimento humano integral e a instituição já atua garantindo os direitos à saúde, ao esporte, à arte, à educação, ao cuidado e ao acolhimento”, conta Sérgio.

E afirma ainda: “A trajetória de quase 100 anos da AEB foi e permanece sendo fruto de um trabalho em rede, no qual cada ente social tem papel imprescindível: contribuintes comprometidos, colaboradores engajados, atendidos empoderados e parcerias responsáveis realizadas com o poder público e iniciativa privada”.

Bárbara Craveiro de Almeida, analista de comunicação da AEB, fala também sobre o trabalho do Cecom: “Hoje somos reconhecidos como entidade de utilidade pública na cidade de São Paulo, onde desenvolvemos dezenas de projetos em três eixos de atuação: Educação Infantil, Assistência à Situação de Rua e Desenvolvimento Comunitário”. E complementa: “Através desses serviços, o Cecom está preparado para receber além de pessoas idosas, também crianças chegando a 3.920 beneficiários frequentes e 4.732.330 atendimentos anuais, por meio da atuação de 795 colaboradores”.

Uma palavra da AEB e do Cecom para as igrejas

As igrejas que estão com ministérios específicos com idosos ou começando um trabalho com este objetivo, segundo a diretoria da AEB e Cecom é muito importante lembrar que o cuidado começa pela escuta. “Muitas vezes, mais do que atividades ou programações, o que a pessoa idosa mais precisa é ser ouvida, respeitada e considerada em sua história de vida, experiências e sentimentos. É fundamental também incentivar e preservar, sempre que possível, a autonomia da pessoa idosa. Isso significa valorizá-la como alguém que ainda tem muito a contribuir, permitindo que participe das decisões, expresse suas opiniões e continue exercendo seus dons e capacidades dentro da comunidade”, informam. As igrejas podem ser espaços muito significativos de acolhimento, convivência e fortalecimento de vínculos. Ao promover momentos de escuta, convivência, oração e participação ativa, ajudam a combater o isolamento e reforçam a dignidade e o valor de cada pessoa idosa.

Xênia Marques Lança de Q. Casséte é jornalista, esposa e mãe. Membro da Igreja Batista da Redenção, faz parte da equipe do Coletivo Bereia de informação e checagem de notícias.

Imagens: Gabriela Sampaio, técnica do CECOM e mobilizadora AEB.

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>> Tia Leley: uma irmã de caridade que oferece e recebe amor, por Emiliane Rezende

Tia Leley: uma irmã de caridade que oferece e recebe amor

É preciso olhar mais para aqueles que viveram para servir e servi-los também no final de suas vidas

Por Emiliane Rezende

Dos treze filhos da minha avó paterna, uma é irmã de caridade. Ela sempre foi muito atenciosa e afetuosa com todos os irmãos e sobrinhos. E imagine que com essa grande família, sobrinho era o que não faltava.

Meu pai era o único que morava fora do Rio e, pelos Correios, ela enviava cartões de aniversário e de Natal, religiosamente, para cada um de nós. Eu ficava horas admirando aquela caligrafia tão perfeitinha. Minha mãe dizia que eu havia herdado dela a letra bonita. E eu bem sabia que tinha me esforçado muito para a imitar.

Tia Leley, de quem tem orgulho até hoje, trabalhou muito para a sua ordem. Serviu aos mais necessitados: em hospitais públicos (foi enfermeira) e em situação de rua.

Os anos se passaram e os cartões passaram a chegar para os meus filhos e, quando chegou a vez dos meus netos, ela já usava o WhatsApp, mas nunca ficamos desprovidos de uma felicitação. Tia Leley não conhece todos os meus netos, a vida nos separou bastante fisicamente, mas nunca fomos separados do seu afeto e da sua atenção.

Agora que eu também já sou 60+, coloquei como meta visitar a minha tia querida que hoje não está mais na ativa e se encontra numa casa de repouso para irmãs de caridade da sua ordem.

Conversamos pelo WhatsApp por anos e sempre a informava das novidades da família: nascimentos, formaturas, casamentos, falecimentos. A presença dela é muito forte, apesar da distância geográfica.

Com a aposentadoria fiquei mais livre para planejar a tão sonhada visita que aconteceu na última semana. Meu coração se encheu de gratidão por poder abraçar de novo a irmã do meu pai e reconhecer nela traços da minha avó, a voz tranquila do meu pai e uma pessoa de 85 anos com a mesma memória de outrora. Tia Leley alegrou-se muito em me dar notícias de tios e primos que igualmente não vejo há anos. E também relembramos viagens e pessoas que fizeram parte da nossa história remota.

Mas o que mais me alegrou foi perceber que ela está bem cuidada, numa casa de repouso da ordem onde ela serviu a vida toda. Que bem me fez perceber como a Igreja Católica valoriza aquelas que gastaram grande parte da sua vida servindo os mais necessitados. Que bom seria se todas as idosas fossem tão privilegiadas! Que lugar aprazível! Quantas árvores, flores, brisa, quartos individuais com banheiros privativos. Cuidadoras para aquelas que já precisam, diaristas que deixam tudo brilhando, cozinheiras que servem quatro refeições diárias, revelando esmero e alegria num refeitório agradável e limpíssimo. Salas de estar para receber as visitas, elevadores e tudo isso sem nenhum luxo para aquelas que fizeram voto de vida simples.

Depois de longas conversas, despedimo-nos com um abraço igualmente longo e algumas lágrimas, na certeza de que aquele dia foi uma graça, mas na incerteza se haverá uma próxima oportunidade em breve.

Voltei para casa pensativa sobre essa iniciativa antiga da Igreja Católica e refletindo como seria bom se eu conhecesse algo assim da parte da Igreja Evangélica, que ela cuidasse assim dos seus pastores e suas viúvas e dos missionários. É preciso olhar mais para aqueles que viveram para servir e servi-los também no final de suas vidas tão preciosas.

Emiliane Rezende, esposa do Angelo, mãe do Mateus e da Marta e avó de Rebeca, Benício, Elias e Nícolas, reside em Santos, SP. É pedagoga pela Universidade Federal de Viçosa. Trabalhou como coordenadora pedagógica por 22 anos.

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“Para iluminar, a gente tem que derreter” , por Heidi Oliveira

Imagem: Unsplash.

Jesus Cristo – o eixo do universo

Por Elben César

No dia em que Jesus entrou em Jerusalém pela última vez, montado num jumentinho e passando por cima de ramos de palmeiras, ele declarou à multidão que o cercava: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todas as pessoas para mim” (Jo 12.32). O Senhor se referia ao seu sacrifício vicário na cruz cinco dias depois, único meio pelo qual os pecadores podem ser perdoados e salvos.

Quantas pessoas foram atraídas por Jesus e seu sacrifício nestes vinte séculos de pregação do evangelho? Só Deus sabe!

Porque Jesus, ao ser enviado ao mundo pelo Pai, abriu mão de tudo e caminhou até a morte e morte de cruz, Deus deu a ele “a mais alta honra e pôs nele o nome que é o mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus,

todas as criaturas no céu,

na terra

e no mundo dos mortos,

caiam de joelhos

e declarem abertamente

que Jesus Cristo é o Senhor,

para a glória de Deus, o Pai”

(Fp 2.9-11).

Na morte e na ressurreição, na colina do Calvário e no monte da transfiguração, na humilhação e na glória, na primeira e na segunda vinda – Jesus Cristo é o eixo do universo e da história!

Imagem: Wikimedia Commons.

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“Para iluminar, a gente tem que derreter”

Dedicar-nos a Jesus é graça e gratidão: o evangelho que nos alcançou na juventude ainda arde em nosso coração

Por Heidi Ferreira A. S. de Oliveira

Ouvi a frase que dá título a este artigo numa canção da banda Rebanhão. Ela me fez revisitar minha história.

Conheci Jesus na adolescência, por meio de uma história no antigo flanelógrafo. Fui impactada pela pergunta: “Quer Jesus como seu Salvador?”. Saí contrariada por me sentir exposta, mas a frase ecoou. Em casa, disse a Deus que, se ele pudesse me salvar das angústias de uma vida sem sentido, que assim fizesse. Minha vida mudou.

Cresci nas Escrituras e passei a frequentar uma pequena igreja. Foi tempo de alicerçar a fé: evangelismo nas ruas e na Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (FEBEM). Aprendi a caminhar com o Mestre Jesus e a tocar violão. Participei de um acampamento cristão; jovens expressavam Cristo. Desde então, atuei como QG no Jovens da Verdade (JV).

Nossa estrutura era simples, mas o compromisso com o evangelho, intenso. Já casada com Silas Soares de Oliveira, realizamos viagens missionárias, visitamos igrejas e promovemos retiros. E o evangelho se expandia pelo país.

Nos anos 1990, Deus nos enviou a morar no acampamento do JV. Abri mão de uma carreira promissora em São Paulo. Em Arujá, além das atividades no acampamento e no seminário, ingressei na educação, primeiro como professora, depois na gestão. Entendi a escola como ministério. Mantivemos a banda JV ativa e, mesmo com filhos, seguíamos pregando o evangelho.

Com o tempo, já mais velhos, achamos que nosso papel seria apenas apoio e oração aos jovens do JV. Embora necessário, isso não supria o desejo que ardia em nosso coração. Voltamos a visitar igrejas com um pequeno grupo de veteranos, cantando e pregando o amor de Deus. Sentíamo-nos constrangidos por usar o nome Jovens da Verdade; assim nasceu o Dinossauros da Verdade – irreverente e bem-humorado.

Com a pandemia da Covid-19, o grupo cresceu. Pelo WhatsApp, promovemos oração e comunhão durante o isolamento. De oito, chegamos a cerca de setenta “dinos”, com testemunhos de restauração. Seguimos visitando igrejas.

Voltamos às viagens missionárias pelo interior e litoral, agora na nossa realidade idosa. Com um violão, canções antigas, contrabalde1 e pinturas, vimos como Deus usa nossas limitações. Neste novo tempo, entendemos que dedicar-nos a Jesus é graça e gratidão: o evangelho que nos alcançou na juventude ainda arde em nosso coração. Deus caminha conosco por gerações, trazendo alegria e esperança.

Tivemos três filhos e acompanhamos a luta da caçula, Gabriela, contra o diabetes tipo 1. Em meio a provações, ela permaneceu firme no Senhor. Após dois transplantes, hoje está curada. Reconhecemos a graça e a misericórdia de Deus.

Para obedecer ao Ide, criamos o Acampadinos, para reintegração, comunhão e senso de missão a idosos, em ambiente adaptado. Muitos foram impactados ao perceber que continuam úteis no reino, apesar da idade.

O Movimento Cristão MC 60+ intensificou nossa convicção: é possível servir ao reino em qualquer fase da vida, até com uma “segunda carreira” ministerial. Por isso, volto à frase que me marcou: “Para iluminar, a gente tem que derreter”. A luz de Cristo está na vela que somos nós. Quando nos dispomos a ser instrumentos dele, os anos passam, o corpo se desgasta, mas a luz permanece até a eternidade (Mt 5.16).

Nota

1. Contrabalde é um instrumento musical rústico feito com uma lixeira de alumínio, fieira de pião e cabo de vassoura. O som da fieira esticada amarrada à lixeira e ao cabo de vassoura é semelhante ao do contrabaixo. Daí o nome “contrabalde”.

Heidi Ferreira A. S. de Oliveira é casada com Silas, mãe de Flávia, Silas e Gabriela e avó de Benjamin. Tem formação em pedagogia, psicopedagogia e artes, e é gestora educacional e membro da Missão Jovens da Verdade.

Artigo publicado originalmente na edição 418 de Ultimato. Reproduzido com permissão.

Imagem: Unsplash.

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