Celebração de 90 anos do Instituto Bíblico Betel Brasileiro inclui lançamento de pedra fundamental do Lar Doris Woodley

Casa de apoio acolherá missionárias idosas e ex-alunas do Betel

Entre as diversas atividades em comemoração aos 90 anos do Instituto Bíblico Betel Brasileiro (IBBB), o lançamento da pedra fundamental do Lar Doris Woodley marcou o evento de maneira especial.

O Lar será uma casa de apoio para missionárias idosas e ex-alunas do Betel Brasileiro, e o nome escolhido é uma homenagem à missionária Doris Woodley que dedicou trinta anos de serviço na formação de obreiras ao lado das missionárias Ernestine Horne e Lídia Almeida, fundadoras do Betel Brasileiro.

O evento de lançamento da pedra fundamental foi organizado pela Dra. Durvalina Barreto Bezerra, diretora do CETEMIBB, com ampla participação da comunidade betelina, incluindo a missionária Eva Rêgo, presidente do Instituto Bíblico Betel Brasileiro, que destacou a importância do projeto para a missão de amparo às missionárias.

O Lar recebeu como doação o projeto da casa feito por uma arquiteta, um engenheiro que assumiu a obra, o acompanhamento da obra pelo tesoureiro do IBBB e investimentos de amigos, ex-alunos.

Instituto Bíblico Betel Brasileiro – uma história que começou com fé e sacrifício
Em 29 de fevereiro de 1934, Nelie Ernestine Horne, missionária canadense, desembarcou no Porto de Recife, PE, trazendo um sonho plantado por Deus em seu coração. No ano seguinte, em 1935, ela fundou o Instituto Bíblico Betel na cidade de Patos, no interior da Paraíba, com o objetivo de preparar mulheres brasileiras para o evangelismo e a educação cristã.

Em 1968, a professora Lídia Almeida de Menezes assumiu a liderança, oficializou o nome “Betel Brasileiro” e transferiu a sede para João Pessoa, PB. Foi sob sua gestão que a primeira turma oficial se formou em 1969, com alunas como Iris Almeida, Dion Fernandes e Duvalina Bezerra.

Atualmente, o Betel possui 27 polos espalhados pelo Brasil, 2 unidades no exterior, 312 professores e mais de 1.432 alunos de centenas de igrejas e denominações. O ensino a distância, oferecido pela plataforma EDBEL, alcança outros quatrocentos alunos no Brasil e em diversos países. Desde sua fundação, a instituição já formou mais de 4 mil alunos, que atuam como pastores, missionários, tradutores bíblicos, professores e líderes em todos os continentes.

Lâmpadas com pouco azeite

Por Wilfried Korber

Das dez virgens que saíram a encontrar-se com o noivo, cinco se descuidaram, e esqueceram de levar azeite suficiente para suas lâmpadas. O encontro seria no meio da noite, e não havia iluminação pública.

Diz, então, a Palavra de Deus em Mateus 25.3-8: “Surpreendidas, porque haviam adormecido, disseram às outras cinco companheiras: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando.” Elas haviam adormecido e não vigiado. O noivo veio no meio da noite e elas estavam despreparadas.

Que lição temos a aprender?

O noivo (Jesus) está chegando (muito em breve). O dia e a hora ninguém sabe. Precisamos estar preparados e vigilantes. As lâmpadas acesas representam nossa vida de fé e ação. Sem luz, ficamos no escuro. Acabamos numa situação comparável aos irmãos de Laodiceia, que se consideravam ricos e suficientes, mas Jesus lhes disse: “… nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”. Ou então, ainda, como os de Éfeso, aos quais Jesus disse: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; e, senão, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. Nesses dois casos, apesar da situação, vislumbrava-se uma possibilidade de restauração, mas na parábola de Jesus, o noivo declarou às cinco néscias: “Eu em verdade vos digo, que não vos conheço!” E fechou-se a porta. Escrevi esse comentário para lembrar que Jesus está voltando, e precisamos estar preparados. No meio do povo de Deus, infelizmente, encontramos aqueles cujas lâmpadas estão vazias, e não há azeite disponível na chegada do noivo. As prudentes não vão poder ceder do seu azeite, pois poderá faltar para elas. Todo cuidado é pouco. O azeite corresponde a uma vida de comunhão com Deus. É o Seu Espírito em nós.

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

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>> Entra na minha casa, por Wilfried Korber

>> Não só de remédios vive o idoso, Elben César

Nossas palavras têm poder

Devemos fazer bom uso da comunicação, glorificando a Deus com nossas palavras

Por Elisa Maria Ferraz Arruda Medeiros

A nossa palavra tem poder. Creio que nossos desejos também procedem do coração e estão ligados às nossas palavras as quais se tornam em confissões faladas.

Creio porque a palavra de Deus me dá essa certeza:

“Fomos criados a sua imagem e semelhança

“A boca fala do que está cheio o coração

e ainda porque

“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.9).

Com o coração cremos e com a boca confessamos o que cremos o que está no coração e, a partir daí, essas palavras podem se transformar em atos.

Nosso coração é o cofre onde depositamos sonhos, projetos desejos e por isso precisa ser vigiado verificando se o que há nele é bom ou ruim.

Como nos orienta Salomão em um dos seus provérbios: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv. 4.23).

Por isso devemos observar nosso coração, discernir seus desejos e atentar para as palavras que falamos, pois os resultados de todas as coisas que ocorrem em nossas vidas são as colheitas das sementes que plantamos com nossas palavras.

Deus nos deu as palavras para que falássemos, sempre, com responsabilidade, conscientes do poder que elas liberam.

A comunicação é uma arte e temos necessidade de usá-la todos os dias.

A linguagem que mais usamos para nos comunicar é a palavra falada ou escrita, que pode ser boa ou ruim, embora, possamos nos comunicar de várias maneiras: podemos falar pelo olhar, pelos gestos, pelo andar, pelo que escrevemos, pelo pisar e até pelo tom da nossa voz.

Quando eu e minhas irmãs éramos crianças, bastava um olhar de minha mãe para sabermos o que queria nos dizer.

Hoje quando temos intimidade com alguém também usamos a linguagem do olhar, basta um olhar para a outra pessoa saber o que pensamos sobre o que está a nossa volta.

Com quais palavras estamos enchendo nosso coração

Dizem que Gabriel Garcia Márquez, canceroso, em um de seus textos despedindo-se da vida escreve que se Deus lhe desse o alongar da sua vida, “possivelmente não diria tudo que penso, mas definitivamente pensaria em tudo que digo”.

A comunicação é um dos maiores presentes dados por Deus, por isso devemos fazer o bom uso desse presente, glorificando-o com nossas palavras.

Quando falamos, nossos pensamentos transformam-se em palavras e, muitas vezes, nossas palavras transformam-se em ações.

Quando falamos estamos agindo no mundo espiritual, nossas palavras são cheias de desejos, força e determinação, por isso é muito importante prestar atenção nas palavras que proferimos, pois estamos expondo nosso interior, nosso coração.

Quando planejamos algo e passa por nosso pensamento que fracassaremos, e esse pensamento começa a tirar a nossa paz, podemos ter a certeza que fracassaremos.

O que devemos fazer então? Que atitudes tomar?

Trocar as palavras negativas que o mundo, as pessoas e as vezes nossa família colocaram em seu coração, e encha-o de palavras boas, transformando-as em uma arma espiritual falada, palavras faladas por Deus, mudando nossa mente como nos orienta Paulo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis qual seja a boa, e perfeita vontade de Deus” (Rm.12.2).

Quando fazemos isso, tanto nossos corações, como nossos lábios estão em harmonia com a palavra de Deus. Somos um com o Pai, como era o desejo de Jesus na oração feita por ele no evangelho de João 17.21.

É importante retirar do nosso coração ou da nossa mente as palavras negativas porque elas, muitas vezes, nos convencem que somos fracassados, medrosos, de que não somos ninguém e outros adjetivos, cuja função é transformar nosso coração em pedra, endurecido e maldoso.

Se somos tudo isso devemos pedir ao Senhor que troque esse coração de pedra por um coração de carne.

Elisa Maria Ferraz Arruda, 80 anos, membro da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, PR.

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Não só de remédios vive o idoso

De agora em diante, vivam o resto da sua vida aqui na terra de acordo com a vontade de Deus

Por Elben César

Na carta dirigida ao povo de Deus espalhado por várias províncias da Turquia, Pedro não se mostra preocupado com a saúde, a segurança e o bem-estar dos idosos. Ele não dá os costumeiros conselhos: tomem o remédio certo na hora certa, não comam demais, cuidado para não cair, andem devagar, distraiam-se etc. A preocupação do apóstolo é com a vida espiritual daqueles que estão em idade avançada:

“De agora em diante, vivam ‘o resto da sua vida’ aqui na terra de acordo com a vontade de Deus e não se deixem dominar pelas paixões humanas” (1Pe 4.2, NTLH).

Em vez de “resto da vida”, outras versões preferem dizer: “resto da sua vida corporal” (HR), “resto da vida mortal” (CT), “resto de seus dias na carne” (BJ), “resto do tempo cá na terra” (J. B. Phillips), “restante de sua vida corporal” (CNBB).

Esses idosos estão na etapa final da jornada, da peregrinação e da estadia. Eles ainda estão no exílio, ainda são migrantes, ainda se acham fora da pátria, ainda são peregrinos e forasteiros. Porém estão, naturalmente, mais próximos da Canaã celestial do que os outros.

Não é apenas neste versículo que Pedro se dirige aos idosos. No primeiro capítulo da carta ele escreve: “Durante o resto da vida de vocês aqui na terra tenham respeito a ele” ou “portem-se com temor” (1Pe 1.17).

Teriam sido necessárias essas advertências do apóstolo dirigidas a pessoas de idade avançada e limitadas em seu vigor físico? À luz do Eclesiastes, Pedro tem toda razão: “O coração do homem está cheio de maldade e de loucura durante ‘toda a vida’” (Ec 9.3). Segundo Lutero, a inclinação para o mal, com a qual todos nascem, “não pode ser extinta enquanto vivemos – pode ser diminuída dia a dia, mas extinta não pode”.

Pedro reforça a sua exortação com um argumento válido: “No passado vocês [os agora idosos] já gastaram bastante tempo fazendo o que os pagãos gostam de fazer. Naquele tempo vocês viviam na imoralidade, nos desejos carnais, na bebedeira, nas orgias, na embriaguez e na nojenta adoração de ídolos” (1Pe 4.3). Com a conversão, ocorrida algum tempo antes, os idosos da diáspora foram libertados do poder da escuridão e trazidos em segurança para outra esfera de vida, para a maravilhosa luz de Cristo (1Pe 2.9; Cl 1.13). Para compensar o “bastante tempo” na carne, os velhinhos de Pedro deveriam viver o resto de seus dias no Espírito!

Elben César (1930-2016), fundador e diretor-redator de Ultimato.

Artigo publicado originalmente na edição 333 de Ultimato. Reproduzido com permissão.

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Saber envelhecer

Saber envelhecer é uma arte que começa ao nascermos

Por Oswaldo Luiz Gomes Jacob

“Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e verdejantes, para proclamar que o Senhor é Justo. Ele é minha rocha, e nele não há injustiça” (Sl 92.14,15).

Segundo Howard Hendricks, há três maneiras facilmente diferenciáveis de classificar o idoso, apesar de individualmente elas poderem variar amplamente: a idade cronológica – a medida da idade pelo padrão do tempo decorrido; a idade fisiológica – refletida nas funções corporais da pessoa e sua condição física; e a idade psicológica – baseada no modo como a pessoa se sente ou reage às pessoas e circunstâncias. Uma mulher de 100 anos foi abordada com a pergunta sobre o que ela fizera de sua vida. Ela respondeu: “Ainda não posso lhe dizer. Ainda estou viva e continuo a fazer minha vida”. (O Outro Lado da Montanha, p. 14,15).

“Devemos dominar o processo do envelhecimento, em vez de permitir que ele nos domine. Não temos escolha quanto a envelhecer, mas temos um voto decisivo sobre vamos passar esses anos. Com respeito à cultura atual, o falecido maestro Leonard Bernstein observou: ‘Metade das pessoas está se afogando … e a outra metade está nadando na direção oposta’” (Hendricks, p. 22).

Saber envelhecer é uma arte. O envelhecimento é o processo natural da vida. Ao nascermos, iniciamos o processo de envelhecimento e morte. Sabemos que nem todos chegam lá. No Brasil, a expectativa de vida aumenta a cada ano. Isso significa que as pessoas estão vivendo mais em função de informações, da ciência, a geriatria, a alimentação, exercícios físicos, programas de saúde da terceira idade, enfatizando a prevenção, o trabalho e a vida em comunidade como terapias. Algumas empresas têm dado oportunidades para os idosos nos seus quadros funcionais. Os relacionamentos saudáveis são muito importantes, especialmente na fase do envelhecimento. Infelizmente, no Brasil, não temos dado ao idoso o valor que ele possui. Precisamos incluí-los com mais eficiência e eficácia. Respeitar, valorizar e honrar o idoso são atitudes de pessoas maduras, educadas e solidárias.

Reconhecer suas limitações físicas e a potencialidade de sua experiência no Senhor são atitudes do idoso sábio, aquele que conhece a Cristo e confia em sua suficiência. É verdade também que o exercício físico é muito benéfico para o corpo e para a saúde. Caminhar e praticar alguns exercícios específicos são de grande valor para essa faixa etária. Não é hora de se acomodar. É preciso continuar ativo, vestindo a roupa de trabalho. Nos países desenvolvidos, muitos executivos idosos ocupam assentos nos conselhos de administração das empresas. Homens experientes vendem sua capacidade de discernimento, visão e orientação com base em sua carreira profissional.

Saber envelhecer é ser grato

Saber envelhecer é ser grato a Deus pela vida, saúde, família, amigos e irmãos. A gratidão é um componente saudável na vida do idoso. Agradecer a Deus é reconhecer que toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm dEle e que nEle não há sombra de variação (Tiago 1.17). A gratidão retarda a velhice. Enternece o coração. O cântico do coração quebrantado rejuvenesce. Deus se agrada de um coração quebrantado e contrito. Não foi à toa que Jesus, depois de ter curado dez leprosos, constatou que só um voltou para agradecer. Os Salmos estão cheios de gratidão a Deus por quem Ele é e pelo que faz. No entanto, muitos que são ingratos e murmuradores, pois “o dia do benefício é a véspera da ingratidão”.

Saber envelhecer é viver pela fé

Além de ser grato, o idoso deve viver pela fé (Habacuque 2.4; Romanos 1.17). A fé renova a mente, revigora o coração e equilibra as emoções. Acima de tudo, agrada a Deus (Hebreus 11.6). A fé na vida do idoso o torna útil, frutífero e proativo. Ele traz positividade e generosidade. A fé renova as forças, amplia a visão e torna o idoso ativo na família, Igreja e sociedade. A fé produz confiança e esperança. A fé torna o idoso mais corajoso e dependente de Deus Pai. Ele vê o invisível. Crê na Palavra de Deus. Confia na fidelidade de Deus.

Saber envelhecer é servir amorosamente

A gratidão e a fé levam o idoso ao serviço amoroso. Jesus nos ensinou a servir. Ele mesmo é o modelo de servo (Mateus 20.28). Pedro ordena “sirvam uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons administradores ou despenseiros da multiforme graça de Deus” (I Pedro 4.10). Como é saudável servir! O trabalho voluntário é uma bênção, especialmente na terceira idade. O serviço amoroso é aquele que exercido com o caráter de Cristo Jesus. O salmista nos ensina a “servir com alegria e nos apresentarmos ao Senhor com cânticos” (Salmos 100.1,2).

Saber envelhecer é ter alegria

Então, a gratidão, a fé e o serviço amoroso nos conduzem à alegria. Devemos servir ao Senhor com alegria. Paulo nos ensina a nos alegrarmos nEle (Filipenses 4.4). A alegria no Senhor é a nossa força (Neemias 8.10). A nossa alegria está no Senhor independente das circunstâncias. Paulo e Silas estavam presos, mas alegres. A alegria é a música da alma satisfeita em Deus. Graças a Deus pela alegria! Diz a Palavra que o coração alegre aformoseia ou embeleza o rosto, mas o espírito se abate pela dor do coração (Provérbios 15.13). Alegrar-se no Senhor significa estar em sintonia com Ele no Espírito Santo.

Saber envelhecer é louvar a Deus

Por último, saber envelhecer significa louvar a Deus, nosso Pai. Os salmos estão repletos de louvor. Devemos louvar, glorificar e exaltar o Senhor em todo o tempo. O seu louvor deve estar sempre nos nossos lábios. Louvá-lo pela criação, salvação, provisão, proteção e segurança em Cristo Jesus. Louvá-lo, acima de tudo, por Seu amor incomparável, insubstituível e imensurável. Que grande amor, excelso amor com que Ele nos amou em Cristo Jesus antes dos tempos eternos! Nada nem ninguém poderá nos separar do Seu amor que está em Cristo Jesus (Romanos 8.38,39). A nossa perfeita segurança está nEle. O Seu amor em nós lança fora todo o medo (I João 4.18).

Gostaria de sugerir algumas atividades que trarão muito ganho a esta fase da vida tão rica:

• Faça sua devocional todos os dias;

• Decore textos da Palavra de Deus;

• Tenha uma lista de oração com pessoas para a salvação e cura;

• Leia bons livros e discuta-os com seu cônjuge ou grupos da Igreja;

• Faça palavra cruzada. Comece com a mais fácil;

• Não vista pijama, mas coloque o macacão;

• Seja sempre útil e sirva com o seu talento;

• Crie um grupo pequeno de compartilhamento;

• Faça trabalho voluntário;

• Tenha uma agenda cheia – atividade e não ativismo;

• Interaja com os mais novos;

• Observe atentamente a Criação de Deus e O louve.

Saber envelhecer, que bênção, que paz e que harmonia interior! Aguardar com confiança e esperança o Seu chamado. Nele somos satisfeitos, completos e mais que vencedores (Rm 8.37). É Ele que dá força ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor (Is 40.29). Os que esperam no Senhor terão suas forças renovadas a cada dia (Is 40.31). Aqueles que estão no Senhor não olham a eternidade pela perspectiva do tempo, do passageiro, mas veem o tempo pela ótica da eternidade. Já estamos na eternidade com Ele. É uma questão de tempo. Devemos remir o tempo, pois os dias são maus (Efs 5.16). Vivamos para a glória daquele que nos ama com um amor fervoroso em Cristo Jesus, nosso Salvador e Senhor!

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

Artigo publicado originalmente no site da Convenção Batista Brasileira. Reproduzido com permissão.

Leia mais:

>> “Velhice com graça” – encontrando paz e plenitude no envelhecer, por Viviane Lemos Silva Fernandes

>> Impactando vidas no processo do envelhecer , por Haniel Passos Eller

Imagem: Unsplash.

“Velhice com graça” – encontrando paz e plenitude no envelhecer

É possível acumular idade sem ficar velho, mantendo o coração sempre jovem, e envelhecer com graça

Por Viviane Lemos Silva Fernandes

Resenha

Partindo da premissa de que a espiritualidade tem um papel vitalmente importante na saúde mental das pessoas idosas e de que a fé cristã, na dependência da graça de Deus, é crucial para capacitar a pessoa idosa no enfrentamento das circunstâncias que não podem ser alteradas, no livro Velhice com Graça, Wilson Nunes oferece uma série de doze lições solidamente baseadas na Bíblia Sagrada que, admiravelmente, abrem as portas para lidarmos com as mais significativas preocupações das pessoas idosas.

O lançamento é obra de especial interesse para pastores, capelães, líderes de ministério com idosos, famílias e, principalmente, para os próprios idosos que se beneficiarão com a ajuda deste importante recurso. Nesta obra, o autor desenvolve e discute os seguintes tópicos:

Ninguém é velho demais para ser amado
Ninguém é velho demais para crescer
Ninguém é velho demais para mudar
Envelhecendo mas não ficando velho
Que tal aposentar a aposentadoria
Um velho constrói uma grande arca
Nosso chamado para servir
Usando os nossos dons
Resistindo firmes às perdas
Velhice e depressão
Mantendo a perspectiva celestial
Terminando bem

A obra não polemiza doutrinas secundárias, tendo, portanto, um apelo especial para os cristãos de todas as denominações cristãs. Ademais, o e-book vem acompanhado de doze vídeos introdutórios trazendo dicas para o desenvolvimento das lições e questões para reflexão e aprofundamento dos temas. É obra valiosa tanto para o estudo individual quanto para grupos pequenos e pode facilmente ser aplicada em diferentes ambientes educacionais. As lições são bem compreensivas e claras. É literatura perfeita para ser desenvolvida em igrejas (classes de Escola Bíblica Dominical e grupos de idosos), centros-dia, classes de universidade aberta, clínicas geriátricas e instituições de longa permanência.

Recomendo esta obra, não apenas por sua eficácia em extrair do texto bíblico temas vitais sobre o envelhecimento, mas também por sua relevância ligada à possibilidade de preencher uma lacuna na educação cristã que infelizmente ignora completamente os anos da velhice. Os projetos educacionais cristãos têm sido usualmente focalizados nas crianças e nos adultos que ainda trabalham e são ativos. Como resultado muitos idosos se sentem excluídos. Com efeito, vale considerar que, devido às constantes mudanças que a modernidade tem trazido, torna-se necessário desenvolver com as pessoas mais maduras um processo contínuo de educação, capacitando-as a enfrentarem os desafios colocados pela vida no período da velhice. Para isso, não basta uma simples adaptação da educação cristã. O educador cristão tem que ter consciência de que esta é uma faixa etária com necessidades e interesses distintos que exige um currículo educacional distinto. Há que se desenvolver um ensino cristão que corresponda à realidade vivida pelas pessoas idosas de hoje. Desta perspectiva, esta obra se torna uma relevante contribuição para uma nova didática na educação cristã, a geriagogia.

Viviane Lemos Silva Fernandes. Doutora em Ciências e Tecnologias em Saúde pela UnB. Membro titulada Especialista em Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Coordenadora do projeto Universidade aberta a Pessoa Idosa – UniAPI da UniEvangélica

Sobre o autor de Velhice com Graça:

Wilson Nunes é ministro em júbilo pela Igreja Cristã Evangélica do Brasil, mestre em gerontologia pela Universidade Católica de Brasília e nos últimos 18 anos esteve envolvido em servir e ministrar a pessoas idosas. Há 10 anos é professor na Universidade Evangélica de Goiás, Unievangélica.

Para mais informações sobre o livro, escreva para o e-mail nunesw042@gmail.com.

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Leia mais:

60+ também fazem missão?, Notícia

Oportunidades na medida, por Barbara H. Burns

60+ também fazem missão?

Oficina no Congresso Brasileiro de Missões celebra iniciativas e encoraja iniciativas com os 60+

Por Ariane Gomes

Na última terça-feira, 7 de outubro de 2025, Ultimato participou da oficina “os 60+ em missão” promovida pelo Movimento Cristão 60+ no 10º Congresso Brasileiro de Missões (CBM)

O Movimento Cristão 60+ começou a ser organizado há pouco mais de 5 anos, já tem um site e um perfil no Instagram bastante ativos. Já realizou quatro encontros nacionais e dois regionais. Desde junho de 2025, o MC 60+ está organizado a partir de um grupo base e de três grupos de trabalho: gestão e relações públicas, comunicação e publicações e encontros.

É a primeira vez que o MC 60+ participa de um evento como o CBM para apresentar a história e o propósito do movimento e para refletir como os 60+ podem se envolver com a missão de Deus. Para surpresa dos mais de 100 participantes da oficina – que foi oferecida em dois horários para acomodar todos os interessados – aproximadamente 25% dos participantes dessa edição do CBM têm mais de 60 anos.

A oficina “Os 60+ em missão” foi conduzida por Verônica Farias, Daniel Yoshimoto e Stephen Kunihiro, que apresentaram dados da população com mais de 60 anos no Brasil – incluindo a informação que em 2030 o Brasil terá a quinta maior população idosa do mundo – refletiram sobre os 60+ como atores na missão de Deus e sobre novos papéis que esse grupo pode assumir na igreja – talvez, não como protagonistas, mas como mentores experientes.

Verônica, Daniel e Stephen também conversaram com os participantes sobre a importância de reconhecer as mudanças no comportamento social e a presença visível dos 60+ em diversas atividades – que anos atrás eram frequentadas apenas por jovens e adultos. A realidade cultural, social, familiar, nas áreas de cuidado e de saúde exige que não apenas a sociedade, mas que a também igreja pensem em como integrar os 60+ e, em especial, como encorajá-los a assumir posições de mentoria, a investir em uma segunda carreira ou a envolver-se ativamente com a missão de Deus no mundo em missões nacionais ou transculturais.

Alguns participantes contaram como antes mesmo de se aposentar planejaram se dedicar a uma segunda carreira. Outros compartilharam o envolvimento com a missão transcultural e com ministérios da igreja. Muitos expressaram o desejo de saber como iniciar um movimento entre os 60+ de sua igreja e/ou comunidade.

O MC 60+ ofereceu o QRcode ao lado para os interessados em saber mais e participar do grupo Amigos do MC 60+ para troca de experiências, materiais e recursos para encorajamento mútuo.

Leia mais:

>> Segunda carreira e missões, Adércio da Silva Corrêa
>> Novos papéis na igreja, Daniel Yoshimoto
>> Idosos como atores [e campo] da missão, Verônica Farias

2º Encontro Regional reúne cerca de 170 pessoas em Recife

Com o tema “Morrer jovem o mais velho possível”, o encontro aconteceu em parceria com o ministério Águias de Cristo

Por Elias e Mércia Bispo

O 2º Encontro Regional do Movimento Cristão 60+, realizado no dia 20 de setembro em Recife, PE, teve como tema inspirador: “Morrer jovem o mais velho possível”. O evento aconteceu nas dependências da Igreja Presbiteriana da Madalena, em parceria com o ministério de idosos Águias de Cristo, que atua há mais de três décadas.

Reunindo cerca de 170 irmãos em Cristo, oriundos da Região Metropolitana do Recife, do interior de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Tocantins, o encontro superou as expectativas iniciais de público – fruto da graça do Senhor, que tocou muitos corações. Participaram representantes de diversas tradições cristãs, promovendo um ambiente de comunhão e aprendizado.

Entre os palestrantes estiveram os pastores Robert Koo (Igreja dos Cristãos em São Paulo), Lutero Teixeira da Rocha (Primeira Igreja Presbiteriana do Recife), Mariano Júnior (Diretor do Instituto Bíblico do Norte), além do psicólogo clínico Ageu Heringer Lisboa. A mediação com o público foi conduzida pelos pastores Marcelo Ramos e David Gladson, ambos da Igreja Presbiteriana da Madalena.

Em consonância com os propósitos do MC 60+ – que visam valorizar e engajar os idosos na vida de fé e serviço — foram abordados temas relevantes como:

  • Desafios da pastoral do idoso ante o rápido envelhecimento da população
  • Envelhecimento: alegrias e constrangimentos
  • Levantem as mãos cansadas e fortaleçam os seus joelhos enfraquecidos
  • Como os cristãos podem atuar de forma colaborativa para evangelizar a população que está envelhecendo

Essas reflexões geraram debates enriquecedores e edificantes.

As palestras estão disponíveis no canal da Igreja Presbiteriana da Madalena no YouTube e podem ser acessadas por todos os interessados.

O evento foi planejado e executado por uma equipe multietária, sob a coordenação de Elias e Mércia Bispo, que já haviam participado de encontros anteriores do MC 60+. Seu envolvimento foi fundamental para o êxito do encontro e para o derramamento das bênçãos do Senhor.

Soli Deo Gloria.

Fotos: Mauro Gomes.

Leia mais:

>> Levantai as mãos descaídas e os joelhos vacilantes: perspectivas bíblicas de encorajamento para a vida após os 60, por Lutero Rocha

>> Amor, edificação, acolhimento – partes da comunhão, por Paulo Andrade

Amor, edificação, acolhimento – partes da comunhão

Relacionamentos na visão do apóstolo Paulo

Por Paulo Andrade

De forma geral, são estes os tópicos que se relacionam ao envelhecimento saudável:

  • Físico: alimentação, exercícios físicos, sono
  • Saúde mental e emocional
  • Relacionamentos
  • Espiritualidade
  • Trabalho voluntário

É consenso que relacionamentos são um dos aspectos mais importantes da vida cristã. E sobre este assunto, o apóstolo Paulo nos oferece importante conteúdo na Carta aos Romanos, a partir do capítulo 12.

Romanos é considerado o maior tratado teológico da Bíblia. A partir do capítulo 12, Paulo passa a falar de aspectos práticos de sua mensagem – assim é em todas as suas cartas – e várias vezes cita a expressão “uns dos outros” (Tradução Revista e Atualizada).

A seguir apresento uma análise sucinta de alguns versículos.

Somos um só corpo

“Assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros” (Rm 12.5).

Um corpo, um organismo, um corpo e vários membros. Se alguém não está ligado aos outros membros, pode ser inútil e até prejudicial. Exemplo de uma célula cancerosa (independente).

Não somos uma multidão independente uns dos outros, que só pensam em si. Somos muito mais que um clube, um Rotary, ou outra reunião qualquer que podemos frequentar: somos um corpo, o corpo de Cristo, que se reúne em Cristo. Corpo místico de Cristo. Místico, porque é mais que uma agenda, uma liturgia, um programa, mais que um planejamento estratégico. Mas, sim, a manifestação do Espírito Santo promovendo transformação de vidas, realizando uma verdadeira adoração a Deus.

Primeira característica da comunhão – amor

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10)

A comunhão exige o amor, amor com ações práticas. Amor intencional – resolver amar. No verso acima, o verbo amar está no imperativo, significa uma ação nossa. Irmãos aponta para um relação fraternal, como irmão de sangue.

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35). Que tipo de amor? O de João 13.34: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei”.

Há uma evolução no conceito do amor nas Escrituras: de “Olho por olho, dente por dente” para “Amar o próximo como a si mesmo”, amar assim como Jesus nos amou e deu sua vida por seus amigos, discípulos.

Segunda característica da comunhão – sem discriminação

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10)

Amar cordialmente é agir sem discriminação – que não foi a atitude do fariseu com relação ao publicano (“Graças a Deus não sou como esse meu irmão”). Colocar o outro na frente. Não ter inveja, sem ressentimentos, desavenças. Fazer a mesma coisa que você quer que o outro faça para você.

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.3-4).

Preferir em honra significa que se for preciso escolher, você dará a honra a outro e não ficará com ela.

Terceira característica da comunhão – não julgar

“Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão” (Rm 14.13).

Não somos juízes de nossos irmãos, e precisamos lembrar que seremos julgados pelo mesmo parâmetro que julgarmos. “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, mas não se dá conta da viga que está no seu próprio olho?” (Mt 7.3).

Quarta característica da comunhão – edificar uns aos outros

“Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros” (Rm 14.19)

Minha atitude, minha intenção para com meu irmão deve ser a de edificação do próximo. Efésios 4.29 demonstra uma forma de edificar: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”.

A palavra torpe é malcheirosa, lembra cheiro de peixe podre. De acordo com o verso acima, nossa palavra é boa para a edificação, conforme a necessidade e transmite graça aos que ouvem.

Quinta característica da comunhão – acolher

“Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Rm 15.7)

Precisamos acolher como fomos acolhidos. Acolher para a transformação (essa é a intenção) de todos, assim como nós precisamos ser acolhidos e sermos transformados.

Sexta característica da comunhão – acolhimento afetuoso

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todas as igrejas de Cristo vos saúdam” (Rm 16.16)

Devemos ser acolhedores. E, na prática, isso pode acontecer de diversas maneiras:

  • Um abraço – pode ser o único abraço que a pessoa vai receber na semana.
  • Um olhar – O olhar “olho no olho” demonstrando atenção.
  • Escuta atenciosa – Dizem que a definição de chato é aquela pessoa que quando você pergunta “Como vai?”, quer explicar, responder detalhes. Mas não é assim. Ouçamos uns aos outros.

Você deve estar pensando: “Isso tudo é impossível!”. Por nossas forças nunca conseguiremos e, nesse sentido, é impossível mesmo. Por mais que nos esforcemos, será falsa a nossa atitude.

E é por isso que o capítulo 12 de Romanos começa assim:

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Relacionamentos amorosos, sem discriminação nem julgamento, com acolhimento sincero e edificação só acontecerão se apresentarmos os nossos corpos por sacrifício vivo santo e agradável a Deus e experimentarmos a transformação e renovação da nossa mente. Só assim experimentaremos a boa agradável e perfeita vontade de Deus. E também a comunhão.

Relacionamentos que edificam acontecem somente com uma intervenção do Espírito Santo convencendo cada um de nós que:

  • Sou terrivelmente pecador – meu próximo não é pior que eu, provavelmente eu sou pior que o meu próximo
  • Mereço o inferno
  • Que Jesus me salvou somente pela sua graça
  • Jesus, o Deus Filho, nasceu de uma virgem, viveu entre nós sem pecado, morreu terrivelmente numa cruz, levou todos os meus pecados naquela cruz
  • Agora posso tratar os meus irmãos como tudo que foi dito acima.
  • Posso tratar quem não é salvo com amor e essa pessoa possa ver o que Jesus fez na minha vida e chegue-se à salvação.

Isso é evangelho. Se eu viver o evangelho a todo o momento, vou irradiar o amor de Jesus aos outros.

Paulo Andrade é médico e pastor. Casado com Dora, é pai de três filhos e avô de três netos.

Imagem: Unsplash.

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Levantai as mãos descaídas e os joelhos vacilantes: perspectivas bíblicas de encorajamento para a vida após os 60

Ainda que as forças físicas diminuam, a fé pode ser renovada continuamente em Cristo

Por Lutero Rocha

Na sociedade contemporânea, a velhice costuma ser vista de forma negativa, associada à perda da força física, da saúde e até mesmo da relevância social. Essa visão, entretanto, contrasta com o ensino das Escrituras. A Bíblia revela que cada fase da vida possui um propósito diante de Deus, e que a maturidade pode ser um tempo de frutificação, de sabedoria transmitida e de confiança renovada na fidelidade divina. A exortação presente em Hebreus 12:12-13 – “Levantai as mãos descaídas e os joelhos vacilantes” – serve como ponto de partida para refletir sobre a relevância da vida cristã após os sessenta anos.

Em primeiro lugar, o Salmo 92.12-15 ensina que, mesmo na velhice, o justo continua frutificando espiritualmente. Essa frutificação não está relacionada apenas à força física, mas sobretudo à vida de oração, aconselhamento e testemunho. O idoso em Cristo não está em fase de estagnação, mas de contribuição madura para a comunidade de fé.

Por outro lado, o Salmo 42.5 e 11 mostra que a vida também traz momentos de abatimento e solidão. Nesses momentos, o salmista ensina a pregar à própria alma: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei”. Esse convite ao diálogo interior convida os cristãos mais velhos a colocarem sua esperança no Senhor mesmo diante das fragilidades e das perdas.

A carta aos Hebreus, especialmente no capítulo 12, compara a vida cristã a uma corrida de perseverança. A exortação “levantai as mãos descaídas e os joelhos vacilantes” é dirigida a crentes cansados e perseguidos. Para os idosos, essa mensagem aponta que, ainda que as forças físicas diminuam, a fé pode ser renovada continuamente em Cristo, fortalecendo não apenas a si mesmos, mas também os mais jovens que acompanham seu exemplo de perseverança.

Outro aspecto fundamental é destacado em Tito 2.2-5, onde Paulo instrui os mais velhos a viverem de maneira sóbria e a ensinarem os mais jovens. Assim, a maturidade cristã é vista como oportunidade de discipulado e transmissão de fé. A velhice, portanto, não significa aposentadoria espiritual, mas ministério ativo de aconselhamento e exemplo.

Por fim, Isaías 46.3-4 apresenta a promessa do cuidado divino até a velhice: “Até às cãs eu vos carregarei”. Diferente dos ídolos que precisam ser sustentados, o Deus vivo sustenta o seu povo do início ao fim da vida. Essa certeza traz conforto e segurança aos que envelhecem na fé, pois o Senhor permanece fiel em todas as fases da jornada.

A Bíblia revela que a velhice não deve ser marcada pela perda, mas pela oportunidade de frutificação, perseverança e confiança no cuidado divino. Os textos analisados – Salmo 92, Salmo 42, Hebreus 12, Tito 2 e Isaías 46 – demonstram que a vida após os sessenta anos continua sendo instrumento de bênção, tanto para o próprio idoso quanto para a comunidade cristã. Dessa forma, os cristãos 60+ são chamados a viver com esperança renovada, conscientes de que Deus ainda tem propósito para sua vida. O maior impacto da velhice não está na força física, mas no poder do Espírito Santo que sustenta, renova e usa seus filhos para a glória do Senhor.

Em Cristo Jesus.

Lutero Rocha

RESUMO

A partir de Hebreus 12:12-13, o texto reflete sobre a velhice como tempo de frutificação espiritual, perseverança e esperança renovada. Em contraste com a visão negativa da sociedade, as Escrituras apresentam a maturidade como oportunidade de testemunho e ensino. Salmos 92 e 42, Hebreus 12, Tito 2 e Isaías 46 confirmam que Deus sustenta e usa seus filhos em todas as fases da vida.

Palavras-chave: Velhice. Frutificação espiritual. Perseverança. Esperança. Fidelidade de Deus.

Lutero Rocha, casado com Laurete e pai de Paulo, é pastor auxiliar da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife.

Artigo escrito a partir da palestra feita no 2 Encontro Regional do MC60+, em Recife, em 20 de setembro de 2025. Assista no YouTube.

Imagem: Unsplash.

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