Iniciativas de (re)valorização da membresia 60+ no âmbito de comunidades evangélicas

Por Elias Monteiro Bispo Filho

Introdução

O Brasil sempre foi considerado um país de jovens. Desde o descobrimento até a década de 70 do século passado, a percentagem de jovens entre 0 e 14 anos ficou acima de 40% da população, enquanto a percentagem de idosos com 60 ou mais anos permaneceu abaixo do 5% populacional. Entretanto, a partir da virada do milênio, a pirâmide populacional aponta uma tendência de longo prazo, qual seja o aumento da população idosa. Segundo dados do Censo 2022, a porcentagem de brasileiros idosos maiores de 65 anos cresceu de 7,4% em 2010 para 10,9% em 2022. Izabel Marri, demógrafa do IBGE, declarou em entrevista que “o Brasil envelheceu muito rápido se a gente comparar com países desenvolvidos”, acrescentando que “a França e a Inglaterra demoraram 200 anos para envelhecer, e o Brasil por volta de 40, 60 anos”.

O envelhecimento acelerado da população tem causado questionamentos sobre a sustentabilidade do sistema previdenciário, que é financiado coletivamente e depende essencialmente da manutenção da População Economicamente Ativa (PEA). Também são apontados como consequências diretas do envelhecimento populacional brasileiro os crescentes custos financeiros para o Sistema Único de Saúde (SUS), como a alta complexidade de cirurgias, o maior uso de remédios e maiores durações de internações para idosos.

Este artigo visa discorrer acerca das iniciativas de (re)valorização da membresia 60+, seja por meio de instituições de ensino, pastorais, ministérios e movimentos dedicados a essa parcela populacional nos arraiais das igrejas cristãs evangélicas, contemplando aspectos inerentes ao autocuidado, estímulo ao desenvolvimento de segunda carreira pós-aposentadoria, bem-estar psicoemocional e a promoção da espiritualidade.

Como metodologia de pesquisa, serão analisadas as plataformas digitais ativas de denominações, ministérios, atividades cristãs, instituições, movimentos eclesiásticos ou paraeclesiásticos, com a expectativa de se compreender ações em curso que valorizem o idoso no seio das suas tradições.

1. A questão do envelhecimento

Em 1940, um indivíduo que chegasse aos 60 anos de idade viveria, em média, mais 13,2 anos, sendo mais 11,6 anos para os homens e mais 14,5 anos para as mulheres. Já em 2024, a população do país que chega aos 60 anos de idade vive, em média mais 22,6 anos, sendo mais 20,8 anos para homens e mais 24,2 anos para as mulheres. Em 2024, a expectativa de vida da população brasileira chegou aos 76,6 anos, crescendo 2,5 meses em relação a 2023. Para a população masculina, o aumento foi de 2,5 meses passando de 73,1 anos para 73,3 anos, no período. Já para as mulheres o ganho foi um pouco menor: de 79,7 para 79,9 anos, ou mais 2,0 meses, conforme informações contidas nas Tábuas de Mortalidade 2024, do IBGE, disponibilizadas pela Agência GOV, no artigo “Chance de vida longa no Brasil é a maior da história.

Para Tournier (2014), médico e psiquiatra cristão, é preciso aceitar o fato de que envelhecemos, aceitar a aposentadoria e assumir com serenidade a perspectiva de morrer; é preciso manter-nos ativos, sociáveis e abertos na medida do possível, apesar de certa inevitável solidão. Ressaltou que para se ter uma boa velhice é preciso começar a prepará-la cedo, e não a retardar o mais possível. Na metade da vida se terá de começar a refletir e organizar a existência com vistas ao futuro ainda distante, em vez de se deixar levar pelo torvelinho profissional e social.

Nuland (2007), médico, trata do impacto do passar dos anos na mente e no corpo, nas ambições e nos relacionamentos, nas mudanças dos sentidos, na aparência, nos reflexos, na resistência física e no desejo sexual, mesmo assim, sendo possível encontrar na idade avançada um sem-número de bênçãos, caraterizadas como maturidade emocional, liberdade interior, relações mais profundas, sabedoria prática e um senso mais claro do que realmente importa, pois nessa fase da vida se concentram as energias tanto da mente quanto do corpo, disponibilizando cotidianamente novas fontes de criatividade, percepção e intensidade espiritual.

César (1999) argumentou que a velhice deveria ser encarada como um prêmio da graça de Deus conforme disposto em Deuteronômio 30:20 (NAA), “amando o SENHOR, seu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-se a ele; pois disto depende a vida e a longevidade de vocês”.1 Procurar viver uma velhice sem enfado ou murmuração, uma fase da vida útil, que trabalha, sem o peso dos saudosismos, se constitui num ensinamento paulino, contido na epístola aos filipenses, capítulo 3:13-14, “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo.”

D´Andrea (2019), consultor de empresas, narra as iniciativas de uma carreia totalmente nova como última empreitada profissional, que denominou de “carreiras-bônus”, por se tratar de trilhas profissionais completamente novas, iniciadas no momento de pós-carreira principal, sendo um paradigma desta era permanecer economicamente ativo o maior tempo possível, numa atividade desejada que traga significado, rotina flexível e a emoção de novos desafios, conteúdos e relacionamentos, um pouco de diversão e que seja consistente com os valores do indivíduo, sem ameaçar a sua autoimagem ou o seu ajuste social.

Segundo a Plataforma Longeviver, metade dos bebês do século 21 viverão mais de 100 anos; todos os dias a expectativa de vida no Brasil cresce 5 horas; sendo que entre os homens brasileiros entre 50 e 64 anos, há aqueles que não trabalham e nem estão procurando emprego, tampouco são aposentados, sendo um nicho que se aproxima de 10% desse nicho populacional, sendo um fato com impactos sociais preocupantes. Em 2019, os recifenses com 60 anos ou mais eram 181.643 pessoas, sendo 63% mulheres e 37% homens. O percentual de pessoas 60+ independentes era de apenas 30%.

Além das dificuldades inerentes a empregabilidade, o preconceito contra pessoas idosas se manifesta de diversas maneiras, seja no ambiente familiar, no contexto profissional e, paradoxalmente, em ambientes cristãos, podendo causar sequelas psicológicas nas vítimas em face da falta de respeito.

A Organização Mundial da Saúde, divulgou que um em cada seis idosos no mundo já sofreu algum tipo de violência, sendo o etarismo uma dessas formas, que é definido como preconceito ou discriminação contra pessoas com base na sua idade. Esse comportamento pode se manifestar de diversas formas, como em atitudes negativas, estereótipos, piadas de mau gosto, tratamento desigual, e até mesmo na negação de serviços ou benefícios, podendo ser considerado crime no Brasil, segundo o Artigo 96 do Estatuto da Pessoa Idosa.

Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade:

Pena – reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.

§ 1o Na mesma pena incorre quem desdenhar, humilhar, menosprezar ou discriminar pessoa idosa, por qualquer motivo.

§ 2o A pena será aumentada de 1/3 (um terço) se a vítima se encontrar sob os cuidados ou responsabilidade do agente.

§ 3º Não constitui crime a negativa de crédito motivada por superendividamento da pessoa idosa. (Redação dada pela Lei nº 14.423, de 2022).

1.1 O que a Bíblia diz sobre o idoso?

A Bíblia ensina a importância de honrar e respeitar os idosos, reconhecendo a sabedoria e a experiência que vêm com a idade. Em Levítico 19:32, está escrito: “Fiquem em pé na presença dos idosos, honre a presença do ancião e tema o seu Deus.” Jó 12:12 ainda questiona: “Está a sabedoria com os idosos? Será que a longevidade traz o entendimento?”. Estes versículos destacam a importância da sabedoria, de tratar os velhos com dignidade e reverência, valorizando a sua experiência. Entretanto, se trata de uma pergunta que levanta uma dúvida, para em seguida afirmar que somente em Deus há sabedoria, força, conselho e entendimento (Jó 12:13).

A Bíblia também ensina sobre a igualdade e a justiça, o que implica que qualquer forma de discriminação, incluindo o etarismo, não é condizente com os ensinamentos cristãos. Em Gálatas 3:28, por exemplo, está escrito: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Esse versículo reforça a ideia de que todas as pessoas são iguais aos olhos de Deus. Devemos nos esforçar para educar a nós mesmos e aos outros sobre os prejuízos do etarismo e promover uma cultura de respeito e inclusão, um ambiente mais justo e acolhedor para todos.

O discurso poético de Salomão, contido no livro de Eclesiastes 12:1-7, embora escrito há alguns milhares de anos, especificamente quanto à velhice, descreve sintomas físicos e psíquicos, contendo conselhos para os mais jovens e conforto para aqueles, vejamos:

“1Lembre-se do seu Criador nos dias da sua mocidade, antes que venham os dias maus, e cheguem os anos em que você dirá: “Não tenho neles prazer.” 2Lembre-se do Criador antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas, e as nuvens voltem depois da chuva. 3Lembre-se dele antes do dia em que tremerem os guardas da casa, os seus braços, e se curvarem os homens que no passado eram fortes, as suas pernas, e cessarem os moedores da sua boca, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas, os seus olhos. 4Faça isso antes que as portas da rua se fechem e o ruído das pedras do moinho se torne difícil de ouvir; quando você se levantar à voz das aves, e todas as harmonias, filhas da música, começarem a desaparecer; 5quando você tiver medo do que é alto e se espantar no caminho; quando florescer como a amendoeira, e o gafanhoto lhe for um peso; e quando você perder o apetite. Porque o ser humano vai à morada eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça. 6Lembre-se do seu Criador, antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, 7e o pó volte à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

Salomão exorta que o homem se lembre de Deus enquanto ainda é jovem, antes que cheguem os dias difíceis da velhice, quando o corpo perde força, os sentidos se enfraquecem e os prazeres diminuem. Ele descreve poeticamente o envelhecimento: braços que tremem, pernas que se curvam, dentes que faltam, olhos que escurecem, ouvidos que já não ouvem bem, sono leve, medo do caminho e perda de vigor. Através de metáforas — como o “fio de prata” que se rompe e o “copo de ouro” que se despedaça — ele retrata a aproximação da morte. No fim, lembra que o corpo volta ao pó e o espírito retorna a Deus, que o concedeu.

Percebe-se que Salomão não disse que a velhice é ruim. Ele está dizendo que ela é inevitável, e por isso, a maior benção é viver a juventude com consciência, para que a velhice seja vivida com paz. O texto é um chamado à lucidez, não ao medo; à sabedoria, não ao desespero; à espiritualidade, ao aconchego com o Senhor.

Malgrado a Bíblia apresentar aspectos biológicos e psicoemocionais inerentes a terceira idade, não significa que toda a velhice seja decadente e triste, podendo ser vigorosa e alegre, não obstante as limitações, pois as pessoas e os desígnios divinos são diferentes, depende também daquilo que plantamos a vida toda e se pretende colher na velhice.

O livro de Eclesiástico 25:3-6 (BJ)2ensina que a vida é um processo de construção e que a sabedoria é mais valiosa do que as conquistas materiais, sendo a velhice honrada quando é fruto de uma vida bem vivida.

“3Se não acumulaste na juventude, como queres encontrar em tua velhice? 4Como é belo para os cabelos brancos saber julgar e para os anciãos conhecer o conselho! 5Como é bela a sabedoria dos anciãos e nas pessoas honradas a reflexão e o conselho! 6A coroa dos anciãos é uma rica experiência; a sua glória, o temor do Senhor.”

Destarte, a terceira idade não significa apenas decadência e tristeza, ela pode ser alegre e vigorosa, não obstante suas limitações, como César (1999) argumentou, nem todo idoso fica cego e surdo; nem todo idoso fica fraco e incapaz, citando o exemplo de Moisés que foi um homem ativo até o dia de sua morte; nem todo idoso sofre com o pressentimento da morte, pois confia no Senhor e sabe que não o desamparará até o momento final, como disse Paulo em 2Tm 4:6-7, “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”

2. Inciativas de (re)valorização da membresia 60+

A igreja deve estar atenta a essa realidade, uma “pastoral da pessoa idosa” faz-se mister, em cujo bojo estejam inseridos programas que considerem sobre a valorização, a inclusão, o acolhimento, a defesa de direitos e a assistência espiritual, orientações quanto ao autocuidado etc. (Casséte. X. apud Lisboa, A.H, do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos).

A Plataforma Longeviver, considerando o aumento progressivo da expectativa de vida, se define com o objetivo de antecipar os impactos que estas mudanças trazem, preparando a sociedade e o indivíduo para uma vida produtiva, inclusiva e natural, difundindo e multiplicando conhecimento, melhores práticas e metodologia junto aos setores público e privado, à sociedade civil e com organizações que compartilhem o mesmo objetivo de construir uma sociedade equalitária para todas as idades. Nesse sentido apoia a pesquisa e a geração de conhecimento em conexão com centros de pesquisa, patrocina plataformas de conhecimento e a promoção de eventos, estimula o engajamento da sociedade civil na discussão de temas prioritários, conscientiza sobre o tema e otimiza o uso de Leis de incentivo.

No contexto cristão evangélico, já podemos observar o surgimento de iniciativas de valorização do idoso no ambiente eclesial, um desses empreendimentos é o Movimento Cristão 60, que se define como formado por um grupo de cristãos com diferentes experiências profissionais e eclesiásticas que buscam compartilhar a visão de que mesmo na terceira idade é possível servir a Deus com vigor e entusiasmo.

O Movimento Cristão 60+ incentiva a disponibilização de experiências e habilidades anteriormente adquiridas a serviço do Reino, por intermédio de iniciativas individuais ou coletivas de apoio e cuidado integral dispensado aos indivíduos, familiares e comunidades; engajamento em projetos de natureza eclesial, social, educacional, cultural e ambiental.

O Movimento Cristão 60+ tem como Missão, impulsionar os 60+, aposentados ou não, a desenvolverem uma segunda carreira, o autocuidado, a continuarem a dar frutos ao longo do processo de envelhecimento. Tem como Visão de futuro, que Homens e Mulheres 60+ sejam comprometidos em suas comunidades de fé e engajados no serviço do Reino de Deus – na igreja local de comunhão, na comunidade e na sociedade mais ampla – por intermédio do uso de suas habilidades e experiências adquiridas no decorrer dos anos, envolvidos em iniciativas e projetos, para (a) restauração do ser humano; (b) justiça no ambiente socioeconômico; (c) equilíbrio da natureza.

A Igreja Presbiteriana do Brasil – IPB, criou a Secretaria Nacional da Pessoa Idosa, em 1999, na Reunião Extraordinária da Comissão Executiva do Supremo Concílio, com a finalidade de atender os irmãos na terceira idade, que compreende a faixa etária de 60 anos ou mais. A Secretaria se preocupa com a dignidade e a qualidade de vida dos idosos da IPB, preparando atividades, encontros e ações que incentivem a criação de novos grupos de idosos em igrejas locais.

Para alcançar tal alvo, a Secretaria conta com um importante aliado, o Estatuto da Pessoa Idosa, Lei nº 10.741, sancionada no dia 1º de outubro de 2003, que deve ser um importante passo na luta pela dignidade dessa faixa etária. A Secretaria tem trabalhado para conscientizar pastores e líderes, e até mesmo os idosos, a fim de promover uma convivência harmoniosa dentro da IPB. A Secretaria tem como objetivos:

(a) a criação de grupos de idosos em cada igreja da IPB, incentivando crescimento espiritual, social e intelectual; (b) propor programas que promovam orientação segura nas áreas de saúde, esporte e lazer; (c) divulgar o Estatuto do Idoso para conscientização dos direitos e deveres de cidadania do idoso; (d) despertar no idoso o reconhecimento de seus dons e talentos para serem usados no Reino de Deus; (e) incentivar o idoso a observar com que honra, dignidade e carinho ele é tratado na Palavra de Deus; (f) motivar a criação de complexos de estrutura de cultura e lazer no âmbito da Igreja Presbiteriana do Brasil, para contribuir de maneira prática e efetiva para a qualidade de vida do idoso, tanto física, como emocional e espiritualmente.

A Faculdade Teológica Sul-Americana – FTSA, desenvolve uma política de incentivo e de valorização do idoso, mediante concessão de descontos de 50% nas mensalidades de alunos a partir de 60 anos. Esse benefício na estava evidenciado no site da instituição, na página Benefícios para nossos estudantes. Evidenciamos esse fato junto a Faculdade com o intuito de promover a atualização ao Portal, conforme as políticas de gestão e de ensino.

A Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP é um bom exemplo de instituição educacional que tem um programa destinado a população idosa denominado Unicap Prata, em cuja página há divulgação de programação anual com doze temas, relacionado ao ensino, oficinas, rodas de conversa, dança circular, cinema, grupo socioemocional, orientação jurídica etc., constituindo-se num arcabouço robusto de atividades correlacionadas a população 60+.

Dando sequenciamento a pesquisa, não encontramos referências a pastorais ou ministérios relacionados a população idosa que pudessem estar ativos em sites de denominações cristãs históricas como a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB3; Igreja Evangélica Luterana do Brasil – IELB4; Convenção Batista Brasileira – CBB5; Igreja Metodista6.

3. Considerações finais

O envelhecimento é um processo normal na vida, que inicia quando da concepção e termina com a morte, entretanto, temos a “mente de Cristo” (1Co 2.16), devendo o cristão refletir que embora tenha mais passado do que futuro, a ideia é morrer jovem o mais velho possível, pois viver é diferente de estar vivo.

Inobstante o rápido envelhecimento da população brasileira, deduzimos que as denominações eclesiásticas devem melhor se preparar para assistir esse nicho de sua membresia. A maioria das igrejas evangélicas tem programas especiais para crianças, adolescentes, jovens, senhoras, corais, universitários, casais e outros, mas ainda quase nada ou pouquíssima coisa para os idosos.

Enfatizamos que um programa para idosos depende de fatores locais, da cultura, dos recursos financeiros, das prioridades, da visão pastoral e do grau de amor e respeito pela ancianidade, mas, sobretudo, da vontade de fazer um modelo alternativo de atenção, que fuja de modelos de exclusão social.

Cesár (1999) apud Célia Pereira Caldas, salientou “que Deus permita aos jovens e aos líderes a clareza e antevisão necessária para ampliar os horizontes daqueles que chegam à terceira idade, pois este é o destino de todos nós”.

A Igreja Presbiteriana do Brasil implementou trabalho centralizado numa Secretaria conduzida por um dos pastores daquela denominação, com replicação nos Sínodos e Presbitérios daquela denominação, mais ainda com aparente pouco impacto nas igrejas locais.

As instituições de ensino UNICAP e FTSA têm programa de incentivos, sendo o da primeira mais relevante, com extensa programação ativa e com efeitos efetivos sobre a população.

O trabalho desenvolvido pelo Movimento Cristão 60+ tem excelente abrangência, em face do caráter supra denominacional, com realização de encontros nacionais, regionais, robustez na mídia, levando aos participantes a conscientização sobre a necessidade de uma pastoral específica para os idosos, redundando em ações locais.

Saber envelhecer é uma arte, é o processo natural da vida, motivo da gratidão a Deus pela vida vivida, saúde, família, amigos e irmãos, pois toda boa dádiva Dele é procedente, conforme Salmos 92:12-15:

O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano. Plantados na Casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos, serão cheios de seiva e de verdor, para anunciar que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça (Salmos 92:12-15).

Notas

1. As citações bíblicas, ocorrerão segundo a versão Nova Almeida Atualizada (NAA)

2. Bíblia de Jerusalém

3. PORTAL LUTERANO. Menu. https://www.luterano.org.br/ – Acesso em 20mar2026

4. PORTAL IELB. Pesquisa. https://www.ielb.org.br/pesquisa – Acesso em 20mar2026

5. PORTAL CBB. Pesquisa. https://convencaobatista.com.br/site/index.php – Acesso em 20mar2026

6. PORTAL IGREJA METODISTA. Busca. https://www.metodista.org.br/igreja/ – Acesso em 20mar2026

Referências

AGÊNCIA GOV. Chance de vida longa no Brasil é a maior da história.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.

CENSO 2022, Panorama Censo 2022. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Acesso em: 05 mar 2026.

CÉSAR, Kléos Magalhães Lenz. Fui moço, agora sou velho… e daí? Viçosa: Ultimato, 1999

D´ANDREA, Rafael. Reinventando-se depois dos 50 anos de idade: como fazer a transição de carreira e carreira-bônus. São Paulo: Atlas, 2019.

FTSA. Benefícios para nossos estudantes. Acesso em 20 de março de 2026

IPB. Secretaria da Terceira Idade. Acesso em 20mar2026

MOVIMENTO CRISTÃO 60+. Quem somos? Acesso em: 05 mar 2026.

NULAND, Sherwin B. A arte de envelher. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007

PALMS, Roger C. Celebrando a vida depois dos 50. Niterói: Textus, 2000

PORTAL CBB. Pesquisa. https://convencaobatista.com.br/site/index.php . Acesso em 20mar2026

PORTAL IELB. Pesquisa. https://www.ielb.org.br/pesquisa  Acesso em 20mar2026

PORTAL LUTERANO. Menu. https://www.luterano.org.br/ – Acesso em 20mar2026

REPAPI. Rede de apoio à pessoa idosa. Igreja Presbiteriana do Farol | Repapi Acesso em: 05 mar 2026.

TOURNIER, Paul. É preciso saber envelhecer. Viçosa: Ultimato, 2014

UNICAP. Unicap prata.https://portal.unicap.br/prata – Acesso em 20mar2026

ULTIMATO. Envelhecimento da população requer novas políticas públicas e atenção da igrejav. Acesso em 20mar2026.

WIKIPEDIA. Censo  Demográfico. Acesso em: 19mar2026

Elias Bispo é contador, atua na área financeira há 44 anos, educador financeiro, servidor público, casado com Mércia (psicóloga) há 42 anos, um casal de filhos, três netos, presbítero na Igreja Presbiteriana Madalena.

Imagem: Unsplash.

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