Florescer e frutificar – É tempo de colher!

Por Ágatha Cristian Heap

A cada dia podemos escolher viver. Devemos escolher viver!

Eu sou muito igrejeira. Amo ser igreja, amo fazer parte da comunidade de fé e congregar. Uma das coisas que aprecio na igreja é que ouso dizer ser ela o único lugar na sociedade humana onde todas as gerações se encontram e convivem com tanta frequência. Desde o bebê recém-nascido, passando pelas crianças na primeira infância, os juniores, pré-adolescentes, adolescentes, jovens, adultos e a melhor idade, no geral, uma vez por semana, se esbarram, se escutam, se veem e adoram o Senhor em conjunto!

Ainda adolescente eu conheci uma poesia atribuída a uma senhora que estava internada no hospital, conversando com uma enfermeira… e ela falava: “Enfermeira, quando você olha para mim, o que você vê? E ela descreve a sua condição naquele momento, já debilitada, e necessitando de ajuda, mas de repente ela diz: abra seus olhos, enfermeira, e olhe para mim! Veja a menina de 10 anos em família, a adolescente de 16 querendo viver um amor, a noiva de 20 empolgada com seus votos, a jovem mãe aos 25 e aos 30 cuidando dos seus, a mulher de 40 vendo seus filhos partir, a avó de 50 com a casa cheia de crianças novamente. Essa poesia sempre me tocou e me identifico com essa lembrança de cada fase que vivi e cada pessoa que fui e continuo sendo – está tudo dentro de mim. Nossa história continua em nós e ainda somos a criança, a jovem, o adulto… e tudo que vivemos, fizemos, trabalhamos por e contruímos nos acompanha e é muito valioso.

E por falar em trabalho…

Servimos um Deus que trabalha e que tem escrito uma linda história de amor.

Do caos, da escuridão, do nada, Ele criou.

Bradou e houve luz! Energia, calor, matéria!

A cada dia Ele trabalhou, embelezou, desenvolveu organismos, ciclos, sistemas… pessoas! Então, descansou! Descansou pois concluiu sua obra e testemunhou sua funcionabilidade. Os rios corriam, os animais nadavam, voavam, se moviam sobre a terra. O ser humano recebeu o dom da fala, do raciocínio, da inteligência e da criatividade. Além de autoridade – nomeie, cultive, desfrute!

Deus trabalhou e descansou. Contemplou. Se alegrou. Era tudo muito bom!

Com o pecado humano, o trabalho já não era mais um deleite e se tornou um fardo.

A imagem de Deus é manchada e a identidade humana – que deveria ser relacionada com a filiação ao Criador, se tornou uma busca de reconhecimento, produtividade, recursos que se pode acumular. O ser humano tentando provar seu valor. Que pena!

O ser humano já não sabia quem era, pois se afastou do Seu Criador.

Quem sou eu? Meu trabalho?

Quem sou eu? Meus papeis, minhas funções?

 Quem sou eu? Minha produtividade?

Quem sou eu? O que tenho?

Um dos meus avós foi um pernambucano que migrou de Tacaratu até o Rio de Janeiro a pé. Alguns meses de viagem. Quando criança, foi coroinha da paróquia católica de sua cidade, sempre interessado na Bíblia, certa vez foi advertido pelo seu padre que se continuasse lendo as Escrituras, viraria crente!

Ao chegar no Rio de Janeiro, foi trabalhar como pedreiro na construção da 1ª Igreja Batista de Nilópolis, onde se converteu, conheceu minha avó, casou-se, dedicou os primeiros 5 filhos (de 14) a Deus e mais tarde celebrou bodas de 50 anos de casado no mesmo lugar. Nessa ocasião, o casal que havia chegado ali jovem e sem filhos diante do altar, retornava com toda a família posicionada na área do coral da igreja, mais parecendo uma pequena tribo, um clã com dezenas de pessoas. Frutos dessa união.

Entretanto, na década de 1960, participaram de um movimento de avivamento, deixaram a igreja Batista e migraram para a Obra em Restauração.

Tenho lindas lembranças dos cultos domésticos diários. Das orações solenes do meu avô e da sua voz forte entoando hinos em tempo e fora de tempo. Lembro-me da ação social constante da minha avó sendo diretora de uma creche comunitária num bairro carente por anos, e sendo informalmente, uma “agência de empregos” para as diversas mães que levavam seus filhos à creche.

Deus promete abençoar até mil gerações daqueles que o servem (Dt 7.9). Sou a segunda geração desse casal abençoado e me sinto honrada pela herança espiritual que me deixaram.

Gálatas 6.9-10 nos ensina: ‘Portanto, não nos cansemos de fazer o bem. No momento certo, teremos uma colheita de bênçãos, se não desistirmos. Por isso, sempre que tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé”.

Jesus falou para olharmos os campos prontos para a colheita. Falou para observarmos as aves dos céus. Falou para contemplarmos os lírios dos campos. Contemplar! Admirar, apreciar, aplaudir, atentar, notar, ver, mirar, fitar.

Envelhecer é um presente. A outra opção é ter uma vida reduzida, interrompida precocemente.

“A vida é muito curta para ser pequena” é um pensamento atribuído a Benjamin Disraeli, que foi um político conservador britânico, escritor, aristocrata e primeiro-ministro do Reino Unido em duas ocasiões durante o século 19.

Quanto mais os anos passam, mais há para recordar. Mais há para agradecer. Mais há para testemunhar. Muito já foi feito. Fases variadas já foram vividas. O mundo é mau, mas Deus é bom. E conscientes de Sua bondade e soberania, podemos caminhar em paz e desfrutar da beleza de cada dia.

A vida começa numa fase de dependência e como precisamos de cuidadores nos nossos primeiros anos de vida.

Vamos crescendo e adquirindo autonomia, desenvolvendo potencialidades e nos dirigindo a alguma linha de profissão e trabalho. Casamos, geramos filhos, trabalhamos, construímos. Amamos a Deus e por isso amamos o próximo na mesma medida que aprendemos a amar a nós mesmos e assim, servimos.

Então, a curva da produtividade alcança seu auge, os resutados são evidentes, mas começam a retroceder. Entretanto, há uma história que não se apaga, há um legado. O plantio produz frutos e é tempo de celebrar.

Já não é possível correr na mesma velocidade, trabalhar a mesma quantidade de horas. Talvez óculos e aparelhos auditivos sejam bem vindos. Eu já preciso dos dois!

Porém, precisamos ser lembrados constantemente que a nossa vida não vale o que produzimos, mas o que realmente somos no Senhor. Filhos amados do Pai – feitos para adorá-Lo.

Podemos escolher apodrecer ou amadurecer. Reclamar ou agradecer. Ressentir ou perdoar. Desistir ou perseverar. Calar ou orar. Ignorar ou amar.

Eu gosto de uma tirinha do Snoopy e do Charlie Brown que eles estão de costas, mirando o horizonte. Charlie Brown parece preocupado e desabafa: “É Snoopy, um dia nós vamos morrer”. E Snoopy responde com toda a sabedoria canina: “Sim, mas em todos os outros dias nós vamos viver”.

Será que todos compreendem dessa forma? O descanso é um sentimento de satisfação ao contemplar a vida como dádiva de Deus.

A cada dia podemos escolher viver. Devemos escolher viver!

Eu lido com a tentação de querer ser sempre útil, produtiva, mas tenho buscado aprender que não fomos feitos para dar resultado, visando uma conquista específica. As próprias interrupções da vida são a vida. Processos, momentos da caminhada. As limitações não deveriam nos apavorar.

Em Deuteronômio 30.19 lemos: “Hoje lhes dei a escolha entre a vida e a morte, entre bênçãos e maldições. Agora, chamo os céus e a terra como testemunhas da escolha que fizerem. Escolham a vida, para que vocês e seus filhos vivam!”.

Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Que o Senhor nos ajude a valorizar cada oportunidade de viver nEle, sendo fieis a Ele, exalando o perfume dEle, sendo a carta que comunica Seu evangelho no nosso caminhar, no nosso contemplar, no nosso falar e especialmente em como lidamos com o outro, pois este é o Dia que o Senhor fez – e o deu a mim e a você! Vamos escolher nos alegrar e celebrar nele. (Sl 118.24) E isso é contagiante. Precisamos seguir firmes na confiança em Deus para que possamos terminar bem!

Há muitas bençãos para se lembrar. Muitas coisas para agradecer. Sempre é tempo de contemplar, amar, de orar, de inspirar, de compartilhar e viver. Deus nos faz nos faz florescer e frutificar – que tenhamos alegria em recordar, contemplar e assim colher.

Ágatha Cristian Heap é graduada em ciências sociais, em geografia e em teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil. É mestra em ciências da religião, com ênfase em teologia. É membro da APEL – Academia Paulista Evangélica de Letras, professora de ciências humanas e sociais há mais de duas décadas, Ministra ordenada e pastora auxiliar na Igreja do Nazareno, em Atibaia, SP. Atua como tradutora e escritora. Casada com Brian, mãe de Lucas, Victoria e Gabriele.

Este artigo é um registro da devocional “Florescer e frutificar – a alegria de colher”, conduzida por Ágatha C. Heap no 4º Encontro do Ministério Cristão 60+.

Conheça e acompanhe o Ministério Cristão 60+ no Instagram: @mc60mais.



A despedida

Percepções sobre a graça e a fadiga a partir do Salmo 90

Créditos: Tima Miroshnichenko

Por Délio Porto

Houve um homem que resolveu empreender uma grande aventura. Saiu para uma jornada inusitada, uma viagem difícil, uma aventura louca.

O plano: não pretendia demorar; seria rápido (dois anos, talvez?). O alcance e o destino proposto nesta aventura fariam toda a diferença em sua vida.

Entretanto, algo saiu errado com sua previsão. O tempo e a distância não estavam sob seu controle. O tempo correu ligeiro enquanto o homem havia dado somente alguns passos. De repente, percebeu-se velho, de cabelos brancos, enrugado e decaído. Fatigado. Não havia ainda chegado ao destino final de sua aventura. 

Percebendo que não poderia mais continuar, resolveu que ficaria por ali, pelo caminho. Envelhecera e não conseguiria cruzar o espaço que faltava até o destino final. Mas seus filhos, aqueles que teve durante a jornada, estavam crescidos. Eles poderiam seguir em frente e terminar a jornada. 

Tal homem não carregava mágoas por causa desta situação. Não se tornou rancoroso nem achava que o mundo, ou a vida, lhe deviam algo. Estava em paz.

Ao se ver assim, envelhecido e incapaz de continuar, escreveu um poema falando sobre a graça e a fadiga, sobre a bondade e o declínio, sobre a ligeireza de um sonho e o furor da santidade. Foi com este poema que marcou sua despedida. Pediu a seus filhos que não carregassem seu corpo, mas que levassem consigo um livro com suas memórias. Reuniram seus escritos sob o título “O livro das palavras de Moisés, profeta do Altíssimo”. O poema é o Salmo 90. Neste salmo lê-se, nas últimas linhas, o seu desejo final: “Consolida, meu Deus, consolida a obra de nossas mãos”.

Ele se perguntava: “Será que os meus filhos verão os feitos de Deus? E os filhos dos meus filhos?” Quando levantou as mãos sobre seus filhos, para os abençoar, escreveu: “Sejam manifestos os teus feitos aos teus servos, e aos filhos deles o teu esplendor!” (v.16, NVI).

Pediu ainda que seus filhos fossem alvos da bondade e da graça de Deus: “Esteja sobre nós a bondade do nosso Deus Soberano. Consolida, para nós, a obra de nossas mãos; consolida a obra de nossas mãos!” (v.17).

Tal despedida, antes do final do êxodo, não foi um sinal de derrota, pois ele próprio tinha visto a bondade e a graça de Deus. Porque é graça a permissão para que pessoas comuns participem da obra de Deus. E a obra de Deus é uma só: chamar o seu povo, conduzi-lo ao seu destino e dar-lhe a herança eterna.

“Mas, e a fadiga? E o cansaço de nossas mãos? Haveria um propósito para eles?” Sim, pois se as mãos não param no curso diário da vida, é na fadiga que a graça é experimentada.

“O que será dos nossos filhos? Por acaso verão os feitos de Deus?” A esperança é que vejam. “Há um propósito para a fadiga de nossas mãos?” Sim, porque entregamos a Deus essa obra.

“Em que consiste essa entrega?” Ela é uma atitude interior de expectativa alta e positiva. Na entrega há um pedido feito, uma disposição interior e uma espera na graça.

A vida é efêmera. Os cabelos logo ficam brancos e há tantas fadigas, mas em todo o tempo se manifesta a bondosa atenção de Deus. Essa é a nossa aventura, que um dia, de tão envelhecidos e cansados, deixaremos para nossos filhos.

Délio Porto é engenheiro aposentado e mora em Viçosa

Tenho um velhinho para cuidar

Por Wilfried Körber

Ele era bonitão e jovem. Inteligente, forte e trabalhador. Único, durante algum tempo, depois pai, tio, e agora vovô. A beleza e a juventude já se foram. A força descaiu. Não trabalha mais. A inteligência continua perfeita. Os olhos “andam” embaçados, ouvir, só com aparelhinho, a voz um pouco rouca, e na mão usa bengala. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Temos na Bíblia um belo capítulo que gosto de ler. Já o li diversas vezes, e pretendo fazê-lo outras. É o capítulo 12 do livro de Eclesiastes. Tomo a liberdade de reproduzir aqui seus primeiros sete versículos:

  1. Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer;
  2. Antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do esplendor da tua vida, e tornem a vir as nuvens depois do aguaceiro;
  3. No dia em que tremerem os guardas da casa, os teus braços, e se curvarem os homens outrora fortes, as tuas pernas e cessarem os teus moedores da boca, por já serem poucos e se escurecerem os teus olhos nas janelas;
  4. E os teus lábios, quais portas da rua, se fecharem; no dia em que não puderes falar em alta voz, te levantares à voz das aves, e todas as harmonias, filhas da música, te diminuírem;
  5. Como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce a amendoeira, e o gafanhoto te for um peso, e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andem rodeando pela praça;
  6. Antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço,
  7.  E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.

Até aqui só se falou do homem, mas há também a mulher, cuja sorte pode não ser diferente.

Geralmente ela vive mais, mas de tanto lavar roupas e louça, costuma ter mais rugas. Um brinquinho aqui, um esmalte ali, e um pouco de batom, ajudam a enganar inocentemente o velhinho a seu lado. Ela não usa bengala, segue em cadeira de rodas.

Para terminar, gostaria de acrescentar ao sermão de Jesus mais uma bem-aventurança: “Bem-aventurados os antigos quando os levarem às reuniões da família, para não esquecerem o passado, pois ficarão satisfeitos”.

P.S. Nada como ter bom humor, também nos momentos sérios.

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

Crédito da imagem: Miki, Flickr.

O Senhor do tempo

Por Stênio Marcius

Mestre, me veja menino
Deixa-me correr com Teus pequeninos
Mestre, de rosto amigável, de sorriso largo, de sereno olhar
Eu fui a Ti criança e me recebeste de braços abertos
Que estranha distância agora
Senhor, lembra do menino que eu fui outrora

Mestre, lembro que eu buscava
E me derramava, choro adolescente
Lembro daquele caderno onde eu anotava minhas orações
Jovem busquei a Ti, o refúgio certo para um moço aflito
Que estranha distância agora
Senhor, lembra do rapaz que eu fui outrora

Mestre, estou bem mais velho
E o amor que eu tinha, onde foi parar?
Mestre, fala a esse homem, que se emocione, vá recomeçar
Faz-me correr e assim retornar ligeiro ao primeiro amor
Deixa-me ver novamente o meu nome
Escrito nas santas mãos do Senhor do Tempo

Deixa-me ver novamente o meu nome
Escrito nas santas mãos do Senhor do Tempo

Clique aqui e ouça a canção “O Senhor do tempo”.

Stênio Marcius é compositor.

Ilustração: @ste.illustra

Vem aí 4º Encontro do Movimento Cristão 60+

Na “era dos avós” é preciso aprender a envelhecer

Não é difícil perceber, nas ruas, nas famílias e na igreja, que a “era dos avós chegou”, como afirmou a revista The Economist, em 2023. Os avós representam quase um quarto da humanidade. A Divisão de População das Nações Unidas estima que o número de pessoas com 65 anos ou mais deve dobrar nos próximos trinta anos, de modo que, até 2050, entre 16 a 22 por cento da população global terá 65 anos ou mais.

O Movimento 60+ sabe disso.

O MC60+ nasceu no coração de um grupo de amigos nesta fase de idade com o objetivo de despertar as igrejas para esta realidade e, ao mesmo tempo, para encorajar os 60+ a não se aposentarem da carreira cristã, ao autocuidado e a servirem à igreja com seus dons, experiências e rede de contatos.

Uma das principais formas de atingir os seus objetivos é a promoção de eventos. Em 23 a 25 de setembro de 2024 será realizado 4º Encontro.

A programação é rica: devocionais, palestras a partir do tema “É tempo de colher, mas ainda é tempo de plantar”, apresentação do contexto da velhice no Brasil, mostra de oportunidades de serviço e de boas práticas. Além disso, o programa prevê tempo para convivência e compartilhamento de experiências, workshops e atividades guiadas. Os preletores também são 60+. Confira abaixo os detalhes da programação. 

Se você quer aprender a envelhecer, ou compreender melhor o envelhecimento de seus familiares ou membros de sua comunidade, ou se equipar para um ministério profícuo com os 60+, não perca a oportunidade de estar presente neste Encontro. Inscreva-se aqui.

HORÁRIOAtividades
15:00Recepção | Pesquisa de interesses e de talentos
18:00Jantar
19:00Abertura: É tempo de colher, mas ainda é tempo de plantar
Visão Geral
Louvor e Adoração – Lili Yoshimoto 
19:30Palestra
– A visão bíblica sobre a velhice – Dr. Erni Seibert
20:30Cenário: Panorama dos 60+ no Brasil – Oseas Heckert
21:00Chá | Descanso
HORÁRIOAtividades
07:00Café da Manhã
08:00Comunhão e Relacionamento / Caminhada em volta do lago
08:30Louvor e Adoração
09:00Devocional
Florescer e frutificar – A alegria de colher – Ágatha Cristian Heap
09:30Palestras
– Novos papeis na igreja – Daniel Yoshimoto
– O que a igreja pode fazer pelos 60+ e o que os 60+ podem fazer pela igreja
10:00Intervalo | Cafezinho | Alongamento
10:30Relato da experiência de Águias de Cristo. Recife, PE – Elias Bispo

Em grupos:
– Que experiências das relatadas em plenário são apropriadas à sua igreja?
– O que a igreja pode fazer e o que os 60+ podem fazer, na sua realidade local?
– Que novas iniciativas você sugere?

Compartilhamento dos grupos em plenário
11:10Plenário
Relato de experiências e oportunidades para os 60+ nas obras do Reino
– Oportunidades em RENAS – Oséas Heckert
– Desafios e envolvimento – CristoIândia
– Ação para fora, ACEV – Mara Danielli  
11:50Roda de conversa em grupos
– Qual a sua perspectiva pessoal diante do envelhecimento?
– Qual é a realidade da sua igreja diante do problema de 3ª Idade?
– Que novas iniciativas você sugere?  
12:30Almoço
14:00Workshops, atividades guiadas ou tempo livre

Workshops
1. Envelhecer com sentido, dignidade e relevância – Ageu Heringer Lisboa
2. Sucessão – processo de transferência de conhecimento, cultura, valores e legado da atual geração para a nova geração. Na empresa, família e igreja. Eduardo Almeida e Brian Heap
3. Revisão de vida aos 60+: arrependimento e renovação – Dora Bomilcar e Paulo Pereira de Andrade
4. Como enfrentar as doenças, especialmente as demências, na velhice? – Eli Miranda Soares e Maria Aparecida Soares Roch
5. Solidão e depressão na velhice – Estabelecendo rede de apoio. Samila Batistoni

Atividades guiadas
1. Canto e instrumental, músicas preferidas dos anos 70 e 80 – Lili Yoshimoto
2. “Retalhos de Esperança”: conhecer o movimento que coloca as habilidades manuais e a oportunidade do encontro, à serviço de pessoas em situação de refúgio e vulneráveis, tecendo fios de esperança. O grupo vai confeccionar peças. Até 20 pessoas. – Tânia de Medeiros Wutzki. Conheça o perfil no instagram.
3. Atividade física, jogos e lazer grupos de interesse (artesanato, patchwork, experiências de leitura etc).
15:00Intervalo | Cafezinho
15:30Workshops, atividades guiadas ou tempo livre
>>> Vamos repetir aqueles para os quais houver demanda
18:00Jantar
19:00Louvor e Adoração
19:30Palestras
– Novas oportunidades de trabalho – Robert Koo
– Segunda carreira – o que é?
– Desafios e alegrias na aprendizagem e no exercício da segunda carreira – Volney Faustini
20:30. Testemunhos práticos de segunda carreira
21:00Chá | Descanso
HORÁRIOAtividades
07:00Café da Manhã
08:00Comunhão e Relacionamento / Caminhada em volta do lago
08:30Louvor e Oração
09:00Devocional
Florescer e frutificar – Vida abundante para os 60+ – Dora Bomilcar
09:30Palestra
Novas maneiras de cuidar de si mesmo – Pr. Gilton Medeiros
10:00Intervalo | Cafezinho
10:30Apresentação dos grupos de interesse
– Integração igreja e 60+
– Segunda carreira
– Autocuidado e serviço
11:00Divisão em grupos por tema de interesse – próximos passos
Volta ao plenário
12:00Celebração da Ceia e despedida
12:30Almoço

SERVIÇO:

4º Encontro Nacional MC 60+

É tempo de colher, mas ainda é tempo de plantar

Quando: 23 a 25 de setembro de 2024

Onde: Estância Árvore da Vida, em Sumaré, SP

Para inscrever-se, clique aqui.

“Velho é trapo!”

Por Sandra Regina Schewinsky

Quando eu era criança uma amiga de minha mãe tomava café da tarde lá em casa todos os dias. Era a Dona Ângela, uma italiana com mais de 70 anos, animada e amorosa. Tínhamos um ritual, eu abria a porta e dizia: “Oi véia!”.E ela sempre respondia: “Velho é trapo!”. E eu replicava: “Oi trapo!”.

Ríamos muito da singela brincadeira, que de forma alguma significava uma afronta ou desrespeito.

Agora, mais de cinquenta anos depois, como estamos em relação ao nosso envelhecimento? Levamos o envelhecer com bom humor?

O número de idosos subiu em 57,4% em doze anos, o que significa melhora de qualidade de vida em vários aspectos, mas… nem tudo são flores.

Atuo como psicóloga e neuropsicóloga e vejo uma grande dificuldade de as pessoas com mais de sessenta anos aceitarem tranquilamente a arte do embranquecimento! O número de procedimentos estéticos no Brasil cresceu 390% e, alguns podem colocar a saúde da pessoa em risco.

Ao dar um “Google” na palavra “velho”: “passado, ultrapassado, gasto, superado”. Já a definição de “idoso”, de acordo com a lei, “é considerada pessoa idosa o cidadão com idade igual ou superior a 60 anos”. Entre os direitos garantidos, por exemplo, estão a gratuidade de medicamentos e transporte público – além de medidas que visam a proteger e dar prioridades às pessoas idosas.

Qual a diferença entre jovem e jovial? “Jovem: aquele que tem pouca idade, que ainda não alcançou todo o seu desenvolvimento”. Enquanto “jovial” é que tem e manifesta alegria; que gosta de divertir-se; alegre, contente e leve.

Impossível querer parar o tempo, perigoso não reconhecer as mudanças no corpo e os cuidados que ele requer.

Baixa autoestima, doenças, negação da idade, aposentadoria, queda financeira e isolamento são armadilhas cruéis.

Os idosos são considerados o grupo populacional de maior risco para o suicídio em todo o mundo. Apesar disso, esse fenômeno ainda recebe pouca atenção das autoridades da área de saúde pública, de pesquisadores e da mídia.

Temos o massacre midiático em relação a beleza e juventude que escraviza e traz vazio interior. A maior causa do suicídio é a depressão não tratada, que pode ser causada por perdas, lutos, dores, não querer depender, o medo de atrapalhar os outros e sensação de que se perdeu na vida.

Na minha opinião envelhecer bem não é necessariamente manter a beleza do corpo, mas sim da alma, que pode ser alimentada pelos vínculos afetivos, por investimento na qualidade dos relacionamentos, pelos amigos, sinceridade com os familiares e principalmente pela disposição de ser sempre jovial no sentido lato do termo.

Porque senão, como diria a Dona Ângela: Velho é trapo mesmo!

Sandra Regina Schewinsky é psicológa pelo PUC-SP, mestre em psicologia do desenvolvimento pela Universidade São Marcos, doutora em psicologia social pela PUC-SP, especialista em psicologia hospitalar pelo CFP. Trabalhou como psicóloga no Hospital das Clínicas de São Paulo de 1988 a 2022 e como neuropsicóloga no Hospital Sírio Libanês desde 2008. É professora em vários cursos e escritora. @schewinskysandraregina.

Crédito da imagem: Pixabay.

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Tenho dons

Por Wilfried Korber

Quando o apóstolo Paulo fala em dons, relaciona os dons do Espírito Santo. A explicação que ele dá em 1 Coríntios 12.4-11 é a seguinte:

“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é que opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra de sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro discernimento de Espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpreta-las. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas essas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente.”

É extraordinária a clareza da informação de Paulo. Pena é que não vemos mais hoje alguns desses dons em ação. A igreja precisa reagir e buscar uma renovação para que o padrão original seja reconquistado. Tudo isso se refere aos dons espirituais. Além desses, existem outros dons que são concedidos e devem ser usados para glória de Deus.

Aqui quero lembrar o que Jesus ensinava em Mateus 25.14 e próximos. O texto diz: “Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os bens”.

Acho que conhecemos bem os detalhes dessa parábola. Aqui não se fala de dons espirituais, ou eventualmente, sim, mas das habilidades que todos nós temos para usá-los no desenvolvimento do reino de Deus. Além do talento recebido pelos pregadores para anunciarem o Evangelho, está a capacidade musical, que é diversa e de grande importância no culto a Deus. Temos também aqueles que são profissionais técnicos, com habilidades médicas, ou os dentistas, por exemplo. Eles são requisitados pelas missões que trabalham em lugares remotos, e onde o povo sofre com a falta de tudo. Temos as organizações missionárias que voam a lugares inacessíveis com seus aviões e helicópteros, levando auxílio e trazendo doentes, etc. Esses pilotos receberam talentos e os utilizam na distribuição de auxílio humanitário e necessário. Existem carpinteiros que constroem capelas e mecânicos que consertam veículos utilizados nas missões. Muitas vezes esses serviços são feitos voluntariamente, sem remuneração. A lista de serviços necessários é interminável.

Todos nós temos dons que podem ser úteis no reino de Deus; não esquecendo os redatores e editores, os que produzem revistas, folhetos e Bíblias. Meus leitores, muitas vezes do grupo 60+, às vezes acham que suas tarefas já foram cumpridas. Será? Máquinas paradas, enferrujam. Articulações com pouco movimento, calcificam. Mente vazia se torna oficina do mal. Quero lembrar das orações intercessórias, ou uma voz consoladora ou encorajadora. Todos, todos nós temos condições de fazer alguma coisa para o desenvolvimento do reino de Deus, no qual nosso Mestre é o Rei.

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

O papel dos avós na família

Por Gilson Bifano

Como os avós podem ajudar e abençoar os pais de seus netos e os netos hoje?

Um dia desses um avô, um tanto preocupado, procurou-me o compartilhou suas preocupações em relação ao comportamento de um de seus netos.

O menino, de nove anos, segundo a visão do avô, passava muito tempo na internet.

Na conversa, procurei levar o avô preocupado a algumas reflexão e como agir na situação exposta.

Em que sentido o avô poderia ajudar o neto? Deveria chamar a atenção dos pais de seu neto?

Em que sentido os avós podem ajudar os pais de seus netos nesta e em outras questões?

Na minha conversa procurei alistar as responsabilidades e o papel dos avós na família.

Em primeiro lugar, uma grande contribuição que os avós podem dar à família é dedicar tempo a oração.

Orar para que os pais de seus netos tenham sabedoria para criar os filhos nestes dias tão difíceis.

Orar para que os pais de seus netos saibam eleger as prioridades da vida.

Podem orar pela vida espiritual dos netos para que os mesmos façam uma decisão verdadeira por Cristo.

Em segundo lugar, Deus coloca os avós na família para que os mesmos passem o legado para as gerações futuras.

Falei ao avô preocupado que, durante o tempo em que neto passasse com ele, deveria dedicar tempo para conversar, contando, por exemplo, histórias da família, mostrando fotografias, contando histórias bíblicas e tantas outras coisas importantes na relação avós e netos.

Em terceiro lugar, os avós são importantes porque tem mais experiência da vida e podem ajudar os pais mais novos neste grande desafio que é educar crianças nos dias de hoje.

Avós podem, com sabedoria, conversar com os pais de seus netos sobre suas observações.

A atitude seria a mesma praticada por Jetro em relação ao genro Moisés.

Acho muito interessante a fala de Jetro quando disse: “não é bom o que fazes” (Êx 18.17).

Em nenhum momento Jetro desqualificou seu genro Moisés ou reprovou seu comportamento.

Embora este texto seja muito aplicado à liderança cristã, o princípio pode ser aplicado de um modo geral.

O avô preocupado foi orientado a ter um conversa amistosa e respeitosa com sua filha e genro e externasse suas preocupações, mas deixando sempre as decisões por conta deles.

Somente em circunstância muito especiais os avós devem assumir a responsabilidade de educar os netos. Esta responsabilidade é dos pais. Por mais que os avós percebam qualquer inadequações, não devem interferir, apenas, com sabedoria, conversar e aconselhar os pais de seus netos.

Muitas vezes ouvimos que os avós estragam os netos. Embora isto esteja no dito popular, não deve ser a realidade na relação com os netos.

Avós não devem desqualificar ou tirar a autoridade dos pais e nem contradizer os ensinamentos passados por eles aos seus netos.

Pode, sem nenhuma dificuldade, ser flexíveis e tolerantes, mas sem danificar os princípios disciplinares passados pelos pais.

Avós podem ser canais de bênçãos para seus netos, tal como Jacó foi para Efraim e Manassés (Gn 49).

Se os avós cristãos forem sábios, tementes a Deus, pacientes e conselheiros serão, nos dias de hoje, canais de bênçãos para seus descendentes, tal como Jacó.

Para refletir:

1 – Que avó ou avô, na Bíblia, você mais admira? Por quê?
2 – Como os avós podem abençoar os netos hoje?

Gilson Bifano, escritor e palestrante na área de casamento e família. Coach de casais e famílias.

Artigo publicado originalmente no site do Ministério Oikos. Reproduzido com permissão do autor.



Envelhecimento global da população

Por Jason Mandryk, Tom McCormick & Adriana Saldiba

ESTADO ATUAL E FUTURO DO ENVELHECIMENTO GLOBAL

James Hillman escreve: “O século XXI pode ou não ser marcado pela consciência ecológica, mas certamente será caracterizado pela sua população envelhecida.” 1 O envelhecimento global está ocorrendo rapidamente e, sem dúvida, será uma força modeladora no nosso mundo futuro.2 A Divisão de População das Nações Unidas estima que o número de pessoas com 65 anos ou mais deve dobrar nos próximos trinta anos, de modo que, até 2050, entre 16 a 22 por cento da população global terá 65 anos ou mais.

O envelhecimento global será variável regionalmente, mas permanecerá uma realidade constante.3 Mesmo na região demograficamente mais jovem, a África, a proporção daqueles com 65 anos ou mais em relação aos menores de 15 anos aumentará mais rapidamente (três vezes) do que na Europa (duas vezes) ou na América do Norte (duas vezes).4

Em resumo, conforme resumido pela Divisão de População da ONU do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais:

  1. O envelhecimento da população é sem precedentes — Não tem paralelo na história da humanidade, com um envelhecimento ainda mais rápido e intenso a caminho.
  2. O envelhecimento da população é onipresente – Trata-se de um fenômeno global que afeta todo homem, mulher e criança… embora de maneira distinta.
  3. O envelhecimento da população é profundo — Terá consequências e implicações significativas para todas as regiões do mundo, todas as camadas socioeconômicas e todos os aspectos da vida humana.
  4. O envelhecimento da população será duradouro — Não retornaremos às populações jovens de antes 5.

A população mundial está envelhecendo

O impacto desta maciça tendência demográfica será abrangente, afetando a economia, as normas socioculturais, os quadros morais e éticos, a infraestrutura de saúde, as migrações geográficas e as relações intergeracionais. O envelhecimento global também terá um impacto na igreja, no discipulado e na Grande Comissão. Assim, o envelhecimento global é uma realidade demográfica que apresenta a imperativa necessidade de uma resposta teológica e missiológica correspondente. No entanto, uma análise geral das iniciativas evangélicas em diferentes meios de comunicação, conferências e treinamentos revela que o envelhecimento global não tem sido uma alta prioridade, além de dignas iniciativas em pequena escala. A igreja pode se dar ao luxo de esperar que o envelhecimento global tenha um impacto significativo? Este relatório informa à igreja sobre a realidade, as oportunidades e os desafios do envelhecimento global, com a esperança de que ela permaneça fiel ao seu Senhor e à nossa Grande Comissão.

EFEITOS DO ENVELHECIMENTO GLOBAL

Efeitos econômicos e sociais

O envelhecimento global acarreta uma acumulação de encargos sociais, aumentando as populações economicamente não produtivas, esgotando os fundos de pensão e ampliando as necessidades de cuidados com a saúde.”6 

Preocupações médicas aliadas ao isolamento social intensificam os desafios econômicos. Nos Estados Unidos, estima-se um gasto adicional anual com o Medicare (para pessoas idosas) na ordem de 6,7 bilhões de dólares. Na China, devido às exigências de cuidados de longa duração para aqueles com 85 anos ou mais, alguns concluem que os cuidados de longa duração representam uma ameaça ao crescimento econômico do país. Dos indivíduos com 85 anos ou mais previstos para estar vivos em 2050, aqueles na China serão 1,4 vezes mais do que o total de pessoas vivendo em todo o mundo no ano 2000 e, até 2050, 26 por cento da população mundial com mais de 85 anos residirá na China, enquanto 8 por cento estarão nos EUA. 8  Já a China lidera mundialmente no número total de casos de demência, com 20 por cento dos casos globais, e 1.000.000 de novos diagnósticos por ano, estimando-se que 90 por cento não sejam diagnosticados. Até 2050, cerca de 50 por cento dos casos globais de demência estarão na China; 30 por cento nas Américas; 19 por cento na Europa e 16 por cento na África. Ao longo da história da igreja, os cristãos se dedicaram a cuidar daqueles em situação de necessidade especial, fundando hospitais para o cuidado físico e mental, leprosários, ministérios para cegos, surdos, deficientes, entre outros. O cuidado com a demência é uma área de necessidade especial em crescimento entre as pessoas idosas. Existem aproximadamente 9.900.000 novos casos em todo o mundo por ano, ou seja, um novo caso a cada 3,3 segundos.

A Razão de Dependência de Idosos agrava este desafio; ou seja, as porcentagens da população em idade ativa em comparação com aqueles que necessitam de cuidados de saúde dispendiosos ameaçam todas as regiões do mundo. 9Aliado a este desafio está o desafio relacionado aos membros da família responsáveis pelo suporte aos pais. Geralmente, os filhos da população mais velha estão inseridos no mercado de trabalho e também têm a responsabilidade de cuidar dos seus pais. A Razão de Apoio Parental indica a gravidade das mudanças demográficas: existem menos cuidadores adultos filhos em comparação com o número de pais que necessitam de apoio.

A Razão de Dependência de Idosos e a Razão de Suporte Parental exacerbam a pressão econômica sobre as famílias, mas, por outro lado, incentivam as residências multigeracionais que estão mais bem preparadas para se apoiarem mutuamente. Comunidades capazes de estabelecer relações interdependentes saudáveis entre gerações mostrarão maior resiliência diante dos desafios futuros.

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Notas
1. A Força do Caráter: E a Vida Duradoura (2000), p. xx.
2. As razões básicas são simples: diminuição da taxa de fecundidade (# de crianças / mulheres em idade fértil) e aumento da expectativa de vida. Para um gráfico simples , confira ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO MUNDIAL: 4>1950-2050, p. 5.
3. Confira https://www.researchgate.net/figure/Percentage-of-population-aged-60-years-or-over-by-region-from-1980-to-2050_fig4_344199610
4. Confira ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO MUNDIAL: 1950-2050, p. 16.
5. Resumo Executivo do Envelhecimento da População Mundial 1950-2050. Direitos Autorais © Nações Unidas 2002, Divisão de População, Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais.
6. O Fundo de População das Nações Unidas e a HelpAge International afirmam: “O envelhecimento da população é uma tendência global importante que está transformando economias e sociedades ao redor do mundo.” “Envelhecimento no século 21: Uma Celebração e um Desafio — Sumário Executivo.” 5 de outubro de 2012. https://www.helpage.org/resource/ageing-in-the-21st-century-a-celebration-and-a-challenge-executive-summary/.
7. Até 2025, 26% desses 85+ em todo o mundo estarão na China.
8. http://www.duke.edu/web/cpses/Dudley%20Poston.ppt
9. Na China, tem-se observado uma diminuição constante no número de adultos em idade produtiva, passando de 7,8 para o suporte econômico de cada idoso em 1985 para (projetado) 1,6 em 2050.

A caminho de casa – vida, fé e como terminar bem. Resenha

A caminho de casa, de Billy Graham, não é um livro de teologia, mas de sabedoria, escrito por um servo fiel de Deus que enfrenta com honestidade e graça os efeitos debilitantes da idade avançada. O subtítulo, Vida, fé e como terminar bem, é muito apropriado.

Embora organizado em dez capítulos, o livro segue um curso sinuoso. É como se, sentado ao lado de Graham, ele lhe transmitisse informalmente seus pensamentos. Há passagens de exposição das Escrituras e alguns conselhos práticos (como a importância de um testamento), mas a maior parte do livro é uma sabedoria simples sobre as realidades, físicas e espirituais, do envelhecimento e como lidar com elas.

Graham retorna várias vezes a diversos temas-chave: a importância de estar em paz com as limitações e realidades do envelhecimento, de continuar a ministrar e impactar as pessoas ao seu redor e de manter Cristo como o alicerce de sua vida. Em todo o livro, há dicas como:

“Que testemunho você está oferecendo às pessoas que o seguem? Lembrar-se do que Deus fez por você o revigorará na velhice. Os outros estão observando suas ações e atitudes. Não diminua o impacto que você pode causar; transmita as verdades fundamentais da Palavra de Deus.”

“Não importa quem sejamos, a aposentadoria nos apresenta duas opções. Podemos usá-la para nos satisfazermos, ou para causar impacto na vida de outras pessoas. Em outras palavras, a escolha que enfrentamos é entre a autoindulgência vazia e a atividade significativa.”

“A vida raramente é fácil à medida que envelhecemos, mas a velhice tem suas alegrias especiais – a alegria de passar tempo com a família e os amigos, a alegria de se livrar das responsabilidades que antes tínhamos e a alegria de desfrutar as pequenas coisas que antes não percebíamos. Mas, acima de tudo, à medida que aprendemos a confiar cada dia em nas mãos de Cristo, os anos dourados podem ser um período de aproximação dele. E essa é a maior alegria da vida.”

Embora eu tenha apenas 47 anos, encontrei muito nesse livro para refletir e considerar. Foi uma alegria lê-lo, e eu o recomendo de coração a qualquer pessoa que tenha idade avançada ou que esteja esperando ter um dia.

Resenha originalmente publicada no site Light Along the Journey.

Clique aqui e leia algumas páginas do livro A caminho de casa, de Billy Graham, em pdf.