Descartável, mas reciclável

O ser humano não é somente pó. Possui alma e espírito. Ambos não são descartáveis

Por Wilfried Körber

Cada vez mais o mundo se dá conta de que o desperdício deve ser evitado. O muito lixo está sufocando a terra, as águas, o ar e até a estratosfera e mais além, depositando resíduos em outros planetas. Os “verdes”, a ecologia, defendem e propagam a necessidade de evitar-se toda essa contaminação da natureza. Muita gente os apoia e esse apoio vem crescendo à medida que se encontram métodos de aproveitamento do que era jogado fora, e pessoas ou empresas que desenvolvem mecanismos e sistemas de recuperação, transformam parte do lixo em nova matéria prima e consequentemente em dinheiro. Há os bens “duráveis”, que todavia cada vez duram menos. Há os eletrônicos, que se tornam obsoletos, antes mesmo de, estarem estragados. Há os descartáveis que assim se tornam (e são muitos) após serem usados uma única vez. Há aqueles que precisam ser descartados sem oferecerem, por ora, a possibilidade de reciclagem. Que situação! A criação de Deus é destruída, em sua qualidade, pelo homem: o ar, a água, a terra, a vegetação e a saúde.

O ar é reciclado pela própria natureza, pelo movimento das águas e pelo respirar das florestas. A água é reciclada pelo ciclo da evaporação e das chuvas, a terra recebe novas forças pelo descanso entre safras e pelos materiais orgânicos que nela são depositados, a vegetação morre e renasce, se encontrar ambiente favorável. A saúde pode ser promovida ou abusada, sofrendo as atitudes do corpo e da alma. Algo parecido acontece com o ser humano. Uns são descartados ainda em vida: à margem da sociedade, nas sarjetas, em asilos ou hospitais. Não há nada a fazer com eles. Que miséria! Foram algum dia crianças bonitinhas, possivelmente queridas e acariciadas. De repente sua beleza desapareceu e ninguém mais os quer. Serão descartáveis! Outros vivem sua vida, curta ou longa, com alegria, ou tristeza, cheios de esperança ou desesperados, vivem modestamente ou possuem riquezas, às vezes incalculáveis. Chega o dia em que, ao se “despedaçar seu copo de ouro e desfazendo-se a roda junto ao poço, o pó volte à terra” (conf. Ec 12.6), descartado, porque para nada mais serve.

O ser humano não é somente pó. Possui alma e espírito. Ambos não são descartáveis. Para a alma prevê-se um renascimento e o espírito é vida e tendo sido dado por Deus, para ele volta. Reciclável é a alma do homem. A alma é o que representa nossa personalidade, nosso eu. A alma deseja, sente e crê. Minha alma sou eu. Ela perde sua característica original, abrigada por um corpo mortal e descartável, mas ela mesma será reciclada. Isso acontecerá no grande dia da ressurreição, quando o Senhor voltar e buscar os seus e restaurar-lhes uma nova vida, com um novo corpo, perfeito (1Co 15.44). Aqui vem uma surpresa. Nesse caso o reciclado será melhor que o original. Deus seja louvado! Portanto não tenho medo de ser descartado, pois aguardo, cheio de fé e esperança a reciclagem. Você também já chegou a essa convicção?

Wilfried Körber nasceu em Göttingen na Alemanha em 1931 e vive no Brasil desde 1937. Converteu-se aos 16 anos na então Igreja Alemã Batista Zoar, frequentada por sua mãe. Membro fundador da Igreja Batista Filadélfia de São Paulo, envolveu-se com o trabalho de evangelização de crianças e missões, com sua esposa Gisela, de saudosa memória. Há mais de uma década escreve textos para o devocionário Presente Diário. Atualmente vive em Sorocaba, SP. @lampadaparaosmeuspes_.

Texto baseado na devocional feita pelo autor no encontro de oração do Movimento Cristão 60+ no dia 2/3/2026.

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Imagem: Unsplash.

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