Campanha internacional incentiva a proteção e divulga como denunciar e combater a violência contra o idoso
Por Xênia Marques Lança de Q. Casséte

O Junho Violeta é um movimento internacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a pessoa idosa, com ações realizadas em diversos países. O marco central da campanha é o Dia Mundial de Conscientização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, e instituído em 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O objetivo da campanha é alertar a população sobre a existência de violações dos direitos dos idosos, incentivar a rede de proteção e divulgar formas de denunciar e de combater a violência contra este grupo.
No Brasil, o tema proposto pelo Governo Federal para o Junho Violeta em 2026 é “A liberdade não tem prazo de validade”, e o lema “A experiência ensina. O respeito protege”. A campanha é liderada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
Segundo a Agência Brasil, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), registrou 75.701 denúncias de violência contra idosos pelo canal Disque 100 nos primeiros quatro meses de 2026, contra 58.297 no mesmo período do ano passado.
De acordo com o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), considera-se violência contra o idoso qualquer ação ou omissão que lhe cause morte, dano ou sofrimento, seja ele físico, psicológico ou financeiro/patrimonial e por negligência. Hoje, há 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais.
Reflexões sobre o preconceito em razão da idade

Um excelente documento sobre o tema, à disposição de quem se interessar, foi lançado este mês, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Trata-se da Cartilha Quem Nunca?, criada para combater o etarismo, desmistificar mitos sobre a velhice e conscientizar sobre os direitos da pessoa idosa.
O documento alerta para os diversos tipos de violência contra o idoso (física, psicológica, patrimonial e negligência) e destaca a importância da denúncia. Clique aqui para acessar a cartilha gratuitamente.
Conforme a cartilha Quem Nunca?, “Etarismo, ageísmo e idadismo são termos utilizados para expressar a discriminação ou preconceito em razão da idade. Diferentemente das demais formas de discriminação, incluindo o sexismo e o racismo, o etarismo é pouco conhecido e debatido, além de ser socialmente aceito e fortemente institucionalizado, o que demanda uma imediata conscientização da sociedade acerca da sua existência e de seus efeitos prejudiciais para a qualidade de vida e a inclusão social da população idosa”.
Junho Violeta: MDHC já registrou 72 mil denúncias de violência contra o idoso em 2026
Como denunciar
Denúncias de violência contra pessoas idosas podem ser registradas anonimamente pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia.
Também recebem denúncias o telefone 190 da Polícia Militar, o Centro de Referência de Assistência Social e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, além das Delegacias especializadas, centrais judiciais do idoso, em qualquer delegacia de polícia e no Ministério Público e na Defensoria Pública.
O MC60+ e o Junho Violeta
O Movimento Cristão 60+ (MC6+) está engajado nesta campanha Junho Violeta e entende que faz parte do desejo da justiça de Deus para com a pessoa idosa assim como para toda a humanidade. Em Levítico 19.32, a Bíblia ensina: “Fiquem de pé na presença das pessoas idosas e as tratem com todo o respeito; e honrem a mim, o Deus de vocês. Eu sou o Senhor”. E muitos outros textos bíblicos garantem respeito e cuidado ao idoso como sendo a vontade de Deus.
Damos graças a Deus pelo trabalho da Igreja no Brasil que já demonstra preocupação com seus idosos e realiza muitas atividades para garantir bem-estar, segurança e proteção aos 60+. E acreditamos que Igreja também precisa continuar a se engajar, a apoiar as instituições governamentais que trabalham para proteger o envelhecimento da população e para garantir os direitos da pessoa idosa. Entre diversas maneiras de fazer isso, seguem algumas sugestões:
– Criar um grupo específico de trabalho com os 60+ da igreja.
– Fazer palestras sobre esse tema.
– Informar ao idoso sobre seus direitos.
– Informar os telefones de denúncia sobre violência contra o idoso.
– Colocar alguém ou um grupo em contato direto com os idosos com mais de 70 anos para acompanhar sua caminhada e relacionamentos e deixar o idoso seguro e tranquilo sobre este suporte, inclusive sobre poder contar com ajuda para fazer denúncia, se for o caso.
Imagem: Unsplash.
Xênia Marques Lança de Q. Casséte é jornalista, esposa e mãe. Membro da Igreja Batista da Redenção, faz parte da equipe do Coletivo Bereia de informação e checagem de notícias.
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