O elo emocional que aproxima os extremos da idade e embeleza a relação avós-netos é poderoso demais para ser ignorado
Por João Soares da Fonseca

Desde que chegamos em 2022 à igreja de que somos membros, Zion Baptist Church, em Walton, Kentucky, impressionou-nos uma avó trazendo dominicalmente seus três netos. Bem disciplinados, os meninos se comportavam exemplarmente no culto. Qualquer ameaça de traquinagem era desestimulada pelo olhar fulminante da avó. Quase três anos depois, no domingo antes do último Natal, os três irmãos foram batizados, confessando sua fé em Cristo. Foi uma festa na pequena igreja. Aproveitei para parabenizar a avó, por seu zelo e perseverança em trazê-los à igreja e em conduzi-los aos pés da cruz.
O batismo dos três irmãos me lembrou um dado anotado por um acadêmico canadense, chamado Reginald W. Bibby (1943—). Premiado pesquisador de tendências religiosas, Bibby concluiu que os canadenses deverão retornar à igreja nos próximos anos, motivados por um fator que quase sempre passa despercebido: a nostalgia.
O fenômeno não é exclusivo do Canadá. No Brasil também temos milhares de jovens que nasceram e cresceram na igreja, tendo sido alimentados pelo leite revigorante da Palavra de Deus, conduzidos pelos avós. Mas à medida que cresceram, abandonaram a igreja, especialmente nos dias turbulentos da universidade, quando sua fé ingênua não conseguiu resistir aos ataques do racionalismo ateu. E assim, cedendo cegamente às tentações do secularismo, deixaram a casa paterna e foram procurar a ilusória felicidade que supunham existir na terra distante.
Acontece que os anos passam. Os avós passam. Os pais partem. O menino vira velho. A menina, uma senhora de respeito. E é aí que entra o fator nostalgia, de Bibby. Eles conservam agradabilíssimas recordações da infância, quando a vovó os levava à igreja. E começam a voltar. Confirmo essa conclusão porque eu mesmo colhi frutos dessa bênção ao batizar alguns irmãos canadenses com esse perfil. Quando, na profissão de fé, perguntei como chegaram à conclusão de que Jesus é a única esperança de salvação, vários deles responderam que foram levados à igreja por seus avós. Agora, cinquentenários, retornavam à igreja, com saudade da vovó.
Claro que o fator nostalgia também funciona com os pais. Mas avós são outra história. O elo emocional que aproxima os extremos da idade e embeleza essa relação é poderoso demais para ser ignorado. Concluo com um desafio ao senhor, vovô, e à senhora, vovó: Se seus filhos não estão trazendo os seus netos à igreja, que tal combinar com eles e levar os pequeninos consigo à igreja e consequentemente a Cristo?!
João Soares da Fonseca é pastor.
Artigo publicado orginalmente na Revista Novas, nº 406, janeiro de 2026. Reproduzido com permissão.
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