A corrida da fé: foco, disciplina e propósito na jornada cristã

Acumular anos de bagagem não significa sair da pista; pelo contrário, significa correr com mais sabedoria, foco e clareza de propósito

Por Manuela Bremer

Quando olhamos para a caminhada com Deus na maturidade, é fácil associá-la a um tempo de desaceleração e apenas contemplação. No entanto, as Escrituras nos revelam que a vida cristã guarda uma dinâmica vibrante e cheia de energia. Em Hebreus 12.1-4, o autor utiliza a metáfora do esporte para nos lembrar de que a nossa fé não é uma espera estática, mas uma verdadeira corrida da fé – uma jornada de movimento contínuo, fôlego renovado e propósito eterno em qualquer estação da vida.

Para os 60+ cristãos, olhar para essa metáfora traz um significado ainda mais especial. Afinal, acumular anos de bagagem não significa sair da pista; pelo contrário, significa correr com mais sabedoria, foco e clareza de propósito. Mas, afinal, qual tem sido o nosso papel nessa corrida?

Onde está o seu lugar na pista?

O texto de Hebreus nos exorta a correr com perseverança a prova que nos é proposta. Contudo, muitas vezes, corremos o risco de nos posicionarmos de maneira equivocada. Parar para refletir sobre isso é o primeiro passo para alinhar o nosso coração:

  • Na arquibancada: Apenas assistindo os outros viverem a fé de forma passiva, como meros espectadores?
  • Na beira da pista: Atuando como torcedores que até incentivam, mas evitam o desgaste do esforço pessoal?
  • Como juízes ou fiscais: Pontuando o erro alheio e apontando o dedo para quem está correndo?

A Palavra nos lembra que, quando aceitamos a graça e recebemos o Espírito Santo, já fomos inscritos na competição. Não há espectadores na vida com Deus; somos todos corredores.

Disciplina, nutrição e equipamento adequado

Todo atleta de alto rendimento sabe que vencer exige rigor e escolhas intencionais. Na corrida espiritual, isso não é diferente.

Primeiramente, o corredor cuida da sua nutrição. Qual tem sido o nosso apetite

espiritual? Do que temos nos alimentado diariamente? Consumimos conteúdos e hábitos que parecem inofensivos, mas que silenciosamente comprometem o nosso rendimento, a nossa performance espiritual e o nosso propósito eterno? Alimentar-se é uma

necessidade, mas nutrir a alma é o que nos mantém firmes.

Em segundo lugar, o atleta veste-se adequadamente. Ninguém vai para uma maratona de calça jeans ou carregando pesos desnecessários. O texto de Hebreus é direto ao nos orientar a nos livrarmos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que tão de perto nos rodeia. Isso exige escolhas diárias de descarte: largar o peso do passado, buscar a santificação contínua e permitir a renovação diária da mente.

Vale lembrar, ainda, que nenhum corredor está isolado. Temos uma equipe, um time – que é a nossa comunidade de fé, a Igreja – e temos o nosso técnico, o Senhor Jesus.

Diferente de uma prova de 100 metros (um tiro curto), a corrida da fé é uma maratona de longa duração. Ela inevitavelmente apresenta obstáculos, momentos de cansaço e intempéries. É por isso que o versículo 3 traz um imperativo indispensável: nãodesanimem!

Nessa jornada, ocorre a sublime troca de bastão. O capítulo 12 de Hebreus é precedido pela célebre “galeria da fé” no capítulo 11, que nos recorda aqueles que correram antes de nós, muitos entregando a própria vida por amor ao Evangelho. Hoje, nós recebemos esse legado e temos o privilégio de inspirar as gerações seguintes, mantendo o passo firme e perseverante.

Cruzando a linha de chegada com excelência

Para coroar essa reflexão, o apóstolo Paulo nos deixa uma advertência preciosa em 2 Timóteo 2.5: “O atleta que toma parte numa corrida não recebe o prêmio senão obedecer às regras da competição”.

A nossa corrida ainda não terminou. Enquanto houver fôlego em nossos pulmões, Deus tem um propósito singular para cada um de nós. Que possamos, dia após dia, tirar os pesos desnecessários, fixar os olhos em Jesus – o autor e consumador da nossa fé – e continuar correndo com alegria, disciplina e perseverança até o fim.

Manuela Bremer é gerontóloga, comunicadora e empresária. Integra o Grupo Base do MC60+.

Imagem: Unsplash.

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