Eu com Deus e Deus comigo

Por Wilfried Korber

São, essas duas posições, muito parecidas, mas não são iguais. Tentarei explicar o que penso e como sou consolado em ambos os casos.

“Eu com Deus” significa que eu me disponho a viver de acordo com a sua vontade. Meu contato com ele é através da oração e da prática diária nos meus afazeres, procurando fazer tudo o que ele espera de mim, da melhor forma possível. Procuro melhorar minha comunhão, que como com outros personagens bíblicos, deve ser com real intimidade. Meu exemplo nesse caso é Moisés, como está escrito em Êxodo, nos capítulos 19 e 20.18-21. Depois desses, segue outro encontro no capítulo 24 e ainda no capítulo 33.12-23. Quero destacar nesse último trecho o versículo 21, no qual Deus disse a Moisés: “Eis aqui um lugar junto a mim!”

Agora, com essa palavra de aconchego já estamos chegando à segunda expressão do título: “Deus comigo.” Isso significa que Deus está ao meu lado por iniciativa dele. Como mencionei antes, foi ele que disse a Moisés: “Eis um lugar junto a mim,” convidando-o a se aproximar. Em outras palavras, Deus está dizendo que a mão dele está estendida na direção de Moisés; ou ainda como mencionado em outra ocasião, que ele pode levá-lo sobre as suas asas. Outra figura é quando Deus diz que é possível encontrar abrigo na sombra de suas asas (Salmos 57.1; 63.7). Também no Salmo 91.1, Deus nos fala do abrigo à sua sombra.

Resumindo, quero considerar que uma é a posição quando eu vou em busca de Deus, e outra é quando Deus se coloca à minha disposição. Em ambos os casos estaremos juntos, e isso é maravilhoso.

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

Imagem: Unsplash.

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Entra na minha casa, por Wilfried Korber

Abençoados para abençoar, por Carlos Munhoz

Abençoados para abençoar

Por Carlos Munhoz

“1- Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós. 2- Para que se conheça na terra o teu caminho, e em todas as nações a tua salvação. 3- Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos” (Salmo 67.1-3, ARC)

Em seus três primeiros versos, o Salmo 67 traz três importantes reflexões:

PRIMEIRA: Clamor pela misericórdia, bênção de Deus e presença manifesta do abençoador

“Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós” (v. 1/1)

A quem o salmista clama pela misericórdia e bênção?

A Deus.

Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti”.

Deus deve ser a nossa primazia. Ele é a fonte de toda boa dádiva, de todo dom perfeito.

O Senhor Jesus recorria sempre a Deus Pai em oração. É a ele quem devemos sempre recorrer.

“Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós;” (v. 1/2)

Carecemos da misericórdia de Deus. De um coração arrependido e contrito na presença de Deus. Não é um pedido pessoal, mas coletivo.

“Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós;” (v. 1/3)

Pedimos isso para podermos abençoar, precisamos ser bênção, nos enchendo do Espírito Santo.

Bênção de Deus, não para retê-la para si, mas para compartilhá-la entre as nações, com o nosso próximo.

Somos como o mar da Galileia, que, ao receber as águas do Jordão, as distribui para irrigar os campos; nesse sentido, quem só recebe e a retem para si, torna-se sem vida como o mar Morto.

“Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós;” (v.1/4)

Precisamos da unção de Deus, da presença manifesta e inequívoca de Deus na nossa vida.

A bênção não é tudo o que o povo de Deus almeja: Ele quer mais, anseia pelo próprio abençoador.

SEGUNDA: Para abençoar vidas, fazendo Deus e o seu plano de salvação conhecido

“Para que se conheça na terra o teu caminho, e em todas as nações a tua salvação.” (v.2)

Abençoados para abençoar. Receber para compartilhar.

A bênção de Deus deve ser estendida a todas as famílias da Terra.

TERCEIRA: Louvá-lo e adorá-lo eternamente

“Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.” (v. 3)

O maior motivo para as missões e o evangelismo é um zelo apaixonado pelas almas mas, sobretudo, pela glória de Jesus Cristo.

Conclusão

Recebemos muitas bênçãos de Deus, mas não para as retermos para nós, mas para compartilharmos com todos.

Que em tudo na nossa vida e através dela, o Senhor, e tão somente Ele, receba toda honra, glória, louvor e adoração.

Que Deus abençoe muito a todos, cada vez mais, e que muitas vidas sejam abençoadas por meio deste maravilhoso Ministério Cristão 60+. E que o Senhor, tão somente ele, seja glorificado. Amém!

Carlos Munhoz, Carlos Munhoz, 65 anos, casado com Jenusa Munhoz, pai da Priscila e avô de Melissa e Joaquim, é membro da Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão e diretor do Espaço de Missões AMEI. Reside em São Paulo e é membro do Grupo Base do MC60+.

Imagem: Rio Jordão próximo ao mar da Galileia. Wikimedia.

A morte que nos toca viver e morrer

Por Ageu Heringer Lisboa

A morte é tão antiga quanto o surgimento da vida. É parte do incessante processo de reciclagem dos elementos da natureza. Positivamente, a biologia e a Bíblia nos lembram que nosso organismo tem prazo de validade estando programado para se desenvolver, cumprir seu desígnio e retornar ao seu nascedouro, a terra: “O pó deve voltar ao pó e o espírito voltar para Deus, que o deu” (Ec 12.7).

Esteticamente a morte está associada ao feio, à desvitalização progressiva, ao definhamento por doenças, originada por ataque de uma fera ou uma víbora, ou a espada do campo de batalha, trazendo febre, delírios, gemidos. E quando completa sua obra, tem-se a putrefação do corpo que precisa ser queimado ou enterrado para espantar outras mortes. Cenas que alimentaram o imaginário sombrio, frio, aterrorizante associado ao morrer em todas as culturas.

A intuição da finitude nos impacta e nos mobiliza, já que está presente em nossa imaginação e no profundo inconsciente pessoal e coletivo. Mas será sempre um assunto mórbido falar da morte? Mesmo quando temos enfermos graves em nossas famílias? O que se evita e interdita chama-se de tabu. Penso que de uma perspectiva da fé cristã, só por superstição, crendice, tabu sociocultural, culpa, medo e má teologia evitamos o assunto. Sim, a morte gera incômodos pois, positivamente, nascemos para viver e queremos viver o máximo de dias possíveis, com saúde e cercado de amizades e amores. E o desejo de eternidade está inscrito em nosso coração (Ec3.12). Mas, chega o dia em que ela se apresenta. Súbita ou lentamente.

Então vivemos, ainda hoje, com questões que acompanham a humanidade desde tempos imemoriais. A morte tem uma importância que se vê retratada nas culturas funerária dos povos, com tumbas, sarcófagos, pinturas, rituais e textos sagrados. Os vivos sempre se interrogam diante dela, símbolo de grande mistério, do desconhecido, com poder de nos assombrar. Impõe reverência. Reflete uma dimensão do sagrado, algo que atrai e aterroriza, que transcende o ordinário. Convida-nos a avaliar o sentido e o propósito da existência.

Encontramos uma fascinante e complexa variedade cultural de modos de vivenciar a morte de um ente querido ou de uma autoridade grupal e religiosa. Em alguns contextos antropológicos, a morte sacrificial de animais ou de humanos serviu de símbolo pactual entre grupos humanos, selando a paz, ou como oferenda a um Deus ou espírito com finalidade expiatória ou para obtenção de benevolência, boas colheitas, vitória em guerras.

Além do meio cultural que nos envolve com referências de como administrar a morte, voltando-nos para a dimensão familiar e pessoal do morrer, temos algumas tarefas a encarar para uma boa transição na última etapa do ciclo vital. Que ela não seja malvista nem fonte de terror. Incômoda, sim, mas…

Um dos pontos centrais de nossa fé bíblica, importa lembrar, é que a morte já foi tratada e resolvida em definitivo, histórica e fisicamente, por meio do sacrifício e ressurreição do Filho do Homem, Jesus, o Cristo de Deus. Este fato garante um novo início, com a biologia da ressurreição, que nos revestirá da incorruptibilidade e da imortalidade (1Co 15.50-54).

Então, garantidos pelo Ressurreto, podemos exercitar uma expectativa serena quanto à nossa terminalidade e a de nossos queridos.  E cuidar de tarefas prévias ao morrer. 

Sim, ninguém sabe quando partirá exatamente. Portanto, que tal estarmos sempre preparados para a chamada rumo à morada eterna? O sábio Coelét exortou jovens para se conectarem ao Criador, antes dos “dias maus e da morte”, desfrutar os prazeres simples da vida, temendo a Deus e guardando seus mandamentos, porque isto é o dever de cada pessoa” (Ec 12.13).

Quem sabe de sua hora?

Tarefas prévias ao morrer

Balanço existencial

Em qualquer idade devemos “contar os dias”, reconsiderar o vivido. Um corajoso e humilde ato de escuta da consciência, onde o Espírito que nos conhece fala, e temos oportunidade de nos enxergamos no íntimo e fazermos acertos com nós mesmos. Tempo e lugar para confissões, reconhecimentos, acordos com Deus e com pessoas. Meio para recebermos leveza de alma e paz de espírito.

Providências documentais

Válidas mesmo para um jovem de vinte anos, não só para um ancião enfermo: não deixe dívidas nem dúvidas sobre patrimônio, contas, partilhas de bens, desejos e acertos de qualquer natureza. Junte, confira e mantenha em local seguro documentação pessoal e familiar, de bens móveis e imóveis, certidões de nascimento, de casamento, de divórcio. Tenha um advogado de sua irrestrita confiança para elaboração de procuração registrada em cartório.

Previdência

Já que estamos sujeitos a adoecimento, acidentes, interrupção forçada de trabalho e movimentos implicando despesa hospitalar, enterro ou cremação, recomenda-se designar pessoa de íntima confiança para acompanhar decisões ou mesmo decidir por você caso fique impossibilitado/a. Compartilhe suas senhas e o mapa da mina!

Testamento vital

Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV) é um documento que registra as preferências de uma pessoa em relação a tratamentos e cuidados de saúde em caso de incapacidade de se expressar. Segundo Resolução do Conselho Federal de Medicina, “Poder escolher não ser submetido a tratamentos extraordinários de manutenção da vida na fase final de doenças como demência, insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica ou câncer, quando já não existe possibilidade de reversão do quadro”.

Este é tema importante pois muita gente tem dificuldade de aceitar que o ente querido precisa partir. Insistir em tratamentos que não irão reverter o quadro é infligir sofrimento ao paciente – distanásia ou esperar por milagre nem sempre é ajuizado nem expressão de amor! Mas, ressalte-se que “o cuidado deve continuar até o momento da morte, com ênfase no controle dos sintomas e na resolução de pendências”1.

Funerais – enterro ou cremação

Além do Sistema Único de Saúde (SUS), se possível tenha um plano de saúde, um seguro de vida e auxílio funeral. Sobre funerais, algumas prefeituras doam caixões. Deixe seus familiares orientados para que não sejam vítimas de despesas abusivas. Um caixão modelo standard/social (simples) pode ser encontrado em São Paulo, capital por valores que vão de R$ 147,00 a R$ 695,00. Quem quiser um modelo de luxo faz um PIX de 10 a 50 mil reais. Decida se vale enterrar dinheiro junto! Lembre-se que você já estará no céu!

Cada vez mais a preferência das famílias é por cremação. Simplifica-se o processo. Não há significativas objeções religiosas a não ser entre muçulmanos. E o custo é mais barato do que o do enterro tradicional. Recolhe-se as cinzas num pequeno vaso após dois a cinco dias.

Dimensão espiritual

Morrer costuma ser um processo. Simultâneo ao definhar físico, pode ocorrer uma revitalização espiritual quando a pessoa prestes a morrer se torna mais receptiva para receber afetos, a manifestar gratidão e abrir-se espiritualmente.

Estar na dependência de cuidadores e de aparelhos muda a percepção de si e dos outros. A vivência da absoluta fragilidade e a incerteza quanto ao futuro imediato desperta a consciência de muitos para a última decisão: ressignificar a existência pessoal. Devemos apoiá-los respeitando seu cansaço e limites, nos dispondo a ouvi-los, acolhendo suas queixas, medos e desejos. Podemos perguntar se desejam falar com alguém sobre algo de natureza íntima – uma confissão –, se têm um pedido a fazer, se gostariam de liberar perdão para alguém, se aceitam uma oração. A pessoa enferma tem direito a saber a verdade de sua condição, se perguntar. E os que a acompanham podem e devem dizer que são gratos pelo tempo de sua vida. Que a amam. Que ela siga na companhia de Jesus na travessia para o céu. E até breve!

Nota

1. Testamento vital permitirá às pessoas definirem limites terapêuticos na manutenção da vida. Site do Conselho Federal de Medicina.

Ageu Heringer Lisboa, 75 anos, psicólogo, mora em Campinas, SP. É autor de Sexo: Espiritualidade, Instinto e Cultura e organizador de Bíblia e Psique: Marcas Bíblicas na Psicologia e na Psiquiatria e membro-fundador do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC) e da Associação Internacional de Assessoramento e Pastoral Familiar (EIRENE) no Brasil. Ex-assessor da Aliança Bíblica Universitária (ABU), desde 1974 trabalha em clínica psicoterápica e exerce consultoria a ONGs sociais e equipes ministeriais.

Imagem: A dança da morte. Autor desconhecido, Século 16. Coleção do Museu Metropolitano de Arte.

Leia mais:

>> Saber envelhecer, Oswaldo Luiz Gomes Jacob

>> Não tenho medo da morte, Thomas Hahn

Virada de ano

Por Oseas Heckert

Senhor, ao começar este novo ano, ajuda-me a me aquietar nos Teus braços, e a abrir o meu coração para o que Tu tens preparado para mim no novo ano que vai começar.

CELEBRAÇÃO

Relembre momentos relevantes, conquistas, alegrias dos últimos meses.

Quem me encorajou? Quem me ajudou? Quem me inspirou com palavras e atitudes?

Demonstre sua gratidão a Deus com o Salmo 36.5-9:

O teu amor, Senhor, chega até os céus;

a tua fidelidade até as nuvens.

A tua justiça é firme como as altas montanhas;

as tuas decisões, insondáveis como o grande mar.

Tu, Senhor, preservas tanto os homens quanto os animais.

Como é precioso o teu amor, ó Deus!

Os homens encontram refúgio à sombra das tuas asas.

Eles se banqueteiam na fartura da tua casa;

tu lhes dás de beber do teu rio de delícias.

Pois em ti está a fonte da vida;

graças à tua luz, vemos a luz.

Em que me tornei melhor? Quais foram os aprendizados, novos hábitos adquiridos?

O que eu quero levar para o novo ano?

LAMENTO E ARREPENDIMENTO

Como fui afetado pelas agitações sociais e políticas nos últimos meses?

Quais foram os momentos mais difíceis e doloridos?

Reconheça a presença e o cuidado de Deus em meio a tudo o que passou.

Do que me arrependo de ter pensado, feito, dito, ou de ter me omitido?

Aproprie-se da compaixão e do perdão de Deus, com o Salmo 103.11-14: 

Pois como os céus se elevam acima da terra,

assim é grande o seu amor para com os que o temem;

e como o Oriente está longe do Ocidente,

assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões.

Como um pai tem compaixão de seus filhos,

assim o Senhor tem compaixão dos que o temem;

pois ele sabe do que somos formados;

lembra-se de que somos pó.

Ao entrar no novo ano, quais experiências/sentimentos quero deixar para trás?

Reflita sobre Hebreus 12.1,2:

Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.
 

Em que me considero menos capaz que os outros?

Tenho relutado em pedir ajuda? Por quê?

Senhor, ajuda-me a abandonar as coisas e emoções que atrapalham minha caminhada.

Ajuda-me a me livrar das mágoas e raízes de amargura.

Eu quero seguir livre de tudo isto no novo ano que começa.

Eu quero me livrar do pecado que tenazmente me assedia. 

Eu peço e recebo o Teu perdão. 

Ajuda-me a manter meus olhos fixos em Jesus, para eu seguir com perseverança a jornada que está posta diante de mim.

RECOMEÇO E RESOLUÇÕES

Receba a orientação de Deus. Ore com o Salmo 25.4-6:
Mostra-me, Senhor, os teus caminhos,

ensina-me as tuas veredas;

guia-me com a tua verdade e ensina-me,

pois tu és Deus, meu Salvador,

e a minha esperança está em ti o tempo todo.

Como eu me sinto diante do novo ano? Quais são as minhas expectativas?

Estou ansioso com relação a alguma coisa?

Abra seu coração diante de Deus.

Senhor, o que Tu queres de mim neste novo ano?

Como Tu queres que seja diferente?

Estás me convidando a desenvolver alguma nova disciplina espiritual?

Fala, Senhor, pois o teu servo está ouvindo. (cf 1 Samuel 3.10)

Observe o depoimento de Paulo aos Filipenses 3.12-14:]

Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

Reflita sobre Romanos 8.28: Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.

Mesmo quando você não perceber, Deus está trabalhando em sua vida.

Senhor, eu entrego a Ti o novo ano. Tu és o autor e consumador da minha fé. 

Eu me submeto à história que Tu estás escrevendo em mim e através de mim.

(Adaptado de Lectio 365)

Oseas Heckert é consultor de empresas e “aprendiz de poeta, ainda que tarde”. Escreve para www.antropogogia.net.

Leia mais:

“Ensina-nos a contar os nossos dias” , por Lili Yoshimoto

Nada é para sempre? , por Christian Gillis

Acolher o estranho e as nossas estranhezas

O que era estranho, passa a ser um “nosso”

Por Tânia de Medeiros Wutzki

Desde que conheci a realidade das pessoas em situação de refúgio, a causa me mobiliza.

Tenho aprendido com a teologia migrante, a perspectiva bíblica tanto sobre sermos acolhedores como princípios para o acolhimento. Aprendi que somos todos peregrinos, cidadãos de outro reino, e muitos de nós migramos ou nossos antepassados foram migrantes internos ou de fora do país. Como diz o slogan da Missão MAIS “Não são eles, somos nós”. Neste tempo, tenho percebido, também, avanços nas políticas públicas de acolhimento que orientam os serviços, algumas com influência/incidência de organizações cristãs. É bonito ver o que igrejas e organizações têm feito neste segmento.

Entre os conceitos bíblicos que dão base para a nossa prática está o da hospitalidade.

Vou citar apenas um texto: “Pratiquem a hospitalidade” (Rm 12.13b). Paulo inclui a hospitalidade na lista dos aspectos fundamentais para a vida cristã

A hospitalidade bíblica não se refere apenas a uma casa aberta, mas também a outras dimensões como espaço na agenda, tempo para escuta e liberalidade financeira.

Na minha caminhada, aprendi que a palavra hospitalidade no grego é philoxenia – que significa amigo do estranho, do estrangeiro. A Bíblia amplia bem mais o sentido da hospitalidade, que não é receber apenas nossos amigos, irmãos e irmãs, família estendida; é receber o estranho, aquele que desconheço ou que me desafia porque é diferente daqueles com quem convivo.

Acolher o estranho na sociedade, na comunidade, na igreja e na família é o desafio dos seguidores de Jesus.

O objetivo da hospitalidade e do acolhimento é o pertencimento, quando o que era estranho, passa a ser um “nosso”.

O contrário da philoxenia é uma palavra que não gostamos de ouvir, mas está presente em nossa sociedade: xenofobia – medo ou aversão ao estranho. Infelizmente pessoas em situação de refúgio vivenciam a xenofobia com frequência.

Recentemente, li uma reflexão que acrescentou uma outra dimensão na prática cristã da hospitalidade.

A abadessa Christine Valters Paintner nos convida a redescobrir a hospitalidade como um ato radical de pertencimento que começa dentro de nós.

Com base nos ensinos dos monges do deserto, pais da igreja, ela afirma que a prática da hospitalidade não é só com o outro, das relações externas da nossa vida, mas também conosco mesmos, com nossa vida interior, com as estranhezas que surgem ao longo da vida, fraquezas que nos desestruturam, nos tiram do eixo.

Christine nos convida: e “se, quando a vida começasse a desmoronar, eu abrisse meu coração para acolher a dor e o medo que também chegam, e se eu convidasse todos os sentimentos dolorosos de perda e desorientação para um chá com ternura?”

Quando acolhemos os nossos sentimentos estranhos, nos tornamos mais sensíveis para acolher o outro, estranho. A hospitalidade também pode ser uma experiência de dentro para fora, interna e externa.

Esta fase da vida 60+ pode nos trazer algumas estranhezas, sentimento de insegurança, fragilidade e incertezas.

Entre as estranhezas podemos encontrar, talvez, uma agenda que tem mais consultas e exames do que gostaríamos:

Talvez a solidão por não ter mais os relacionamentos do mundo do trabalho e o “ninho vazio”.

Talvez mais reflexão e pensamentos sobre a morte.

Talvez a constatação de que o corpo não está mais tão alinhado com a mente.

Talvez nossa tendência seja reclamar, rejeitar, negar estas estranhezas. Mas podemos ser hospitaleiros, acolhê-las (tomar um chá com elas) e depois, com serenidade, sabedoria e em oração, discernir, tomar decisões e lidar com elas de maneira acertada.

Meu desejo e oração é que nós, a partir da hospitalidade e do acolhimento das nossas estranhezas, estejamos abertos, sensíveis e disponíveis para acolher aqueles que o Senhor colocar em nosso caminho.

Tânia de Medeiros Wutzki foi coordenadora dos projetos sociais da FEPAS na Convenção Batista Independente, é conselheira da Rede Evangélica Nacional de Ação Social/RENAS, integra o grupo gestor do Projeto Retalhos de Esperança e o grupo base do Movimento 60+.

Imagem: Unsplash.

Leia mais:

>> Envelhecimento, deserto e oásis, por Tânia de Medeiros Wutzki

A saúde como fundamento de uma vida plena

“Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” (João 10.10)

Por Jorge Cruz

Ter uma boa saúde é o desejo de praticamente todas as pessoas, seja qual for o local onde vivem, a sua língua ou cultura. Em 1948, a Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou um conceito de saúde como sendo o “estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não só a ausência de doença ou enfermidade”. Esta definição tem a virtude de reconhecer que não basta o corpo estar bem para se ter saúde. Há outras dimensões que devem ser consideradas, entre as quais a dimensão mental e a social. Contudo, a definição de saúde da OMS parece-me irrealista e mesmo ingênua, pois não é de esperar que cada pessoa esteja a maior parte do tempo neste estado de completo bem-estar físico, mental e social, que mais se assemelha a um estado de êxtase ou de felicidade absoluta. Além disso, há situações em que a pessoa tem uma doença e pode não ter nenhum sinal ou sintoma, como acontece geralmente na hipertensão arterial e em estados iniciais de câncer.

Galeno, um famoso médico grego do século 2 da era cristã, apresentou uma definição de saúde bastante realista e equilibrada. Galeno considera a saúde o “estado em que nos sentimos capazes de fazer as coisas que desejamos fazer, com o mínimo de dor e desconforto”. É uma espécie de meio termo entre a doença incapacitante e uma saúde perfeita de difícil alcance. Nesse sentido, uma pessoa pode considerar-se saudável apesar de alguns condicionalismos de natureza física ou mental, desde que não a impeçam de realizar os seus projetos de vida.

Em 1984, na 37.ª Assembleia-Geral da OMS, foi aprovada a inclusão da dimensão espiritual na definição de saúde desta organização, embora não tenha sido adotada nos documentos oficiais de forma generalizada.

O que a Bíblia diz?

A Palavra de Deus revela o enorme valor da vida humana aos olhos do Criador, desde a concepção até à morte natural (Gn 1.27, Êx 20.13, Sl 139). Encontramos também nas Escrituras Sagradas algumas recomendações para promover a saúde física, mental e espiritual das pessoas.

O conceito hebraico de saúde (shalom) é mais dinâmico e abrangente que a definição da OMS, pois não só considera o ser humano uma entidade biopsicossocial e espiritual, como inclui a noção de plenitude, felicidade, prazer, paz e bem-estar, numa vertente pessoal e comunitária.

Na perspetiva bíblica, a dimensão espiritual é a base de todas as outras, não sendo possível haver saúde integral sem um relacionamento saudável com Deus e com o próximo. Além disso, este estado de saúde (shalom) só será totalmente desfrutado quando o Reino de Deus for finalmente estabelecido para sempre (cf. Fp 3.21, Ap 21.4).

A doença não faz parte dos planos originais do Criador, mas foi uma consequência da desobediência do homem e da mulher no Jardim do Éden (Gênesis 1-3). Parece teologicamente correto afirmar que as doenças estão direta ou indiretamente relacionadas com a atividade do diabo e das hostes demoníacas (cf. Jó 1-2). Como resultado da expulsão do Paraíso, a doença passou a fazer parte da condição humana. O ministério da redenção do Senhor Jesus Cristo também contempla a cura e libertação da doença e de todas as amarras dos poderes das trevas (Lc 4.18-19).

Paulo recorda aos coríntios, e a cada um dos crentes, que o nosso corpo físico, embora temporário, é onde o Espírito Santo habita, e por conseguinte, somos responsáveis perante Deus pelo modo como cuidamos dele. Diz o apóstolo: “Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co 6.19-20).

Uma forma de se promover a saúde, e uma das primeiras a ser estabelecidas por Deus, é a necessidade de descansarmos, não apenas durante o sono mas também um dia por semana: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra…” (Êx 20.8-10).

Há também inúmeras advertências na Palavra de Deus acerca dos malefícios do consumo de bebidas alcoólicas, como p. ex. Provérbios 23.29-33.

A moderação e autodomínio são virtudes cristãs (cf. Gl 5.22, Fp 3.18-19) que podem ser aplicadas à forma equilibrada como nos devemos alimentar e a todas as áreas da vida. Lemos em Provérbios 25.16: “Achaste mel? Come o que te basta; para que, porventura, não te fartes dele, e o venhas a vomitar”.

Uma atitude de gratidão e contentamento por todas as dádivas que recebemos de Deus (cf. 1Ts 5.18), e a entrega dos problemas e preocupações ao Senhor, em oração, são outras maneiras de desenvolvermos a nossa saúde mental e emocional, e combatermos o estresse. Paulo exortou os Filipenses: “Não estejais inquietos por coisa alguma, antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas, diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Fp 4.6-7).

Evidências científicas

Contrariamente ao que defendia Freud, que a religião era a causa de neuroses e outras perturbações mentais, é hoje reconhecido o papel altamente positivo da fé para a saúde das pessoas.

O Dr. Harold Koenig, psiquiatra americano, na sua obra autobiográfica The Healing Connection, relata como experimentou a cura de problemas mentais de que padecia desde a adolescência, a partir do momento em que entregou a sua vida a Jesus (p.87). É atualmente um dos principais pesquisadores, a nível mundial, sobre os efeitos da fé e prática religiosas na saúde física e mental, sendo autor e coautor de mais de 35 livros e de centenas de artigos científicos sobre o assunto.

As evidências científicas dos benefícios para a saúde das crenças religiosas, com destaque para a fé cristã, são avassaladoras. Incluem redução da incidência de ansiedade e depressão, consciência do sentido da vida, recuperação mais rápida de estados depressivos e outros problemas de saúde, menor consumo de álcool, tabaco e outras substâncias nocivas, sistema imunitário mais robusto, menor incidência de hipertensão arterial, menores taxas de suicídio, e uma atitude de maior otimismo e esperança em relação ao futuro. Há igualmente uma correlação estatisticamente significativa entre o grau de envolvimento religioso e a mortalidade em geral. As pessoas mais envolvidas nas suas comunidades de fé vivem mais tempo que as que têm uma postura mais passiva e menos participativa na sua igreja local. Um estudo realizado entre afro-americanos revelou que os que participavam nas atividades religiosas mais do que uma vez por semana tinham uma esperança de vida 14 anos superior aos que não frequentavam a igreja (Koenig, p. 133).

O principal problema encontrado entre os cristãos, que se repercute negativamente na saúde, é o excesso de peso, para o que poderá contribuir a participação regular em eventos sociais nas igrejas, envolvendo alimentos ricos em açúcar e gordura e altamente calóricos.

Como melhorar a saúde?

As doenças cardiovasculares e oncológicas, as duas principais causas de morte no mundo, são influenciadas por fatores de risco comportamentais relacionados com o estilo de vida. Cerca de 20% dos vários tipos de câncer estão relacionados com o consumo de tabaco, 10% com o excesso de peso e 8% com o consumo de bebidas alcoólicas. Algumas formas de prevenir estas doenças são uma alimentação saudável, controlar o peso e a tensão arterial, praticar exercício físico, ter bons hábitos de sono, evitar o consumo de álcool, não consumir tabaco, evitar comportamentos de risco (p. ex. na circulação rodoviária) e fazer periodicamente exames de rastreio sob supervisão médica.

A obesidade, considerada uma epidemia dos tempos modernos, é infelizmente cada vez mais frequente entre os cristãos. Alguns dos problemas de saúde relacionados com o excesso de peso são a hipertensão arterial, a doença coronária, o acidente vascular cerebral, a diabetes tipo 2, vários tipos de câncer, lesões osteoarticulares, infertilidade, asma, depressão, doenças renais e hepáticas, e a apneia do sono.

Pequenas mudanças na forma como nos alimentamos poderão fazer uma grande diferença no controle do excesso de peso e na melhoria do estado de saúde. Algumas das mais importantes incluem: fazer uma alimentação variada, aumentar o consumo de vegetais, reduzir o consumo de hidratos de carbono e açúcar, evitar o consumo de alimentos ultraprocessados (refrigerantes, biscoitos, salsichas, etc.), e incluir alimentos fermentados na dieta (kefir, kombucha, etc.). Para quem não é diabético e não tem outras doenças que o impeçam, é aconselhável fazer uma pausa alimentar diária de 12-14h, incluindo o período de sono noturno.

Conclusão

Todos os cristãos nascidos de novo podem estar seguros de que receberão novos corpos quando o Senhor Jesus voltar (1Co 15.40-44), adequados para viverem na Sua presença nos novos céus e nova terra. Mas enquanto vivermos neste mundo, para podermos cumprir cabalmente o nosso chamado e missão, somos responsáveis pela nossas ações, nomeadamente pela forma como cuidamos (ou não) da nossa saúde.

O plano de Deus para cada um dos Seus filhos é que tenham uma vida plena e abundante (Jo 10.10), neste mundo e na eternidade, que se traduz numa boa saúde e bem-estar, a nível físico, mental, social e espiritual. As recomendações milenares que encontramos na Palavra de Deus continuam a ser relevantes para desfrutarmos de boa saúde, na nossa sociedade moderna, tal como têm sido ao longo da história da humanidade. E, como seria de esperar, têm sido corroboradas por inúmeros estudos científicos.

Jorge Cruz é médico especialista em angiologia e cirurgia vascular, doutor em bioética, membro do Comitê de Países de Língua Portuguesa da International Christian Medical & Dental Association (ICMDA), membro honorário da Associação Cristã Evangélica de Profissionais de Saúde (ACEPS-Portugal), membro do Conselho Internacional da PRIME – Partnerships in International Medical Education. Mora em Porto, Portugal.

Bibliografia

Bunn, A. & Randall, D. (2011). Health benefits of Christian faith. CMF Files 44. Christian Medical Fellowship. https://www.cmf.org.uk/resources/publications/content/?context=article&id=25627

Fergusson, A. (1993). Health: The strength to be human. Inter-Varsity Press.

Koenig, H. G. & Lewis, G (2000). The Healing Connection: The story of a physician’s search for link between faith and science. Templeton Foundation Press.

Saunders, P. (2014). The Human Journey: Thinking biblically about health. Christian Medical Fellowship.

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Celebração de 90 anos do Instituto Bíblico Betel Brasileiro inclui lançamento de pedra fundamental do Lar Doris Woodley

Casa de apoio acolherá missionárias idosas e ex-alunas do Betel

Entre as diversas atividades em comemoração aos 90 anos do Instituto Bíblico Betel Brasileiro (IBBB), o lançamento da pedra fundamental do Lar Doris Woodley marcou o evento de maneira especial.

O Lar será uma casa de apoio para missionárias idosas e ex-alunas do Betel Brasileiro, e o nome escolhido é uma homenagem à missionária Doris Woodley que dedicou trinta anos de serviço na formação de obreiras ao lado das missionárias Ernestine Horne e Lídia Almeida, fundadoras do Betel Brasileiro.

O evento de lançamento da pedra fundamental foi organizado pela Dra. Durvalina Barreto Bezerra, diretora do CETEMIBB, com ampla participação da comunidade betelina, incluindo a missionária Eva Rêgo, presidente do Instituto Bíblico Betel Brasileiro, que destacou a importância do projeto para a missão de amparo às missionárias.

O Lar recebeu como doação o projeto da casa feito por uma arquiteta, um engenheiro que assumiu a obra, o acompanhamento da obra pelo tesoureiro do IBBB e investimentos de amigos, ex-alunos.

Instituto Bíblico Betel Brasileiro – uma história que começou com fé e sacrifício
Em 29 de fevereiro de 1934, Nelie Ernestine Horne, missionária canadense, desembarcou no Porto de Recife, PE, trazendo um sonho plantado por Deus em seu coração. No ano seguinte, em 1935, ela fundou o Instituto Bíblico Betel na cidade de Patos, no interior da Paraíba, com o objetivo de preparar mulheres brasileiras para o evangelismo e a educação cristã.

Em 1968, a professora Lídia Almeida de Menezes assumiu a liderança, oficializou o nome “Betel Brasileiro” e transferiu a sede para João Pessoa, PB. Foi sob sua gestão que a primeira turma oficial se formou em 1969, com alunas como Iris Almeida, Dion Fernandes e Duvalina Bezerra.

Atualmente, o Betel possui 27 polos espalhados pelo Brasil, 2 unidades no exterior, 312 professores e mais de 1.432 alunos de centenas de igrejas e denominações. O ensino a distância, oferecido pela plataforma EDBEL, alcança outros quatrocentos alunos no Brasil e em diversos países. Desde sua fundação, a instituição já formou mais de 4 mil alunos, que atuam como pastores, missionários, tradutores bíblicos, professores e líderes em todos os continentes.

Lâmpadas com pouco azeite

Por Wilfried Korber

Das dez virgens que saíram a encontrar-se com o noivo, cinco se descuidaram, e esqueceram de levar azeite suficiente para suas lâmpadas. O encontro seria no meio da noite, e não havia iluminação pública.

Diz, então, a Palavra de Deus em Mateus 25.3-8: “Surpreendidas, porque haviam adormecido, disseram às outras cinco companheiras: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando.” Elas haviam adormecido e não vigiado. O noivo veio no meio da noite e elas estavam despreparadas.

Que lição temos a aprender?

O noivo (Jesus) está chegando (muito em breve). O dia e a hora ninguém sabe. Precisamos estar preparados e vigilantes. As lâmpadas acesas representam nossa vida de fé e ação. Sem luz, ficamos no escuro. Acabamos numa situação comparável aos irmãos de Laodiceia, que se consideravam ricos e suficientes, mas Jesus lhes disse: “… nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”. Ou então, ainda, como os de Éfeso, aos quais Jesus disse: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; e, senão, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. Nesses dois casos, apesar da situação, vislumbrava-se uma possibilidade de restauração, mas na parábola de Jesus, o noivo declarou às cinco néscias: “Eu em verdade vos digo, que não vos conheço!” E fechou-se a porta. Escrevi esse comentário para lembrar que Jesus está voltando, e precisamos estar preparados. No meio do povo de Deus, infelizmente, encontramos aqueles cujas lâmpadas estão vazias, e não há azeite disponível na chegada do noivo. As prudentes não vão poder ceder do seu azeite, pois poderá faltar para elas. Todo cuidado é pouco. O azeite corresponde a uma vida de comunhão com Deus. É o Seu Espírito em nós.

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

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Nossas palavras têm poder

Devemos fazer bom uso da comunicação, glorificando a Deus com nossas palavras

Por Elisa Maria Ferraz Arruda Medeiros

A nossa palavra tem poder. Creio que nossos desejos também procedem do coração e estão ligados às nossas palavras as quais se tornam em confissões faladas.

Creio porque a palavra de Deus me dá essa certeza:

“Fomos criados a sua imagem e semelhança

“A boca fala do que está cheio o coração

e ainda porque

“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.9).

Com o coração cremos e com a boca confessamos o que cremos o que está no coração e, a partir daí, essas palavras podem se transformar em atos.

Nosso coração é o cofre onde depositamos sonhos, projetos desejos e por isso precisa ser vigiado verificando se o que há nele é bom ou ruim.

Como nos orienta Salomão em um dos seus provérbios: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv. 4.23).

Por isso devemos observar nosso coração, discernir seus desejos e atentar para as palavras que falamos, pois os resultados de todas as coisas que ocorrem em nossas vidas são as colheitas das sementes que plantamos com nossas palavras.

Deus nos deu as palavras para que falássemos, sempre, com responsabilidade, conscientes do poder que elas liberam.

A comunicação é uma arte e temos necessidade de usá-la todos os dias.

A linguagem que mais usamos para nos comunicar é a palavra falada ou escrita, que pode ser boa ou ruim, embora, possamos nos comunicar de várias maneiras: podemos falar pelo olhar, pelos gestos, pelo andar, pelo que escrevemos, pelo pisar e até pelo tom da nossa voz.

Quando eu e minhas irmãs éramos crianças, bastava um olhar de minha mãe para sabermos o que queria nos dizer.

Hoje quando temos intimidade com alguém também usamos a linguagem do olhar, basta um olhar para a outra pessoa saber o que pensamos sobre o que está a nossa volta.

Com quais palavras estamos enchendo nosso coração

Dizem que Gabriel Garcia Márquez, canceroso, em um de seus textos despedindo-se da vida escreve que se Deus lhe desse o alongar da sua vida, “possivelmente não diria tudo que penso, mas definitivamente pensaria em tudo que digo”.

A comunicação é um dos maiores presentes dados por Deus, por isso devemos fazer o bom uso desse presente, glorificando-o com nossas palavras.

Quando falamos, nossos pensamentos transformam-se em palavras e, muitas vezes, nossas palavras transformam-se em ações.

Quando falamos estamos agindo no mundo espiritual, nossas palavras são cheias de desejos, força e determinação, por isso é muito importante prestar atenção nas palavras que proferimos, pois estamos expondo nosso interior, nosso coração.

Quando planejamos algo e passa por nosso pensamento que fracassaremos, e esse pensamento começa a tirar a nossa paz, podemos ter a certeza que fracassaremos.

O que devemos fazer então? Que atitudes tomar?

Trocar as palavras negativas que o mundo, as pessoas e as vezes nossa família colocaram em seu coração, e encha-o de palavras boas, transformando-as em uma arma espiritual falada, palavras faladas por Deus, mudando nossa mente como nos orienta Paulo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis qual seja a boa, e perfeita vontade de Deus” (Rm.12.2).

Quando fazemos isso, tanto nossos corações, como nossos lábios estão em harmonia com a palavra de Deus. Somos um com o Pai, como era o desejo de Jesus na oração feita por ele no evangelho de João 17.21.

É importante retirar do nosso coração ou da nossa mente as palavras negativas porque elas, muitas vezes, nos convencem que somos fracassados, medrosos, de que não somos ninguém e outros adjetivos, cuja função é transformar nosso coração em pedra, endurecido e maldoso.

Se somos tudo isso devemos pedir ao Senhor que troque esse coração de pedra por um coração de carne.

Elisa Maria Ferraz Arruda, 80 anos, membro da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, PR.

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Não só de remédios vive o idoso

De agora em diante, vivam o resto da sua vida aqui na terra de acordo com a vontade de Deus

Por Elben César

Na carta dirigida ao povo de Deus espalhado por várias províncias da Turquia, Pedro não se mostra preocupado com a saúde, a segurança e o bem-estar dos idosos. Ele não dá os costumeiros conselhos: tomem o remédio certo na hora certa, não comam demais, cuidado para não cair, andem devagar, distraiam-se etc. A preocupação do apóstolo é com a vida espiritual daqueles que estão em idade avançada:

“De agora em diante, vivam ‘o resto da sua vida’ aqui na terra de acordo com a vontade de Deus e não se deixem dominar pelas paixões humanas” (1Pe 4.2, NTLH).

Em vez de “resto da vida”, outras versões preferem dizer: “resto da sua vida corporal” (HR), “resto da vida mortal” (CT), “resto de seus dias na carne” (BJ), “resto do tempo cá na terra” (J. B. Phillips), “restante de sua vida corporal” (CNBB).

Esses idosos estão na etapa final da jornada, da peregrinação e da estadia. Eles ainda estão no exílio, ainda são migrantes, ainda se acham fora da pátria, ainda são peregrinos e forasteiros. Porém estão, naturalmente, mais próximos da Canaã celestial do que os outros.

Não é apenas neste versículo que Pedro se dirige aos idosos. No primeiro capítulo da carta ele escreve: “Durante o resto da vida de vocês aqui na terra tenham respeito a ele” ou “portem-se com temor” (1Pe 1.17).

Teriam sido necessárias essas advertências do apóstolo dirigidas a pessoas de idade avançada e limitadas em seu vigor físico? À luz do Eclesiastes, Pedro tem toda razão: “O coração do homem está cheio de maldade e de loucura durante ‘toda a vida’” (Ec 9.3). Segundo Lutero, a inclinação para o mal, com a qual todos nascem, “não pode ser extinta enquanto vivemos – pode ser diminuída dia a dia, mas extinta não pode”.

Pedro reforça a sua exortação com um argumento válido: “No passado vocês [os agora idosos] já gastaram bastante tempo fazendo o que os pagãos gostam de fazer. Naquele tempo vocês viviam na imoralidade, nos desejos carnais, na bebedeira, nas orgias, na embriaguez e na nojenta adoração de ídolos” (1Pe 4.3). Com a conversão, ocorrida algum tempo antes, os idosos da diáspora foram libertados do poder da escuridão e trazidos em segurança para outra esfera de vida, para a maravilhosa luz de Cristo (1Pe 2.9; Cl 1.13). Para compensar o “bastante tempo” na carne, os velhinhos de Pedro deveriam viver o resto de seus dias no Espírito!

Elben César (1930-2016), fundador e diretor-redator de Ultimato.

Artigo publicado originalmente na edição 333 de Ultimato. Reproduzido com permissão.

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