Antes só que mal acompanhado. Será?

Pessoas que têm relacionamentos significativos e profundos tem maior qualidade de saúde mental e física, impactando também na longevidade

Por Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski

Um ditado muito popular estimula as pessoas a selecionarem seus relacionamentos a fim de não se envolverem com quem possa lhe trazer problemas. Entretanto essa interpretação do referido ditado pode levar ao isolamento social, o que não é nem um pouco saudável.

Na perspectiva da saúde, o Brasil adotou um princípio de associar cores a alguns meses do ano para fazer campanhas acerca de cuidados essenciais com algumas áreas. Assim temos o setembro amarelo – prevenção do suicídio; o outubro rosa – prevenção do câncer de mama; o novembro azul – prevenção do câncer de próstata, etc. O mês de janeiro é dedicado ao cuidado com a saúde mental e é chamado janeiro branco.

A saúde mental passa obrigatoriamente pela qualidade dos relacionamentos que desenvolvemos. Somos seres gregários pois fomos criados para vivermos em relacionamentos. Na perspectiva bíblica da criação a única coisa que não foi boa em toda a criação divina foi a falta de outro ser que correspondesse ao primeiro ser humano criado: “Então o Senhor Deus declarou: ‘Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda’”. (Gn 2.18).

Desta forma, na perspectiva cristã, somos seres criados para vivermos em relacionamentos e a qualidade desses relacionamentos está diretamente associada à qualidade de saúde integral da pessoa.

Infelizmente, vemos as pessoas muito preocupadas como o seu bem-estar físico, fazendo exercícios em academias (às vezes de forma até exagerada) e buscando uma alimentação mais saudável (sempre que a consciência e o orçamento permitem), porém pouco atentas ao desenvolvimento de uma “saúde relacional”.

Um estudo apresentado por Robert Waldinger1, diretor do estudo de Harvard, sobre o desenvolvimento adulto, destaca que, realmente, a qualidade dos relacionamentos é o maior preditor de saúde a longo prazo e é um fator chave para a longevidade e saúde a longo prazo, sendo um fator muitas vezes ignorado e por conseguinte negligenciado.

De acordo com o referido estudo, a qualidade dos relacionamentos é um dos principais indicativos da qualidade de saúde integral ao longo da vida, ou seja, pessoas que têm relacionamentos significativos e profundos têm maior qualidade de saúde mental e física, impactando também na longevidade.

O estudo destaca ainda que pessoas solitárias tendem a ter saúde integral deteriorada e se sentirem mais infelizes que as que possuem bons relacionamentos. Também rejeita a ideia de que o sucesso financeiro é o fator mais associado ao sentimento de felicidade.

Não se trata necessariamente da quantidade de amigos que uma pessoa tem, mas da qualidade dos vínculos. Sentir que é possível contar com os outros em momentos difíceis é fundamental.

Ainda, segundo o estudo apresentado por Waldinger, relacionamentos saudáveis protegem o corpo e o cérebro, ajudando a regular o estresse e a prevenir doenças crônicas como diabetes, artrite e declínio cognitivo. A satisfação nos relacionamentos na meia-idade foi um preditor de saúde melhor do que os níveis de colesterol. Em contrapartida a solidão é considerada tão prejudicial à saúde quanto fumar ou ter consumo de álcool em excesso.

Infelizmente, na nossa sociedade pós-moderna, as pessoas estão cada vez mais isoladas, apesar de estarem sempre conectadas. Essas conexões, tratam-se de uma espécie de ‘pseudo-relacionamentos’ nos quais as trocas acabam sendo apenas de informações: locais agradáveis onde estiveram; viagens fantásticas feitas; momentos felizes ou mesmo tristes (como doenças e mortes) vivenciados, mas todos comunicados com a frieza de um noticiário e mediados pela tecnologia das telas.

A participação em redes sociais, por si só, não substitui a conexão emocional significativa provida por interações face a face de qualidade. O abraço, o aperto de mão, os olhos nos olhos durante a conversação fazem muita diferença na qualidade dos relacionamentos.

Sem mencionar a transitoriedade egocêntrica dos relacionamentos virtuais, os quais o sociólogo Zygmunt Bauman denomina de ‘relações líquidas’2 por serem menos frequentes e menos duradouros, em que as relações amorosas deixam de ter aspecto de união e passam a ser mero acúmulo de experiências e qualquer contrariedade desfaz o relacionamento em apenas um toque na tela.

Como cristãos somos chamados a viver uma dimensão relacional que ultrapassa todas as possibilidades imagináveis do mero convívio humano: “Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração” (At 4.32). Essa dimensão é reafirmada com uma imagem extremamente forte de interrelação: membros uns dos outros (1Co 12.12-27).

Por isso é muito importante desenvolvermos relacionamentos significativos que nos acompanhem ao longo da vida. Não só os relacionamentos de família, mas de amizades que perdurem e com as quais possamos contar. Isso será fator de fortalecimento de nossa saúde integral.

Notas

1. Harvard Study of Adult Development, a pesquisa longitudinal mais longa do mundo sobre a vida adulta. Iniciado em 1938, o estudo acompanhou centenas de homens (e posteriormente suas famílias, incluindo cônjuges e mais de mil descendentes) por mais de 85 anos para descobrir o que realmente contribui para uma vida longa, saudável e feliz.

2. Zygmunt Bauman. Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos (Liquid Love: On the Frailty of Human Bonds. Cambridge: Polity). Traduzido por Carlos Alberto Medeiros. Jorge Zahar Editor.

Imagem: Unsplash.

Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família, e membros da Igreja Luterana. São autores de Pais Santos, Filhos Nem Tanto. Acompanhe o blog: ultimato.com.br/sites/casamentoefamilia/.

Virada de ano

Por Oseas Heckert

Senhor, ao começar este novo ano, ajuda-me a me aquietar nos Teus braços, e a abrir o meu coração para o que Tu tens preparado para mim no novo ano que vai começar.

CELEBRAÇÃO

Relembre momentos relevantes, conquistas, alegrias dos últimos meses.

Quem me encorajou? Quem me ajudou? Quem me inspirou com palavras e atitudes?

Demonstre sua gratidão a Deus com o Salmo 36.5-9:

O teu amor, Senhor, chega até os céus;

a tua fidelidade até as nuvens.

A tua justiça é firme como as altas montanhas;

as tuas decisões, insondáveis como o grande mar.

Tu, Senhor, preservas tanto os homens quanto os animais.

Como é precioso o teu amor, ó Deus!

Os homens encontram refúgio à sombra das tuas asas.

Eles se banqueteiam na fartura da tua casa;

tu lhes dás de beber do teu rio de delícias.

Pois em ti está a fonte da vida;

graças à tua luz, vemos a luz.

Em que me tornei melhor? Quais foram os aprendizados, novos hábitos adquiridos?

O que eu quero levar para o novo ano?

LAMENTO E ARREPENDIMENTO

Como fui afetado pelas agitações sociais e políticas nos últimos meses?

Quais foram os momentos mais difíceis e doloridos?

Reconheça a presença e o cuidado de Deus em meio a tudo o que passou.

Do que me arrependo de ter pensado, feito, dito, ou de ter me omitido?

Aproprie-se da compaixão e do perdão de Deus, com o Salmo 103.11-14: 

Pois como os céus se elevam acima da terra,

assim é grande o seu amor para com os que o temem;

e como o Oriente está longe do Ocidente,

assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões.

Como um pai tem compaixão de seus filhos,

assim o Senhor tem compaixão dos que o temem;

pois ele sabe do que somos formados;

lembra-se de que somos pó.

Ao entrar no novo ano, quais experiências/sentimentos quero deixar para trás?

Reflita sobre Hebreus 12.1,2:

Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.
 

Em que me considero menos capaz que os outros?

Tenho relutado em pedir ajuda? Por quê?

Senhor, ajuda-me a abandonar as coisas e emoções que atrapalham minha caminhada.

Ajuda-me a me livrar das mágoas e raízes de amargura.

Eu quero seguir livre de tudo isto no novo ano que começa.

Eu quero me livrar do pecado que tenazmente me assedia. 

Eu peço e recebo o Teu perdão. 

Ajuda-me a manter meus olhos fixos em Jesus, para eu seguir com perseverança a jornada que está posta diante de mim.

RECOMEÇO E RESOLUÇÕES

Receba a orientação de Deus. Ore com o Salmo 25.4-6:
Mostra-me, Senhor, os teus caminhos,

ensina-me as tuas veredas;

guia-me com a tua verdade e ensina-me,

pois tu és Deus, meu Salvador,

e a minha esperança está em ti o tempo todo.

Como eu me sinto diante do novo ano? Quais são as minhas expectativas?

Estou ansioso com relação a alguma coisa?

Abra seu coração diante de Deus.

Senhor, o que Tu queres de mim neste novo ano?

Como Tu queres que seja diferente?

Estás me convidando a desenvolver alguma nova disciplina espiritual?

Fala, Senhor, pois o teu servo está ouvindo. (cf 1 Samuel 3.10)

Observe o depoimento de Paulo aos Filipenses 3.12-14:]

Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

Reflita sobre Romanos 8.28: Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.

Mesmo quando você não perceber, Deus está trabalhando em sua vida.

Senhor, eu entrego a Ti o novo ano. Tu és o autor e consumador da minha fé. 

Eu me submeto à história que Tu estás escrevendo em mim e através de mim.

(Adaptado de Lectio 365)

Oseas Heckert é consultor de empresas e “aprendiz de poeta, ainda que tarde”. Escreve para www.antropogogia.net.

Leia mais:

“Ensina-nos a contar os nossos dias” , por Lili Yoshimoto

Nada é para sempre? , por Christian Gillis